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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Estatísticas Indígenas


Tribos Indígenas Brasileiras
14 de abril de 2005
Banco de Dados do Departamento de Assuntos Indígenas da AMTB
Organizador: Rinaldo de Mattos (JMN/CBB)
Pesquisador: Paulo Bottrel (JMN/CBB)
Número de Tribos:

Conhecidas ..(C): 228 (população: 377.118)
Isoladas .........(I): 30 (população: 1.561)
A Pesquisar ..(P): 50 (população: 2.560)
Duvidosas ....(D): 48 (população: 2.217)

Total ................... 356 (população: 383.456)
Considerando apenas as Tribos Conhecidas (C) e Isoladas (I):

Total de Tribos .... 258 (população: 378.679)
Situação quanto à distribuição da população:

Menos de 100 pessoas .............. 46
Entre 100 e 1.000 pessoas ....... 121
Entre 1.000 e 10.000 pessoas .... 58
Entre 10.000 e 20.000 pessoas .... 6
Entre 20.000 e 30.000 pessoas .... 2
Mais de 30.000 pessoas ............... 1
População indeterminada ........... 24
Situação quanto ao evangelho (EVG):

Não alcançadas ...........................................(N): 66
Alcançadas só por Missões Católicas .......(AC): 26
Alcançadas só por Leigos ..........................(AL): 9
Alcançadas só com Tradução ....................(AT): 3
Alcançadas só com Missões ......................(AM): 5
Alcançadas insuficientemente .....................(AI): 34
Alcançadas satisfatoriamente .......................(A): 82
Alcançadas e com Liderança Autóctone ....(AA): 20
Situação indeterminada ................................(?): 13

Tribos sem presença missionária evangélica ..........92

Situação quanto à tradução (TRD):

Possuem a Bíblia completa na língua .............................................................................(BCL): 5*
Possuem o Novo Testamento na língua .........................................................  ...............(NTL): 36**
A tradução está em processo na língua ..........................................................................(TPL): 19
A tradução está no começo na língua ............................................................................(TCL): 12
A tradução foi interrompida, mas precisam dela .........................................................(TIL-PTR): 2
A análise língüística está em processo ..............................................................................(APL): 8
A análise língüística está no começo ................................................................................(ACL): 13
A análise lingüística foi interrompida, mas precisam de tradução ..................................(AIL-PTR): 1
Precisam de tradução, com certeza .................................................................................(PTR): 10
Provavelmente precisem de tradução ...............................................................................(INT): 48 Provavelmente não precisem de tradução ........................................................................(CNT): 23
Talvez precisem de nova versão em português .................................................................(INV): 48
Possuem o NT num país vizinho, mas precisam de adaptação ....................................(NTV-PTR): 1
Possuem o NT num país vizinho, mas provavelmente precisem de adaptação .............(NTV-INT): 6
Possuem o NT num país vizinho, mas provavelmente não precisem de adaptação ......(NTV-CNT): 1
O NT está em processo num país vizinho, mas precisam de adaptação ........................(TPV-PTR): 1
O NT está em processo num país vizinho, mas provavelmente precisem de adaptação ......(TPV-INT): 6
O NT foi interrompido num país vizinho, mas provavelmente não precisem de tradução .....(TIV-CNT): 1
Possuem o NT numa língua similar, mas provavelmente precisem de adaptação................(NTS-INT): 9
Possuem o NT numa língua similar, mas provavelmente não precisem de adaptação.........(NTS-CNT): 4
O NT está em processo numa língua similar, mas provavelmente precisem de adaptação ....(TPS-INT) 3
O NT está em processo numa língua similar, mas provavelmente não precisem de adaptação....(TPS-CNT): 1

* Na verdade, são 2 línguas (Guarani-Mbyá e Wai-Wai), mas o Wai-Wai é falado por 4 tribos (Katuena, Mawayana, Wai-Wai e Xereu).
** Na verdade, são 32 línguas, mas o Tukano é falado por 4 tribos (Miriti, Pira-Tapuia, Siriano e Tukano) e o Nheengatu por 2 (Baré e Warekena).

Tribos que já têm a Bíblia completa na língua (BCL) ................................. 5
Tribos que já têm o Novo Testamento na língua (NTL) ............................. 36
Tribos que estão sendo alvo de tradução (TPL, TCL, APL e ACL) ............ 52
Tribos reconhecidamente carentes de tradução (PTR e XXX-PTR) ........ 15
Tribos provavelmente carentes de tradução (INT e XXX-INT) ................... 72
Tribos provavelmente não carentes de tradução (CNT e XXX-CNT) ........ 30
Tribos possivelmente carentes de nova versão em português (INV) ......... 48
Situação quanto ao desafio representado (DES):

Desafio de Atração ...............(AT): 30
Desafio de Tradução ............(DT): 13
Desafio de Adaptação ..........(DA): 2
Desafio de Evangelização ....(DE): 80
Desafio de Consolidação .....(DC): 26
Sem Desafio .........................(SD): 93
Desafio Indefinido ..................(DI): 14

"Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor. E então se dirigiu a seus discípulos: A seara na verdade é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara" (Mateus 9.36-38).

Para maiores informações, entre em contato com:
Banco de Dados do Departamento de Assuntos Indígenas da AMTB
SCRN 714/715 Bloco F Loja 18
70761-660 Brasília, DF
Tel: (61) 349-8787
http: //www.amtb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=98&Itemid=196

quinta-feira, 4 de julho de 2013

O campus é a seara

Apesar das restrições e dos perigos, professores cristãos implantam universidades em nações fechadas como China e Coreia do Norte.

O campus é a seara
Portas inusitadas para o Evangelho estão se abrindo em duas das nações que mais impõem restrições á fé cristã. Na China, celebrada por seu espetacular crescimento econômico, embora permaneça avessa à liberdade religiosa, e na ultrafechada Coreia do Norte – um dos últimos refúgios mundiais do comunismo ateísta –, é através do ensino superior que a Palavra de Deus ganha espaço. Universidades licenciadas pelo Estado, cuja administração e corpo docente são formados predominantemente por cristãos, estão colaborando para mudanças ainda pequenas, mas significativas. Através delas, por exemplo, cidadãos ocidentais podem entrar e sair livremente por fronteiras antes praticamente intransponíveis, levando consigo a Palavra de Deus. E tudo tem acontecido graças à iniciativa de empresários e intelectuais com forte senso de missão – tanto a educacional quanto a espiritual.
A poucos quilômetros da fronteira entre os dois países, no lado chinês, funciona, há 20 anos, a Universidade Yanbian de Ciência e Tecnologia (Yust, na sigla em inglês). Ela está localizada em Yanji, região com grande concentração de coreanos. Fundada pelo empresário James Kim, que tem cidadania americana e coreana, a instituição tem visto o número de estudantes crescer bastante nos últimos anos. Acusado, em 1998, de ser espião a serviço dos Estados Unidos, Kim escapou das ameaças de morte e hoje goza de respeito por parte das autoridades norte-coreanas. Seu maior desejo era o de fundar uma filial da universidade do lado de lá da fronteira. Há três anos, esse desejo tornou-se realidade, quando Kim, juntamente com administradores e conselheiros internacionais, fundou a Universidade Pyongyang de Ciência e Tecnologia (Pust), na capital do país.
A abertura de uma universidade privada no país mais refratário ao livre mercado é algo inédito, e pode ser considerado um milagre. A Pust cresce em ritmo acelerado, e à semelhança de sua congênere chinesa, tem corpo docente e funcionários majoritariamente cristãos. Em 2010, a universidade tinha 160 alunos. Desde então, o número de matriculados quase duplicou, tanto nos cursos de graduação como nos de pós. Além de engenharia elétrica e de informática, gestão internacional, agricultura e ciências humanas, a instituição planeja abrir cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de saúde pública, direito e engenharia mecânica. Kim montou uma sólida rede de colaboradores, quase todos cristãos, como o lorde britânico David Alton; Malcolm Gillis, ex-presidente da Universidade Rice e atual co-presidente do conselho de Pust; e Peter Agre, vencedor do Prêmio Nobel de Química e diretor do Instituto de Pesquisa de Malária Johns Hopkins. O reitor de Yanbian, Chan-Mo Park, já presidiu Universidade Pohang de Ciência e Tecnologia, prestigiada instituição norte-coreana.
Essas duas universidades irmãs estão se aproveitando de uma tendência crescente da educação superior global – a grande demanda por professores universitários falantes da língua inglesa. Daryl McCarthy, presidente do Instituto Internacional de Estudos Cristãos (IICS), diz que há, hoje, muitas oportunidades para que acadêmicos cristãos deem aulas no exterior: "Estive reunido com dezenas de autoridades de universidades públicas ao redor do mundo que, muitas vezes, imploraram para que professores viessem ensinar em suas instituições". A organização que ele dirige empregou docentes em universidades públicas de 23 países.

AMIZADE E EVANGELISMO
Há muitos anos, Ray Lewis, um professor de biologia da Universidade Wheaton (EUA), conheceu Joshua Song, que trabalhava, na época, como professor auxiliar de física. Song, que também era professor da Yust, apresentou Lewis a vários estudantes daquela faculdade, inclusive a um aluno de graduação que havia se convertido ao cristianismo quando frequentava as aulas na Yanbian. As histórias que Song compartilhou com esses alunos chamaram a atenção de Lewis. Em 2011, o professor de biologia decidiu passar um período sabático na Yust junto com sua mulher, embora nenhum dos dois falasse coreano ou mandarim. Encontrou uma realidade totalmente nova e desafiadora. Vindo de um campus onde era normal iniciar as aulas com devocionais e reflexões bíblicas, ele agora se encontrava em um ambiente onde era obrigado a assinar um contrato pelo qual se comprometia a não evangelizar os alunos. Em Yanji, na China, a única opção que tinha para frequentar cultos era um serviço realizado em um crematório reformado.
Durante o dia, Lewis dava suas aulas de genética numa turma de uns 30 alunos, inclusive chineses e coreanos que apresentavam níveis variáveis de proficiência na língua inglesa. "Alguns deles nem deveriam estar ali, já que as aulas eram dadas em inglês", lembra. Teve, então, uma ideia. Resolveu convidar os estudantes para irem até sua casa jantar e desenvolver conversações em inglês. O interesse foi grande, e nessas ocasiões, o professor e sua mulher faziam pequenas reflexões bíblicas, tanto na língua inglesa quanto em coreano. Apesar das restrições existentes para testemunhar sua fé, Lewis e outros professores crentes da Yust conseguiam muitas vezes desenvolver relações de amizade com os alunos, o que acabava trazendo oportunidades para eles falarem de Cristo. O estudo bíblico doméstico incluía dois alunos coreanos, dois chineses e um outro professor.
Uma vez que se tornaram ainda mais próximos, essas aulas de idiomas se transformaram em verdadeiros estudos da Palavra de Deus. "Nós líamos as passagens bíblicas em voz alta. Eu explicava um pouco em inglês e o professor explicava depois em coreano". Devido à profundidade de seu relacionamento com os estudantes, Lewis era capaz de adequar o tema das aulas às suas vidas pessoais. "Além da tradução das palavras, nós tentávamos transmitir o significado das passagens que líamos, fazendo com que eles entendessem quem é Jesus Cristo e o que significa segui-lo.", explica Lewis. As reuniões terminavam com orações. Naturalmente reservados, os alunos orientais raramente perguntavam alguma coisa, mas estavam sempre dispostos a ouvir e aprender mais.
Com o tempo, outros professores crentes da faculdade também recebiam os estudantes em suas casas. Ficou logo evidente que, desde que fossem cuidadosos e não organizassem cultos mais explícitos, não seriam incomodados. "Se não realizarem batismos na banheira dos dormitórios e evitarem reuniões abertas, algo que as autoridades não poderiam ignorar, eles provavelmente não terão problemas", afirma o professor Daniel Bays, especialista em estudos asiáticos.
Não por acaso, a Coreia do Norte tem sido um grande foco dos cristãos no mundo inteiro há muitas gerações. Dominado pela ditadura hereditária implantada por Kim Il-Sung desde a fundação do país, em 1948 – quem está no poder agora é seu neto, Kim Jong-um –, a Coreia do Norte já nasceu comunista, com resultado da partilha do poder mundial entre as potências ganhadoras da II Guerra Mundial. Após um conflito que, oficialmente, ainda não terminou com a vizinha do sul, o país mergulhou num período de terror e miséria como vassalo da extinta União Soviética. Um número indefinido de cristãos foram mortos por causa de sua fé e pelo menos 3 milhões de pessoas sucumbiram à fome decorrente da pobreza e do isolamento mundial imposto pelo regime, que impede até a chegada de ajuda humanitária. O evangelismo tradicional é praticamente impossível e a missão Portas Abertas, dedicada à defesa da liberdade religiosa, classifica a Coreia do Norte como o país que mais persegue cristãos hoje.

"OUVIDOS NA PORTA"
Em um contexto como esse, os professores da Universidade Pyongyang de Ciência e Tecnologia lecionam dentro de um ambiente altamente estruturado e têm pouco contato com seus alunos fora da sala de aula. Segundo Bays, na China, um professor visitante que passasse dos limites seria deportado e os alunos envolvidos, chamados para uma conversa nos departamentos estatais de controle. Na Coreia do Norte, no entanto, a penalidade pode ser muito mais severa, incluindo a prisão do estrangeiro por praticar o cristianismo. "Pelo que já li a respeito, se você for pego em um pequeno grupo participando de um culto de adoração cristã, pode ser mandado para campos de prisão por vários anos", diz ele. É difícil levar informações para fora do país, uma vez que o governo central limita fortemente a comunicação com o mundo exterior, inclusive através de censura na internet. Há pouca consciência a respeito do sistema de ensino superior da Coreia do Norte. "Francamente, ninguém nos EUA tem uma sólida compreensão acadêmica sobre o que está acontecendo naquele país.", disse Bays.
Recentemente, as missões cristãs voltaram a focar nos norte-coreanos que vivem fora do país, principalmente naqueles que estão na China. A Yust acolhe a um pequeno contingente deles. "Eu sabia que havia alguns estudantes da Coreia do Norte", destaca Lewis. "Nunca tive a oportunidade de falar com eles, pois são muito fechados". Para piorar as coisas, a embaixada norte-coreana de Pequim se mantém atenta a seus cidadãos que vivem no exterior para se certificar de que não haja problemas. Contudo, o modelo de educação que James King implementou nas duas nações asiáticas mostra uma promessa para o futuro do evangelismo em países fechados para missões tradicionais. Apesar de esses governos serem avessos à religião, eles estão desesperados por ajuda, principalmente na área da educação superior. Um número cada vez maior de professores americanos está dando aulas no exterior. Mas não há uma quantidade suficiente de docentes qualificados, falantes do inglês, para suprir a demanda. "Há, portanto, uma grande oportunidade para professores, cristãos ou não, de lecionarem fora dos Estados Unidos", afirma Daryl McCarthy, do IICS. "Na Ásia e no Oriente Médio, esse desejo de falar inglês está impulsionando uma maciça explosão na educação. As principais publicações são em inglês, portanto essas pessoas precisam aprender a língua". As duas regiões ocupam grande parte da chamada Janela 10-40, imensa região imaginária do globo que abriga a maior parte da humanidade que não conhece a Cristo.
Apesar disso, e das iniciativas pioneiras das universidades fundadas na Coreia do Norte e na China, McCarthy acha que o imenso campo missionário, formado pelos mais de 100 milhões de estudantes universitários de fora dos EUA – que considera um grupo ainda não alcançado –, está sendo negligenciado. "Estamos percebendo que muitos acadêmicos cristãos preferem a segurança de lecionar em uma instituição cristã, ou até mesmo em uma secular dentro dos Estados Unidos. Eu até conheci gente que prefere trabalhar em lanchonetes a dar aulas no exterior. Muitos universitários são relutantes a mudar suas vidas e abandonar suas paixões acadêmicas para se dedicarem ao evangelismo em uma nação estrangeira". No entanto, ele acredita que sua missão seja educar as pessoas por inteiro, e não apenas a esfera espiritual. "Salvar as almas sem salvar as mentes não trará frutos em longo prazo", ele diz. "Somos, antes de tudo, universitários. Para nós, nosso ministério é ensinar, e fazemos isso porque esse é o nosso chamado. É isso que faz de nós um grupo de acadêmicos que pensam e vivem de maneira diferente".
Lewis vai na mesma direção e afirma que, para ele, o chamado é integrar a fé e o aprendizado, principalmente na Yust. "A missão é a educação", enfatiza. "O departamento onde trabalhei era todo formado por cientistas com Ph.D. Era, no entanto, totalmente conectado com os programas de evangelismo". Ele, agora, está buscando maneiras de estabelecer vínculos entre a Universidade Yanbian e a da Wheaton que também inclua os estudantes, e não apenas alunos. A Fundação Yust-Pust já funciona em Chicago, sob a liderança do professor Song. A ideia é adaptar o modelo até aqui bem sucedido para outras nações fechadas ao Evangelho. Porém, Lewis sabe que, sempre que o anúncio do Evangelho se torna um elemento presente no ambiente acadêmico, há uma série de pressões decorrentes disso – ainda mais em uma realidade de perseguição religiosa de fato. "Trata-se de uma pressão sutil; a pressão constante de saber que se está sob vigilância. Os e-mails e ligações telefônicas são monitorados", explica Daryl McCarthy. "Às vezes, as pessoas colocam seus ouvidos colados, literalmente, à porta para ouvir as conversas. Tem que haver sempre um equilíbrio entre a transparência e a discrição." (Tradução: Julia Ramalho)

Andrew Thompson é formado em comunicação na Wheaton College e foi estagiário na revista Christianity Today

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Igreja doméstica em Mianmar cresce em meio à perseguição

Stephen* é filho de um tenente-coronel que se converteu ao cristianismo em 1970. Depois de terminar os estudos teológicos, ele iniciou uma igreja doméstica no centro de Mianmar, um país de maioria budista que ocupa o 32º lugar na Classificação de países por perseguição (ranking anual das nações onde os cristãos são severamente hostilizados por conta de sua fé)
Myanmar2008-0201.jpg

"Quando eu comecei, a igreja era uma estrutura de dois andares com paredes de bambu e tinha um telhado de palha", disse Stephen, pai de dois filhos. "Era muito quente durante o verão e, durante a estação chuvosa, a água vazou muito através do telhado".


Quando a igreja cresceu, o lugar onde eles se encontraram para a adoração tornou-se muito congestionado para a congregação, então Stephen decidiu que precisava expandir. Instantaneamente, seu ministério encontrou a oposição das autoridades locais, que foram pressioná-lo a assinar um papel alegando que ele iria parar a construção.
"Oficiais chegavam repentinamente", disse ele. "Por isso, tivemos de trabalhar de noite, enquanto os vizinhos dormiam. Mas eles nos denunciavam às autoridades".
No entanto, isso não os impediu de terminar o trabalho e a igreja foi concluída e inaugurada em junho de 2006. Meses depois, as autoridades locais retornaram e insistiram para que a placa da igreja fosse removida. Apesar disso, Stephen e os cristãos continuaram a testemunhar de Cristo.
Por causa de sua persistência e perseverança, muitas pessoas de diferentes origens religiosas – budistas, muçulmanas e hindus - foram atraídas para Cristo. O Senhor lhes acrescentava pessoas, diariamente. Este crescimento teve bons resultados, embora o governo tenha emitido um mandado proibindo a igreja de realizar cultos, em 2008. Ele afirmou que o evangelho pode ser compartilhado sem a aprovação das autoridades. Nenhuma reunião com mais de 10 pessoas foi permitida.
As pressões e as proibições pareciam não ter efeito sobre Stephen e os cristãos. "Nós continuamos a testemunhar de Cristo", disse Stephen. "Nós conduzimos os cultos de casa em casa. Tivemos até canção de Natal, cantada na casa de um funcionário local. Por isso, ele nos deu permissão para celebrar o Natal no prédio da igreja".
O ministério da Portas Abertas em Mianmar ajuda pastores como Stephen, a realizarem seminários de preparação para a perseguição e fornece ajuda prática. "Estamos fortes e Deus continua a nos conceder bênçãos. Agora, a igreja tem aumentado e temos batizado centenas de novos cristãos em um período de 13 anos".
O que começou como uma igreja com sete cristãos, agora é uma congregação com 200 membros. Mas alguns deles são deserdados, abandonados e amaldiçoados por seus pais e parentes. "Mesmo assim, eles são fortes na sua fé", compartilhou Stephen, que ofereceu abrigo e oportunidades de renda para os cristãos perseguidos em sua igreja.

 Pedidos de oração
  • Ore por Stephen e pelos membros de sua igreja, para que continuem a preservar na fé, embora estejam sendo perseguidos por vizinhos e funcionários locais.
  • Interceda pelos cristãos do centro de Mianmar, para que eles tenham sabedoria e discernimento para testemunhar a seus vizinhos budistas.
  • Peça ao Senhor que fortaleça o ministério Portas Abertas a fim de que consiga recursos para abrir seminários de preparação para a perseguição que alcancem mais cristãos em Mianmar.
*O nome e outros detalhes foram alterados para a segurança do cristão.
 
Fonte: Portas Abertas Internacional
Tradução: Priscila Slobodticov
Link: http://www.portasabertas.org.br/noticias/2013/06/2503968/ 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Classificação de países por perseguição

CONFIRA A NOVA CLASSIFICAÇÃO DE PAÍSES POR PERSEGUIÇÃO 2013!

Com base em experiências de campo, anualmente, a Portas Abertas publica uma lista com os 50 países mais opressores ao cristianismo. Há três principais objetivos para esse levantamento: fazer dessa classificação um instrumento mais preciso de medição da extensão da perseguição aos cristãos hoje; determinar onde a necessidade é mais urgente e; assim, planejar melhor projetos e ações.

Perseguição é "toda e qualquer hostilidade vivenciada em qualquer lugar do mundo, como resultado da identificação de uma pessoa com Cristo. Isso inclui atitudes, palavras ou ações hostis contra os cristãos, partindo de fora do cristianismo ou em meio a ele". Ron Boyd-MacMillan

Em comparação ao ano anterior, a Classificação de Países por Perseguição, originalmente chamada de World Watch List - WWL,  chegou em 2013 com alterações significativas e destaques bastante curiosos; a começar pela maneira com que a listagem foi feita.

A explicação é bastante simples: até 2012, o questionário elaborado pela Portas Abertas, que considerava as áreas onde a perseguição religiosa era mais latente, era composto por perguntas genéricas, rápidas, e não muito aprofundadas. Para a classificação desse ano, o questionário apresentado aos cristãos em campo foi reestruturado e alguns fatores e detalhes foram postos na balança. O relatório passou a considerar dois aspectos da perseguição religiosa: o contexto da perseguição e as diferenças de perseguição de acordo com as comunidades hostilizadas.

Por esse motivo, esse ano surgiram importantes mudanças nas dez primeiras posições, com novos países que passam a integrar o quadro dos 50 mais intolerantes à fé cristã. Ao comparar a classificação de 2013 com a de 2012, atente-se aos seguintes destaques:
  • Países novos entraram na lista: Mali (7ª), Tanzânia (25ª), Quênia (40ª), Uganda (47ª) e o Níger (50ª).  
  • Como já citado, o Mali, na África, que não apareceu em classificações anteriores, já chega ocupando a 7ª colocação. Isso se deu porque, após um golpe militar de Estado em março de 2012, o país vive hoje um momento de tensões e mudanças políticas, o que reflete diretamente na perseguição à Igreja. O norte foi dominado por milícias islâmicas e, portanto, todas as igrejas dessa região foram destruídas e milhares de cristãos tiveram que fugir para o sul ou para países vizinhos.
  • Há onze anos consecutivos, a Coreia do Norte figura em primeiro lugar no ranking.
  • O Iraque está agora no TOP 5 da lista. Pulou da 9ª para a 4ª posição no quadro geral. Desde 2003, quando a invasão liderada pelos EUA derrubou o regime de Saddam Hussein, os cristãos tem sido alvo constante de grupos radicais islâmicos que atuam no país. 
  • A Síria subiu 25 posições, a Etiópia 23 e a Líbia 9, o que significa que a perseguição nesses países se intensificou.  
  • A Nigéria se manteve no 13º lugar, mas a perseguição que antes era considerada somente no norte do país, agora se expandiu para todo o território. 
  • A China desceu do 21º lugar para o 37º e o Egito do 15º para o 25º. Entenda, porém, que essas alterações nas posições não significam, necessariamente, uma melhora na perseguição religiosa na China e no Egito, especificamente. O que acontece é que, devido à mudança na forma de classificação dos países, em alguns lugares a perseguição religiosa é maior do que nessas nações, o que fez com que muitos países descessem no ranking sem que a hostilidade aos cristãos tenha diminuído de fato. 
O esclarecimento acima pode aclarar também porque alguns países deixaram o ranking, mas não devem sair da sua lista de orações, já que a perseguição não acabou. São eles: Cuba, Bangladesh, Chechênia, Turquia e Belarus. É, novamente, a nova maneira de aferir a perseguição que provocou tal movimento na tabela. Relatos do campo informam que, sim, em determinados países, como a China, há sinais de melhora, mas, mesmo assim, as pressões contra minorias religiosas permanecem.
A boa notícia é que a perseguição tende a estar relacionada com o crescimento e o testemunho, e normalmente refina e fortalece a fé dos cristãos, não o oposto. Por isso, em geral, o aumento das pressões contra o cristianismo mostra que a Igreja está crescendo.

RANKING 2013 / 2012







Fonte:http://www.portasabertas.org.br/cristaosperseguidos/classificacao/wwl2013ok_

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Povo Tibetano, Shanyan da China

O nome tibetano para Shanyan significa "todo o terreno". As pessoas vivem em uma área muito remota da China,onde só se chega a pé ou a cavalo. Os relatórios indicam que desafiaram a regra imperial por mais de 200 anos, baseando-se no seu terreno perigoso, e finalmente foram colocados sob o domínio chinês em 1910. Eles são completamente não alcançados pelo Evangelho, apresentando um dos maiores desafios de qualquer grupo de budistas no mundo.

Obstáculos ao Ministério
O povo Shanyan têm pouca base para a compreensão de um Deus criador, que conhece e os ama pessoalmente. Além disso, sua localização remota é uma barreira muito difícil.

Ideias ao Ministério
É necessário orações sustentáveis para estas pessoas difíceis de alcançar. Ore para que o Senhor prepare os corações para compreender e receberem, e ore pelos crentes chineses dedicados para levar a mensagem a eles.

Ore Pelos Seguidores de Cristo
Apesar de a mensagem do Evangelho ser totalmente desconhecida para estas pessoas, ore pelos seguidores de Cristo que em breve surgirão em seu meio. Ore para que o Senhor os ajude a tornarem-se discípulos devotados, que estejam plantados firmemente nas verdades das Escrituras e que cresçam na fé.

Ore Por todo grupo de Pessoas
Ore para que a comunidade Shanyan seja capaz de lidar com as rápidas mudanças do século 21. Ore para que façam da educação de suas crianças uma prioridade.

Foco Escritura
"para que todos os povos da terra saibam que o SENHOR é Deus e que não há outro." 1 Reis 8.60


Grupo Étnico:Tibetan, Shanyan
País:China
Janela 10/40:Sim
População Nacional:24,000
População Mundial:24,000
Idioma:Language Unknown
Religião Principal:Budismo
Bíblia:Nenhum
Áudio NT - Internet:Não
Flime Jesus:Não
Áudio gravação:Não
Cristãos:Poucos, menos de 2%
Situação:Não-Alcançados
Escala de Progresso:
1.1


Informações fornecidas pelo email diário do Projeto Josué.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Carta Informativa da Missionária Andrea Oliveira



Transcrevemos aqui a carta informativa da Missionária Andrea Oliveira que atua no Senegal - África

“Bom é render graças ao SENHOR e cantar louvores ao teu nome” (Sl 92.1).

QUERO AGRADECER A DEUS POR SUA FIDELIDADE E TODOS QUE TEM INVESTIDO NA MINHA VIDA,POIS SEI QUE SOZINHA NÃO CONSIGO.

O TEMPO PASSA MUITO RÁPIDO E JÁ FAZEM 6 MESES QUE EU ESTOU AQUI NO SENEGAL EM MISSÕES.LOUVO AO MEU DEUS POR TUDO QUE ELE TEM FEITO NESSE TEMPO AQUI NA MINHA VIDA.

TRABALHOS COM OS MENINOS DA CASA ESPERANÇA:

.ESSE FINAL DE SEMANA COMEMORAMOS A PÁSCOA NA IGREJA E ELES FIZERAM UM LINDA APRESENTACAO..
.TODOS OS DIAS ELES ORAM E QUANDO NÃO TEMOS COMIDA,ORAMOS PARA DEUS NOS DAR.
.MAIS UMA COISA NOVA QUE ACONTECEU É QUE ELES ESTÃO JEJUANDO...É MUITO LINDINHO ELES DIZEREM PARA NÓS(tatá amanha não vamos comer vamos jejuar)..VEJO EM TUDO ISSO MÃOS DE DEUS TRABALHANDO NA VIDA DESSAS CRIANCAS E DEUS RECEBE E ESCUTA AS VOSSAS ORAÇÕES.....

EU ESTOU MUITO FELIZ COM O TRABALHO AQUI NO SENEGAL,CADA DIA TENHO VISTO O CRESCIMENTO DESSES MENINOS... SÓ TENHO QUE DIZER A DEUS TODOS OS DIAS:”Muito obrigado”.

QUERIDOS AMIGOS TAMBEM PEÇO ORAÇÃO PELO SENEGAL, POIS É UM PAÍS MUITO DIFÍCIL PARA A PREGACÃO DO EVANGELHO, POIS É UM PAÍS FECHADO.MAS TEMOS ORADO PARA QUE DEUS VENHA SALVAR MAIS PESSOAS NESSE LUGAR.

UM ABRACO!!

MISSIONARIA ANDREA OLIVEIRA

SEJA UM COLABORADOR NA OBRA MISSIONARIA!
DEPOSITO BANCARIO:
AGENCIA-2219-5
C/P-1003410-8
BANCO BRADESCO

BLOG:
WWW.andreasenegal.blogspot.com
Skype:Andrea.oliveira60

CADA INVESTIMENTO SEU NA OBRA MISSIONARIA E SEMPRE BEM VINDO,POIS CONTO SEMPRE COM A AJUDA DE PESSOAS COM O CORACAO ABERTO A ABENCOAR MEU TRABALHO AQUI NO SENEGAL....POIS CADA DIA DEUS TEM NOS DADO GRACA PARA VENCER E FAZER MEU TRABALHO...

sexta-feira, 1 de março de 2013

O Propósito de Deus de Alcançar Todos os Povos


“A palavra de Deus não é apenas para consumo interno, é também, para exportação.” Willian Freel

A Bíblia inteira mostra o desígnio claro e intenso de Deus de alcançar todos os povos. A promessa do Salvador em Gênesis 3.15 foi dada aos pais de toda a raça humana: Adão e Eva. Isto nos mostra o plano abrangente de Deus desde o início. A aliança de Deus com Noé abarca seus três filhos, não excepcionalmente Sem. Em Abraão, compreendemos a eleição do mesmo para ser o pai duma nação com desígnio universal. É esclarecido mais ainda na aliança com Moisés que Israel era um povo escolhido de Deus para servir as nações (Isaías 40-44): para ser sacerdote de Deus no mundo (Êxodo 10.4-6). A aliança de Deus com Davi e Salomão mostra também sua amplidão mundial. Nos Salmos é mostrado que Deus é merecedor de todo louvor, de todas as nações. Nos profetas, o anúncio da glória de Deus é a evidência de que o seu Nome deve ser anunciado e temido entre todos os povos. Nos Evangelhos, Cristo é o mensageiro, a mensagem e o método de Deus para o anúncio das boas novas de salvação. Ele é o Missionário por excelência. Em Atos dos Apóstolos nos é apresentado o Espírito Santo como o Espírito Missionário e também o exemplo dos primeiros missionários cristãos. Nas Epístolas encontramos a forma de apologética missionária, instrumentos atuais e legítimos do trabalho missionário. Em Apocalipse, vemos o clímax missionário e a certeza do êxito da obra do Senhor. Ou seja, missões é central na Bíblia. Do início ao fim, missões fundamenta-se na Palavra de Deus.

Entretanto, apesar de a Bíblia expressar tudo isso de maneira clara a todos que a lêem, tendo sido o primeiro livro impresso e o livro mais vendido no mundo, ainda assim, das cerca de 6.700 línguas existentes no mundo, apenas 2.508 tem um trecho da Bíblia traduzido. A Bíblia completa está disponível somente em 459 línguas. O Novo Testamento pode ser encontrado somente em 1.213 línguas. Cerca de 840 línguas têm uma porção da Bíblia traduzida (um Evangelho, por exemplo). Ou seja, restam mais de 4 mil línguas no mundo que não têm nenhum trecho da Bíblia em tradução, que são faladas por cerca de 350 milhões de pessoas e são consideradas minoritárias por serem faladas por um número reduzido de pessoas. No Brasil, dezenas de tribos indígenas não têm nenhum contato com o evangelho. Graças à parceria entre a SIL (Associação Internacional de Linguística) e SBB (Sociedade Bíblica do Brasil), e também outras entidades, a igreja tem avançado na proclamação e tradução das Escrituras e assim está sendo possível evangelizar os índios brasileiros. A esperança avança à medida que o evangelho é proclamado.

Outro problema, além da não tradução das Escrituras em muitas línguas, é a negligência daqueles que as tem traduzidas em sua própria língua, no entanto, não as lêem devocional e constantemente. Os cristãos devem reafirmar a inspiração, inerrância, autoridade e suficiência das Escrituras. A Bíblia é divina, não contêm erros, é a nossa única regra de fé e prática e é suficiente para sabermos tudo o que necessitamos fazer para glorificar e obedecer a Deus. Isto significa que ao vivermos a Palavra de Deus seremos avivados e urgentes na proclamação do evangelho no mundo todo, a todas as pessoas. Se não estamos fazendo a obra missionária como deveria ser é porque não estamos crendo nas Escrituras. John Stott disse: “Toda a Escritura prega o evangelho. Deus evangeliza por meio dela”. Se Deus evangeliza por intermédio da Bíblia, logo significa que Deus é Missionário, então, nós cristãos também devemos ser missionários. Stott ainda afirma: “Sem a Bíblia, a evangelização mundial é impossível. Sem a Bíblia não temos nenhum evangelho para anunciar às nações, nenhuma garantia para ir até elas, nenhuma ideia de como ir e realizar a tarefa, e nenhuma esperança de sucesso. O grau de compromisso da igreja com a evangelização mundial é medido com o grau de sua convicção da autoridade da Bíblia. Quando os crentes perdem sua confiança na Bíblia, eles também perdem o zelo pelo evangelismo. Por outro lado, quando confiam na Bíblia, ficam determinados a evangelizar”.

Precisamos estar atentos às palavras de Stott quando diz “quando os crentes perdem sua confiança na Bíblia, eles também perdem o zelo pelo evangelismo. Por outro lado, quando confiam na Bíblia, ficam determinados a evangelizar”. Ou seja, necessitamos urgentemente voltar as nossas vidas para as Escrituras Sagradas e crer nelas como autoridade de Deus. Somente Elas poderão nos mostrar o caminho do avivamento que é evidenciado pela proclamação do evangelho. Somente a Bíblia poderá reformar e edificar o nosso coração e nos proporcionar vida e esperança em Jesus Cristo. Devemos lê-la de coração aberto, praticá-la com/em toda a vida e anunciá-la até o último povo da face da terra.

Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Meu nome está no Livro, eu posso entrar.

Antes de eu ir tenho que conversar com o administrador e pedir para marcar meu nome.

Quando chego lá, tem um monte de homens indígenas em frente do prédio da Funai, em Governador Valadares querendo entrar.

Perguntam se eu marquei com administrador, eu digo que sim, então eles (os demais índios) grudam em mim (CIC) para poder entrar.

Na portaria o guarda tem um livro, ele me pergunta:"Qual é o seu nome?"Eu digo:-Marquinhos Maxakali.

O guarda liga para a secretária dizendo que eu cheguei.Então abre o portão e grita o meu nome.

Não deixa mais ninguém entrar.Os outros ficam bravos e xingam,mas não adianta. O MEU NOME ESTÁ NO LIVRO, EU POSSO ENTRAR.

Antes de eu ir, ei liguei para que eles colocassem o meu nome e confiei que fizeram isso.

Eu não gastei dinheiro à toa, eles não mentiram, escreveram o meu nome e pude entrar.

Eu confio que Jesus morreu na cruz pelos meus pecados, ressuscitou e está no céu. Ele escreveu o meu nome no Livro da Vida e está lá.

Ninguém pode entrar no meu lugar, ninguém pode tirar o meu nome de lá.Um dia eu vou chegar lá no céu e vão gritar o meu nome.Eu vou ficar no céu com Jesus.

Marquinhos Maxakali

Ele tem sido uma benção no meio do povo e para equipe missionária ajudando a traduzir e a Palavra de Deus na língua e cultura maxakali.

Link: http://novastribosdobrasil.org.br/conteudo/item/36-meu-nome

O que aprendemos com os feitos de Deus por meio de quatro missionários (In)voluntários

O povo judeu enfrentou duras adversidades nos séculos 6 e 7 a.c. Jerusalém foi sitiada pelos caldeus no reinado de Jeoaquim (603 a.C). Profetizavam nessa época Jeremias, Habacuque, Daniel e outros. O livro de Jeremias relata a péssima condição espiritual do povo: insensível, rebelde e contumaz uma religião apenas de aparências. Sua fraqueza espiritual refletia também na sua vida social. A situação era tão grave que Deus chegou a ponto de proibir o profeta de interceder pelo povo.

Mas Daniel e seus companheiros evidenciaram a luz de Deus por onde passaram. A sociologia ensina que o homem é um produto do meio, mas podemos ver que o compromisso com Deus supera essa regra (6:5,10,16). Sua vida era centrada nEle. Experimentaram o propósito mais sublime da vida: conhecer a Deus e fazê-lO conhecido a outros.

Deus intervém transtornando a história do povo judeu e levando alguns jovens para a Babilônia, via cativeiro.

Eis que "realizo em vossos dias obra tal que não crereis quando vos for contada ... " Hb.1:5. Ele iria promover missões, alargar as fronteiras geográficas das marcas do seu reino e fazer um avivamento como orou Habacuque (Hb.3:2).

Alistaremos alguns aspectos transculturais tão vividos no livro de Daniel, integrado com Habacuque e Jeremias.

1 - Uso da língua e cultura do povo. 1:4

O programa do rei de prepará-los incluía isso: "e lhes ensinasse a língua e a cultura dos caldeus." Hoje em dia as missões transculturais labutam com a barreira linguística e cultural para comunicar o Evangelho, mas aqueles quatro missionários tiveram um programa de estudo de língua e cultura promovido pelo próprio rei do país. Três anos de estudo e não se admitia repetência ou retardamento: "ao fim dos quais assistiriam diante do rei".

Creio que Daniel aprendeu bem rápido e isso se mostra em sua vida pessoal, pois seu nome babilônico foi rejeitado, creio que por ele próprio. Nem o rei o chamou de Beltessazar (6:20; 8:15). Provavelmente ele tenha dito: "Não me chame assim, eu não preciso de Bel para me proteger. Chame-me Daniel".

Isso mostra também que a tolerância e aquiesciência cultural têm limites; o missionário transcultural deve saber aonde pisa. Quando se tratar de comprometer seu relacionamento com Deus ele tem de mostrar suas posições firmes e não agir somente em nome de identificação cultural. O exagero na identificação cultural os levaria a ter muitos amigos, mas a mensagem se perderia ... A primeira pregação a vida comprometida com Deus.

2 - Sensibilidade com a cultura diferente da sua

Logo no início de sua permanência ali, os quatros jovens tiveram de lidar com o chamado choque cultural. Foi difícil porque se tratava de comida - algo vital e essencial. O chefe Aspenaz tinha uma ordem real a cumprir: o programa de estudos, moradia e inclusive a dieta alimentar (1:5) " ... ração diária das finas iguarias da mesa real e do vinho".

"Oba! Vamos comer o mesmo que o próprio rei come!" Diria um missionário desavisado. Daniel e seus colegas, porém, queriam investigar mais a cultura, a origem e preparação da comida, se era ou não dedicado ao deus Bel, etc. Conhecendo mais sobre a cultura, não queriam aquela comida.

Sua sensibilidade cultural se mostra no fato de não menosprezarem a comida, até chamando-a de finas iguarias (1:13) e serem sensíveis com Aspenaz conforme o difícil pedido que lhe faziam. Daniel fez uma negociação e, com a ajuda de Deus, conseguiu mudar seu cardápio sem comprometer o chefe.

Outra situação difícil: a situação era gravíssima porque o rei tinha decretado a morte de todos os animistas, místicos e esotéricos. Um missionário fundamentalista radical iria dizer aos seus colegas: "Olha, ficaremos livres de todos os animistas e esotéricos; o rei mandou matá-los". Mas Daniel não era assim: sentiu que devia interferir e fez isso com muito tato: procurou entender bem o que se passava falando avisada e prudentemente com Arioque o homem que executaria as penas de morte (2:14,15). A seguir, sem tardança, pediu audiência com o rei com quem se comprometeu, livrando os sábios da morte. Esse tipo de tato, sensibilidade e coragem pela fé são indispensáveis ao missionário transcultural.

3 - Necessidade de confrontação cultural

Certamente Daniel e os outros fizeram várias concessões de valores e costumes. Adotaram a roupa, a língua e usaram sua sabedoria como instrumentos de bênção divina entre os babilônios, como a intervenção de Daniel em favor dos sábios.

Mais tarde, porém, enfrentaram situações que requeriam uma confrontação cultural muito clara e eles não hesitaram em fazer isso, mesmo com risco da própria vida. Quando os assessores do rei manipularam a ambição política e o levaram a assinar um decreto cujo alvo era atingir Daniel, mas este percebeu toda a trama e assumiu sua posição de fé sem titubear, conforme o capítulo 5. Orou com as janelas abertas assumindo à vista de todos sua prática de fé.

No capítulo 3 foi a vez de Misael, Ananias e Azarias assumirem uma confrontação cultural em nome da fé. Expuseram suas vidas ao perigo da fornalha por se recusarem a fazer algo não coerente com sua fé. Deus os honrou livrando-os do fogo. Puderam testemunhar aos prefeitos, governadores, sátrapas e conselheiros reais. O ocorrido deu ensejo a um decreto real exigindo respeito de todos os babilônios para o Deus deles.

Frequentemente os missionários são submetidos a esse tipo de teste. Aqueles que fazem trabalho transcultural têm de perceber a hora de afirmarem a sua fé.

4 - Lidando com política: manipulação que promete favorecimento pessoal

Não raramente missionários ficam sujeitos a situações que aparentemente os beneficia. A tentação de ceder pode ser forte. Algumas vezes essas situações provém do animismo que insinua a manipulação de poderes sobrenaturais para auferir vantagens pessoais: prestígio político ou religioso, reconhecimento, etc.

Possivelmente os grupos animistas e esotéricos fizeram isso como os quatro jovens mas há um registro de oferta de vantagens da parte do rei que Daniel enfrentou: "Se você puder ajudar-me será vestido de púrpura, ganhará uma cadeia de ouro ao pescoço e será o terceiro no meu reino". Essa era uma boa oferta mas para a pessoa errada, pois Daniel nem se impressionou com ela; ele sabia fazer diferença entre reconhecimento cultural do povo e manipulação interesseira e comprometedora: "Minha palavra profética não negociável; os teus presentes fiquem contigo e dá os prêmios a outrem ... " (5:16,17).

Certa vez fui desafiado por um xamã indígena. Eles procuram prestígio e reputação na capacidade de manipular poderes (trovões, vendaval, doenças) que as pessoas comuns, não têm. Ele me disse: "Você que é crente, não deixe que chova aqui (pela oração, ele queria dizer). Tentei conversar com ele um pouco e argumentei: "O senhor acha que será bom se não chover? Penso que se não chove as frutas não amadurecem na mata, não poderemos jazer coletas sazonais, as caças e os peixes que se alimentam de frutas e flores também não vão crescer, nossas plantações também não vão produzir ... Será realmente bom se não chover? ... " Uma pessoa que escutava atentamente nossa conversa começou a rir. Ele ficou desconcertado e mudou de assunto.

Fica uma pergunta: Será que Sadraque, Mesaque e Abede-Nego gostaram da prosperidade com que o rei os agraciou (3:30) e continuaram com seus nomes babilônios? Esta é a última referência sobre eles. Não são mencionados na parte final do livro ...

Seria esse um sinal de alerta para missionários transculturais? À guisa de conclusão, olhando a seqüência na história, vemos que no final de tudo, Deus levantou Ciro para reedificar sua obra como predito em Isaías 44 e relatado em Esdras.

O avivamento chegou. As orações de Habacuque, Jeremias e Daniel foram respondidas no tempo de Deus e à sua maneira. O rei Dario consulta os arquivos e atende a decisão de Ciro. Ed. 6:3.

A luz brilhou na Babílônia, cumpriu-se a vontade soberana de Deus.

Missionário Silas de Lima

Link: http://novastribosdobrasil.org.br/conteudo/item/186-o-que-aprendemos-com-os-feitos-de-deus-por-meio-de-quatro-missionarios-involuntarios

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Testemunho do Pr. Indígena Henrique Dias Terena

Henrique Terena

Sendo o evangelho uma boa notícia, como pode ser tão ruim assim? Tem que se lembrar de que onde ela chegou trouxe grandes benefícios; tanto no campo espiritual como na área social.

Creio que também é necessário dizer que alguns missionários, bem no início, cometeram alguns erros ao comunicar o evangelho ao povo indígena. Porém, esses abnegados irmãos desconheciam métodos e técnicas apurados como os de hoje, tais como: preparo lingüístico , antropológico e mesmo missiológico. Hoje porém, as missões evangélicas têm a preocupação de preparar melhor seus missionários, corrigindo os erros cometidos no passado. As missões têm procurado levar o evangelho do padrão transcultural e contextualizado, e para cada povo. Isso tem que ser observado e levado em consideração.

Será que não temos o direito de receber o evangelho na nossa própria cultura? Somos tão diferentes assim? Será que não nascemos, vivemos morremos também? Do ponto de vista de Deus somos todos iguais e merecedores da mesma o centro foi idealizado para ser um local onde seja possível reunir e expor todas as produções literárias, de caráter religioso ou não, feitas pelas missões, sem levar em conta a finalidade e a área de atuação em que as mesmas estão sendo utilizadas. Além da parte literária, serão reunidos também no mesmo local artesanatos indígenas.

Conhecer Jesus não é somente privilégio do homem branco; é do índio também. Mais de 50% das tribos nunca ouviu falar de Jesus Cristo.

Há lágrimas nos meus olhos e dor no meu coração em saber que muitos parentes meus estão morrendo sem nunca ouvir de Jesus, aquele que dá valor à vida.

Não queremos ser mais tratados como coitadinhos ou eternas vítimas. Somos humanos e também temos sentimentos. Sabemos o que queremos e temos conhecimento do que é bom ou ruim.

A nossa preocupação tem como objetivo conscientizar a igreja de Cristo quanto a questão indígena. Pouco se tem ouvido de manifestação de solidariedade do povo evangélico. Agora chegou a hora. Desafiamos o povo evangélico a somar esforço conosco, a se tornarem companheiros e verdadeiros aliados nessa batalha. AYNAPUYAKUÉ (Obrigado na língua Terena)".

Extraído da Revista Confins da Terra, Junho de 2002.

Pr Henrique Dias Terena - Membro do CONPLEI (Conselho de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas)

Link: http://novastribosdobrasil.org.br/conteudo/item/172-testemunho-do-pr-indigena-henrique-dias-terena

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Testemunho de Regina Afeya, indígena hixkaryana

Aconteceu assim comigo há muito tempo. Eu nasci em 1971. Naquela época o Desmundo ainda estava aqui. Eu nasci doente. Por isso, Desmundo e Graça, sua esposa, me levaram para a casa deles. A Graça cuidou de mim por três dias e me devolveu para a minha mãe. Por isso, Desmundo dizia assim: “Deus te amou, Afya, por isso, ele te curou, não te deixou morrer. (...) A Graça cuidou de você, por isso, você está bem, pela vontade de Deus. Então, seja de bom comportamento. Ocupe-se com Deus, pois você foi restaurada por Ele”.

Quando eu ainda era menina, o meu pai faleceu, acho que foi em 1983. Ficou só a minha mãe. Assim, eu continuei crescendo, agora sem pai. Agora eles eram como pais pra mim. Desmond sempre vinha para cá e Waraka também me ensinava. Waraka também dizia assim como o Desmundo: “Jesus está voltando para a terra. Por isso, comporte-se bem. Ocupe-se com Deus, creia em Jesus. Esse é o modo correto de vivermos. Faça isso”, ele dizia. Assim, eles me ajudaram quando eu não tinha conhecimento.

Quando eu estava crescendo, o Livro de Deus chegou à nossa aldeia. Depois, eu também recebi o Livro de Deus. Waraka me dizia assim: “Leia o Livro de Deus. Ele é o poder de Deus, a Palavra de Deus. Por isso, leia o Livro de Deus”.

Por isso, eu o lia e ele falava muito bem pra mim. Eu lia o Livro de Deus o tempo todo. Eu vivia com o Livro de Deus no colo, porque o amava. Mas, mesmo agindo daquela forma, eu ainda não havia aceitado a Jesus.

Indo para a igreja eu ouvia sobre a vinda de Jesus. Waraka, Wemko, Warafuru, Mahxawa e outros pregavam e, por causa deles, eu passei a entender. Eles contavam que aqueles que aceitassem a Jesus iriam para o céu. “Lá há uma cidade chamada Jerusalém. É uma cidade sem defeito, para aqueles que tiverem aceitado a Jesus e viverão para sempre”, eles diziam.

Por isso, eu passei a pensar em aceitar a Jesus, mas eu tinha medo. Eu pensava em ir até Waraka dizer que eu queria aceitar a Jesus, mas eu não ia. Até que eu decidi de vez. Fui até Waraka e ele me disse para aceitar Jesus. Assim, eu aceitei a Jesus quando ainda era solteira. Logo em seguida, Deus me mostrou meu marido. Nós nos casamos e, logo depois de casarmos, eu me batizei e meu esposo se batizou também.

Foi assim que aconteceu comigo. Eu ouvi sobre Jesus e aquilo me alegrou, por isso, eu o aceitei.

Depois de bastante tempo, Deus nos chamou para trabalharmos como cantores. Depois, eu adoeci e acabei deixando de ser cantora. Depois, Deus me restaurou. Eu pensei que iria morrer, mas Deus me restaurou. Ele não me deixou morrer, mas preferiu que continuasse O servindo. Logo depois, Deus chamou meu esposo e eu para sermos pregadores da Sua Palavra, para cuidarmos de seus servos.

Depois, quando Desmundo já estava velho, ele me convidou para ajudá-lo no trabalho de tradução, para corrigir a tradução. Depois ele convidou meu esposo também e nós passamos a trabalhar juntos.

Eu trabalhei pouco tempo com o Desmundo e depois ele faleceu. Hoje nós ainda estamos trabalhando na tradução, agora com a Maria, que Deus escolheu para ficar no lugar do Desmundo.

Foi assim que Deus mostrou amor e misericórdia por mim. Era isso que eu queria contar. Por enquanto é só.

Observação: Afya é esposa do pastor Carlos Abraão e os dois trabalham juntos na equipe indígena de tradução da Bíblia para o povo Hixkaryana.

Link: http://novastribosdobrasil.org.br/conteudo/item/177-testemunho-de-regina-afeya-indigena-hixkaryana

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Testemunho do indígena Wem Caramain - Pacaas Novos


Depois de sermos contatados pelos missionários [o povo de Deus]. Eu fiquei de aldeia em aldeia. Fui morar na aldeia Laje por um tempo. Lá o missionário Abraão me falou sobre Deus. Eu não entendi muito bem o que ouvi sobre Deus, pois nunca tinha ouvido nada sobre Ele. Então fui para uma outra aldeia chamada Sagarana e lá não ouvi mais nada sobre Deus. No Sagarana uma aldeia onde eram ensinados os costumes católicos eu passei a imitar o que era ensinado lá. Lá eu passei a adorar imagens e fazer tudo o que os padres ensinavam. Lá eles não ouviam nada sobre a palavra de Deus.

Depois de um tempo retornei para uma aldeia no rio Pacaas Novos [Rio Negro Ocáia] onde morava minha mãe. Nesta aldeia já tinham alguns crentes e a palavra de Deus era pregada. Nesta aldeia o missionário Abílio [Soares] me falava sobre a palavra de Deus. Ele me dizia: Wem Caramain você sabe sobre Deus, Ele existe. Eu dizia: Existe um Deus? Os índios Macurape me disseram que não existe nenhum Deus, eu dizia para o missionário Abílio. Eu tinha ouvido dos índios Macurape que não existia nenhum Deus nos céus. Eles diziam que éramos nós e os nossos espíritos que ficam lá nos céus.

Então o missionário Abílio me disse: Wem Caramain, quem crê em Deus, quem crê em Jesus verá a Deus, mas quem não crer vai ficar muito longe de Deus. Somente quem crê no filho de Deus o verá. Então eu disse: É mesmo? Abílio me disse: Se você não crer na palavra que fala sobre o filho de Deus que morreu na cruz por você. Se não crer em Jesus não terá a vida eterna. Se você morrer sem crer irá para o grande fogo [ inferno ]. Quem crer em Jesus será salvo.

Então comecei a ouvir a palavra de Deus. Freqüentava todas as reuniões. Mas um dia eu fiquei doente e me mandaram para o Rio de Janeiro. Quando eu voltei muitos tinham abandonado a Deus. Então não quis mais ouvir a palavra de Deus.

Então voltei às antigas práticas que os meus antepassados diziam que era para fazer. Então exerci as práticas de feitiçarias, obedecia ao Diabo, mas de vez em quando me vinha na cabeça o que eu tinha ouvido sobre Deus.

Então chegaram novos missionários, Valmir, sua esposa Fátima, Regina e Teresa. Eles insistiram em pregar a palavra de Deus para mim. Então voltei a ouvir a palavra de Deus e com o tempo entendi a mensagem de salvação. Então Deus trabalhou em meu coração e eu aceitei Jesus como meu salvador. Então fui até os missionários e contei a eles sobre minha conversão e que reconhecia minha condição de pecador e que necessitava de Jesus. Eu reconhecia que era eu que devia morrer, mas Jesus morreu em meu lugar. Minha esposa também aceitou Jesus.

O diabo estava sempre me tentando, querendo me derrubar, mas eu sempre orava a Deus e rejeitava quem me procurava para fazer pajelança. Deus me deu forças e crescimento e estou firme até aos dias de hoje. Hoje muitos dos meus filhos são crentes, e eu continuo a falar da palavra de Deus para os que não são.

Link: http://novastribosdobrasil.org.br/conteudo/item/152-testemunho-do-indigena-wem-caramain-pacaas-novos

sábado, 16 de junho de 2012

ÍNDIOS E URGÊNCIA MISSIONÁRIA



Vivemos em um país com 257 tribos indígenas perfazendo uma população aproximada de 364.000 pessoas. Segundo o pesquisador Paulo Bottrel(1) apenas 4 etnias (Katuena, Mawayana, Wai-Wai e Xereu) possuem a Bíblia completa, 34 dispõem do Novo Testamento e outras 59 contam com porções bíblicas. Entretanto mais de 120 tribos necessitam urgentemente da tradução das Escrituras. Apesar das 25 Agências Missionárias que bravamente atuam entre os índios em nosso país ainda contamos com um vasto campo que necessita do evangelho e 103 grupos permanecem sem presença missionária.

É certo que o desafio vai muito além das estatísticas e das palavras, pois é prefigurada por faces, vidas, histórias e culturas milenares as quais tem sofrido ao longo dos séculos a devassa dos conquistadores, a forte imposição sócioeconômica, etnofagias e perdas culturais.

Em meio a todo este quadro há necessidade gritante de homens e mulheres que se disponham a encarar a transmissão do evangelho valorizando o homem e sua cultura dentro de uma esfera de compreensão lingüística e aplicabilidade social, o que envolve o ultrapassar de várias barreiras. Uma delas é o estudo, registro, preservação, uso e valorização das línguas maternas.

O Apelo das Minorias

No contexto sul-americano nosso país possui a maior densidade lingüística e diversidade genética e, paradoxalmente, uma das menores concentrações demográficas por língua falada. As 185 línguas indígenas são distribuídas em 41 famílias, dois troncos e uma variedade desconhecida de línguas isoladas(2). Em meio a esta grande diversidade apenas 3 etnias (Tikuna, Kaingang e Kaiwá) possuem mais de 20.000 pessoas e a média de falantes por língua é de 196 pessoas. 53 povos têm menos de 100 indivíduos e há aqueles com menos de 10 representantes como os Akunsu, com 7 pessoas, os Arua com 6 e os Juma também com 7 indivíduos. Quando pensamos em grupos indígenas nos confrontamos com a realidade de povos minoritários.

Nos anos 80 pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes do Puruborá. Em 1995 foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê(3) e Pierre Grenand reconhece a existência de 52 grupos ainda sem contato com o mundo exterior cujas línguas não foram estudadas, praticamente todas minoritárias.

O Brasil evangélico não indígena, por sua vez, experimenta desde os anos 80 um rápido crescimento tanto em número de templos como de convertidos, motivo de louvor a Deus. Isto por outro lado têm nos levado a desenvolver uma missiologia mais pragmática, que cultua os resultados, do que Escriturística, que valoriza a Palavra. Assim tanto a expectativa missionária por parte do corpo evangélico nacional quanto à prática no plantio de igrejas valoriza o quantitativo. E isto não será encontrado no universo indígena, pois a conversão de toda uma tribo pode representar, em alguns casos, apenas uma dúzia de pessoas. Precisamos ser relembrados da proposta de Jesus: tornar-se conhecido dentre todos os povos, tribos línguas e nações da terra(4) e isto jamais acontecerá enquanto não alcançarmos os grupos minoritários. Precisamos de uma Igreja apaixonada por Jesus e disposta a gastar bastante tempo e recursos no preparo de seus obreiros a fim de fazer o Evangelho de Cristo conhecido entre todos os povos, também os minoritários.

O Apelo da Subsistência Lingüística

Michael Kraus(5) afirma que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças. Isto significa que um número cada vez maior de crianças indígenas perde seu poder de comunicação a cada dia. Isto possui raízes diferenciadas que vai desde a imposição socioeconômica nas tribos mais próximas dos vilarejos e povoados até a falta de uma proposta educacional na língua materna, fazendo-os migrar para o português.

Rodrigues(6) estima que, na época da conquista, eram faladas 1273 línguas, ou seja, perdemos 85% de nossa diversidade lingüística em 500 anos. Luciana Storto delata uma crise sociolingüística no estado de Rondônia onde 65% das línguas estão seriamente em perigo por não serem mais usadas pelas crianças e por terem um número pequeno de falantes.

Precisamos perceber que a perda lingüística está associada às perdas culturais irreparáveis como a transmissão do conhecimento, formas artísticas, tradições orais, perspectivas ontológicas e cosmológicas. Perde-se também a ponte de comunicação para um pleno entendimento do evangelho. No processo de transição, quando a língua materna é perdida, normalmente há o que podemos chamar de ‘geração perdida’, um vácuo cultural que normalmente atinge uma geração inteira. Ou seja, no processo de perda lingüística e migração para o português, os grupos indígenas normalmente passam por um processo de adaptação quando não possuem mais fluência na antiga língua materna e também não aprenderam o suficiente do português para uma comunicação mais profunda, processo que em média dura 30 anos. Este é um momento de perigo onde a identidade indígena é auto-questionada, seus valores perdidos e sobretudo seu poder de comunicação. A presença missionária catalogando, analisando e registrando a língua indígena a valoriza perante seu próprio povo e abre caminho para sua preservação. O Evangelho assim não apenas responde os questionamentos da alma mas contribui para a sobrevivência cultural.

O Apelo da Tradução Bíblica

‘Se Deus nos ama, por que Ele não fala a nossa língua?’ Estas palavras impactaram a mente de William Cameron Townsend quando trabalhava com o povo Cakchiquel da Guatemala desde 1919. Após ser despertado para a necessidade de comunicar o evangelho na língua materna de cada povo ele se dispôs a fundar a SIL (Sociedade Internacional de Lingüística) que atua perseverantemente na tradução das Escrituras. Mas esta não é apenas uma preocupação moderna. Martinho Lutero, reformador protestante, percebeu rapidamente a incapacidade da Igreja conhecer a Deus sem conhecer a Palavra e assim lançou em 1534 a primeira edição da Bíblia por ele traduzida.

A força missionária tem sido ao longo das décadas um divisor de águas na subsistência das línguas indígenas brasileiras sob o esforço da SIL (7) e Missão Novas Tribos do Brasil dentre outras Agências missionárias e atualmente novas organizações como ALEM8 tem liderado o interesse pela tradução bíblica. Boa parte devido aos nossos preciosos irmãos norte-americanos que valorosamente trabalharam e trabalham na análise e grafia lingüística e tradução da Palavra para vários idiomas, como o caso do missionário Robert Hawkins que dedicou 54 anos de sua vida traduzindo a Bíblia completa para a língua Wai-Wai.

O presente apelo é por obreiros brasileiros, com desejo de se esmerarem no estudo lingüístico e se prepararem da melhor forma possível para transmitir o evangelho a mais de 120 línguas no Brasil Indígena.

Conclusão

Cerca de 3 anos atrás, quando estávamos integralmente envolvidos com a evangelização dos Konkombas em Gana na África, participei de uma conferência em Chicago onde se reuniam missiólogos e missionários de boa parte do mundo. Muitos temas eram estudados mas sobretudo havia oportunidade para desafios missionários nas preleções da noite. Em minha sessão, falando sobre povos ainda não alcançados, tentei confrontar o auditório com um silogismo bíblico de responsabilidade na comunicação do evangelho dizendo: ‘...em Gana a Igreja fortemente expressiva no sul do país ainda não se despertou para as quase 100 tribos não alcançadas ao norte, dentre elas os Konkombas-Bimonkpeln com os quais trabalhamos. Infelizmente ainda é necessário o envio de missionários estrangeiros para o alcance das tribos ao norte porque a Igreja dorme’.

Na preleção a seguir um norte americano falaria sobre o desenvolvimento de igrejas autóctones. Ele iniciou seu sermão mais ou menos da seguinte forma: “Fui missionário por mais de 20 anos na Amazônia brasileira entre indígenas ainda não alcançados pois apesar da existência de milhões de evangélicos naquele país não havia missionários suficientes. Isto por que a Igreja dorme.”

Senti-me muito constrangido mas reconheci, infelizmente, que suas palavras não estavam tão longe da verdade. É possível mudar.

Notas:
1 Responsável pelo banco de dados da AMTB
2 Segundo Aryon Rodrigues, ‘Línguas Indígenas – 500 anos de descobertas e perdas'
3 Segundo relato de Pierre e Fraçoise Grenand
4 Apocalipse 5:9
5 Michael Krauss - The world’s languages in crisis’
6 Idem Nota 2
7 Sociedade Internacional de Lingüística
8 Associação Lingüística Evangélica Brasileira

Ronaldo Lidório - Extraído da Revista AMEM, nº 13, 3º Trim/2003. pp.12-14.
(gravura: Debret)

(www.wecbrasil.com.br)

Link: http://paginasmissionarias.blogspot.com.br/search/label/%C3%8Dndios%20e%20urg%C3%AAncia%20mission%C3%A1ria

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O DESAFIO MISSIONÁRIO INDÍGENA BRASILEIRO



O nosso país tem 257 tribos indígenas, preenchendo uma população aproximada de 364.000 pessoas. Segundo dados, apenas quatro etnias (katuena, mawayana, wai-wai e xereu) têm a Bíblia completa em seus idiomas, 34 dispõem do Novo Testamento e outras 59 contam com porções bíblicas. Ou seja, 120 tribos necessitam urgentemente da tradução da Bíblia.

Pelo menos 25 agências missionárias trabalham corajosamente entre os índios do Brasil, contudo, ainda há um extenso campo que carece do Evangelho, e nos restam 103 grupos que continuam sem presença missionária.

Lembremo-nos de que o desafio, como disse o missionário Ronaldo Lidório, vai muito além das estatísticas e das palavras, pois é composto por faces, vidas, histórias e culturas milenares.

ROGUEMOS AO SENHOR DA SEARA PARA QUE NOS INFLAME COM O SEU PODER E NOS USE PARA ALCANÇAR OS ÍNDIOS BRASILEIROS COM O EVANGELHO!

Nos laços do Calvário que nos une,
Rev. Luciano Paes Landim.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Presença e ação missionária evangélica entre os povos indígenas do Brasil


Manifesto da AMTB – Departamento Indígena *

Há, normalmente, três recorrentes questionamentos quanto à presença missionária evangélica entre os povos indígenas do Brasil e desejamos, como AMTB – Associação de Missões Transculturais Brasileiras - , tratar e nos posicionar objetivamente quanto aos mesmos. A primeira infere que a presença missionária é nociva à cultura dos povos indígenas em nosso país. Que a mensagem levada pelos missionários tende a degenerar cultura e costumes dos grupos com os quais se relacionam. O segundo questionamento é quanto à legalidade da presença e ação missionária evangélica à frente de projetos sociais e na evangelização. O terceiro pressupõe que os projetos sociais, coordenados pelos movimentos missionários, sirvam de fachada para fundamentar sua presença entre os mesmos.

Perante tais questionamentos, sentimos que se torna apropriado narrar com objetividade quem somos, nossos valores e ações entre os povos indígenas do Brasil.

O Evangelho e a Cultura Indígena

A simples presença missionária entre povos indígenas suscita em alguns um sentimento de rejeição, que advém de um emaranhado de impressões e fatos históricos em relação à atuação missionária indígena desde a colonização, relembrando uma Igreja que estava a serviço dos interesses políticos, imperialistas e colonizadores. Em outros, o sentimento é de suspeição, debaixo do pressuposto de que qualquer atuação missionária é nociva à preservação cultural indígena. Perante este contexto, e, sobretudo para aqueles que se embutem de rejeição ou suspeição, desejamos expor fatos sociais, culturais e históricos que poderão mostrar com clareza que a presença missionária evangélica entre povos indígenas está hoje associada a um crescente processo de colaboração com a preservação lingüística e cultural dos povos do Brasil, além de mostrar-se ativamente interessada em participar do despertar indígena que busca seu lugar neste grande país.

A presente realidade cultural indígena em relação aos processos de mudança social

Tornou-se rotineira a veiculação de notícias sobre indígenas brasileiros ingressando em cursos superiores, formando-se advogados, enfermeiros, ambientalistas, dentre muitas outras profissões, galgando novos patamares de protagonismo, empreendedorismo e agenciamento na sociedade nacional. Alguns grupos e indivíduos participam ativamente da economia local e até internacional. Cada vez em maior número e força, as sociedades indígenas e seus indivíduos influenciam ativamente a política local, desejando ansiosamente participar da construção de leis e atividades que são de seu interesse e os afetam diretamente. Em algumas regiões do Brasil, a participação indígena pode mudar os rumos das eleições municipais. Muitos indígenas podem e usufruem dos benefícios sociais garantidos constitucionalmente, oferecidos pelas três instâncias da administração executiva do país. Do Governo Federal, vêm auxílios e bolsas, tais como Auxílio Maternidade, Bolsa Família, aposentadorias e salários, além das atividades praticadas pelos dois órgãos de auxílio indígena federais: a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e FUNASA (Fundação Nacional da Saúde). Dos governos Estaduais e Municipais, vêm projetos desenvolvimentistas, apoio para projetos locais, além da educação e saúde, operacionalizados na esfera municipal. O universo indígena brasileiro está em franca transformação social por diversos motivos e poucas etnias continuam alheias a este processo. Tais motivos são muito menos religiosos (evangelização) e muito mais sociais e políticos, ou seja, o poder de influência e atração da sociedade brasileira não indígena bem como as políticas públicas do governo do nosso país provendo educação, saúde e bem estar, gerando nas etnias indígenas expectativas cada vez mais associadas ao universo não indígena. Qualquer contato, seja motivado pelo interesse econômico, político, governamental ou religioso, pode ser potencialmente revolucionário para as sociedades indígenas.

É fácil constatar tal realidade de transformação sociocultural e dissociá-la das ações missionárias, em grande parte. Para isso, basta observar as vastas áreas indígenas sem presença missionária onde tais processos de transformação transcorrem com grande velocidade, sempre atrelados à atração que pequenos vilarejos ou cidades exercem sobre os povos indígenas, ou às políticas públicas que se propõem a levar bem estar e, conseqüentemente, conduzem também padrões socioculturais alienígenas ao universo indígena. Não são poucas as etnias migrando do interior da mata para a beira dos grandes rios, a fim de terem acesso ao escambo promovido por barcos-comércios bem como à educação e saúde em pólos mais próximos aos centros urbanos ou em urbanização. É certo concluir que, à medida que o indígena se aproxima de um contexto distinto e urbanizado, ele se insere em um ambiente onde é facilmente descriminado por não se adequar às exigências sociais locais, gerando, assim, um misto de frustração em relação ao meio e anseio por encontrar uma medida de concordância entre ser índio ao mesmo tempo em que possa ser respeitado e usufruir do novo que julga bom. Esse estado de transição, no qual a maior parte das etnias brasileiras se encontra, é, certamente, um dos problemas mais graves e complexos observados, e não há fácil resposta. Há iniciativas integracionistas, outras preservacionistas e ainda as que segregam socialmente os indígenas. Porém todas concordam que a presente realidade de transição é complexa e com graves conseqüências culturais para os povos do Brasil. Junto a isso, soma-se o fato de que se lida, no Brasil e em toda a América do Sul, com uma vasta diversidade lingüística e cultural entre os grupos indígenas. O próprio termo indígena é resultado de nosso simplismo ao imaginarmos um grupo homogêneo, com anseios e necessidades também semelhantes. É preciso relembrar que as mais de 250 etnias indígenas brasileiras formam, assim, um universo pulverizado e heterogêneo, lingüística, cultural e socialmente.

Se por um lado esses processos nos preocupam, por outro devem nos levar a refletir sobre as escolhas iniciadas pela maioria dos grupos indígenas, o que buscam e quais seus anseios. Todos os principais teóricos da antropologia afirmaram, em maior ou menos escala, o pressuposto das mudanças culturais. Para muitos destes, a mudança cultural é um fenômeno natural e previsível, um processo inerente à dinâmica essencial das culturas humanas, podendo ocorrer como reações e reajustes endógenos e/ou por motivações exógenas, geralmente advindas do contato intercultural, marcadas ou não por pressões e imposições externas. As trocas interculturais são, portanto, um processo comum e importante na medida em que alargam os horizontes da compreensão humana, as possibilidades de atuação econômica e produtiva, e possibilitam que os membros de uma sociedade repensem sua organização social, seus tabus, interditos e preconceitos, e revejam seu modus vivendi. A história humana é repleta de exemplos de grupos humanos que cresceram, progrediram e multiplicaram-se após ajustes sociais advindos de mudanças culturais, quer motivadas pela reflexão interna e endógena, quer pelo contato com indivíduos de outras sociedades. A dinâmica cultural é um dado fundamental para toda e qualquer sociedade, e sinal de que a cultura está viva e gozando de plena saúde. Isso nos faz pensar sobre a postura do mundo não indígena em relação ao indígena concernente ao respeito às suas escolhas, decisões e questionamentos.

Percebemos assim, que:

O universo indígena é heterogêneo, sendo formado por uma grande diversidade cultural e lingüística. A realidade de um grupo indígena não é a realidade de todos, bem como sua jornada. O universo indígena é formado tanto pelos índios citadinos semi integrados ao ambiente não indígena, quanto pelos índios da floresta que desejam manter distância, e por um leque enorme de categorias entre estes dois pontos.

As principais forças de transformação cultural entre os grupos indígenas do Brasil são a sociedade não indígena e as políticas públicas governamentais. Enquanto a primeira produz um poder de atração de forma não planejada e informal a segunda o faz por meio dos serviços que julga relevantes e necessários aos povos indígenas.

A cultura humana é dinâmica, provocando e sofrendo processos de mudanças. Seja por motivações internas ou a partir de trocas interculturais, cabe ao próprio grupo refletir sobre sua organização social, tabus e crenças. Cabe também ao próprio grupo promover, ou não, ajustes sociais que julguem de benefício humano.

A cultura e o evangelho

Nenhum elemento externo jamais deve ser imposto a uma cultura. Toda imposição pressupõe carência de respeito humano e cultural, além de grave erro na construção do diálogo. Assim, a catequese histórica e impositiva, bem como qualquer outro elemento que force a mudanças não desejadas, mesmo em áreas como educação, saúde e subsistência, devem ser duramente criticadas.

Por outro lado, é também respeito cultural conceber ao indígena o direito de realizar escolhas, voluntárias e desejadas, dentro de seu próprio bojo cultural. Para Roberto Cardoso, a mudança é possível se percebida sua necessidade e deve ser processada no interior de uma comunidade intercultural de argumentação[1]. Ele se baseia no etno-desenvolvimento que, na declaração de San José (1981) é “o fortalecimento da capacidade autônoma de decisão de uma sociedade culturalmente diferenciada para orientar seu próprio desenvolvimento e o exercício da autodeterminação”.

Rouanet expõe que “o homem não pode viver fora da cultura, mas ela não é seu destino, e sim um meio para sua liberdade. Levar a sério a cultura não significa sacralizá-la e sim permitir que a exigência de problematização inerente à comunicação que se dá na cultura se desenvolva até o telos do descentramento”[2]. Este argumento nos leva a compreender que os conflitos são universais, tais como a morte, o sofrimento, a discriminação ou a repressão. E perante estes conflitos, podemos compartilhar a mútua experimentação na busca de soluções internas.

As chamadas mudanças culturais, em lugar de causarem rápida rejeição, devem ser observadas de forma mais íntegra, ou seja, se tais mudanças são voluntárias e desejadas. O machismo, na América Latina, embora seja cultural, é atacado e limitado por políticas públicas que vêem neste elemento cultural um dano ao próprio homem e sociedade. O jeitinho brasileiro, que patrocina a corrupção e tolerância de pequenos delitos, apesar de ser resultante de elementos também culturais, não deixa de ser compreendido como nocivo ao homem. Como tal não é aceito pela sociedade como desculpa para a continuidade de práticas danosas à vida. O mesmo poderíamos falar a respeito do racismo. Nestes três casos, a universalidade ética é evocada e aceita de forma geral pela sociedade e os direitos humanos são reconhecidos. Por que não no caso de elementos culturais nocivos à vida, como o infanticídio e conflitos étnicos, em contexto indígena?

O fato é que a aproximação e conhecimento do evangelho e valores bíblico-cristãos contribuem para uma reflexão interna em algumas sociedades indígenas, gerando mudanças voluntárias e desejadas. Se as culturas são móveis e mutáveis, por que as mudanças provocadas a partir do conhecimento dos valores cristãos e do evangelho despertam tantas e tão violentas reações quando se trata de culturas indígenas?

Quando as motivações missionárias são questionadas, em sua relação com as sociedades indígenas, há de se notar clara discriminação. Há iniciativas particulares e governamentais junto às sociedades indígenas, conduzidas pelas mais diversas motivações como a política, financeira e humanista. A iniciativa missionária evangélica possui, como principal motivação, valores cristãos como o amor ao próximo, a solidariedade humana e o evangelho e, devido a isso, sente-se freqüentemente discriminada, como se a motivação religiosa fosse menos digna que a política. Precisamos rever nossos pressupostos.

Há grave diferença entre a catequese e a evangelização. Todo cristão, sincero e convicto de sua fé, tem ou deveria ter o desejo de compartilhar aquilo que tem de mais precioso em seu ser e sua cultura, qual seja, a sua fé e as verdades do evangelho, uma baseada e construtora da outra. Tal compartilhar, quando em um ambiente em que o mesmo é desejado pelo receptor, não oprime a cultura, ao contrário promove diálogo e reflexão.

Esta evangelização difere-se da catequese em relação ao conteúdo, abordagem e comunicação. O conteúdo da catequese é a Igreja, com seus símbolos, estrutura e práticas, sua eclesiologia. O conteúdo da evangelização é o evangelho, os valores cristãos centrados em Jesus Cristo. A abordagem da catequese é impositiva e coercitiva. A abordagem da evangelização é dialógica e expositiva. A catequese se comunica a partir dos códigos do transmissor, sua língua e seus costumes, importando e enraizando valores. A evangelização se dá com a utilização dos códigos do receptor, sua língua, cultura e ambiente, respeitando os valores locais e contextualizando a mensagem.

A influência intencional do movimento missionário evangélico orientado pela AMTB (Associação de Missões Transculturais Brasileiras) possui alvos de forte colaboração com a preservação cultural, social e lingüística das sociedades indígenas de nosso País, tais como:

- Contribuir para que o indígena valorize e permaneça em sua própria terra natal (sua homeland), evitando migrações tempestivas e com conseqüência social negativa para a beira dos grandes rios, centros em urbanização ou urbanizados.

- Colaborar para que haja um bom programa de educação na própria língua materna, valorizando-a e possibilitando que seus fatos históricos e sociais sejam por eles registrados, preservados e transmitidos perante este contexto de rápida influência social externa que, não raramente, invalida o valor da língua materna para um grupo.

- Colaborar para que haja programas em áreas vitais, como a saúde, que responda às necessidades essenciais dos grupos indígenas.

- Contribuir para que, em processos já em andamento de integração com a sociedade não indígena, colaborar com os mecanismos de valorização étnica, cultural e lingüística, a fim de que o grupo não seja diluído perante a sociedade maior. Também colaborar com o grupo em sua busca por uma convivência digna com outros, quando fora da sua terra natal.

Em uma observação imparcial, destituída de pressupostos discriminatórios quanto à evangelização, perceberíamos que diversas sociedades indígenas que mantêm um relacionamento mais próximo com missionários evangélicos valorizam mais sua própria cultura e língua do que no passado.

Não podemos negar que a postura antropológica brasileira, não intervencionista, é influenciada também pela culpa coletiva pelo passado, pela forma desastrosa como os indígenas foram julgados e condenados. Postura semelhante se viu na Alemanha pós-nazista que, de uma xenofobia causticante, se extremou por algum tempo nos caminhos de uma tolerância radical ao diferente, qualquer diferente, mesmo o nocivo socialmente.

Aryon Rodrigues estima que, na época da conquista, eram faladas 1.273 línguas,[3] ou seja, perdemos 85% de nossa diversidade lingüística em 500 anos. Luciana Storto chama a atenção para o Estado de Rondônia, onde 65% das línguas estão seriamente em perigo por não serem mais aprendidas pelas crianças e por terem um ínfimo número de falantes. Precisamos perceber que a perda lingüística está associada a perdas culturais complexas, como a transmissão do conhecimento, formas artísticas, tradições orais, perspectivas ontológicas e cosmológicas.

Perante tal realidade, somos levados a observar o passado e defender uma postura radicalmente não intervencionista, não dialógica, no presente. No subconsciente, talvez estejamos tentando minimizar o risco de outros erros. Porém não percebemos que essa omissão apenas há de contribuir para a ausência de soluções de subsistência, seja numérica, lingüística ou cultural, dos povos indígenas do Brasil. Não devemos evitar o diálogo, mas sim a subversão. Não devemos nos omitir da busca coletiva pela solução de conflitos, mas sim evitar a imposição em reações que não sejam autônomas. Ao participar da construção do ambiente que gera o dano, devemos também participar da busca pelas soluções.

Percebemos, assim, que:

Toda imposição é nociva e desrespeitosa. Nenhum elemento deve ser imposto a uma sociedade, seja indígena ou não indígena, sob nenhum pressuposto.

A cultura humana não é o destino do homem e sim seu meio de liberdade. É também respeito cultural conceber ao indígena o direito de realizar escolhas, voluntárias e desejadas, dentro de seu próprio bojo pessoal e social.

As motivações missionárias evangélicas para o relacionamento com as sociedades indígenas devem ser igualmente respeitadas. Motivação religiosa não deve ser confundida com imposição religiosa.

A evangelização difere-se da catequese em relação ao conteúdo, abordagem e comunicação. Cabe ao indígena mensurar o valor da evangelização, em seu ambiente e com total liberdade.

Legalidade e presença missionária entre os povos indígenas no Brasil

Percebe-se que, no Brasil, a história das relações entre missões evangélicas e o órgão oficial indigenista – FUNAI – tem sido esquecida, fenômeno que muito facilmente produz acusações falsas como a de que as missões evangélicas, que atuam em território nacional, exercem ilegalmente suas atividades em terras indígenas. Portanto, para compreender a situação presente das relações entre essas entidades e a FUNAI, faz-se necessário relembrar os respectivos eventos que se desenrolaram na década de 90, dos quais a realidade atual é legítima herdeira.

A tensão entre alguns setores da sociedade e o contingente missionário não é novidade. Muitas das entidades de apoio aos indígenas foram construídas sobre esse alicerce. Devido à inconsistência de uma política indigenista nacional, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) fica muito mais à mercê da ideologia de seu presidente em exercício, que costuma permanecer um curto período de tempo nessa posição. Assim, algumas vezes, as missões evangélicas foram recebidas como parceiras; outras vezes, rechaçadas como se fossem inimigas. Uma das últimas tensões ocorreu na década de 1990, mais precisamente no ano de 92. Naquela época, a validade de todos os convênios entre missões e FUNAI venceria no mês de março. O então presidente deste órgão oficial, Sidney Ferreira Possuelo, utilizando-se de atribuições que não lhe competiam, elaborou uma portaria que tinha como objetivo final a retirada dos missionários das áreas indígenas, sob suas próprias expensas, pois teriam que financiar a viagem de antropólogos para avaliar (leia-se: condenar) suas atividades nas aldeias. O excelentíssimo Ministro da Justiça naquele ano, o Dr. Maurício Correa, negou-se a compactuar com a trama e não assinou o maroto documento. Após as devidas considerações, o mesmo foi devolvido à FUNAI. Um pouco mais tarde, o presidente dessa instituição deixou o cargo e acusou os militares de estarem por trás de sua destituição.

O próximo presidente da FUNAI, o Sr. Dinarte Nobre de Madeiro, convencido por seus assessores imediatos, articuladores da fracassada tentativa anterior, publicou o referido documento como a Instrução Normativa nº 2 (IN 2), no dia 08 de abril de 1994, com a sua posterior publicação no D.O.U. nº 71 de 15/04/94. Assim, ele não precisou da aprovação de instâncias superiores. A reação imediata das instituições interessadas na questão indígena foi de total reprovação à IN 2. O Conselho Indigenista Missionário (CIMI), órgão ligado à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi taxativo e incisivo contra este documento, rechaçando-o e afirmando sua intenção de ignorar o mesmo por completo. A Associação Brasileira de Antropologia (ABA), surpresa com a publicação dessa instrução normativa e da IN no. 1 (que tratava do ingresso de pesquisadores em áreas indígenas) também se manifestou, redigindo nota de protesto contra ambas instruções normativas.

As agências missionárias evangélicas, através de sua representante legal, a Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB) também redigiu um documento contestando a elaboração e o conteúdo da IN 2. Insensível ao protesto destas entidades, o mencionado Presidente da FUNAI respondeu indelicadamente (Ofício nº 317/PRES/94, de 27/05/94) às considerações da AMTB, ao mesmo tempo em que enviava para todas as administrações regionais as informações sobre a publicação da IN 2, tanto em caráter informativo como administrativo, ordenando o cumprimento da mesma (MEMO 091/circ/cgep/94). Contudo, a IN 2 portava um cronograma e organograma que só poderia ser iniciado através da FUNAI de Brasília, retirando de suas regionais a autonomia para processá-los.

Diante da atitude do então presidente da FUNAI, nenhuma das instituições com atividades em áreas indígenas manifestou-se na direção de celebrar convênio com o órgão governamental. Nesse contexto de controvérsia, a FUNAI enviou à AMTB um ofício (OF/nº 367/PRESI/CIRC/94), no dia 23/06/94, com o seguinte conteúdo: “o prazo estabelecido para dar início ao processo de regulamentação das atividades desenvolvidas junto às sociedades indígenas será prorrogado por 30 dias. Assim sendo, a Instituição que tiver interesse em dar continuidade às ações em áreas indígenas deverá formalizar junto a esta Presidência através da solicitação oficial, dando início o processo de análise, não será concedida nova prorrogação.” As agências missionárias evangélicas, depois de terem consultado o ministro da justiça, resolveram atender as orientações da IN2, ao mesmo tempo em que entravam com um processo administrativo contra a publicação desse documento. A Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB) entregou o seu pedido para renovação de convênio no dia 20/07/94, dentro do prazo legal.

Com as agências missionárias iniciando o processo oficial de ingresso e permanência nas áreas indígenas, competia à FUNAI, a partir daquele momento, seguir os parâmetros estipulados por si mesma na IN 2. Porém, nunca houve continuidade a esse processo, por razões que só a cúpula administrativa da FUNAI poderia explicar. Diante da omissão concreta do órgão, as missões continuaram seus trabalhos que já vinham realizando, o que revela a aprovação dos indígenas sobre as atividades dessas organizações. Além disso, muitas etnias indígenas já haviam preparado abaixo-assinados a favor da continuidade do trabalho missionário em suas áreas. No entanto, a então direção da FUNAI conseguiu impedir a abertura de novos trabalhos missionários. Dessa perspectiva, a assessoria do presidente desse órgão teve sucesso parcial quanto aos objetivos finais da IN 2, que era encerrar as atividades missionárias nas aldeias. Por outro lado, na óbvia impossibilidade de anular o trabalho missionário através da IN2, a direção do órgão oficial optou por deixar o tempo transcorrer sem tomar nenhuma iniciativa para que convênios fossem celebrados. Portanto, após o advento da IN 2, não existe nenhum documento geral elaborado pela FUNAI-Brasília concedendo permissão ou promovendo proibição de ingresso de missionários nas áreas indígenas onde eles já vêm desenvolvendo suas atividades. Apesar da ambigüidade e indefinição da situação, algumas agências missionárias optaram por enviar seus relatórios anuais à FUNAI. Para todos os efeitos legais, a presença missionária nas áreas indígenas está em processo de avaliação por esse órgão governamental.

Contudo, os abaixo-assinados indígenas, aprovando o trabalho missionário em suas áreas, são documentos legalmente válidos e fundamentais a favor da oficialização das atividades missionárias em suas aldeias. O artigo 232 da Constituição Federal corrobora isso, garantindo que: “Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo.” Foi a partir dessa perspectiva que o CIMI se manifestou, registrando: “Se a comunidade aprova a nossa presença, não tem ninguém que possa nos tirar.” Na prática, a FUNAI passou a reconhecer os abaixo-assinados indígenas, principalmente nas administrações regionais (ADRs), onde a permissão do ingresso dos missionários de fato acontece.

Em resumo, as agências missionárias seguiram as orientações da IN 2 expedida pela presidência da FUNAI em 1994, ao ingressarem com pedido, em tempo hábil, de celebração de convênios. Esse órgão, aparentemente, não deu o devido valor à própria legislação que expediu. Mesmo assim, os missionários receberam abaixo-assinados de várias comunidades indígenas, solicitando sua permanência nas aldeias. Portanto, se nenhum missionário está em área indígena portando documento de permissão de ingresso emitido pela FUNAI-Brasília, existe a documentação mais importante de todo o processo de concessão de entrada nas áreas indígenas: a permissão dos próprios indígenas. Além do mais, no geral, as atividades missionárias são desenvolvidas em harmonia com as diversas ADRs ao redor do país. Em outras palavras, os missionários não estão ilegais nas aldeias, embora não estejam regulamentados pelo órgão oficial responsável pela política indígena do Brasil.

Após a gestão do Sr. Dinarte Madeiro, que durou até setembro de 95, outros dois presidentes da FUNAI, os Srs. Márcio José Brando Santilli e Júlio Marcos Germany Gaiger, dispensaram esforços para gerir adequadamente o órgão, ademais permaneceram por pouco tempo no cargo. Depois, assumiu o órgão o Dr. Sulivan Silvestre e as agências missionárias se reuniram várias vezes com o departamento jurídico da FUNAI para chegar a uma solução quanto ao problema gerado pela IN 2. Como conseqüência, uma Portaria foi rascunhada em meados de setembro de 97, visando a normatizar os convênios entre missões e FUNAI. O documento foi criteriosamente elaborado, mas recebeu críticas, inclusive da ABA, que não se fazia presente nos encontros e reclamava por não ter participado das decisões. O processo foi abruptamente interrompido com o óbito do Dr. Sullivan no trágico acidente com a aeronave da FUNAI, na cidade de Goiânia. Com esse incidente, o assunto de convênios foi protelado e caiu no esquecimento oficial. Os missionários e as comunidades indígenas brasileiras não podem ser punidos pelo tipo de dinâmica de trabalho de alguns dirigentes e assessores da FUNAI.

A Essência da Legislação Indígena Brasileira Normativa da Questão Cultural e Religiosa

Questiona-se, no meio acadêmico e jurídico, se os índios podem ou não receber outra orientação religiosa além da sua. Mesmo que em todos os demais aspectos se apregoa a liberdade aos indígenas com base no artigo 232, tenta-se restringir seus direitos quando se trata de questões religiosas e culturais. Ora nada melhor do que o conjunto de leis que regem essa questão para esclarecer isso, e, melhor ainda, começar com nossa Carta Magna:

Constituição Federal

Art. 231 - São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.

A interpretação deste artigo deve harmonizar-se com os direitos fundamentais de todo cidadão brasileiro: “reconhecido” não quer dizer “obrigatório” como querem alguns.

Art. 5 - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas liturgias;

Comparando esses direitos com convenções internacionais, achamos harmonia com os direitos fundamentais:

Declaração Universal dos Direitos Humanos: Cláusulas XIX e XVII

Com destaque à Claúsula XVII: Todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar esta religião ou crença pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

A Convenção número 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), sancionada pelo Presidente Lula, assegura que:

Art3 # 1 - Os povos indígenas e tribais deverão gozar plenamente dos direitos humanos e liberdades fundamentais sem obstáculos nem discriminação…

Art. 7 # 1 - Os povos interessados deverão ter o direito de escolher suas próprias prioridades no que diz respeito ao processo de desenvolvimento, na medida em que ele afete as suas vidas, crenças, instituições e bem-estar espiritual bem como as terras que ocupam ou utilizam de alguma forma e de controlar, na medida do possível o seu próprio desenvolvimento econômico, social e cultural…

Art. 8 # 2 - Esses povos deverão ter o direito de conservar seus costumes e instituições próprias desde que não sejam incompatíveis com os direitos fundamentais definidos …

3 - A aplicação dos parágrafos 1 e 2 deste artigo não deverá impedir que os membros destes povos exerçam os direitos reconhecidos para todos os cidadãos do país…

4- Resta citar ainda a alínea “d” # VIII do artigo V da Convenção da ONU de 21/12/65, aprovada pelo Decreto Legislativo no. 3 de 1967 (DO 23/06/67) e promulgada pelo Decreto no. 65.810, de 1969 (DO 10/12/69; ret. 30/12/69).

Alínea “d” outros direitos civis, particularmente:

VI - Direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião.

Ademais, o desrespeito a estas leis nacionais e internacionais em nome da diferenciação de raças poderia ser enquadrado como discriminação pelos artigos 1 e 20 da Lei número: 7.716 05/01/89 reformulada pela lei 9.459 de 13/05/97.

Cremos que a lei existe para defender os inocentes e para incriminar os culpados e que devemos buscar sua proteção para o trabalho missionário.

Ações sociais coordenadas pela presença missionária

entre os Indígenas do Brasil

Determinados princípios do código de ética missionária enfatizam: “incentivar a ação e, sempre que possível, colaborar com as autoridades em prol do desenvolvimento comunitário; Tratar com igualdade todos os segmentos da comunidade como um todo, independente de serem ou não evangélicos, recusando-se a manipular decisões individuais ou comunitárias, seja por meio de bens materiais ou favores”.

Em outras palavras, as ações sociais, na ética cristã, se justificam tão somente pelas necessidades sociais. Toda inferência quanto à barganha religiosa, usando as ações sociais como moeda de troca junto aos povos do Brasil, contrapõe-se justamente ao cerne de nossos valores cristãos e missionários. Em diversas áreas indígenas, as missões evangélicas atuaram e atuam fortemente na promoção de boa saúde, educação e dignidade, sem um envolvimento direto com a evangelização. A ação social é autojustificável. A confusão entre catequese e evangelização, mais uma vez, se faz presente aqui. Enquanto a catequese ocorre de forma impositiva e coercitiva, a evangelização se dá, também, por meio de atos de amor, que motivam as ações que tentam minimizar os sofrimento humano.

Sobre nossa motivação, de fato é cristã. Enquanto ONGs humanistas atuam sem dificuldade junto aos povos indígenas em nosso país, sentimo-nos discriminados por termos, na raiz de nossa motivação, o amor de Deus por todo homem. A ação missionária tem, como motivação e centro, a postura de Jesus diante dos necessitados que lhes apresenta o evangelho e também lhes atende em suas necessidades pessoais. Com isso, o movimento missionário vislumbra minimizar os males sociais entre populações indígenas.

A história da evangelização indígena no Brasil, que remonta há mais de 100 anos, é também uma história de compromisso com áreas sociais carentes, sobretudo a saúde e educação indígenas. Os missionários, a partir de relação diária e com aprendizado da língua e cultura, nunca se furtaram a atender estas necessidades dos povos indígenas, sem nenhuma discriminação, considerando no atendimento os que se interessaram ou não pela mensagem do evangelho.

Estamos certos de que as centenas de ações sociais, sobretudo nas áreas de saúde, educação e valorização cultural, coordenadas por missionários evangélicos, tem contribuído, e muito, para o aumento populacional e melhor qualidade de vida entre as etnias indígenas em nosso país. Há dezenas de casos, como os Dâw, Wai-Wai, Nadëb e tantos outros que passaram por um verdadeiro ciclo de crescimento populacional, restauração da valorização da cultura e língua e melhoria de qualidade de vida por meio de projetos missionários durante décadas em seu meio.

Muitas línguas, com risco de extinção ou experimentando épocas de desvalorização junto ao próprio grupo, foram e são alvo de projetos linguísticos que tendem a grafá-las, produzir cartilhas de alfabetização, fomentar o seu uso e garantir sua existência para a próxima geração. Os lingüistas evangélicos atuam na produção de material de relevância para a preservação lingüística e seu uso, em meio ao próprio povo em cerca de 80 idiomas no momento. Trabalho este nem sempre reconhecido pelo segmento acadêmico, por discriminação religiosa e pela intenção de tradução da Bíblia para tais línguas.

Em 2007, as agências missionárias evangélicas promoveram mais de 50.000 atendimentos médicos e odontológicos entre as populações indígenas em nosso país, por meio de agentes de saúde permanentes ou clínicas móveis em terra indígena.

Atualmente, a Igreja evangélica tem repensado cada vez mais o seu papel como agente de transformação social. Numa visão de evangelho integral, iniciativa e projetos surgem a cada dia, por isso é natural que tais iniciativas contemplem também os povos indígenas. Lamentamos que a linha de isolamento da política indigenista seja uma barreira para que recursos humanos, materiais e de tecnologia social, oriundos dos segmentos evangélicos, possam chegar aos indígenas que, como seres humanos e brasileiros, têm direitos e necessidades.

Vale ressaltar que várias organizações missionárias, que atuam em contexto indígena nas áreas de assistência social, são certificadas pelo CNAS- Conselho Nacional de Assistência Social, como entidades sem fins lucrativos e aptas para firmar convênios de parcerias com o governo e com empresas. Infelizmente, a inexistência de convênios formais impede (m) que milhares de atendimentos realizados pelos missionários constem nos relatórios oficiais.

(*) A AMTB - Associação Missionária Transcultural Brasileira – é formada por 32 Agências Missionárias Brasileiras as quais representam mais de 50 denominações evangélicas em nosso país.

[1]. Cardoso de Oliveira, Roberto. A questão Étnica: qual a possibilidade de uma ética global? Arizpe, Lourdes (Org.). As Dimensões Culturais da Transformação Global: uma abordagem antropológica. Brasília. UNESCO, 2001.

[2]. Rouanet, Sergio Paulo. Artigo: Ética e antropóloga. Revista Estudos Avançados. Edição 10, set./dez 1990.

[3]. Rodrigues, Aryon. Línguas indígenas — 500 anos de descobertas e perdas.

LANÇAMENTO DA REVISTA MISSIONÁRIA “MISSIO DEI”

Estamos no mês de aniversário da Missão SAEM. No dia 21 de abril, comemoraremos 18 anos de existência da Sociedade de Apoio Evangelístico e ...