quinta-feira, 27 de junho de 2019

NÃO DESPERDICE SUAS ORAÇÕES




Senhor, ensina-nos a orar:
“Senhor, ensina-nos a orar”, esse foi o pedido dos discípulos de Jesus. Temos muito que aprender sobre oração e não tem ninguém melhor do que o próprio Jesus para nos ensinar. Na oração comumente chamada de “Pai Nosso”, aprendemos sobre adoração, confissão, gratidão, súplica, intercessão e etc. (Mt 6.9-13). Porém, Jesus nos adverte a não sermos hipócritas (orar para aparecer aos outros que oramos e fazermos longas orações para demonstrar “espiritualidade” - Mt 6.5). Mas orar em secreto (Mt 6.6). O Mestre também nos admoesta a não usarmos de vãs repetições, pois os gentios é que pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos (Mt 6.7), isto é, há uma diferença enorme entre orar com perseverança e usar de vãs repetições. Orar sem cessar (1Ts 5.17) é uma coisa, orar sem objetivo (repetitivamente) é outra. E não podemos esquecer de que Deus sabe das nossas necessidades antes que peçamos a Ele (Mt 6.8). Essa palavra é um incentivo para orarmos com constância, e não o contrário, pois não oramos para Deus saber o que queremos, mas para nós sabermos o que Deus quer.

Entender para orar corretamente:
Muito do que as pessoas sabem hoje sobre oração não está baseado nas Escrituras, mas na experiência pessoal ou em livros sensacionalistas. Não que a experiência não tenha valor ou que livros não sejam importantes, pelo contrário, a experiência pessoal e os livros são de grande estima. Entretanto, se a experiência pessoal não for fruto do que a Bíblia diz e se os livros não tiverem base nas Escrituras, caímos no erro da superstição e misticismo. Passamos a achar que existe “oração forte”, mas, na verdade o que existe é um Deus forte, ou melhor, Todo-poderoso, que responde orações, ou seja, o segredo não está na oração, mas no Deus gracioso que responde a oração.

Lembretes:
- Deus atende orações.
- Muitas coisas acontecem quando oramos.
- Não desperdice suas orações usando de vãs repetições. Seja objetivo na oração.
- Não desperdice suas orações pedindo a Deus aquilo que Ele já deixou bem claro que não te concederá. Exemplo: não peça a Deus para casar com um descrente, pois Deus, na Bíblia, condena tal prática.
- Não desperdice suas orações não sabendo pedir, ou seja, pedindo para esbanjar nos seus próprios prazeres (Tg 4.3).
- Sua experiência pessoal não deve ser o seu guia de vida de oração, pois os hindus, os muçulmanos e os católicos também oram bastante, às vezes até mais do que você, contudo, não sabem o que é orar verdadeiramente de acordo com as Escrituras; mas a sua experiência pessoal em oração deve ser conduzida e guiada unicamente pela Bíblia.
- Há uma grande distinção entre orar e ter uma vida de oração.
- O propósito da oração não é mudar Deus, mas a nós mesmos.
- Não determine, não decrete e nem ordene nada na oração, pois só quem pode fazer isso é Deus. Simplesmente ore: “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”.
- Conforme-se à vontade de Deus e esteja contente em tudo.
- Ore, ore e ore.

Conclusão:
Portanto, não desperdice suas orações. Ore a Deus, em nome de Jesus, não confunda orar sem cessar (perseverança) com orar sem objetivo e usar de vãs repetições e conforme-se à vontade de Deus.

“Ninguém era mais ocupado que Jesus – mas Ele nunca estava ocupado demais para orar. O que impede você de fazer da oração uma prioridade em sua agenda?” Billy Graham

Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Fundamentos da Ética Cristã



Por
Augustus Nicodemus Lopes
Tomando Decisões
     Todos nós tomamos diariamente dezenas de decisões. Fazemos escolhas, optamos, resolvemos e determinamos aquilo que tem a ver com nossa vida individual, a vida da empresa e de nossos semelhantes.
     Ninguém faz isso no vácuo. Antigamente pensava-se que era possível pronunciar-se sobre um determinado assunto de forma inteiramente objetiva, isto é, isenta de quaisquer preconcepções ou pré-convicções. Hoje, sabe-se que nem mesmo na área das chamadas ciências exatas é possível fazer pesquisa sem sermos influenciados pelo que somos, cremos, desejamos, objetivamos e vivemos.
     As decisões que tomamos são invariavelmente influenciadas pelo horizonte do nosso próprio mundo individual e social. Ao elegermos uma determinada solução em detrimento de outra, o fazemos baseados num padrão, num conjunto de valores do que acreditamos ser certo ou errado. É isso que chamamos de ética.
     A nossa palavra "ética" vem do grego eqikh, que significa um hábito, costume ou rito. Com o tempo, passou a designar qualquer conjunto de princípios ideais da conduta humana, as normas a que devem ajustar-se as relações entre os diversos membros de uma sociedade.
     Ética é o conjunto de valores ou padrão pelo qual uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões.

Alternativas Éticas
     Cada um de nós tem uma ética. Cada um de nós, por mais influenciado que seja pelo relativismo e pelo pluralismo de nossos dias, tem um sistema de valores interno que consulta (nem sempre, a julgar pela incoerência de nossas decisões...!) no processo de fazer escolhas. Nem sempre estamos conscientes dos valores que compõem esse sistema, mas eles estão lá, influenciando decisivamente nossas opções.
     Os estudiosos do assunto geralmente agrupam as alternativas éticas de acordo com o seu princípio orientador fundamental. As principais são: humanística, natural e religiosa.

Éticas Humanísticas
     As chamadas éticas humanísticas são aquelas que tomam o ser humano como a medida de todas as coisas, seguindo o conhecido axioma do antigo pensador sofista Protágoras (485-410 AC). Ou seja, são aquelas éticas que favorecem escolhas e decisões voltadas para o homem como seu valor maior.
     Hedonismo
Uma forma de ética humanística é o hedonismo. Esse sistema ensina que o certo é aquilo que é agradável. A palavra "hedonismo" vem do grego |hdonh, "prazer". Como movimento filosófico, teve sua origem nos ensinos de Epicuro e de seus discípulos, cuja máxima famosa era "comamos e bebamos porque amanhã morreremos". O epicurismo era um sistema de ética que ensinava, em linhas gerais, que para ter uma vida cheia de sentido e significado, cada indivíduo deveria buscar acima de tudo aquilo que lhe desse prazer ou felicidade. Os hedonistas mais radicais chegavam ao ponto de dizer que era inútil tentar adivinhar o que dá prazer ao próximo.
     Como consequência de sua ética, os hedonistas se abstinham da vida política e pública, preferiam ficar solteiros, censurando o casamento e a família como obstáculos ao bem maior, que é o prazer individual. Alguns chegavam a defender o suicídio, visto que a morte natural era dolorosa.
Como movimento filosófico, o hedonismo passou, mas certamente a sua doutrina central permanece em nossos dias. Somos todos hedonistas por natureza. Frequentemente somos motivados em nossas decisões pela busca secreta do prazer. A ética natural do homem é o hedonismo. Instintivamente, ele toma decisões e faz escolhas tendo como princípio controlador buscar aquilo que lhe dará maior prazer e felicidade. O individualismo exacerbado e o materialismo modernos são formas atuais de hedonismo.
     O hedonismo não tem muitos defensores modernos, mas podemos mencionar Gustav Fechner, o fundador da psicofísica, com sua interpretação do prazer como princípio psíquico de ação, a qual foi depois desenvolvida por Sigmund Freud como sendo o princípio operativo do nível psicoanalítico do inconsciente.
     Muito embora o cristianismo reconheça a legitimidade da busca do prazer e da felicidade individuais, considera a ética hedonista essencialmente egoísta, pois coloca tais coisas como o princípio maior e fundamental da existência humana.
     Utilitarismo
Outro exemplo de ética humanística é o utilitarismo, sistema ético que tem como valor máximo o que considera o bem maior para o maior número de pessoas. Em outras palavras, "o certo é o que for útil". As decisões são julgadas, não em termos das motivações ou princípios morais envolvidos, mas dos resultados que produzem. Se uma escolha produz felicidade para as pessoas, então é correta. Os principais proponentes da ética utilitarista foram os filósofos ingleses Jeremy Bentham e John Stuart Mill.
A ética utilitarista pode parecer estar alinhada com o ensino cristão de buscarmos o bem das pessoas. Ela chega até a ensinar que cada indivíduo deve sacrificar seu prazer pelo da coletividade (ao contrário do hedonismo). Entretanto, é perigosamente relativista: quem vai determinar o que é o bem da maioria? Os nazistas dizimaram milhões de judeus em nome do bem da humanidade. Antes deles, já era popular o adágio "o fim justifica os meios". O perigo do utilitarismo é que ele transforma a ética simplesmente num pragmatismo frio e impessoal: decisões certas são aquelas que produzem soluções, resultados e números.
Pessoas influenciadas pelo utilitarismo escolherão soluções simplesmente porque elas funcionam, sem indagar se são corretas ou não. Utilitaristas enfatizam o método em detrimento do conteúdo. Eles querem saber como e não por que.
Talvez um bom exemplo moderno seja o escândalo sexual Clinton/Lewinski. Numa sociedade bastante marcada pelo utilitarismo, como é a americana, é compreensível que as pessoas se dividam quanto a um impeachment do presidente Clinton, visto que sua administração tem produzido excelentes resultados financeiros para o país.
 Existencialismo 
Ainda podemos mencionar o existencialismo, como exemplo de ética humanística. Defendido em diferentes formas por pensadores como Kierkegaard, Jaspers, Heiddeger, Sartre e Simone de Beauvoir, o existencialismo é basicamente pessimista. Existencialistas são céticos quanto a um futuro róseo ou bom para a humanidade; são também relativistas, acreditando que o certo e o errado são relativos à perspectiva do indivíduo e que não existem valores morais ou espirituais absolutos. Para eles, o certo é ter uma experiência, é agir — o errado é vegetar, ficar inerte.
Sartre, um dos mais famosos existencialistas, disse: "O mundo é absurdo e ridículo. Tentamos nos autenticar por um ato da vontade em qualquer direção". Pessoas influenciadas pelo existencialismo tentarão viver a vida com toda intensidade, e tomarão decisões que levem a esse desiderato. Aldous Huxley, por exemplo, defendeu o uso de drogas, já que as mesmas produziam experiências acima da percepção normal. Da mesma forma, pode-se defender o homossexualismo e o adultério.
O existencialismo é o sistema ético dominante em nossa sociedade moderna. Sua influência percebe-se em todo lugar. A sociedade atual tende a validar eticamente atitudes tomadas com base na experiência individual. Por exemplo, um homem que não é feliz em seu casamento e tem um romance com outra mulher com quem se sente bem, geralmente recebe a compreensão e a tolerância da sociedade.

Ética Naturalística
Esse nome é geralmente dado ao sistema ético que toma como base o processo e as leis da natureza. O certo é o natural — a natureza nos dá o padrão a ser seguido. A natureza, numa primeira observação, ensina que somente os mais aptos sobrevivem e que os fracos, doentes, velhos e debilitados tendem a cair e a desaparecer à medida em que a natureza evolui. Logo, tudo que contribuir para a seleção do mais forte e a sobrevivência do mais apto, é certo e bom; e tudo o que dificultar é errado e mau.
Por incrível que possa parecer, essa ética teve defensores como Trasímaco (sofista, contemporâneo de Sócrates), Maquiavel, e o Marquês de Sade. Modernamente, Nietzsche e alguns deterministas biológicos, como Herbert Spencer e Julian Huxley.
A ética naturalística tem alguns pressupostos acerca do homem e da natureza baseados na teoria da evolução: (1) a natureza e o homem são produtos da evolução; (2) a seleção natural é boa e certa. Nietzsche considerava como virtudes reais a severidade, o egoísmo e a agressividade; vícios seriam o amor, a humildade e a piedade.
Pode-se perceber a influência da ética naturalística claramente na sociedade moderna. A tendência de legitimar a eliminação dos menos aptos se observa nas tentativas de legalizar o aborto e a eutanásia em quaisquer circunstâncias. Os nazistas eliminaram doentes mentais e esterilizaram os "inaptos" biologicamente. Sade defendia a exploração dos mais fracos (mulheres, em especial). Nazistas defenderam o conceito da raça branca germânica como uma raça dominadora, justificando assim a eliminação dos judeus e de outros grupos. Ainda hoje encontramos pichações feitas por neonazistas nos muros de São Paulo contra negros, nordestinos e pobres. Conscientemente ou não, pessoas assim seguem a ética naturalística da sobrevivência dos mais aptos e da destruição dos mais fracos.
Os cristãos entendem que uma ética baseada na natureza jamais poderá ser legítima, visto que a natureza e o homem se encontram hoje radicalmente desvirtuados como resultado do afastamento da humanidade do seu Criador. A natureza como a temos hoje afasta-se do estado original em que foi criada. Não pode servir como um sistema de valores para a conduta dos homens.

Éticas Religiosas
São aqueles sistemas de valores que procuram na divindade (Deus ou deuses) o motivo maior de suas ações e decisões. Nesses sistemas existe uma relação inseparável entre ética e religião. O juiz maior das questões éticas é o que a divindade diz sobre o assunto. Evidentemente, o conceito de Deus que cada um desses sistema mantém, acabará por influenciar decisivamente o código ético e o comportamento a ser seguido.

Éticas Religiosas Não Cristãs
No mundo grego antigo os deuses foram concebidos (especialmente nas obras de Homero) como similares aos homens, com paixões e desejos bem humanos e sem muitos padrões morais (muito embora essa concepção tenha recebido muitas críticas de filósofos importantes da época). Além de dominarem forças da natureza, o que tornava os deuses distintos dos homens é que esses últimos eram mortais. Não é de admirar que a religião grega clássica não impunha demandas e restrições ao comportamento de seus adeptos, a não ser por grupos ascéticos que seguiam severas dietas religiosas buscando a purificação.
O conceito hindu de não matar as vacas vem de uma crença do período védico que associa as mesmas a algumas divindades do hinduísmo, especialmente Krishna. O culto a esse deus tem elementos pastoris e rurais.
O que pensamos acerca de Deus irá certamente influenciar nosso sistema interno de valores bem como o processo decisório que enfrentamos todos os dias. Isso vale também para ateus e agnósticos. O seu sistema de valores já parte do pressuposto de que Deus não existe. E esse pressuposto inevitavelmente irá influenciar suas decisões e seu sistema de valores.
É muito comum na sociedade moderna o conceito de que Deus (ou deuses?) seja uma espécie de divindade benevolente que contempla com paciência e tolerância os afazeres humanos sem muita interferência, a não ser para ajudar os necessitados, especialmente seus protegidos e devotos. Essa concepção de Deus não exige mais do que simplesmente um vago código de ética, geralmente baseado no que cada um acha que é certo ou errado diante desse Deus.

A Ética Cristã
Á ética cristã é o sistema de valores morais associado ao Cristianismo histórico e que retira dele a sustentação teológica e filosófica de seus preceitos.
Como as demais éticas já mencionadas acima, a ética cristã opera a partir de diversos pressupostos e conceitos que acredita estão revelados nas Escrituras Sagradas pelo único Deus verdadeiro. São estes:
1.      A existência de um único Deus verdadeiro, criador dos céus e da terra. A ética cristã parte do conceito de que o Deus que se revela nas Escrituras Sagradas é o único Deus verdadeiro e que, sendo o criador do mundo e da humanidade, deve ser reconhecido e crido como tal e a sua vontade respeitada e obedecida.
2.      A humanidade está num estado decaído, diferente daquele em que foi criada. A ética cristã leva em conta, na sistematização e sintetização dos deveres morais e práticos das pessoas, que as mesmas são incapazes por si próprias de reconhecer a vontade de Deus e muito menos de obedecê-la. Isso se deve ao fato de que a humanidade vive hoje em estado de afastamento de Deus, provocado inicialmente pela desobediência do primeiro casal. A ética cristã não tem ilusões utópicas acerca da "bondade inerente" de cada pessoa ou da intuição moral positiva de cada uma para decidir por si própria o que é certo e o que é errado. Cegada pelo pecado, a humanidade caminha sem rumo moral, cada um fazendo o que bem parece aos seus olhos. As normas propostas pela ética cristã pressupõem a regeneração espiritual do homem e a assistência do Espírito Santo, para que o mesmo venha a conduzir-se eticamente diante do Criador.
3.      O homem não é moralmente neutro, mas inclinado a tomar decisões contrárias a Deus, ao próximo. Esse pressuposto é uma implicação inevitável do anterior. As pessoas, no estado natural em que se encontram (em contraste ao estado de regeneração) são movidas intuitivamente, acima de tudo, pela cobiça e pelo egoísmo, seguindo muito naturalmente (e inconscientemente) sistemas de valores descritos acima como humanísticos ou naturalísticos. Por si sós, as pessoas são incapazes de seguir até mesmo os padrões que escolhem para si, violando diariamente os próprios princípios de conduta que consideram corretos.
4.      Deus revelou-se à humanidade. Essa pressuposição é fundamental para a ética cristã, pois é dessa revelação que ela tira seus conceitos acerca do mundo, da humanidade e especialmente do que é certo e do que é errado. A ética cristã reconhece que Deus se revela como Criador através da sua imagem em nós. Cada pessoa traz, como criatura de Deus, resquícios dessa imagem, agora deformada pelo egoísmo e desejos de autonomia e independência de Deus. A consciência das pessoas, embora frequentemente ignorada e suprimida, reflete por vezes lampejos dos valores divinos. Deus também se revela através das coisas criadas. O mundo que nos cerca é um testemunho vivo da divindade, poder e sabedoria de Deus, muito mais do que o resultado de milhões de anos de evolução cega. Entretanto é através de sua revelação especial nas Escrituras que Deus nos faz saber acerca de si próprio, de nós mesmos (pois é nosso Criador), do mundo que nos cerca, dos seus planos a nosso respeito e da maneira como deveríamos nos portar no mundo que criou.
Assim, muito embora a ética cristã se utilize do bom senso comum às pessoas, depende primariamente das Escrituras na elaboração dos padrões morais e espirituais que devem reger nossa conduta neste mundo. Ela considera que a Bíblia traz todo o conhecimento de que precisamos para servir a Deus de forma agradável e para vivermos alegres e satisfeitos no mundo presente. Mesmo não sendo uma revelação exaustiva de Deus e do reino celestial, a Escritura entretanto é suficiente naquilo que nos informa a esse respeito. Evidentemente não encontraremos nas Escrituras indicações diretas sobre problemas tipicamente modernos como a eutanásia, a AIDS, clonagem de seres humanos ou questões relacionadas com a bioética. Entretanto, ali encontraremos os princípios teóricos que regem diferentes áreas da vida humana. É na interação com esses princípios e com os problemas de cada geração, que a ética cristã atualiza-se e contextualiza-se, sem jamais abandonar os valores permanentes e transcendentes revelados nas Escrituras.
É precisamente por basear-se na revelação que o Criador nos deu que a ética cristã estende-se a todas as dimensões da realidade. Ela pronuncia-se sobre questões individuais, religiosas, sociais, políticas, ecológicas e econômicas. Desde que Deus exerce sua autoridade sobre todas as dimensões da existência humana, suas demandas nos alcançam onde nos acharmos – inclusive e principalmente no ambiente de trabalho, onde exercemos o mandato divino de explorarmos o mundo criado e ganharmos o nosso pão.
É nas Escrituras Sagradas, portanto, que encontramos o padrão moral revelado por Deus. Os Dez Mandamentos e o Sermão do Monte proferido por Jesus são os exemplos mais conhecidos. Entretanto, mais do que simplesmente um livro de regras morais, as Escrituras são para os cristãos a revelação do que Deus fez para que o homem pudesse vir a conhecê-lo, amá-lo e alegremente obedecê-lo. A mensagem das Escrituras é fundamentalmente de reconciliação com Deus mediante Jesus Cristo. A ética cristã fundamenta-se na obra realizada de Cristo e é uma expressão de gratidão, muito mais do que um esforço para merecer as benesses divinas.
A ética cristã, em resumo, é o conjunto de valores morais total e unicamente baseado nas Escrituras Sagradas, pelo qual o homem deve regular sua conduta neste mundo, diante de Deus, do próximo e de si mesmo. Não é um conjunto de regras pelas quais o homem poderá chegar a Deus – mas é a norma de conduta pela qual poderá agradar a Deus que já o redimiu. Por ser baseada na revelação divina, acredita em valores morais absolutos, que são a vontade de Deus para todos os homens, de todas as culturas e em todas as épocas.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Reserve um momento diário para estar a sós com Deus



Vida devocional: A vida devocional consiste no momento diário em que separamos para estar a sós com Deus. É um tempo reservado para comunhão com Deus de maneira mais pessoal. Uma ocasião para louvar, ler a Bíblia, orar, estudar e meditar mais sobre as coisas de Deus. É um exercício indispensável para crescermos fortes e sadios espiritualmente.

Não perca o foco: Todavia, algumas coisas podem tentar nos tirar o foco. Por relaxamento ou desconhecimento de sua importância, ter tempo para Deus parece estar cada vez mais difícil. A intimidade com o Pai é o primeiro passo para desfrutar de uma vida cristã completa (Mt 6.33) . A falta de tempo nunca será argumento para não termos um momento devocional diário. Afinal, jamais todos nós temos 24 horas por dia concedidas por Deus. Na verdade, o que pode nos faltar é prioridade.

Momento de oração diária: No sei devocionário, dedique-se a orar com gratidão e louvor a Deus, em confissão de pecados, em súplica e intercessão (1Ts 5.17). Clame a Deus por sua vida espiritual, interceda por sua família, igreja e nação. Interceda por missões.

Meditação na Palavra todos os dias: No momento da devoção, consagre-se a leitura e meditação da Bíblia (Js 1.8). Reflita, analise e considere. Confronte sua vida, comportamento e motivações com a Palavra de Deus. Tome a decisão de praticar as Escrituras, de viver o que está escrito. Se você ler 12 páginas da Bíblia por dia, em um ano você a terá lido 03 vezes. Se você ler 20 minutos por dia a Palavra de Deus, em um ano você a terá lido 01 vez.

Livros de apoio: Os livros devocionários podem nos ajudar bastante em nossos devocionais. Os mesmos cooperam para a nossa disciplina na leitura, meditação e oração. Em 2017 usei o livro “Esperança Diária” de Billy Graham em que cada dia do ano tem um texto para meditação. No ano passado utilizei o livro “Os Cânticos de Jesus” de Timothy e Kathy Keller em que há um texto dos Salmos, uma reflexão e uma oração para cada dia do ano. Em 2019, usarei o livro “Refeições Diárias com os Profetas Menores” de Elben M. Lenz César em que para cada dia do ano há uma mensagem baseada nos profetas menores. Existem muitos outros que eu poderia indicar, entretanto, por causa do espaço mencionei somente três.

Conhecer e prosseguir em conhecer: O desafio da prática devocional é conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor (Os 6.3). Para tanto, precisa-se levar em consideração o seguinte:
1.      Trace um plano.
2.      Seja disciplinado.
3.      Veja qual é o seu melhor momento do dia.
4.      Veja qual é o seu melhor lugar.
5.      Não desista diante das dificuldades.
Portanto, ore mais, leia mais, medite mais, pratique mais.

Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Educando para a glória de Deus



Breves reflexões sobre a Educação Cristã
Por Luciano Paes Landim
Introdução - O maior educador
A pedagogia de Jesus até hoje não foi ultrapassada – o seu ensino partia da experiência própria e individual de seu ouvinte para a aplicação do ensino desejado (Jo 2.13-22). Em Jesus, o Mestre dos mestres, o ensino atinge o seu apogeu; Ele ensinava com palavras e com sua vida em todos os lugares e em todo o tempo. Jesus transmitia aos discípulos vida e não meras palavras; ele se preocupava mais com a formação do que na quantidade de informações; ele dedicava tempo e convívio aos discípulos.

Não há neutralidade no homem nem na educação
Biblicamente falando, o homem não é um ser neutro, nem produto do meio, mas já nasce em pecado, com a inclinação para o mal: “Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51.5). Sendo assim, é necessário educar a partir da perspectiva correta, ou seja, da fé bíblica. A Educação Cristã é fundamentada nas Escrituras Sagradas e sustentada pelo Espírito Santo. Como afirmou Augustus Nicodemus “Educação Cristã é ensinar ciências, história, comunicação, sociologia, filosofia, etc. a partir dos pressupostos cristãos”.

Educação teorreferente
A verdadeira educação é teorreferente, isto é, tem Deus como referência, centro e propósito. Isto nos exige um reexame dos conceitos – uma avaliação criteriosa da nossa filosofia de vida. É uma educação que mostra a sabedoria não como mero conhecimento, mas sim, a aplicação correta do conhecimento adquirido. O homem foi criado para glorificar a Deus. Portanto, é a Educação Cristã que vai proporcionar ao homem este conhecimento.

Mandamento, conteúdo e currículo
A Educação Cristã é um mandamento: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações... ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado...” (Mt 28-19-20) e o seu o conteúdo programático é a Palavra de Deus: “Porque Esdras tinha disposto o seu coração para buscar a Lei do SENHOR, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus direitos” (Ed 7.10), sendo que o seu currículo não é opcional, mas determinado pelo próprio Deus.

Conclusão - De quem é a responsabilidade?
A responsabilidade de educar pertence aos pais, à escola e a igreja. A Bíblia apresenta a responsabilidade de educar como uma determinação primordial dos pais: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele” (Pv 22.6). A Escola Cristã deve ser considerada uma extensão do lar cristão. João Calvino fundou, em Genebra, uma “Academia Cristã”, instituição de educação superior, seguindo os moldes e as diretrizes bíblicas. A Igreja deve, em missão, discipular a as nações e isto ensinando as pessoas a guardarem a Palavra de Deus (Mt 28-19-20). Ou seja, os pais, a escola e a Igreja, juntos, trabalham com um só propósito, que é o de conceder às pessoas a possibilidade de atingir a maturidade cultural e espiritual.

Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

O LIVRO MISSIONÁRIO

Missões no centro da Bíblia[1]


VersículoOra, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria os gentios pela fé, preanunciou o evangelho a Abraão, dizendo: “Em você serão abençoados todos os povos”.” (Gl 3.8)
Mensagem: Deus fez promessas a Abraão. Essas promessas são o prenúncio das boas novas de salvação centradas em Cristo.  Essas promessas abrangem todos os povos da terra que creem como Abraão creu. Em Cristo todas as promessas de salvação se realizam. Os gentios são incluídos no povo de Deus.
O conteúdo geral da Bíblia é missionário. Missões nunca foi invenção ou produto humano, pois vemos que este princípio partiu de Deus e está no centro da Bíblia. Deus está em missão no mundo (Missio Dei). Deus é um Deus missionário. A Bíblia, o livro inspirado por Deus, é um livro missionário. A Bíblia é a nossa autoridade em missão. Ela revela a mensagem do Evangelho, os motivos corretos para missão e os objetivos e métodos que agradam a Deus.
Todo trabalho missionário deve ser fundamentado e dirigido pelas Escrituras Sagradas. A Bíblia inteira enfoca o propósito de Deus de se revelar a todos os povos na face da terra. A Bíblia não contém missões. Missões é central na Bíblia.
Desafio missionário: Das 7.158 línguas do mundo, a Bíblia ainda não foi traduzida para 4.000 delas.[2]
Orando por missões: “Deus, nós te louvamos por tua Palavra. Agradecemos-te por auto revelar-se a nós através da Escritura. Exaltamos a ti por termos a Bíblia traduzida em nossa língua. Mas, te clamamos para que outros povos ouçam a Tua voz na língua deles, pois cada pessoa necessita ouvir o Evangelho em sua própria língua. Senhor, levanta mais pessoas para traduzir a Bíblia para as línguas, idiomas e dialetos que ainda não possuem o Evangelho. Em nome do teu Filho amado, amém!”
[1] Extraído do livreto “Todos os povos na mira de Deus” – Luciano Paes Landim (SAEM Publicações, páginas 08 e 09).
[2] Fonte: https://prezi.com/kmnt4bfyy-pz/estatisticas-missionarias/. Acessado no dia 08/04/2018.

Lançamento do livreto “Todos os povos na mira de Deus”

No último sábado (21/04/2018), foi lançado o meu novo livreto “Todos os povos na mira de Deus” pela SAEM Publicações. Foi uma singela homenagem aos 15 anos da Missão SAEM. O conteúdo tem como desafio convocar cristãos para missionariamente, atuarem diante dos desafios missionários nacionais e mundiais e interceder pelos campos missionários não alcançados. O propósito é de dez (10) dias imergidos na paixão missionária. Para cada dia um texto bíblico voltado para missões, uma breve concentração missionária, uma estatística sobre missões e uma oração missionária.
Esperamos contribuir para a conscientização missionária global, e que acima de tudo, o Deus Missionário seja glorificado!
Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

ORAR E OFERTAR NÃO ISENTA VOCÊ DE IR


Há duas falsas ideias missionárias no meio do povo de Deus que gostaria de refutar aqui:
Primeira, alguns pregam que há três atitudes diante de missões: fazer algo, ficar olhando ou fugir. Todavia, esse pensamento é antibíblico. Em nenhum lugar da Bíblia Deus diz que podemos ficar olhando ou fugir de missões. Pelo contrário, só temos uma alternativa: Ir. Marcos 16.15 não diz: “Fiquem olhando, fujam ou preguem o Evangelho em todo o mundo”; mas, “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” Nada substitui o “ide”. Em grego a palavra “ide” significa “ir” mesmo (rsrsrs). Não há nenhuma mágica ou novidade no sentido da palavra. A ordem é que enquanto estivermos indo, preguemos o evangelho.
Segunda, é que se você não pode ir, então, pode orar e ofertar. Alguns usam isso como desculpa para não ir. Esse pensamento está errado pelo fato de transformar o “todo” (orar, ofertar e ir) de missões em fragmentos alternativos. Missões não é questão de escolha. Orar não é opção, como ofertar também não o é. Não são três alternativas em que podemos escolher uma ou duas, entretanto três mandamentos: orar, ofertar e ir. Todo cristão deve orar por missões e nenhum cristão é tão pobre que não possa ofertar para missões. Se somente orarmos e ofertarmos, seria o mesmo que disséssemos aos soldados que foram aos campos de batalha: deem o sangue, pois estarei aqui torcendo por vocês. Quando de fato deveríamos entrar na batalha orando, ofertando e indo. Afinal, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação (1Co 1.21). Orar e ofertar não nos isenta de ir. Ir não é questão de escolha, porém de obediência. Nada substitui a pregação. Não há um cristão que não seja missionário, pois se é cristão, automaticamente, é um missionário. Se não é um cristão, é um campo missionário. Ser missionário não é questão de escolha, todavia de ser cristão. O cristianismo é missionário em sua essência. Portanto, orar, ofertar e ir, não é questão de alternativa, contudo de submissão. Não temos escolha, mas mandamentos: orar, ofertar e ir. Afinal, amar Jesus é também fazer com que até o último povo da terra o conheça.
Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.

NÃO DESPERDICE SUAS ORAÇÕES

Senhor, ensina-nos a orar: “Senhor, ensina-nos a orar” , esse foi o pedido dos discípulos de Jesus. Temos muito que aprender sob...