terça-feira, 30 de julho de 2013

John Harper e o Titanic



John Harper [um pastor batista de Glasgow, na Escócia] havia passado três meses ministrando na Igreja Moody, em Chicago, e durante esse tempo a igreja havia experimentado “um dos reavivamentos mais fantásticos de sua história”. Entretanto, não fazia muito tempo que ele estava de volta à Grã-Bretanha quando lhe pediram para voltar e continuar seu ministério. Harper tomou rapidamente as providências para ele mesmo e sua filhinha de seis anos, Nana, viajarem de volta à América, a bordo do Lusitânia, mas decidiram atrasar sua partida por uma semana para que pudessem viajar em um novo navio que estava para fazer sua viagem de estréia: o Titanic.


O Titanic bateu em um iceberg às 23h40m do dia 11 de abril de 1912. Quando foi dado o comando para os passageiros desocuparem suas cabines, Harper enrolou sua filha em um cobertor, disse-lhe que ela o veria novamente um dia, e a entregou a um dos homens da tripulação. Depois de observar que ela estava a salvo em um dos barcos salva-vidas, ele tirou seu colete salva-vidas e o deu a um dos outros passageiros. Um sobrevivente se lembrou distintamente de ouvi-lo gritar: “Mulheres, crianças e os que não são salvos, entrem nos barcos salva-vidas!” Depois, Harper correu pelo convés implorando às pessoas que se entregassem a Cristo, e, com o navio afundando, ele solicitou à orquestra do Titanic para tocar “Mais perto quero estar”. Ajuntando as pessoas a seu redor, ele então se ajoelhou e, “com alegria santa em seu rosto”, ergueu os braços em oração. À medida que o navio começou a adernar, ele pulou para dentro das águas geladas e nadou freneticamente para perto de todos a quem conseguiu alcançar, suplicando-lhes que se voltassem para o Senhor Jesus e fossem salvos. Finalmente, quando a hipotermia o imobilizou, John Harper afundou nas águas e passou para a presença do Senhor Jesus. Ele tinha 39 anos.

(Extraído de "Caráter Puritano", no Facebook).

A Seara e os Trabalhadores


Mt 9.35-38
Introdução:
1.      Jesus nos mandou contar a todas as nações as boas novas, mas não temos feito isso. Por que nós, que temos a melhor notícia do mundo, somos tão demorados em contá-la aos outros?
a)      Talvez pensemos que estamos evangelizando quando, de fato, não estamos.
b)      Ou talvez porque ainda não conhecemos de fato o Evangelho de Jesus.
2.      O evangelismo moderno diz: “Jesus te ama, vamos à minha igreja?” O evangelismo bíblico diz: “Arrependa-se dos seus pecados e creia no Filho de Deus.”
3.      O Príncipe dos Pregadores, Charles Spurgeon, disse: “Todo cristão ou é um missionário ou é um impostor”.
4.      Aquele que não ama missões é possível que nunca tenha encontrado Cristo.
5.      Se você diz que ama a Deus, mas não tem visão missionária, então você é um mentiroso.
6.      O texto de Mt 9.35-38 nos ensina algumas lições preciosas no que refere a obra missionária:

I. A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos (v. 37):
1.      A seara é grande (v. 37b):
a)      O desafio missionário brasileiro:
v  Indígenas (cerca 500 mil índios).
v  Ribeirinhos (quase 7 milhões de brasileiros). 
v  Ciganos (800 mil ciganos em nossa nação).
v  Quilombolas (quase 800 comunidades no Brasil).
v  Sertanejos (milhões de brasileiros vivem no Sertão, com muita dificuldade e muitos povoados estão clamando por um missionário).
v  Moradores de rua (quase 2 milhões de moradores de rua no Brasil).
v  Milionários (condomínios fechados de alto luxo, como pregar para eles? No Brasil aumenta diariamente o número de milionários, onde eles vão congregar?).
v  Imigrantes (mais de 2 milhões, comunidades alemãs, italianas, chinesas, japoneses, árabes, etc.).
b)      De cada seis habitantes no mundo, dois são cristãos (católicos, evangélicos, ortodoxos, evangélicos não-praticantes, etc.), um é muçulmano, um já ouviu falar de Jesus pelo menos uma vez e dois nunca ouviram falar de Jesus nenhuma vez.
c)      Oswald Smith disse: “Por que alguém deveria ouvir do evangelho duas vezes, quando há pessoas que não ouviram nenhuma vez”.
2.      Os trabalhadores são poucos (v. 37c):
a)      Para todas as carreiras há concorrências entre os homens. Há milhares de excedentes procurando vagas nas universidades e nos órgãos públicos.
b)      Mas para o ministério, a mais urgente de todas as vocações, poucas pessoas se oferecem.
3.      A missão é dos discípulos (v. 37a):
a)      Os cristãos não podem sonegar as boas novas aos perdidos.
b)      Somente os cristãos podem/devem pregar o evangelho.

II. A importância da oração na obra missionária (v. 38):
1.      Devemos rogar (pedir, clamar) ao Senhor da seara (v. 38a):
a)      Dependemos de Deus para fazermos missões. Deus é o Agente Missionário.
b)      Missões se fazem de joelhos em oração.
2.      Somente Deus manda trabalhadores para a sua seara (v. 38b):
a)      Ninguém se auto-envia para missões.
b)      Somente Deus envia missionários ao campo através da igreja.
3.      Aqueles que devem orar ao Senhor da seara para que mande trabalhadores para a sua seara, são os mesmos que devem trabalhar na seara (Mt 10):
a)      Ora-ação.
b)      Missões é evangelizar.

III. O que é preciso fazer para alcançar os perdidos (vv. 35,36):
1.      Precisamos vê-los com compaixão (v. 36b):
a)      Eles estão aflitos (v. 36c): atormentados, agoniados e assolados.
b)      Eles estão exaustos (v. 36d): cansados, entediados e enfadados.
c)      Eles não têm pastor (v. 36e): sem direção, sem alimentação e sem proteção.
2.      Percorrer todas as cidades e povoados (v. 35a):
a)      Ensinando as Escrituras (v. 35b).
b)      Pregando o evangelho do reino (v. 35c).
c)      Curando os doentes e enfermos (v. 35d).
3.      Precisamos nos comprometer com missões.

Conclusão:
1.      Fazer missões não dá lucro, fazer missões não enriquece, fazer missões não dá fama; fazer missões só dá prazer, mas só dá prazer pra quem ama as almas.
2.      Devemos orar, ofertar e evangelizar.
3.      Missões não é uma obra pra quem quer ou pra quem gosta, mas pra quem é chamado.
4.      Missões não são eventos, mas evangelizar.
5.      Ninguém entra na obra missionária sem ser chamado, e ninguém consegue sair da obra missionária quando se é chamado.
6. Missões é a nossa respiração, a nossa filosofia de vida.

domingo, 28 de julho de 2013

Breve Bibliografia de Homilética


Para os amantes da pregação, coloco abaixo uma lista de 10 livros sobre pregação bíblica:

1.    ANGLADA, Paulo. Introdução à Pregação Reformada. Ananindeua, PA: Knox Publicações, 2005.

2.    BLACKWOOD, A. W. A Preparação de Sermões. Rio de Janeiro, RJ: Aste/Juerp, 1981.

3.    BROADUS, John. O Sermão e Seu Preparo. Rio de Janeiro, RJ: Juerp, 1960.

4.    CHAPELL, Bryan. Pregação Cristocêntrica. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2002.

5.    LARSEN, David. Anatomia da Pregação. São Paulo, SP: Editora Vida, 2005.

6.    LLOYD-JONES, Martin. Pregação e Pregadores. São Paulo, SP: Editora Fiel, 2008.

7.    LOPES, Hernandes Dias. Pregação Expositiva. São Paulo, SP: Editora Hagnos, 2008.

8.    PIPER, John. A Supremacia de Deus na Pregação. São Paulo, SP: Shedd Publicações, 2003.

9.    ROBINSON, Haddon W. A Pregação Bíblica. São Paulo, SP: Editora Vida Nova, 1983.

10. STOTT, John. Eu Creio da Pregação. São Paulo, SP: Editora Vida, 2004.

Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

As consequências do “mercado gospel”


O Rev. Heber Carlos de Campos, em seu artigo “Crescimento de Igreja: Com Reforma ou Com Reavivamento” diz: “A adoração moderna é planejada para atrair pessoas (os consumidores de música contemporânea) ao invés de ser promovida para que as pessoas levantem os olhos para o céu para cultuar corretamente o verdadeiro Deus... Antes que verdadeiros adoradores, estamos vendo pessoas preocupadas com o consumo musical e litúrgico, querendo ouvir o que lhes agrada, e não o que agrada a Deus”. Toda pressão desse mercado tem apenas cooperado para a falta de conteúdo e de qualidade nas músicas. Tirando raras ressalvas, é de ficar em choque com a mesmice das letras e como são ininteligíveis. Há uma exaustão e empobrecimento das letras e um simplismo que beira a repetição e a imitação mundana. Tudo isso para vender shows e produtos. Devemos nos empenhar pela excelência na musicalidade e nas letras das canções que cantamos.

Em nome da “espiritualidade” a fé cristã tem sido comercializada de modo ruidoso. E não adianta reclamarmos o porquê dos músicos cobrarem, afinal, eles só cobram porque nós pagamos! É privilégio compor, tocar e cantar pra Deus, não comércio. Isto não significa que há problema em vender o material ou receber oferta das igrejas (de coração), desde que não seja uma exigência, porém, um ato de amor. Penso que o músico cristão deveria ganhar o necessário. Sem extravagância financeira. Deveria ganhar aquilo que Deus graciosamente lhe der.

O problema é que no “mercado gospel” a motivação deixa de ser “louvar e enaltecer a glória de Deus” e passa a ser “produzir entretenimento, divertimento e distração na maioria das vezes pautada em emocionalismo e sensacionalismo ou em apelos proféticos de avivamento e de extravagância que só aumentam a idolatrização e egolatrização do ser”. Hoje em dia, vende-se mais porcaria do que canções sérias. Tudo isso porque tem gente pra comprar e “apreciar”. Sem querer tornar mínimo a acuidade da música no culto, o que chamamos de ministério de louvor, é na verdade uma equipe de música que deve louvar a Deus, musicalmente falando. Qualquer atitude ou ação oposta a isto deve ser rejeitada, indispensavelmente.

Precisamos pedir a Deus para que nos livre definitivamente do mercado gospel que tem empurrado goela abaixo, ensinos antibíblicos cujos fins são satisfazer e agradar o homem e não adorar a Deus.
Soli Deo Gloria.

Nos laços do Calvário que nos une,

Luciano Paes Landim.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Resoluções Ministeriais


Desejo colocar aqui alguns princípios norteadores para um ministério fiel ao Senhor Deus:

1.    Antes de qualquer coisa, buscarei ser fiel ao Senhor que me chamou para sua obra.

2.    Lutarei para mortificar o pecado da vaidade e egolatria de tal forma que somente a presença do Espírito Santo habitará em meu ser.

3.    Confiarei no Senhor da seara que me usará para sua glória e para a proclamação do Evangelho.

4.    Pregarei de tal forma que as pessoas observarão a soberania e senhorio de Cristo em suas vidas.

5.    Antes de pregar aos outros pregarei a mim mesmo.

6.    Pregarei bíblica, cristocêntrica, doutrinária e evangelisticamente.

7.    No ministério não buscarei a minha própria glória, mas a glória do Senhor do Universo.

8.    Pregarei todo o Evangelho e somente o Evangelho de Cristo à igreja e aos perdidos.

9.    Confiarei no Espírito Santo na pregação da Palavra. Somente Ele pode regenerar o perdido por intermédio da Palavra de Deus.

10.  Esforçar-me-ei em pregar através de vários métodos, todavia, antes e sempre, buscarei ser fiel a Bíblia.

11.  Selecionarei excelentes livros de teologia e cultura geral para o meu crescimento intelectual. Entretanto, buscarei na Lei do Senhor o padrão para a minha vida e ministério.

Nos laços do Calvário que nos une,

Luciano Paes Landim.

Tinha que ser o Chaves


domingo, 21 de julho de 2013

O músico precisa conhecer profundamente a Bíblia


Josemar Bessa disse que “alguns dos maiores perigos teológicos de nossos dias são localizados nas asas da canção”. É muito ruim ouvir músicos dentro da igreja falando, ou cantando, equívocos teológicos por não conhecerem as Escrituras. Portanto, assim como a oração, a leitura da Palavra e principalmente a pregação dela, a música também usa a palavra falada e escrita e faz parte do culto solene para juntos transmitirem os ensinamentos das Escrituras. Por isso, é indispensável a ordem: Cante as Escrituras! Para se cantar a Bíblia, antes é preciso conhecê-la. Músicos que não conhecem profundamente as Escrituras não podem estar à frente da igreja. O problema é que a teologia de muitos músicos é a música e não a Bíblia.

O músico que conhece a Bíblia evita que a igreja cante, durante o culto, músicas sem fundamento bíblico. É indispensável que voltemos às Escrituras. Basta de canções antropocêntricas! As músicas de antes diziam “Tu és”, as de hoje dizem “eu sou”. A música na igreja deve focar o ser de Deus e os seus atributos, e não as necessidades humanas.

O problema reside no empobrecimento das canções que abandonaram a exposição e proclamação da Palavra. Hoje em dia, há muitos cânticos com letras heréticas. São músicas cantadas em nossas igrejas onde centralizam-se no homem com meras declarações repetitivas. Muitas músicas dentro da igreja são mundanas, pois exaltam o poder material. Como disse Mark Dever: "Precisamos resgatar a centralidade da Palavra de Deus na adoração. A música é uma resposta, exigida biblicamente, à Palavra de Deus. Mas a música que Deus nos deu, Ele não a deu para que sobre ela edifiquemos nossas igrejas. Uma igreja edificada sobre a música – de qualquer estilo – é uma igreja edificada sobre areia movediça."[1] Os decretos de Deus devem ser o tema da nossa canção (Sl 119.54). Devemos ter cuidado com o que estamos cantando. Portanto, é importante observar se a letra das músicas que cantamos no ambiente eclesiástico está baseada na Bíblia. O que edifica a igreja é quando se canta as Escrituras ou cânticos que refletem o evangelho.

Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.




[1] DEVER, Mark & ALEXANDER, Paul. Deliberadamente Igreja: edificando o seu ministério sobre o evangelho. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2008.

domingo, 14 de julho de 2013

O Mandamento Para Discipular as Nações


Esboço de Sermão
Mt 28.18-20
Introdução:
1.      Fazer missões não dá lucro, fazer missões não enriquece, fazer missões não dá fama, fazer missões só dá prazer, mas só dá prazer pra quem ama as almas.
2.      Jesus, antes de regressar ao céu e derramar seu Espírito, deu a Grande Comissão aos seus discípulos. Essa Grande Comissão está registrada nos quatro Evangelhos e também no livro de Atos: Mt 28.18-20, Mc 16.15, Lc 24.46-49, Jo 20.21-22 e At 1.8.
3.      Em Mateus 28.18-20, o Mestre comissiona seus discípulos a ir por todo o mundo, até aos confins da terra, proclamando as boas novas de salvação única e exclusiva em Jesus Cristo, fazendo discípulos de todas as nações. O fato é que Jesus completou sua obra na cruz. Venceu o diabo e levou sobre si os nossos pecados. Agora Jesus, o missionário por excelência, comissiona sua igreja a levar essa mensagem ao mundo inteiro.
4.      A Grande Comissão é um chamado que o Senhor ressurreto faz à Igreja para que ela se dedique e se sagre a formar discípulos que reconheçam seu Senhorio universal, se integrem ao povo de Deus.
5.      O texto bíblico de Mateus 28.18-20 é bem claro: O próprio Senhor da missão que nos alcançou com a salvação, comissiona-nos a pregar a salvação pela graça mediante a fé em Jesus Cristo. Ou seja, não são os pecadores que devem vir à igreja, porém é a igreja que deve ir aos pecadores. Missões é pescar onde os pecadores estão.
6.      Missões não é um programa ou departamento da igreja, mas o estilo de vida de todos os cristãos. Todos aqueles que foram alcançados pelo Evangelho são mandados a pregar as boas novas de salvação.

(v. 18a) “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo:”
1.      Jesus chegou próximo dos discípulos e falou-lhes.
2.      A Grande Comissão é dada pelo próprio Jesus.
3.      Jesus é o Missionário por excelência e deseja que os seus discípulos também o sejam.
4.      O próprio Jesus em sua pessoa, palavra, obra e posição é a autoridade de missões.
5.      Missões não é invenção humana, ela emerge do próprio Jesus.

(v. 18b) “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra”
1.      Jesus recebeu o domínio prometido (Dn 7.13-14): “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é o domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído”.
2.      O tempo de sua humilhação havia chegado ao fim e Deus o exaltou acima de todas as coisas (Fp 2.9-11): “Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai”.
3.      Autoridade soberana absoluta – senhorio sobre tudo – é concedida a Cristo “no céu e na terra”.
4.      Essa é uma prova clara de sua divindade. Jesus é Deus!

(v. 19) “Portanto”
1.      A Grande Comissão procede da autoridade Cristo.
2.      Ou seja, com base na sua autoridade os discípulos foram enviados a fazer “discípulos de todas as nações”.
3.      A autoridade de Jesus em seu mandamento direto e inequívoco é nossa principal razão para o evangelismo e missões.
4.      A autoridade de Cristo garante o sucesso missionário final.

(v. 19) “Ide”
1.      A ênfase não é o ide, mas o “fazei discípulos”.
2.      O único verbo no imperativo é “fazei discípulos”, que no grego é uma palavra só “discipulem”.
3.      A palavra “ide” no grego não é um verbo no imperativo, mas um particípio significando “indo”, ou “enquanto estejam indo”. O termo usado “hebraisticamente” tem o sentido de “forma de viver”. Ou seja, a missão tem de ser vista como a razão da Igreja, a filosofia de vida do povo de Deus. Trata-se de uma forma de falar coerente com a forma de viver. Significa que quem vai fazer discípulos vai como discípulo; quem batiza vai como batizado; e quem educa vai como quem foi educado de acordo com as coisas que Jesus ensinou.
4.      A missão contém quatro elementos universais, cada um deles marcado pela palavra “todo”: “toda autoridade”, “todas as nações”, “todas as coisas que vos tenho ordenado” e “todos os dias”.
5.      Mito missionário: quatro formas de fazer missões – orando, ofertando, enviando ou indo.

(v. 19) “fazei discípulos”
1.      O ponto principal do mandato de acordo com Mateus é “fazei discípulos”.
2.      Nós evangelizamos, mas falhamos quanto a fazer discípulos.
3.      O verbo aqui é tipicamente entendido como “ensinar” ou “treinar”.
4.      Num sentido, somente Deus “faz discípulos”, mas ele nos envia como mestres e treinadores para aqueles que ele efetivamente chama.
5.      Discípulo não é alguém que já aprendeu, mas que está aprendendo sempre.
6.      Esse treinamento dos discípulos envolve batizá-los e ensiná-los a guardar os mandamentos.
7.      O padrão de discipulado cristão é encontrado na vida e no ensinamento de Jesus Cristo.
8.      O cerne da missão é o discipulado. O imperativo bíblico é: fazei discípulos e não o “ide”. Discipular pessoas para Jesus é uma ordem intransferível que a igreja tem que cumprir.

(v.19) “de todas as nações”
1.      “nações”: A mesma palavra que é com frequência traduzida como “gentios”.
2.      A grande promessa de que por meio de Abraão todas as nações seriam abençoadas (Gn 12.3) deve ser agora cumprida à medida que os discípulos de Jesus espalham o reino para todas as nações.
3.      A expressão “todas as nações”, no grego é “pants tá ethne”, que não significa necessariamente países, mas sim, grupos de povos, “povos étnicos”, raças.
4.      Destas diferentes nações haveria de formar-se a igreja universal.
5.      O amplo escopo do comissionamento dos discípulos é consumado por meio da autoridade ilimitada de Jesus.
6.      A Grande Comissão proíbe o nacionalismo, etnocentrismo, provincialismo e particularismo.

(v. 19) “batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito”
1.      Os confessos devem ser batizados.
2.      O batismo é o sinal da união com Cristo e da sua dedicação a Ele.
3.      A fórmula é uma forte declaração do trinitarianismo.
4.      Os discípulos devem ser batizados em um nome trino. É um nome, e não “nos nomes de”, e um batismo porque o Pai, Filho e Espírito Santos são somente um Deus.
5.      Ser batizado em nome do Pai é ter Deus como Pai (Mt 6.9), ser batizado me nome do Filho é receber os benefícios daquilo que o Filho de Deus fez pela humanidade (At 2.38) e ser batizado em nome do Espírito Santo é ter a presença e o poder do Espírito de Deus que dá vida.

(v. 20) “ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”
1.      Os discípulos não devem somente ensinar a pura verdade, mas também ensinar a obedecer.
2.      Doutrina e obediência não podem andar separadas.
3.      O tipo de evangelismo evocado nessa comissão não termina com a conversão do não crente.
4.      Isso inclui os ensinamentos de Jesus no Sermão do Monte (Mt 5 – 7) e em Mt 18.

(v. 20) “E eis que estou convosco todos os dias”
1.      Existe aqui um tocante eco do início do Evangelho de Mateus.
2.      Emanuel (1.23) “que quer dizer: Deus conosco”, permanece conosco.
3.      Só com a certeza da presença de Jesus é que os discípulos podem fazer o que Jesus ordena.
4.      Nós temos a confiança de que não estamos sozinhos, mesmo nos momentos mais desanimadores, porque Ele está conosco “sempre”.

(v. 20) “até a consumação do século”
1.      Isto é, até que ele volte corporalmente para julgar o mundo.
2.      Até o fim do mundo.
3.      Conclusão, consumação.
4.      Mt 24.14: “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim”.

Conclusão e Aplicações:
1.      A atividade missionária é, primeiramente, um trabalho do Deus Trino: “Ide... batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19, grifo nosso).
2.      Missão é a atividade divina que emerge da própria natureza de Deus. O Deus da Bíblia é um Deus que “envia”; eis aí, portanto, o significado da palavra.
3.      Ele enviou os profetas a Israel, e enviou seu Filho ao mundo. Este, por sua vez, enviou os apóstolos, os setenta e a Igreja.
4.      Enviou também o Espírito Santo à Igreja, e hoje o envia aos... corações. Assim, a missão da Igreja resulta da própria missão de Deus, e nela tem de ser modelada.
5.      Não há esperança para o mundo fora do Evangelho. Nenhuma religião pode levar o homem a Deus.
6.      Não há salvação para o homem fora de Jesus Cristo (Jo 14.6 e 1Tm 2.5).
7.      Somente Jesus salva. O mundo precisa de Cristo; precisa do Evangelho. Jesus é o Salvador do mundo.
8.      Como servos de Deus devemos pregar o arrependimento e proclamar expiação de pecados.
9.      Ilustração: “A Conferência de Ratos”.

Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.

Educando para a glória de Deus