quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A maior prioridade do missionário



“O objetivo final e mais elevado da evangelização não é o bem-estar dos homens, nem mesmo sua bem-aventurança eterna, mas a glorificação de Deus.” R.B. Kuiper
Introdução:
Os desafios missionários no mundo nunca foram tão grandes como na atualidade. Diante do cenário missionário nacional e mundial, surgem algumas perguntas que exigem respostas objetivas e práticas: Por que devemos fazer missões? O que motiva pais entregarem seus filhos a missões? O que incentiva cristãos ofertarem liberalmente para a obra missionária? O que leva crentes a orarem incessantemente pelos missionários? O que impulsiona cristãos a largarem tudo em prol da evangelização dos perdidos?
A motivação em missões é fundamental, pois o missionário corre o risco de fazer o certo (pregar o evangelho), mas com a motivação errada (dinheiro, fama, status, inveja, etc.). Isto significa que não basta fazer a vontade de Deus, mas fazê-la de coração. Warren Wiersbe disse acertadamente: “O coração de todo problema é o problema do coração”. Deus requer o trabalho certo com a motivação certa. Pois uma coisa é pregar o evangelho, outra é viver o evangelho. Uma coisa é definir o evangelho, outra é ser definido pelo evangelho. Qual é a maior prioridade do missionário?

O perigo de nos convertermos em “Martas ativistas”
Ao lermos Lc 10.38-42, observamos o perigo de nos convertermos em “Martas ativistas”, isto é, o de desaprender o valor da perplexidade e contemplação diante de Jesus. O perigo de nos envolvermos tanto em atividades que acabamos negligenciando a nossa vida devocional. Precisamos praticar um tempo a sós com Deus. O próprio Jesus se retirava para lugares solitários para orar.
A obra de Deus é importante, porém, o Deus da obra é mais importante ainda.
Maria escolheu a melhor de todas as partes. A oportunidade de estar com Jesus e ouvir os seus ensinamentos eram a essência que ela buscava. A comida é fundamental, mas a Palavra de Deus é essencial. Marta poderia estar preparando a refeição de maneira desnecessariamente elaborada. Maria, por outro lado, demonstrou visivelmente a verdade que Jesus estava ensinando: adorá-lo é o mais importante. O fato é que é possível desviar-se de Deus ao tentar servi-lo. Isto acontece quando estamos com o Senhor, mas nossa conduta e obras estão voltadas para focos errados. Às vezes, vemos pessoas engajadas na obra, porém frustradas espiritualmente porque estão concentradas na obra e não no Dono da obra. A obra de Deus é importante, porém, o Deus da obra é mais importante ainda. Antes de pedirmos a Deus para nos usar, devemos pedir para Ele se revelar a nós! Não podemos deixar que o ministério se torne um ídolo em nossas vidas.
O Deus da obra é mais importante do que a obra de Deus
A maior prioridade do missionário não é missões, mas o Deus das missões. Mais importante do que a obra missionária é o Deus da obra missionária, o Senhor das nações. Mais interessado do que naquilo que o missionário faz, Deus está interessado naquilo que o missionário é. Comunhão com Deus precede trabalho para Deus. Antes de fazer missões, o missionário primeiro precisa tratar o coração. Deus quer trabalhar por intermédio do missionário, porém, antes quer trabalhar no missionário. A única motivação capaz de mover, sustentar e direcionar um missionário é a paixão pela glória de Deus.
A glória de Deus é a chama que acenderá o ardor missionário no coração da igreja
A paixão missionária pela glória de Deus é acompanhada pela paixão pelas pessoas que, por ignorância e descrença, estão morrendo em seus pecados. Esta era a paixão de Jesus em Lc 15, quando contou as parábolas da ovelha e da dracma perdida e do filho rebelde. Esta paixão move missionários ao engajamento nas obras que são designadas a trazer glória a Deus por meio da salvação dos pecadores. O propósito maior da evangelização dos povos é que esses povos todos glorifiquem a Deus e exaltem seu nome. O centro da obra missionária da igreja não é o homem, mas o próprio Deus. Há júbilo diante dos anjos de Deus, no céu, por um pecador que se arrepende.
O centro da obra missionária da igreja não é o homem, mas o próprio Deus.
Resumindo...
Podem existir motivos errados escondidos nas mentes dos mais sinceros missionários. Fazer missões não dá lucro, fazer missões não enriquece, fazer missões não dá fama; fazer missões só dá prazer, mas só dá prazer para quem ama a glória de Deus.
Se nos falta paixão pelos perdidos é porque antes nos falta paixão por Cristo. A paixão missionária pela glória de Deus é acompanhada pela paixão pelas pessoas que estão morrendo em seus pecados.
Urgência: Jesus disse “Ide e fazei discípulos”. Um professor de grego bíblico disse que a palavra traduzida como “ide” no grego original está numa forma que expressa uma grande urgência. O que Jesus estava dizendo, então, era: “Vamos logo! Não percam tempo! Multipliquem-se até que pessoas de todas as nações, raças, tribos e línguas me conheçam e me sigam!”

O alvo final de missões: o desejo de que Deus seja adorado e sua glória conhecida entre todos os povos da terra.
Conclusão:
Desejo concluir com quatro pontos:
Primeiro: Erradamente, muitas igrejas e denominações se autoproclamam pensando estar proclamando o evangelho. Anunciam mais suas logomarcas, programas, templos, presidentes, diretores, ministérios de música e pregadores, como se estivessem evangelizando. A maior barreira para a evangelização é a má compreensão a respeito do evangelho. Evangelizar é proclamar as boas novas de salvação única e exclusivamente em Cristo.
Segundo: Engajar-se na missão de Deus pressupõe primeiro conhecer a Deus. Muitos "missionários" deveriam estar estudando a Bíblia e não pregando. É inadmissível um “missionário” sem bagagem bíblica.
Terceiro: Ronaldo Lidório disse que a missão maior da igreja é glorificar a Deus (1Co 6.20), ou seja, é preciso nos desglorificar para, de fato, glorificar a Deus em nossa vida diária. O missionário deve pregar Cristo, e não a si mesmo.
Quarto: Somente olhando para a glória de Deus é que entenderemos os mártires, as lutas, os sacrifícios e a vitórias. Essa foi a motivação deles e essa deve ser a nossa motivação: a glória de Deus.

Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O missionário precisa se preparar para ir ao campo


"Trabalhar com um machado sem corte exige muito mais esforço; portanto, afie a lâmina. Esse é o valor da sabedoria: ela o ajuda a ser bem-sucedido." 
(Ec 10.10 - Nova Versão Transformada) 

O livro “Valioso Demais Para Que Se Perca” (Editor William D. Taylor, Editora Descoberta), baseado em pesquisas feitas em vários lugares do mundo, afirma que a principal causa do regresso antecipado dos missionários é o preparo inadequado. Observem que não é a falta de recursos financeiros, pois os mesmos estão em segundo lugar da lista. O problema reside no fato de que não estamos preparando missionários, mas enviando “missionários” despreparados.

O preparo do missionário deve envolver pelos menos as seguintes áreas:

Espiritual: ser convertido, ter vida de oração, conhecer profundamente as Escrituras, jejuar regularmente, etc.

Intelectual: ter preparo teológico, missiológico, linguístico, cultural, etc.

Emocional: envolve a questão amorosa, familiar, equilíbrio emocional, etc.

Física: cuidado com a saúde (alimentação adequada, exercícios físicos, descanso suficiente, etc).

Econômica: sustento financeiro suficiente.

O missionário despreparado é como nuvens sem água impelidas pelos ventos; é como árvores em plena estação dos frutos, mas duplamente mortas e desarraigadas (Jd 12). 


Não podemos mandar crianças espirituais para o campo. 

Pelo contrário, devemos mandar os mais experientes e maduros na vida cristã. Deus quer para o ministério gente ocupada, não ociosa, mas com alto nível de capacitação. Um missionário bem treinado será mais bem-sucedido, eficaz e produtivo. O missionário precisa se preparar para ir ao campo. Jesus treinou os apóstolos. Se desejamos um trabalho eficaz, economia de tempo e de dinheiro, precisamos de pessoas bem-treinadas. A solução é selecionar, treinar acertadamente, enviar e cuidar dos missionários. Todo conhecimento que o missionário adquirir, certamente vai ser usado por Deus no campo.


Nos laços do Calvário que nos une,

Luciano Paes Landim.

domingo, 16 de outubro de 2016

Muitos "missionários" deveriam estar estudando a Bíblia e não pregando


Quero expor aqui alguns pensamentos sobre a importância do conhecimento bíblico por parte do missionário:

1.       Muitos "missionários" deveriam estar estudando a Bíblia e não pregando.
2.       É inadmissível um “missionário” sem bagagem bíblica.
3.       Lamentavelmente, há muitos “missionários” analfabetos de Bíblia.
4.       O campo missionário não precisa sequer de neófitos e muito menos de crentes que não gostam de ler a Bíblia.
5.       Pesquisas afirmam que a principal causa do retorno antecipado do missionário do campo é a falta de preparo adequado.
6.       O missionário despreparado é como nuvens sem água impelidas pelos ventos; é como árvores em plena estação dos frutos, mas duplamente mortas e desarraigadas (Jd 12).
7.       É loucura total colocar no campo missionário pessoas destreinadas, mal treinadas ou sem chamado.
8.       O nosso problema é que quase não treinamos missionários, mas enviamos pessoas despreparadas ao campo.
9.       Se o preparo for fraco, os resultados também o serão.
10.   Não podemos nos esquecer que Jesus treinou os apóstolos.

Nos laços do calvário que nos une,

Luciano Paes Landim.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Pastor, um missionário de tempo integral


Já perdi as contas de quantas vezes prometi a mim mesmo que não publicaria mais textos sobre missões, pois pareço um papagaio que diz sempre as mesmas coisas. Porém, constantemente me pego publicando pensamentos missionários. O fato é que presido a Sociedade de Apoio Evangelístico e Missionário (Missão SAEM), que atua há 13 anos no despertamento, capacitação, intercessão e sustento de missionários. É um trabalho simples que visa tão somente inculcar missões nos crentes (colocar na cabeça). O nosso propósito é incentivar os crentes a dobrarem os joelhos em oração pelos missionários, abrirem os bolsos e ajudar no sustento de missões e pregarem incansavelmente o evangelho.

Sou apenas um pastor de igreja local que sente nos ombros o peso de pregar fiel e expositivamente a Bíblia, administrar corretamente as ordenanças (batismo e Santa Ceia) e aplicar biblicamente a disciplina. Sei também que sou um missionário urbano, pois tenho que pregar, discipular, aconselhar, batizar, e etc. pessoas de minha cidade. É verdade que já viajei alguns Estados brasileiros, principalmente do Nordeste, e dois países, com o fim de pregar o evangelho, mas missionário de tempo integral sou mesmo onde moro (confesso que não entendo aqueles que querem evangelizar em lugares distantes, quando na verdade não evangelizam na própria cidade).

Quando pensei em plantar a congregação Boas Novas em São Sebastião/DF, disse que começaria do zero, isto é, somente com minha esposa e um amigo que estava sem igreja. Evangelizei algumas pessoas, batizei-as, discipulei-as e no final do ano teremos pela primeira vez a escolha de presbíteros e diáconos. Tenho amado o meu campo missionário. Entendo que missões não é viajar e voltar com as fotos para publicar nas redes sociais, mas ir e ficar, morar, viver com o povo que Deus nos confiou, pois o discipulado (o cerne da missão) só é possível com a convivência. Por essa razão é que digo: todo pastor é um missionário de tempo integral. Alguém que não tem rebanho não pode ser considerado pastor nem quem não está no campo missionário pode ser considerado missionário.

Agora, tenho desafiado a minha congregação a orar e a ofertar para missões, evangelizar em lugares próximos e distantes. Percebi que missões é umas das minhas paixões. Entretanto, tenho uma paixão que vem antes de missões - a igreja. Cristo morreu pela igreja. Cristo ama a igreja. Eu devo amar a igreja. Eu faço parte da igreja. Mas, antes de minha paixão pela igreja, tenho uma paixão por Cristo. E sei que quanto mais amor eu tiver por Cristo mais paixão terei pela igreja e por sua missão.

O meu desejo é ver igrejas saudáveis sendo plantadas nas cidades e campos, lugares próximos e distantes, ver missionários de tempo integral sendo mantidos e pastoreados, e tudo para a glória de Deus.

Nos laços do Calvário que nos une,

Luciano Paes Landim.

domingo, 9 de outubro de 2016

Quando a oferta não chega ao campo missionário


No último texto que publiquei, (clica aqui http://lucianopaeslandim.blogspot.com.br/2016/10/toda-igreja-local-deve-ofertar-para-o.html) falei sobre o papel da igreja local no que refere ao sustento de missionários. Falei sobre a importância da igreja analisar os missionários e os projetos dos mesmos para, então, investir financeiramente. Mostrei alguns requisitos que devem ser observados nos missionários. Agora, gostaria de tratar um assunto um tanto delicado: quando a oferta missionária não chega ao campo, ou quando chega, só em parte.

Sei de ofertas que nunca chegaram ao campo, pois as mesmas nunca foram tiradas na igreja. Porém, aquelas ofertas que foram tiradas em algumas igrejas para um propósito específico - missionário, onde irmãos se despuseram a contribuir com o intuito de cooperar para o sustento de missionários, mas que não chegaram porque as desviaram ou chegaram somente em partes, é um pecado grave. Agir de tal forma é um desrespeito para com o ofertante e o missionário e, principalmente, com o próprio Deus, pois estão usando a causa “missionária” para outro fim. É agir de má fé. É operar enganosa e mentirosamente.

Acredito piamente que toda igreja local pode e deve cooperar para o sustento missionário. Nenhuma igreja é tão pobre que não possa contribuir para missões e a crise no país não pode nos impedir de ser uma bênção às nações. Creio que toda igreja deve tirar uma parte de sua arrecadação e contribuir para o sustento missionário nacional e mundial. Creio também que toda família deve cooperar de alguma maneira para o envio e sustento de missionários. Podemos economizar dinheiro pessoal e familiar com o intuito de cuidar da obra missionária. Isto é, evitando gastos desnecessários, fazendo cortes financeiros, administrando corretamente o dinheiro e sacrificando algo para enviar para missões. Ouvi dizer que no noroeste africano as pequenas igrejas tribais plantam campos de arroz coletivamente. Quando 5 ou 6 campos são plantados eles separam o melhor deles para “missões”. O arroz produzido naquele campo é vendido e enviado a crentes que habitam em outras tribos com o intuito de levar ali o Evangelho. Ou seja, se nós cristãos brasileiros economizarmos na Coca Cola, sanduíches, pizzas (observação: no interior do Senegal você pode ajudar no lanche de uma criança da Escola Emaús por um mês com apenas R$ 50,00, sendo que às vezes gastamos este valor para comer uma pizza Hut aqui no Brasil), poderemos contribuir financeiramente para missões. É só um exemplo.

Creio que ofertar para missões é fazer o maior investimento do mundo. Portanto, envolva-se com missões. Oferte voluntaria e sacrificialmente para missões. Ensine os filhos a poupar dinheiro e enviar para os missionários. Se você é pastor, incentive sua igreja a ofertar para missões. Reúna a família e diga que economizarão dinheiro e enviarão aos campos missionários. Assim como afirmei no post anterior que toda igreja local deve checar o caráter e a veracidade do missionário e o seu projeto, também ouso afirmar que todo ofertante missionário deve checar se o dinheiro está realmente chegando ao campo missionário.

Encerro com as palavras de Oswald Smith: “Se Deus quer a evangelização do mundo, mas te recusas a sustentar as missões, então opões-te à vontade de Deus.”

Nos laços Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.



sábado, 8 de outubro de 2016

TODA IGREJA LOCAL DEVE OFERTAR PARA O SUSTENTO DE MISSIONÁRIOS?


Sou pastor de uma pequena igreja local e sempre incentivo minha igreja a ofertar para missões nacionais e mundiais. O nosso lema é: nenhuma igreja é tão pobre que não possa ofertar para missões. Creio firmemente que toda igreja deve engajar-se em missões. A crise não pode nos impedir de ofertar para missões. No momento, a minha congregação contribui financeiramente para missões no Sertão Nordestino, Paraguai e África. São pequenas ofertas, mas já é um bom começo para uma igreja de dois anos de vida. Acredito que nossas ofertas são importantes para missões no Brasil e no mundo. Todavia, sempre alerto aos meus amigos pastores para que tomem cuidado na escolha de “projetos missionários” para apoiar, isto é, devido existir muitos “aproveitadores”, sempre digo para que sejam cautelosos e meticulosos na escolha e adoção de missionários. Muitos dos meus colegas de ministério já me confessaram que tiveram algumas frustrações e decepções com alguns missionários. Desde desapontamentos no que refere a missionários envolvidos em pecados escandalosos, desvio de dinheiro, mentiras, falsos relatórios, insubmissão, mau-caratismo, péssimo treinamento ou ausência do mesmo, visão missionária deficiente, ausência de visão de plantação de igrejas, etc.

Quero aqui enumerar alguns requisitos que devem ser observados quando formos adotar missionários:

1.       O missionário é verdadeiramente convertido? Ele está envolvido em algum escândalo?
2.       Ele presta relatórios?
3.       Ele se submete a alguma liderança?
4.       Ele tem igreja?
5.       Ele visa plantar igrejas?
6.       Você tem alguma desconfiança do mesmo? Já o pegou em alguma mentira?
7.       É um missionário de igrejas, isto é, só vive pregando em igrejas e nunca foi para o campo? Afinal, igrejas precisam de pastores e mestres para o pastoreamento e discipulado, pois quem precisa de missionários são os campos.
8.       É um missionário freelancer (de vez em quando), mas deseja ser sustentado integralmente? Pois, quem trabalha de vez em quando deve ser ajudado de vez em quando, mas quem atua missionariamente de tempo integral deve ser mantido integralmente.

Portanto, nenhum pastor ou igreja tem o dever de sustentar missionários que não os conhecem ou que não demonstram caráter cristão ou projeto genuíno. Mas todo pastor e igreja deve cooperar para o sustento de missionários que são verdadeiramente missionários. A verdade é que muitos missionários estão precisando de sustento. Refiro-me aos verdadeiramente missionários, aqueles que se afadigam no campo missionário. Devemos identificá-los e apoiá-los com nossas orações, ofertas e pastoreio. Toda igreja local deve contribuir financeiramente para missões.

Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

PODE A IGREJA EXCLUIR ALGUNS DOS SEUS MEMBROS?


“Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor” (1Co 5.13).

A igreja deve ser sempre acolhedora. Todo pecador arrependido deve ser recebido, batizado, discipulado e treinado na igreja. O problema é quando a igreja não se atenta para a posição de Jesus acerca do pecador impenitente e arrogante, que não se arrepende do mal e que tenta destruir o rebanho. Alguém disse que quando toleramos o lobo acabamos sacrificando as ovelhas. A verdade é que há um grande perigo na falta de disciplina na igreja, pois quando a mesma inexiste sucumbe-se na licenciosidade e na confusão moral. Disciplina é um exercício de amor e graça, libertando o pecador da escravidão do pecado. Toda disciplina deve ser bíblica, séria, graciosa, servirá como lição para os demais. Mas há uma diferença entre disciplina bíblica e exclusão.

O próprio Mestre nos ensina como devemos tratar um irmão culpado (leia Mateus 18.15-18). No versículo 17, Jesus diz: “... e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano”. Jesus fala para corrigirmos pessoalmente o impenitente, caso não aceite, devemos tentar novamente com duas testemunhas e, por fim, diante de toda a igreja. Caso o culpado não se arrependa, deverá ser considerado como gentio e publicano.

Em sua carta, Paulo diz à igreja em Corinto para “expulsar o perverso do meio deles” (1Co 5.13).

Aos que provocam divisões na igreja, Paulo manda avisar duas veze a “deixá-los de lado” (Tt 3.10).

Paulo nos manda também fazer calar os pervertedores: “É preciso fazê-los calar, porque andam pervertendo casas inteiras, ensinando o que não devem, por torpe ganância” (Tt 1.11).

Paulo diz em 1Co 5.2 que alguém deveria ser tirado do meio da igreja: “... para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou.” Diz que o ofensor deve ser “entregue a Satanás” (1Co 5.5), para que seja tirado do círculo de proteção e comunhão que é a igreja local, e colocado e exposto às chuvas diabólicas. Afirma também que tem que “lançar fora todo o velho fermento” (1Co 5.7). Fala que não devemos nos associar e nem comer “com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais” (1Co 5.11). Diz também sobre expulsar o malfeitor: “Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor” (1Co 5.13).

Portanto, a igreja é uma Casa de Oração, um lugar de adoração, comunhão, doutrina, cumplicidade, etc., e não um covil de salteadores ou pecadores arrogantes e incontritos. Todos que se convertem a Cristo e desejam andar como Jesus andou, devem ser recebidos, abraçados e cuidados; mas aqueles que pervertem o ensino de Cristo, que são indisciplinados, são insubmissos à liderança (“Obedecei a vossos líderes e sede-lhes submissos”, Hb 13.17), deverão ser considerados como gentios e publicanos, expulsos, deixados de lado e emudecidos.

Observação: se você frequenta uma igreja em que Cristo não é pregado, onde não se proclama o evangelho, mas anuncia-se a teologia da (falsa) prosperidade e confissão positiva, onde não se administra corretamente as ordenanças (batismo e Santa Ceia) e nem aplica a disciplina bíblica... EXCLUA-SE DESSE LUGAR! A questão não é procurar a igreja mais próxima da sua casa, mas procurar uma igreja mais próxima da Bíblia. Recuse-se a estar debaixo dos ensinos de um falso profeta, não faça parte de uma seita. Sobre aqueles faltosos que foram disciplinados e se corrigiram, devem ser restaurados e restabelecidos.

RESUMO: Todo pecador arrependido deve ser acolhido e pastoreado na igreja. O pastor deve pastorear tanto as ovelhas dóceis quanto as indóceis. O pastor foi chamado para essa missão. Mas todo bode deve ser excluído. Alguém disse que a ovelha quando cai na lama levanta e sai, mas o porco cai e rola na lama.

Nos laços do Calvário que nos une,

Luciano Paes Landim.

Educando para a glória de Deus