quarta-feira, 13 de maio de 2015

O Desafio de Amar o Próximo


Esboço de Sermão

Jo 13.34-35

Introdução:
1.       Em breve Jesus deixaria os discípulos (Jo 13.33: “Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco...”), mas antes quer legar tesouros espirituais aos seus seguidores: seu amor, sua alegria e sua paz.
2.       O amor é uma das marcas dos salvos. Fomos salvos para amar o próximo.
3.       O propósito real da nova vida em Cristo é o amor fraternal (1Pe 1.22).
4.       O amor é a marca característica do cristão e a prova evidente do discipulado.
5.       Por que devemos amar o próximo? Qual é o modelo de amor ao próximo? Qual é a evidência de que estamos amando o próximo?

I. A ordem do novo mandamento: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros...” (v. 34a):
1.       O “novo mandamento” é a essência de todos os “velhos” mandamentos da lei (Rm 13.8-10): “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei. Pois isto: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. O amor não pratica o mal  contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor.”
2.       Tg 2.8,9 ensina que a “lei régia” expressa concretamente o amor no modelo de Cristo, amando como Ele nos amou: “Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem; se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo arguidos pela lei como transgressores.”
3.       Não havia nada de novo a respeito do mandamento para amar, uma vez que Lv 19.18 nos ensina: “amarás o teu próximo como a ti mesmo”. O elemento novo aqui é composto de duas partes:
a)       A mudança do termo “próximo” para “uns aos outros”.
b)       A mudança da expressão “a ti mesmo” para “uns aos outros”.
4.       Com seu ensino e com seu exemplo, Jesus dar uma nova profundidade de significado ao “novo mandamento”.

II. O padrão do novo mandamento: “... assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (v. 34b):
1.       O amor fraternal é o amor de escolha (não de sentimento) que satisfaz os outros em suas necessidades e se estende até o seu limite.
2.       A natureza do amor fraternal (1Pe 1.22): “Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardententemente.”:
a)       Genuíno: (v. 22) “não fingido”.
b)       De coração: (v. 22) “amai-vos de coração”.
c)       Ardente: (v. 22) “uns aos outros ardentemente”, significa “intensamente, intimamente, fortemente, profundamente”.
3.       O nosso padrão é o amor de Cristo por nós.
4.       O amor cristão segue o modelo do sacrifício amoroso de Cristo
a)        Jo 3.16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
b)       1Jo 3.16: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.”
5.       Tertuliano relata que em seu tempo (um século depois que o evangelho de João foi publicado) os pagãos diziam acerca dos cristãos: “vejam como eles se amam!” E eles não estavam falando de mero amor superficial, porque ele continua: “Como estão prontos a morrer uns pelos outros!”

III. O cumprimento do novo mandamento é a evidência do discipulado: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (v. 35):
1.       O amor sobrenatural dos cristãos seria um dos principais atrativos entre os mundanos para levá-los a Cristo. Amar é evangelizar.
2.       O amor ao próximo é o sinal inconfundível dos seguidores de Cristo (1Jo 4.7-8): “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.”
3.       A comunidade dos discípulos é o contexto principal no qual esse amor é expresso.
4.       Russell Shedd: “O amor mútuo dentro da família de Deus é o sinal mais claro do poder regenerador.”

Conclusão e Aplicações
1.       Ilustração: O espião chinês que se converteu. O amor converte as pessoas!
2.       Auxiliando: prestar assistência aos irmãos que necessitam (emprego, conselho, levar alguém ao hospital, ajudar com uma sexta básica, etc.).
3.       Orando: a oração é a nossa arma secreta. Devemos orar uns pelos outros.
4. Congregando: Em nossas reuniões podemos socorrer e acolher uns aos outros.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Perfil e Integridade do Missionário


Esboço da 1ª Palestra da Escola Intensiva de Missões - Missão SAEM 2015

Texto Bíblico: 1Tm 4.7

Introdução:
1.       1Tm 4.7 (NBV): “Não desperdice o tempo discutindo ideias tolas nem mitos e lendas absurdas. Gaste seu tempo e sua energia na prática de conservar-se espiritualmente apto.”
2.       Caráter é a atitude, pose, postura, modo, maneira de uma pessoa. É piedade.
3.       Todas as pessoas têm caráter: bom ou mau.
4.       Diferença entre caráter e reputação.
5.       Perfil: aspecto, representação.
6.       Integridade: retidão, justiça, honestidade.

I. O que é o caráter missionário:
1.       É o caráter que reflete o caráter missionário da Bíblia:
a)       (Gl 3.8): “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos.”
b)       As promessas de Deus para Abraão são o prenúncio do evangelho, que concerne à promessa de bênção para todos os povos da terra que creem como Abraão creu.
2.       É o caráter que reflete o caráter missionário de Deus:
a)       (Gn 3.15): “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”
b)       Deus aqui é o próprio missionário, Aquele que anuncia as boas novas aos pecadores.
c)       Esta é a primeira promessa de um enviado por Deus para tratar o pecado – proto-evangelho.
3.       É o caráter que visa à glória de Deus:
a)       (Rm 11.36): “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém.”
b)       Dar glória a Deus é a vocação de toda criatura, e constitui o maior alvo da nossa missão.
c)       Cabe a nós fazermos esta glória conhecida pelo mundo inteiro, entre gentios e judeus.

II. Como é forjado o caráter do missionário:
1.       Dave Harvey: “Deus pega um homem comum, lapida seu caráter, dá-lhe graça, treina-o por meio de provações, enche-o de zelo e encurrala-o em suas circunstâncias. Depois, você tem um obreiro.”
2.       Martinho Lutero: “Para se fazer um obreiro são necessários três coisas: oração, estudo da Palavra e tribulações."
3.       Primeiro, meditação:
a)       (Js 1.8): “Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido.”
v  A missão de Josué era conduzir o povo à terra prometida.
v  Central para o cumprimento da missão é o desenvolvimento da fé por meio do conhecimento profundo das Escrituras e, por consequência, a prática e a exposição desse conhecimento.
b)       (Ed 7.10): “Porque Esdras tinha disposto o coração para buscar a Lei do SENHOR, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos.”
v  A missão de Esdras tinha um cunho inteiramente religioso. Ele foi para a terra de seus pais a fim de instruir o povo sobre a Palavra de Deus.
v  As características pessoais de Esdras são a chave para a vida de um missionário. Ele dedicou a estudar a Lei do Senhor, mas não somente como uma fonte de sabedoria pessoal. Ele dispôs o seu coração a cumprir o que a Palavra de Deus estava ensinando a ele. Finalmente, ele se dispôs a ensinar aquela Palavra ao seu povo.
4.       Segundo, oração:
a)       (At 16.25): “Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam.”
b)       A oração precede e sustenta missões.
c)       Paulo e Silas oravam... A resposta da oração veio no terremoto que abriu as portas da prisão.
5.       Terceiro, tribulação:
a)       (At 16.25): “Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam.”
b)       Mesmo presos, Paulo e Silas não deixaram de orar e cantar louvores a Deus – práticas missionárias elementares, e, assim testemunharam para os demais presos.

III. Características do Caráter Missionário:
1.       Conversão: o missionário, antes de qualquer coisa, é uma pessoa convertida, liberta, transformada, salva, etc.
2.       Chamado:
a)       (Jr 1.4-5): “A mim me veio, pois, a palavra do SENHOR, dizendo: Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações.”
b)       A chamada de Deus é irrevogável e intransferível. Quando Deus chama, chama eficazmente. Ninguém entra na obra de Deus sem ser chamado e ninguém consegue sair da obra de Deus quando se é chamado.
c)       Deus chama pessoas diferentes, em circunstâncias diferentes, em idades diferentes, para ministérios diferentes. A chamada divina não é fundamentada no mérito, mas na graça.
3.       Santificação:
a)       1Pe 1.15-16: “pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.”
b)       O maior legado de um missionário é a sua fidelidade ao caráter piedoso e íntegro.
c)       O obreiro lidera por meio de sua vida, bem como de seus lábios.
d)       Integridade é mais importante que sucesso. Ilustração: O caso de Moisés.
e)       A evidência de que alguém foi salvo é a santificação.
4.       Compaixão: Vance Havner: “O principal requisito de um missionário não é, como temos ouvido tantas vezes, ter paixão pelos perdidos, mas ter amor por Cristo.”.
5.       Compromisso: Ilustração “A galinha e o porco”.

Conclusão e Aplicações:
1.       Se você deseja ou faz missões esperando fama ou notoriedade, desista! Mas se o que comove o seu coração é algo mais do que o desejo de fazer algo que está na moda; se for um profundo amor pelos perdidos e, mais ainda, uma enorme paixão pela glória de Deus, então não perca tempo! Reúna uma equipe com os mesmos sentimentos e mãos à obra.
2.       Os missionários são feitos por Deus para serem missionários. A chamada para missões não é questão de nossa escolha. Os missionários não escolhem ser missionários. Deus escolhe pessoas para serem missionários e os torna missionários de acordo com seu plano.
3.       A convicção da chamada missionária conserva o missionário firme na rota. A convicção da chamada impede o missionário de ficar louco através de todos os altos e baixos da vida ministerial.
4.       História contada por João Mordomo: “Quando o jovem missionário Trevor Ardill estava explicando o evangelho para pessoas de uma vila rural na Nigéria, o chefe foi até a frente da multidão e agarrou Ardill pela camisa: ‘Você diz que Deus tem um filho?’ – perguntou o homem, que continuou: ‘E este filho se tornou homem e morreu na cruz para me salvar do pecado?’ O missionário respondeu: ‘Sim. Exatamente isto!’
O chefe tribal fechou os punhos e exigiu: ‘Quando?’ – ao que Trevor respondeu: ‘Há mais ou menos dois mil anos atrás.’ O chefe exclamou, furioso: ‘Dois mil anos? E você só veio me contar agora? E como fica o meu pai? E meu avô? E toda a minha gente? Ninguém veio contar a eles!’ Trevor Ardill ficou mudo e triste.
“A igreja só é igreja quando o é para os de fora.” Dietrich Bonhoeffer

terça-feira, 5 de maio de 2015

Missão: O Centro da Bíblia


O
 conteúdo geral da Bíblia é missionário. Missão nunca foi invenção ou produto humano, pois vemos que este princípio partiu de Deus e está no centro da Bíblia. Se Deus é um Deus Missionário e se a Bíblia é inspirada por Deus, logo, significa que a Bíblia é um Livro Missionário. John Stott afirmou: “Por meio da Bíblia o próprio Deus está evangelizando, isto é, comunicando as boas novas ao mundo. Você deve estar lembrado da declaração de Paulo acerca de Gênesis 12.3, segundo a qual ‘a Escritura [...] preanunciou o evangelho a Abraão’ (Gl 3.8)”, continua: “Toda a Escritura prega o evangelho. Deus evangeliza por meio dela”. A Bíblia é a nossa autoridade em missão. Ela revela a mensagem do Evangelho, os motivos corretos para missão e os objetivos e métodos que agradam a Deus. Todo trabalho missionário deve ser fundamentado e dirigido pelas Escrituras Sagradas. Edison Queiroz disse: “A Bíblia, desde Gênesis até o Apocalipse, é um livro missionário, a partir do ponto de vista bíblico, o propósito de Deus é simplesmente reconciliar o homem consigo mesmo. O problema é que muitas vezes estudamos a Bíblia, não para buscar o propósito de Deus e sim para buscar respostas ou bases para nossas ideias. Precisamos avaliar nossa hermenêutica[1] a partir do ponto de vista dos propósitos de Deus”.
Greenway cita o missiólogo europeu, Johannes Verkuyl, referindo-se ao Novo Testamento: “Do começo ao fim, o Novo Testamento é um livro missionário. Ele deve sua própria existência ao trabalho missionário das igrejas cristãs primitivas, tanto a judia como a helenística. Os Evangelhos são ‘recordações vivas’ da pregação missionária, e as Epístolas, mais do que uma forma de apologética missionária, são instrumentos atuais e autênticos do trabalho missionário”.
Assim sendo, é impossível entender devidamente missão no Novo Testamento sem considerar suas raízes no Antigo Testamento. Russell Shedd disse: “A ordem de fazer missões é muito clara no Novo Testamento, porém Jesus buscou no Antigo Testamento a base para essa declaração. Se lermos a Bíblia toda sem observar sua ênfase sobre missões, provavelmente a estamos lendo superficialmente, como eu lia o Antigo Testamento, sem notar a centralidade do plano de Deus para as nações. Agora penso de modo diferente. Foi uma mudança de paradigma para mim!”

1.       A missão de Abraão (Gn 12.1-9);
2.       A missão de Jonas (Jn 3.1-10);
3. A missão de Jesus (Lc 19.10);
4. A missão do Consolador (Jo 16.7-15);
5. A missão dos doze (Mt 10);
6. A missão dos setenta (Lc 10.1-12);
7. As viagens missionárias de Paulo (At 13.1 ao 14.28; 15.36 ao 18.22 e 18.23 ao 20.28);
8. O cumprimento da missão (Ap 5.9-14); e etc.

Vejamos os quatro Evangelhos, segundo Roger Greenway, como “literatura missionária”:

1. O Evangelho segundo Mateus foi escrito para os judeus, para ensiná-los sobre Jesus e fazer deles a base para a missão da Igreja junto aos gentios;
2. O Evangelho segundo Marcos foi um “tratado” missionário para os gentios que precisavam de um breve relato sobre a vida e os ensinamentos de Jesus;
3. O Evangelho segundo Lucas, um gentio convertido à fé em Jesus, escreveu para os gentios como ele, os quais careciam saber que Jesus os queria em seu Reino tanto quanto os judeus;
4. O Evangelho segundo João foi escrito com o seguinte propósito missionário: “Para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31).

Portanto, o maior exemplo de missão está no próprio Deus, que se fez carne e habitou entre nós para salvar os perdidos (Jo 1.14; Fp 2.5-11). Missão está no centro da Bíblia e deve estar no centro das nossas vidas. Pois, não há lugar mais seguro do que o lugar em que Deus nos colocou.

Nos laços do Calvário que nos une,
Pastor Luciano Paes Landim.



[1] É a ciência que cuida da arte de interpretar texto.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Mantendo a Fé Em Meio às Adversidades

TEXTO BÁSICO: Habacuque 3.16-19

“Ouvi-o, e o meu íntimo se comoveu, à sua voz, tremeram os meus lábios; entrou a podridão nos meus ossos, e os joelhos me vacilaram, pois, em silêncio, devo esperar o dia da angústia, que virá contra o povo que nos acomete. Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente.
Ao mestre de canto. Para instrumentos de cordas.”

INTRODUÇÃO

A fé que triunfa sobre a dúvida é o tema central do livro do profeta Habacuque. A mensagem do seu livro mostra que, independentemente de quão desoladoras, abstrusas ou confusas as circunstâncias se mostrem no momento, a verdadeira alegria está no Deus da salvação, no Deus que governa e controla todas as coisas, no Deus soberano. É verdade que não é fácil compreender tudo o que se passa no mundo e em nossa vida particular. O fato é que as adversidades, lutas e tribulações não escolhem hora, lugar ou pessoas. Elas meramente se abatem sobre nós. A diferença, entretanto, consiste em como enfrentá-las, contorná-las e superá-las.
O profeta Habacuque ficou alarmado quando soube que Deus viria com juízo contra o seu povo, Judá, usando como instrumentos para este juízo os babilônios, e também em saber que Deus castigaria a Babilônia. Habacuque foi profeta do Reino do Sul, Judá, contemporâneo de Jeremias e Naum. O seu nome significa “abraço”. Ele viveu durante uma ocasião histórica muito conturbada: o Reino do Norte, Israel, havia sido derrocado pelos assírios em 722 a.C., e o império Caldeu começava a surgir no horizonte. A título de introdução, uma nota importante aqui é a triste realidade que estava acontecendo com os governantes de Judá: estavam submergidos em muita corrupção e adoração a deuses pagãos.
O texto em apreço (Habacuque 3.16-19) é a conclusão do cântico de vitória do profeta Habacuque. O cântico é uma oração de triunfo (Habacuque 3.1-19). O profeta pede a Deus que se manifeste (v. 2), e Deus responde (vs. 3-15). A oração termina com a resposta de Habacuque (vs. 16-19), em que ele dá um majestoso depoimento da sua fé em Deus (vs. 17-19). O texto básico deste livreto nos mostra como manter a fé em meio às adversidades. Mas, como manter a fé em meio às adversidades? Por que devemos confiar em Deus?

SOMENTE EM DEUS ENCONTRAMOS FIRMEZA

Ao olharmos para o passado vemos o agir de Deus na história, entretanto, Ele continua agindo. O Deus da Bíblia é o Deus que intervém. Ele é o Deus do passado, do presente e do futuro. Ele é o Deus Eterno. É o Deus que responde. Ele é transcendente, mas também é imanente. O profeta Habacuque, ao ouvir a resposta de Deus, se emociona: “Ouvi-o, e o meu íntimo se comoveu” (v. 16). O profeta ficou movido com o que Deus lhe mostrou. Sempre que Deus fala, os seus filhos não ficam indiferentes. É impossível ficar do mesmo jeito. Outra coisa, a voz de Deus gera temor: “à sua voz, tremeram os meus lábios” (v. 16). Isto é o reconhecimento da santidade de Deus.
A santidade do Senhor nos faz ficar atemorizados. A voz de Deus nos mostra a nossa pecaminosidade e nos silencia. O profeta diz: “entrou a podridão nos meus ossos, e os joelhos me vacilaram, pois, em silêncio, devo esperar o dia da angústia, que virá contra o povo que nos acomete” (v. 16). A Palavra de Deus é pura e santa; nós somos pecadores e imundos. Diante da voz de Deus só nos resta guardar silêncio, pois é o Rei do universo quem está falando. Diante da voz da Majestade só podemos ficar firmes. O profeta Habacuque olha as situações sombrias em sua volta confiando em Deus. A fé cristã está firmada em Deus, não em ideias. Somente em Deus encontramos firmeza!

DEVEMOS CONFIAR EM DEUS, APESAR DAS ADVERSIDADES (v. 17)

Mesmo num momento futuro das mais tormentosas calamidades agrícolas e pastorais, quando o povo de Deus encarasse fome e pobreza, a expectativa confiante do profeta Habacuque não seria sufocada e refreada. Embora todos os subsídios naturais e previsíveis da vida se desintegrassem, o profeta se alegraria em Deus, e somente em Deus. Habacuque afirma o seu compromisso com o Senhor. Seu maior anseio é pelo próprio Deus. Devemos confiar em Deus, independentemente das circunstâncias. O apóstolo Paulo assim diz aos cristãos filipenses: Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.11-13). Devemos ter alegria em toda e qualquer situação. Devemos desejar Deus. Ele não é a maior riqueza que temos, Ele é a única riqueza que temos. Ele é tudo o que temos. Antes de desejarmos as bênçãos de Deus, devemos desejar o Deus das bênçãos. Muitas pessoas querem a paz de Deus, mas não querem o Deus da paz. Na passagem bíblica acima, o apóstolo dos gentios não passa uma mensagem de autoajuda ou coisa do tipo, mas de “contentamento” em Cristo. A questão não é quantas coisas conquistamos, mas se estamos contentes em e com Cristo.
O pastor Luiz Sayão nos fala algo bastante interessante sobre este versículo:

“Habacuque pressupõe que reconhecer a Deus e manter-se fiel a ele é a maneira correta de reagir contra o mal que tem poder de alastrar-se e de contaminar. Sua confiança em Deus chega a ponto de dizer que ainda que uvas (vinho), gado (carne e leite), azeitonas (óleo e combustível) e trigo faltassem, ele estaria disposto a alegrar-se em Deus. Esse espírito exultante, como o mal, tem também poder de propagação e influência.”[1]

Isto significa que os recursos da terra podem falhar, mas Deus não jamais falhará.
Deus não falha, Ele tem tudo sob controle. A tragédia não é maior do que o único Deus verdadeiro. A crise não é maior do que o Deus dos impossíveis. Assim, devemos ficar firmes no Senhor e confiar no seu agir. Habacuque diante da crise não se desespera. Ele confia em Deus. Mantém sua fé firme. A mensagem que aprendemos aqui é que não devemos nos desanimar por causa da crise. Não podemos nos deixar abater porque não conseguimos ver perspectivas melhores. Paremos por um momento e olhemos para trás e vejamos todo o cuidado de Deus. Ele tem nos sustentado. Agora, olhemos para a nossa vida e vejamos como Ele tem tomado conta de nós com muito amor, cuidado e proteção. Olhemos para frente, para Cristo, e sigamos confiantes. 
Mas, o que significa confiar em Deus? Vi uma linda ilustração sobre o assunto e desejo compartilhá-la com o fim de clarear o entendimento sobre a confiança em Deus:

“Loyde John Ogilvie (pastor norte-americano) conta a história de um menino que conheceu numa viagem. Ele observou o menino sozinho na sala de espera do aeroporto aguardando seu vôo. Quando o embarque começou, ele foi colocado na frente da fila para entrar e encontrar seu assento antes dos adultos. Quando Ogilvie entrou no avião, viu que o menino estava sentado ao lado de sua poltrona. O menino foi cortês quando Ogilvie puxou conversa com ele e, em seguida, começou a passar tempo colorindo um livro. Ele não demonstrava ansiedade ou preocupação com o vôo enquanto as preparações para a decolagem estavam sendo feitas. Durante o vôo, o avião entrou numa tempestade, muito forte, o que fez que ele balançasse como uma pena ao vento. A turbulência e as sacudidas bruscas assustaram alguns dos passageiros, mas o menino parecia encarar tudo com a maior naturalidade. Uma das passageiras, sentada do outro lado do corredor ficou preocupada com aquilo tudo, e perguntou ao menino: – Você não está com medo? - Não senhora, não tenho medo, ele respondeu, levantando os olhos rapidamente de seu livro de colorir: Meu pai é o piloto."[2]

Apesar das circunstâncias, Deus está no controle de tudo. Verdadeiramente existem circunstâncias que parecem que estamos em meio a uma tempestade, que nos fazem sentir-se suspendidos no ar sem nada a nos amparar. Mas não podemos esquecer que Deus não nos prometeu livrar-nos da tempestade, mas livrar-nos na tempestade[3]. Ele é o nosso piloto, e, portanto, não devemos temer mal algum. Ele está no controle. As tempestades são necessárias. Elas nos ajudam a crescer e ter maior resistência. O nosso Pai está no controle.

NOSSA CONFIANÇA EM DEUS TRANSFORMA O MEDO EM ESPERANÇA (v. 18)

A certeza e a esperança do profeta Habacuque não se baseavam em bênçãos passageiras, mas no próprio Deus. A fé dele surpreende e maravilha. Ela independe das circunstâncias ou situações. Ela depende de Deus, somente Dele. Habacuque estava disposto a perder tudo, menos a sua fé em Deus. Fé, segundo Keil e Delitzsch, é:

“confiança imperturbável nas divinas promessas da graça.”[4]

O pastor Hernandes Dias Lopes diz:

“Nenhum perigo pode nos alcançar quando estamos refugiados em Deus.”[5]

Há muitos que querem as bênçãos de Deus, mas não querem o Deus das bênçãos. Muitos querem a paz de Deus, mas rejeitam o Deus da paz. Ainda que faltem as bênçãos, o profeta dará graças ao SENHOR. Como o salmista disse: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra” (Salmo 73.25).
Jó adorou ao Senhor mesmo em meio às adversidades: Então, Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça e lançou-se em terra e adorou; e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR! Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma” e Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra” (Jó 1.20-22 e 19.25). Somente em Deus o nosso medo transforma-se em esperança.

CONFIAR EM DEUS SIGNIFICA DEPENDER TOTALMENTE DELE (v. 19)

Apesar dos desafios e perigos, o profeta Habacuque tem uma fé totalmente confiante em Deus. Diante do incompreensível, entra a fé. Ele confiava totalmente na soberania e supremacia de Deus em todas as coisas. Sua fé suplanta a mais abatida experiência, pois é capaz de aceitar qualquer situação como sendo da vontade de Deus. Como mencionamos anteriormente, em Filipenses 4.13, o apóstolo Paulo diz: “tudo posso naquele que me fortalece.” Paulo não quer dizer que Deus nos dá a capacidade de fazer o que queremos, mas que Deus dá poder aos seus servos para que adquiram o contentamento em qualquer situação na qual Deus os colocar. Aqui fica uma grande lição: devemos nos conformar à vontade do Deus que dirige todas as coisas. A nossa confiança não deve estar na providência de Deus, mas no Deus da providência. Mais importante do que a paz de Deus é o Deus da paz (Filipenses 4.9). A paz que Deus oferece independe das circunstâncias. Uma coisa é certa: ou você confia totalmente em Cristo, ou não se considere um cristão. Cristo é o suficiente!
Quando o texto diz no versículo 19 “os meus pés como os da corça”, refere-se como a corça escalava os despenhadeiros com firmeza, sem resvalar, ainda nas regiões elevadas. Aqui, Habacuque confessa que a sua fé em Deus lhe permitiria suportar as dificuldades da invasão iminente, bem como todas as suas dúvidas particulares. Esta é a fé que suplanta a tempestade. É assim que o crente em Jesus senti-se em meio às adversidades: leveza, graça e alegria. Os pés da corça é o que lhe permitia escapar do inimigo.
A Bíblia diz que nada nos separará do amor de Deus: Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8.37-39). Para o profeta Habacuque, a experiência do sofrimento o conduziu a uma fé ainda maior.
Ainda para ilustrar o que é e qual é a importância de se confiar em Deus, conta-se que:


“Um grande equilibrista, muito famoso em seu país, resolve fazer uma grande apresentação, que representará um grande e inédito feito em toda sua carreira: Atravessar um vale de uma montanha a outra, sobre uma corda bamba, sem nenhuma proteção, somente usando as suas habilidades de equilibrismo.
No dia marcado para a realização do grande feito, uma grande multidão se reúne para ver o grande equilibrista em ação. Concentrado, ele inicia sua travessia com muita maestria e, depois de algum tempo, chega até o outro lado. A multidão vai ao delírio e pede mais.
Foi quando algumas pessoas da multidão chegaram mais perto do equilibrista e lhe disseram: atravesse mais uma vez, você consegue! Você é o melhor! Você é demais! Temos fé em você! O equilibrista pergunta àquelas pessoas: Vocês creem que eu posso atravessar de novo esse vale, andando apenas nessa corda bamba? Sem hesitar todos responderam: Sim, nós cremos!
O equilibrista, então, pede ao seu assistente que lhe arranje uma carriola. Ninguém entendeu esse pedido estranho dele, mas o assistente fez como ele mandou. Quando a carriola chegou, o equilibrista chamou um homem daquele grupo que tinha tanta fé nele, e que cria tanto em sua capacidade, e lhe disse:
– Já que você crê tanto em minha capacidade, suba nessa carriola que eu atravessarei a corda bamba te levando nela!
O homem recuou imediatamente e não quis participar!
– Mas você não crê em mim, não crê que sou demais, que sou o melhor? Indagou o equilibrista!
– Eu creio que você é o melhor, mas não confio a ponto de subir nessa carriola. Disse o homem.”[6]

Assim somos muitas vezes com Deus! Dissemos que cremos Nele, que Ele é o melhor, mas não temos coragem de “subir na carriola” e entregar plenamente nossa vida aos cuidados dele! A questão não é por onde andamos (precipício ou vale da sombra da morte), mas quem está conosco durante a caminhada: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam” (Salmo 23.4).

CONCLUSÃO

Aqui ficam algumas perguntas que necessitam de respostas: Em quem você tem confiado? Onde está a sua esperança? Onde você tem depositado sua fé? Em quem você tem crido? Por que você deve confiar em Deus?
Em primeiro lugar, você deve confiar em DeusHHHhh porque Ele é fiel: “se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo” (2Timóteo 2.13).
Em segundo lugar, você deve confiar em Deus porque Ele não falha: “Nenhuma promessa falhou de todas as boas palavras que o SENHOR falara à casa de Israel; tudo se cumpriu” (Josué 21.45).
Em terceiro lugar, você deve confiar em Deus porque Ele é bom: “Oh! Provai e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia” (Salmos 34.8).
Há de lembrar-se que a ênfase do livro do profeta Habacuque não é a atitude do profeta, mas o fato do Deus soberano ter despertado fé no coração do profeta. Afinal, o livro começa mostrando a fé do profeta abalada e encerra-se com a fé do profeta fortalecida. Essa fé não vem de dentro de nós, mas vem de Deus. Não é questão de autoajuda, mas de ajuda do alto (de Deus). A mensagem do profeta Habacuque é que venha o que vier, aquele que confia em Deus se regozijará no Senhor sabendo que nEle estará salvo. Ou seja, Deus é o motivo da nossa alegria. O profeta está dizendo: “Venha o que vier, eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação”. Mas, ele não somente se alegra em Deus como também sente-se seguro nEle: “O SENHOR Deus é a minha fortaleza...”.
Portanto, caro leitor (a), olhe para Jesus, fale com Ele em oração, clame por Ele, tal como você é. Creia no Filho de Deus, reconheça-se como pecador e creia que Cristo morreu pelos pecadores. Abandone toda a autoconfiança e se lance inteiramente nos braços de Jesus para receber o perdão, a paz e a alegria.

Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.

BIBLIOGRAFIA

Bíblia de Estudo de Genebra. Edição Revista e Ampliada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

Bíblia de Estudo MacArthur. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

Bíblia de Estudo NTLH. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.

Bíblia de Estudo NVI, org. geral Kenneth Barker. São Paulo, SP: Editora Vida, 2003.

Bíblia Shedd, ed. responsável Russel Shedd. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 2009.

Campos Junior, Heber Carlos. TRIUNFO DA FÉ: lidando com o problema do mal: um estudo em Habacuque. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2012.

Cavalcante, Kleber. HABACUQUE (apostila não publicada). Dezembro de 2001.

Coelho Filho, Isaltino Gomes. OS PROFETAS MENORES (II): Miqueias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias. Rio de Janeiro, RJ: Editora JUERP, 2002.

Lloyd-Jones, D. Martyn. DO TEMOR À FÉ: regozijando-se no Senhor em tempos turbulentos. São Paulo, SP: Editora PES, 2008.

Lopes, Hernandes Dias. HABACUQUE: como transformar o desespero em cântico de vitória. São Paulo, SP: Editora Hagnos, 2007.
Sayão, Luiz. O PROBLEMA DO MAL NO ANTIGO TESTAMENTO: o caso de Habacuque. São Paulo, SP: Editora Hagnos, 2012.




[1] Luiz Sayão. O PROBLEMA DO MAL NO ANTIGO TESTAMENTO: o caso de Habacuque. São Paulo, SP: Editora Hagnos, 2012, pg. 140.
[2] Extraído do link: http://www.sermao.com.br/ilustracoes/o-piloto/
[3] Deus não livrou Daniel da cova dos leões, mas na cova dos leões. Deus não livrou os três jovens da fornalha, mas livrou-os na fornalha.
[4] Citado por Isaltino Gomes, pg. 87.
[5] Lopes, Hernandes Dias. HABACUQUE: como transformar o desespero em cântico de vitória. São Paulo, SP: Editora Hagnos, 2007, pg. 154.
[6] Extraído do link: http://www.esbocandoideias.com/2013/01/esbocos-e-ilustracoes-voce-tem-mesmo-fe-em-mim.html

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