Sola Scriptura


O Sola Scriptura é um dos cinco pontos fundamentais do pensamento da Reforma Protestante, conhecidos como Cinco Solas . Este é o pilar fundamental para todos os outros, e ao mesmo tempo norteador essencial da nossa identidade reformada. Sola Scriptura é uma linguagem em latim, cujo sentido é somente a Escritura. Segundo a Reforma Protestante é o princípio no qual a Bíblia tem primazia ante a tradição. Quando houver desarmonias entre Bíblia e tradição, a Bíblia tem anteposição. Ou seja, a Escritura é a única fonte e norma de autoridade. Ela é a verdade absoluta e irrestrita que revela a vontade de Deus. A Escritura é a especial revelação de Deus. É uma revelação histórico-progressiva. E o seu interprete é o Espírito Santo.

Nos movimentos protestantes considerados historicamente como radicais (anabatistas e puritanos), e outros nascidos durante o século XIX, esse princípio foi resignificado como Nuda Scriptura, passando a ser entendido ao pé da letra, adotando-se a ideia de que a Escritura interpreta a própria Escritura, bem como a que a mesma é suficiente como única fonte de doutrina e prática cristãs em todos os aspectos. Devido essa resignificação, passou-se a chamar o entendimento anterior reformado de Prima Scriptura .

O princípio da Sola Scriptura não exclui outras referências de autoridade . Isto significa que:

“Só a Bíblia tem autoridade de obrigar a consciência dos crentes. Os protestantes reconheciam outras formas de autoridade, como cargos da igreja, magistrados civis, credos e confissões eclesiásticas. Mas viam essas autoridades como sendo derivadas de e subordinadas à autoridade de Deus. Nenhuma dessas autoridades menores era considerada absoluta, porque todas elas eram capazes de erro. Somente Deus é infalível. Autoridades falíveis não podem constranger a consciência de modo absoluto; este direito é reservado somente a Deus e à sua Palavra.”

No momento hodierno, em que a Igreja passa por momentos difíceis no que tange a deturpação teológica, essa doutrina é de suprema importância para a pureza da Igreja. O entendimento de que a Bíblia é a autoridade suma em que todas as questões doutrinárias e eclesiásticas devem ser resolvidas deve ser resgatado forte e urgentemente, se quisermos de fato ser uma Igreja segundo o coração de Deus (Dt 4.2).

Tokashiki afirma sobre a Escritura:

“Tudo o que nela não se lê, nem por ela se pode provar, não deve ser exigido de pessoa alguma que seja crido como artigo de Fé ou, julgado como exigência ou, necessário para a salvação. Na Bíblia o homem encontra tudo o que precisa saber, e tudo o que necessita fazer a fim de que seja salvo, e viva de modo agradável a Deus, servindo e adorando-O (2 Tm 3:16-17; 1 Jo 4:1; Ap 22:18). Somente a Escritura Sagrada é autoridade absoluta para definir as nossas convicções, porque apenas nela encontramos a verdadeira sabedoria do alto. Ela rege as nossas decisões e molda o nosso comportamento, como também determina a qualidade dos nossos relacionamentos.”

Isto exprime que todas as doutrinas e ensinos alheios à Escritura devem ser rejeitados e recusados. Isto porque a Bíblia é a voz de Deus em linguagem humana.

João Calvino disse:

“A Escritura é a escola do Espírito Santo na qual nem se tem deixado de pôr coisa alguma necessária e útil de conhecer, nem se ensina mais do que é preciso saber.”

O texto de 2Tm 3.16,17 afirma a suficiência da Bíblia. A Bíblia é absolutamente suficiente para nos ensinar, exortar e equipar para conhecermos a vontade de Deus e obedecê-la. Buscar outros meios fora da Escritura, como profecias, revelações, sonhos e visões, está em total discordância com o ensino da própria Escritura. Não podemos aceitar a autoridade da Bíblia e ao mesmo tempo corrermos atrás de outras fontes para conhecermos o que Deus tem para nós somente na sua Palavra.

Paulo Anglada disse:

“Sendo a Palavra escrita o meio escolhido por Deus para revelar a sua vontade ao homem, ela não pode ser dispensada, igualada, acrescentada nem suplantada. Nem o Espírito agiria em detrimento ou à parte dela, mas com e por ela. É neste sentido que as Escrituras são necessárias e indispensáveis para a comunicação das verdades necessárias à salvação.”

Sendo assim, é cessada a transmissão desta revelação especial em outros modos. A Bíblia é completa em seu conteúdo. É suficiente para a nossa salvação.

Toda a Escritura é inspirada por Deus (2Tm 3.16). Ela não é invenção da insônia humana, mas da revelação divina. Nenhum homem ou igreja tem autoridade para acrescentar a ela coisa alguma ou dela retirar sequer uma palavra. É inspirada verbal, plena e organicamente pelo Espírito Santo. É dada por meio de homens escolhidos e capacitados.
A Bíblia não contém erros. A Escritura é inerrante (Jo 10.35). Ela é infalível e indefectível em sua mensagem e inerrante em seu conteúdo. O Senhor Jesus foi categórico quando afirmou: “... a Escritura não pode falhar” (Jo 10.35). A Bíblia é inerrante em cada uma das suas declarações.

A Bíblia é a suprema autoridade em questão de fé e conduta (Is 8.20). A Bíblia não tem uma opinião ou uma palavra sobre as questões essenciais que aborda, mas a verdade última, final e absoluta. Nenhum dogma ou experiência pode ser aceito se não tiver base na Palavra de Deus. É autoridade final em toda discussão e resolução. É a nossa única fonte e regra de fé e prática.

Alderi Souza de Matos afirmou:

“Só ela é o árbitro de todas as controvérsias (= a supremacia das Escrituras). Ela é a norma normanda ("norma determinante") e não a norma normata ("norma determinada") para todas as decisões de fé e vida.”

A autoridade da Escritura é superior à da Igreja e da tradição. Contra a afirmação católica: "a igreja ensina" ou "a tradição ensina," os reformadores afirmavam: "a Escritura ensina. A autoridade das Escrituras é intrínseca: a Igreja não confere autoridade às Escrituras, mas apenas a reconhece. Essa autoridade decorre da origem divina das Escrituras." As Escrituras do Antigo e Novo Testamento são os únicos órgãos através do qual, durante a presente dispensação, Deus transmite-nos um conhecimento da sua vontade sobre o que estamos a pensar sobre si mesmo, e que funções ele exige de nós.

Sendo assim, as Sagradas Escrituras têm como propósito: regenerar (Tg 1.18; 1Pe 1.23), vivificar (Sl 119.50,93), esclarecer (Sl 119.130), santificar (Jo 17.17; Ef 5.26), produzir fé (Jo 20.31), sustentar a vida (Dt 8.3; Mt 4.4), promover crescimento na graça (1Pe 2.2), admoestar (Sl 19.11; 1Co 10.11) e consolar (Sl 119.82; Rm 15.4). Por conseguinte, devemos ter as seguintes atitudes para com a Bíblia: meditá-la (Js 1.8), praticá-la (Mt 7.24-27) e pregá-la (Mt 28.19-20).

É hora de retornarmos à centralidade das Escrituras. Ela é a nossa única norma de vida e a nossa regra de fé. Precisamos voltar ao mote da Reforma Protestante do Sola Scriptura. Quando a Palavra de Deus cresce, a igreja acende. Quando a Palavra de Deus é acreditada e obedecida, a igreja é avivada e se santifica tornando-se uma laureia de glória nas mãos do Deus que se revelou através da Palavra.

Nos laços do Calvário que nos une,
Rev. Luciano Paes Landim.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A IMPORTÂNCIA DA FIDELIDADE DOS DÍZIMOS E DAS OFERTAS

A ORAÇÃO É A CHAVE PARA A OBRA MISSIONÁRIA