sábado, 5 de novembro de 2016

De que os pastores mais se queixam dos missionários?


Fiz uma pequena pesquisa missionária com vinte (20) pastores, que trabalham diretamente com missionários. A pergunta que fiz foi: De acordo com sua experiência, quais são suas principais queixas para com os missionários?

De antemão, prometo que também farei uma pesquisa com missionários acerca dos problemas que enfrentam com pastores. Porém, desejo apresentar aqui o resultado da pesquisa realizada com os pastores. Minha intenção é contribuir para a unidade e cooperação no Reino entre pastores e missionários. Mas, antes de mostrar o resultado da pesquisa, preciso fazer algumas observações: primeira, a pesquisa é pessoal, ou seja, não foi realizada por um órgão, mas por um pastor que entrevistou outros 20 pastores envolvidos com missões; segunda, a lista abaixo não está necessariamente na ordem de importância.

Missionários não vocacionados: há muitas pessoas no campo que não tem chamado algum para missões. São pessoas simplesmente emotivas que não possuem nenhuma vocação para missões.
Missionários despreparados: essa foi uma das maiores queixas dos pastores que participaram da pesquisa. A reclamação em grande parte dos pastores é que há um despreparo enorme dos missionários no que refere à teologia, missiologia, antropologia e linguística, que são os pilares do preparo missionário.
Missionários não convertidos: pior do que missionários despreparados ou que não têm chamado missionário, são os missionários que não são convertidos. Há missionários que ainda não nasceram de novo, que ainda não tiveram um encontro com Cristo. Creio que a motivação deles seja outra (dinheiro, fama, status, etc.), e não a glória de Deus e a salvação dos perdidos.
Missionários preguiçosos: são aqueles que querem ser sustentados pela igreja, mas não levantam uma “palha” sequer. Acordam tarde, passam o tempo discutindo polêmicas nas redes sociais, não evangelizam, não visitam, não discipulam, não estudam, não trabalham.
Missionários desigrejados: são aqueles que não frequentam nenhuma igreja e não são enviados por nenhuma igreja. Consideram-se cristãos, mas não mantém comunhão com alguma congregação. Pergunto: Por que eles não fazem parte de alguma igreja? Por acaso, Paulo não pertencia a igreja de Antioquia e por ela não foi enviado? Esses missionários não entenderam que o papel da igreja é fazer missões e o papel das missões é plantar igrejas. Missões só é possível através da igreja. A igreja é a agência missionária. Como evangelizar, discipular, ministrar as ordenanças (batismo e Ceia do Senhor), manter comunhão e crescimento sem a presença de igrejas locais?
Missionários que não plantam igrejas. Esse ponto está bem relacionado ao anterior. São aqueles missionários que não plantam igrejas, não discipulam, somente evangelizam. Possuem uma visão limitada acerca de missões. Não entenderam que para cumprirmos a Grande Comissão é imprescindível a plantação de igrejas. Eles vão aos lugares e evangelizam por alguns dias e depois retornam para suas cidades, sem confirmarem os convertidos, sem discipular, sem batizar, sem proporcionar aos convertidos a oportunidade de participar da Santa Ceia. Como eu disse anteriormente, este ponto está relacionado ao anterior.
Missionários que não prestam relatórios: não prestam relatórios financeiros ou de atividades evangelísticas e discipuladoras, ou quando prestam, mentem bastante. Alguns pastores descobriram relatórios fraudulentos e mentirosos acerca do número de conversos, administração financeira das ofertas, etc.
Missionários freelancers: são aqueles que evangelizam de vez em quando, ou que viajam de vez em quando, mas, não vão definitivamente para o campo, mas que se consideram missionários integrais. São “missionários de igreja”. As igrejas não precisam de missionários, e, sim, os campos. Fazem “missões” de vez em quando. Não entenderam o que é trabalhar missionalmente, isto é, missões não se define pelo que se faz, mas pelo que se é: missionário em todo lugar e em todo tempo.
Missionários pidões e gananciosos: só sabem reclamar das dificuldades financeiras e pedir dinheiro. Não sabem construir um projeto missionário e levantar os recursos. Toda oportunidade que têm para falar sobre missões, usam-na para pedir dinheiro. Demonstram ambição e ganância. Não confiam no sustento de Deus. É óbvio que existe o problema das igrejas que não ofertam para missões, porém, nada justifica atitudes cobiçosas por parte dos missionários. Um grave problema da igreja brasileira é a má administração financeira, isto é, não investe em missões o quanto deveria.
Missionários de púlpitos: são aqueles que só pregam em conferências, congressos, cultos, etc., mas não pregam para os perdidos. Só pregam nos púlpitos, mas não nas feiras, ruas, praças, aldeias, tribos, presídios, hospitais, etc. Admoestam as pessoas a fazerem missões, mas se quer vão à feira evangelizar. São meros “missionários” de púlpitos.

Por outro lado, os pastores também mencionaram o lindo trabalho que muitos missionários realizam. Eles mencionaram:

Missionários vocacionados: aqueles que foram chamados por Deus para anunciar o evangelho e que não largam a vocação por nada. Ou melhor, missionários que entendem que o chamado é maior do que a própria vida deles.
Missionários preparados: aqueles possuem um profundo preparo teológico, missiológico, antropológico e linguístico. São aqueles que buscaram e buscam constantemente o preparo. Esses missionários entenderam o quão importante é afiar o machado (Ec 10.10).
Missionários convertidos: aqueles que demonstram genuinamente sua conversão. São pessoas tementes a Deus e cheias de fervor. São santos que buscam sempre a pureza do evangelho.
Missionários trabalhadores: para eles não existe tempo ruim. Trabalham diariamente. Dedicam-se sempre. Estão sempre dispostos a agir missionalmente. Não são preguiçosos.
Missionários que congregam: eles têm uma igreja para frequentar. Eles são enviados por igrejas e agências missionárias. Não são desigrejados. Eles têm pastores e família na fé.
Missionários plantadores de igrejas: o objetivo deles é evangelizar os perdidos e discipular os conversos. Eles entenderam que a plantação da igreja é imprescindível para a evangelização e discipulado das nações. Eles acreditam que cada igreja é uma agência missionária.
Missionários que prestam relatórios: são claros, pontuais e honestos na prestação de relatórios financeiros e de atividades. Eles entenderam que a transparência na obra missionária é fundamental para ganhar credibilidade e novos intercessores e mantenedores.
Missionários integrais: não são missionários de vez em quando, mas diariamente. Quando vão para campos distantes, trabalham arduamente. Quando estão em suas próprias cidades, também atuam dedicadamente. Eles respiram missões. Eles amam missões. Eles não entendem missões como viagens, mas como filosofia de vida. Para eles, missões é como respirar.
Missionários discretos no levantamento de ofertas: primeiro, eles entendem que quem os sustenta é o Deus Missionário; segundo, como eles congregam, têm uma ou mais igrejas que os apoiam no sustento; terceiro, eles sabem falar sobre o sustento missionário sem explorar as emoções ou a boa-fé das pessoas; quarto, eles são prudentes e discretos no levantamento de ofertas; e quinto, por serem transparentes e honestos nos relatórios financeiros e de atividades, as pessoas ofertam segura e confiadamente.
Missionários de campo: são pregadores de rua, vilas, povoados, tribos, campos, etc. Não são “missionários de igrejas”. Eles pregam em igrejas, mas não somente em igrejas. O foco deles é alcançar o perdido. Fazem missões urbanas e rurais, nacionais e transculturais.

A conclusão é que, apesar dos falsos missionários, a obra missionária avança porque Deus ainda levanta homens e mulheres comprometidos com o anúncio do evangelho. A obra de missões é divina, foi criada por Deus e é mantida por Deus. O final dela será glorioso. Esse evangelho chegará ao mundo inteiro como testemunho para toda a humanidade. O nosso papel é orar, ofertar, treinar, enviar e ir. Observe que não são alternativas (orar, ofertar, treinar, enviar e ir), mas mandamentos que devem ser obedecidos totalmente.

Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.


terça-feira, 1 de novembro de 2016

LANÇAMENTO DO MEU NOVO LIVRO


Queridos irmãos, é com muita alegria que informo a data do lançamento do meu livro “A Estratégia Missionária de Deus”, o primeiro volume da série “Faça Missões ou Morra Tentando”, publicado pela Print Master Editorial – RJ. 

Gostaria de fazer alguns agradecimentos: ao meu editor Diego Nunes de Araujo pelo excelente trabalho, à minha esposa Nay Idyálena Araújo por me inspirar e apoiar, ao meu pastor Natanael Maria pelo incentivo e, acima de tudo ao Deus Missionário por me chamar ao seu serviço. 

Ao Senhor da missão seja toda a glória.
Todos estão convidados!

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A maior prioridade do missionário



“O objetivo final e mais elevado da evangelização não é o bem-estar dos homens, nem mesmo sua bem-aventurança eterna, mas a glorificação de Deus.” R.B. Kuiper
Introdução:
Os desafios missionários no mundo nunca foram tão grandes como na atualidade. Diante do cenário missionário nacional e mundial, surgem algumas perguntas que exigem respostas objetivas e práticas: Por que devemos fazer missões? O que motiva pais entregarem seus filhos a missões? O que incentiva cristãos ofertarem liberalmente para a obra missionária? O que leva crentes a orarem incessantemente pelos missionários? O que impulsiona cristãos a largarem tudo em prol da evangelização dos perdidos?
A motivação em missões é fundamental, pois o missionário corre o risco de fazer o certo (pregar o evangelho), mas com a motivação errada (dinheiro, fama, status, inveja, etc.). Isto significa que não basta fazer a vontade de Deus, mas fazê-la de coração. Warren Wiersbe disse acertadamente: “O coração de todo problema é o problema do coração”. Deus requer o trabalho certo com a motivação certa. Pois uma coisa é pregar o evangelho, outra é viver o evangelho. Uma coisa é definir o evangelho, outra é ser definido pelo evangelho. Qual é a maior prioridade do missionário?

O perigo de nos convertermos em “Martas ativistas”
Ao lermos Lc 10.38-42, observamos o perigo de nos convertermos em “Martas ativistas”, isto é, o de desaprender o valor da perplexidade e contemplação diante de Jesus. O perigo de nos envolvermos tanto em atividades que acabamos negligenciando a nossa vida devocional. Precisamos praticar um tempo a sós com Deus. O próprio Jesus se retirava para lugares solitários para orar.
A obra de Deus é importante, porém, o Deus da obra é mais importante ainda.
Maria escolheu a melhor de todas as partes. A oportunidade de estar com Jesus e ouvir os seus ensinamentos eram a essência que ela buscava. A comida é fundamental, mas a Palavra de Deus é essencial. Marta poderia estar preparando a refeição de maneira desnecessariamente elaborada. Maria, por outro lado, demonstrou visivelmente a verdade que Jesus estava ensinando: adorá-lo é o mais importante. O fato é que é possível desviar-se de Deus ao tentar servi-lo. Isto acontece quando estamos com o Senhor, mas nossa conduta e obras estão voltadas para focos errados. Às vezes, vemos pessoas engajadas na obra, porém frustradas espiritualmente porque estão concentradas na obra e não no Dono da obra. A obra de Deus é importante, porém, o Deus da obra é mais importante ainda. Antes de pedirmos a Deus para nos usar, devemos pedir para Ele se revelar a nós! Não podemos deixar que o ministério se torne um ídolo em nossas vidas.
O Deus da obra é mais importante do que a obra de Deus
A maior prioridade do missionário não é missões, mas o Deus das missões. Mais importante do que a obra missionária é o Deus da obra missionária, o Senhor das nações. Mais interessado do que naquilo que o missionário faz, Deus está interessado naquilo que o missionário é. Comunhão com Deus precede trabalho para Deus. Antes de fazer missões, o missionário primeiro precisa tratar o coração. Deus quer trabalhar por intermédio do missionário, porém, antes quer trabalhar no missionário. A única motivação capaz de mover, sustentar e direcionar um missionário é a paixão pela glória de Deus.
A glória de Deus é a chama que acenderá o ardor missionário no coração da igreja
A paixão missionária pela glória de Deus é acompanhada pela paixão pelas pessoas que, por ignorância e descrença, estão morrendo em seus pecados. Esta era a paixão de Jesus em Lc 15, quando contou as parábolas da ovelha e da dracma perdida e do filho rebelde. Esta paixão move missionários ao engajamento nas obras que são designadas a trazer glória a Deus por meio da salvação dos pecadores. O propósito maior da evangelização dos povos é que esses povos todos glorifiquem a Deus e exaltem seu nome. O centro da obra missionária da igreja não é o homem, mas o próprio Deus. Há júbilo diante dos anjos de Deus, no céu, por um pecador que se arrepende.
O centro da obra missionária da igreja não é o homem, mas o próprio Deus.
Resumindo...
Podem existir motivos errados escondidos nas mentes dos mais sinceros missionários. Fazer missões não dá lucro, fazer missões não enriquece, fazer missões não dá fama; fazer missões só dá prazer, mas só dá prazer para quem ama a glória de Deus.
Se nos falta paixão pelos perdidos é porque antes nos falta paixão por Cristo. A paixão missionária pela glória de Deus é acompanhada pela paixão pelas pessoas que estão morrendo em seus pecados.
Urgência: Jesus disse “Ide e fazei discípulos”. Um professor de grego bíblico disse que a palavra traduzida como “ide” no grego original está numa forma que expressa uma grande urgência. O que Jesus estava dizendo, então, era: “Vamos logo! Não percam tempo! Multipliquem-se até que pessoas de todas as nações, raças, tribos e línguas me conheçam e me sigam!”

O alvo final de missões: o desejo de que Deus seja adorado e sua glória conhecida entre todos os povos da terra.
Conclusão:
Desejo concluir com quatro pontos:
Primeiro: Erradamente, muitas igrejas e denominações se autoproclamam pensando estar proclamando o evangelho. Anunciam mais suas logomarcas, programas, templos, presidentes, diretores, ministérios de música e pregadores, como se estivessem evangelizando. A maior barreira para a evangelização é a má compreensão a respeito do evangelho. Evangelizar é proclamar as boas novas de salvação única e exclusivamente em Cristo.
Segundo: Engajar-se na missão de Deus pressupõe primeiro conhecer a Deus. Muitos "missionários" deveriam estar estudando a Bíblia e não pregando. É inadmissível um “missionário” sem bagagem bíblica.
Terceiro: Ronaldo Lidório disse que a missão maior da igreja é glorificar a Deus (1Co 6.20), ou seja, é preciso nos desglorificar para, de fato, glorificar a Deus em nossa vida diária. O missionário deve pregar Cristo, e não a si mesmo.
Quarto: Somente olhando para a glória de Deus é que entenderemos os mártires, as lutas, os sacrifícios e a vitórias. Essa foi a motivação deles e essa deve ser a nossa motivação: a glória de Deus.

Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O missionário precisa se preparar para ir ao campo


"Trabalhar com um machado sem corte exige muito mais esforço; portanto, afie a lâmina. Esse é o valor da sabedoria: ela o ajuda a ser bem-sucedido." 
(Ec 10.10 - Nova Versão Transformada) 

O livro “Valioso Demais Para Que Se Perca” (Editor William D. Taylor, Editora Descoberta), baseado em pesquisas feitas em vários lugares do mundo, afirma que a principal causa do regresso antecipado dos missionários é o preparo inadequado. Observem que não é a falta de recursos financeiros, pois os mesmos estão em segundo lugar da lista. O problema reside no fato de que não estamos preparando missionários, mas enviando “missionários” despreparados.

O preparo do missionário deve envolver pelos menos as seguintes áreas:

Espiritual: ser convertido, ter vida de oração, conhecer profundamente as Escrituras, jejuar regularmente, etc.

Intelectual: ter preparo teológico, missiológico, linguístico, cultural, etc.

Emocional: envolve a questão amorosa, familiar, equilíbrio emocional, etc.

Física: cuidado com a saúde (alimentação adequada, exercícios físicos, descanso suficiente, etc).

Econômica: sustento financeiro suficiente.

O missionário despreparado é como nuvens sem água impelidas pelos ventos; é como árvores em plena estação dos frutos, mas duplamente mortas e desarraigadas (Jd 12). 


Não podemos mandar crianças espirituais para o campo. 

Pelo contrário, devemos mandar os mais experientes e maduros na vida cristã. Deus quer para o ministério gente ocupada, não ociosa, mas com alto nível de capacitação. Um missionário bem treinado será mais bem-sucedido, eficaz e produtivo. O missionário precisa se preparar para ir ao campo. Jesus treinou os apóstolos. Se desejamos um trabalho eficaz, economia de tempo e de dinheiro, precisamos de pessoas bem-treinadas. A solução é selecionar, treinar acertadamente, enviar e cuidar dos missionários. Todo conhecimento que o missionário adquirir, certamente vai ser usado por Deus no campo.


Nos laços do Calvário que nos une,

Luciano Paes Landim.

domingo, 16 de outubro de 2016

Muitos "missionários" deveriam estar estudando a Bíblia e não pregando


Quero expor aqui alguns pensamentos sobre a importância do conhecimento bíblico por parte do missionário:

1.       Muitos "missionários" deveriam estar estudando a Bíblia e não pregando.
2.       É inadmissível um “missionário” sem bagagem bíblica.
3.       Lamentavelmente, há muitos “missionários” analfabetos de Bíblia.
4.       O campo missionário não precisa sequer de neófitos e muito menos de crentes que não gostam de ler a Bíblia.
5.       Pesquisas afirmam que a principal causa do retorno antecipado do missionário do campo é a falta de preparo adequado.
6.       O missionário despreparado é como nuvens sem água impelidas pelos ventos; é como árvores em plena estação dos frutos, mas duplamente mortas e desarraigadas (Jd 12).
7.       É loucura total colocar no campo missionário pessoas destreinadas, mal treinadas ou sem chamado.
8.       O nosso problema é que quase não treinamos missionários, mas enviamos pessoas despreparadas ao campo.
9.       Se o preparo for fraco, os resultados também o serão.
10.   Não podemos nos esquecer que Jesus treinou os apóstolos.

Nos laços do calvário que nos une,

Luciano Paes Landim.