domingo, 30 de setembro de 2012

Leituras Para o Mês de Outubro


Acabei de separar alguns livros para ler durante este mês. Vou chamar este projeto de “Outubro com John Piper”, pois lerei quatro (04) obras do referido autor, que tem sido um dos meus autores preferidos:

Deus é o Evangelho – Um tratado sobre o amor de Deus como oferta de si mesmo (Editora Fiel).

Evangelização e Missões – Proclamando o evangelho para a alegria das nações (Editora Fiel).

Supremacia de Deus na Pregação – Teologia, estratégia e espiritualidade do ministério de púlpito (Shedd Publicações).

Irmãos, Nós Não Somos Profissionais – Um apelo aos pastores para ter um ministério radical (Shedd Publicações).

Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.

A Geografia Missionária em Atos 1.8

“mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra.” At 1.8

a) Jerusalém: A igreja nasceu em Jerusalém e seus membros se estruturaram para dar continuidade à obra de Jesus. É o trabalho missionário em nossos lares, vizinhança, escola, faculdade, trabalho, etc. Este campo é muito vasto. Você já evangelizou alguém da sua família? Ou seu colega de faculdade ou trabalho? O seu vizinho? Podemos chamar de missões locais. Exemplo: Itajaí-SC .

b) Judeia: A região na qual Jerusalém se localizava. A igreja inicialmente se concentrou em Jerusalém. Entretanto, Deus estava firme em seu propósito de levar a bênção do Evangelho às outras regiões e, por fim, a todas as nações. Ocorreu então que, com a perseguição vinda diretamente contra a igreja de Jerusalém, os que foram dispersos começaram a pregar em toda parte por onde passavam (ver Atos 8.1,4; 5,11,19,20 e 13.46,47). Com a morte de Estevão (Atos 6 e 7), as testemunhas de Jesus foram espalhadas. Podemos chamar de missões regionais. Exemplo: o estado de Santa Catarina).

c) Samaria: A região imediatamente ao norte da Judeia. Felipe prega em Samaria (Atos 8.4-8) e em missão transcultural prega ao etíope, um alto oficial da rainha de Candace, que crê e pede para ser batizado naquele mesmo dia (Atos 8.26,28-36 3 39). A história indica que aquele etíope pode ter preparado o caminho para o posterior estabelecimento de milhares de igreja no longínquo vale do Nilo, África. Embora estivesse localizado entre a Judeia e a Galileia (nos dias do NT), o território samaritano apresentava algumas diferenças culturais significantes (ver 2 Reis 17. 24-41; Esdras 4. 5,9,10; João 4. 9,20), a ponto de seus moradores serem considerados pelos judeus como estrangeiros (Lucas 17. 15-18). Havia uma fronteira cultural entre os judeus e os samaritanos que consistia em dialetos diferentes e algumas outras diferenças culturais bem significativas. Portanto, culturalmente falando, os missionários cujas culturas dos povos que eles evangelizam, defrontam-se com a distância cultural. Podemos chamar de missões nacionais. Exemplo: o Brasil.

d) Confins da Terra: O Evangelho foi se espalhando: Jerusalém (Atos 2-7), Judeia e Samaria (Atos 8-12) e confins da Terra (Atos 13-28). O apóstolo Paulo, escolhido por Deus para levar a mensagem aos gentios (ver Atos 9.15,16), cumpre com êxito o chamado missionário. Em pouco mais de dez anos, e em três viagens missionárias, ele estabelece a igreja em quatro províncias do Império Romano: Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia (ver Atos 13.2; 14.28; 15.40; 18.23 e 21.17). Podemos chamar de missões mundiais. Exemplos: Peru, Índia, Afeganistão, etc.

Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Sobre a questão do alcance e simultaneidade da obra missionária

“mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” At 1.8

A questão do alcance da obra missionária

A questão do alcance da obra missionária tem sido comprometida por duas dificuldades de visão: miopia e hipermetropia. Uns tem problema para ver o que está distante, outros, para ver o que está próximo. Há muitos que têm se perguntado para que a igreja investir em missões mundiais (África, Ásia ou qualquer outro lugar distante) se há tanta gente aqui necessitando ouvir o Evangelho (missões locais, regionais e nacionais). Há outros que só conseguem ver missões no ponto de vista transcultural e realçam tanto as necessidades em outros lugares, que chega a colocar em crise e conflito de consciência aqueles que de alguma maneira estão envolvidos em um contexto de missões locais, regionais e nacionais. Jesus Cristo deixa clara a extensão da tarefa que deu à igreja: ela deve ir onde houver pessoas que precisam conhecer a Cristo.

A questão da simultaneidade da obra missionária
Atos 1.8 mostra que o trabalho dos discípulos não deveria primeiro ser iniciado e completado em um lugar para depois partirem para outro. Atos 1.8 diz que o trabalho missionário deve ser feito “ao mesmo tempo” em cada um dos quatro lugares. Essa “simultaneidade” está expressa nas palavras “tanto em”, “como em”, e “até aos”. Assim, devemos louvar a Deus porque o missionário americano Ashbel Green Simonton há mais de 150 anos, não tinha a ideia de evangelizar somente sua cidade e país para depois vir ao Brasil. Ele deixou família e seu conforto para vir ao nosso país e trazer-nos a mensagem do Evangelho. Simonton foi o fundador do Presbiterianismo no Brasil. Agora é a nossa vez de levar a outros povos a mensagem de Cristo.

Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.

www.opastoraprovado.blogspot.com

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

“ao descer sobre vós o Espírito Santo”

“mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” Atos 1.8

Jesus prometeu enviar o Espírito Santo, o outro consolador, ao subir ao céu. O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade, ou seja, Ele é Deus. O Espírito Santo demonstraria o seu controle sobre a vida deles por meio de manifestações especiais: um som de vento impetuoso, surgimento de formas de língua de fogo e o falar em línguas estrangeiras (Atos 2) . A presença do Espírito Santo era uma prova da obra divina nas vidas das pessoas:

“E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus, nele. E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu” (1 João 3.24).


“Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele, em nós: em que nos deu do seu Espírito” (1 João 4.13).

A missão dos apóstolos de difundir o Evangelho foi a razão principal para a qual o Espírito Santo os capacitou. Esse acontecimento alterou dramaticamente a história mundial, e a mensagem do Evangelho por fim chegou a todas as partes da terra (Mt 28.19-20). Sem o Espírito Santo não há poder. Sem poder não há testemunho. Sem testemunho não há avanço até aos confins da terra. O Espírito Santo é a fonte apropriada de ânimo e conforto no sofrimento missionário. É impossível haver um convertido sequer sem a transformação operada pelo Espírito Santo. Charles Spurgeon dizia que é mais fácil ensinar um leão a ser vegetariano do que converter um coração sem a obra regeneradora do Espírito Santo.

Aqui está uma lição bem clara: o missionário não deve confiar em si mesmo, mas no Espírito Santo. A suficiência missionária vem de Deus.

Vejamos algumas operações do Espírito Santo:
a) Ele convence do pecado, da justiça e do juízo:
“Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).
b) Ele opera o novo nascimento:
“Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” (João 3.5).
c) Ele testifica que somos filhos de Deus:
“O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Romanos 8.16).
d) Ele purifica o coração:
“Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós nos concedera. E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé o coração (Atos 15.8-9).
e) Ele derrama o seu amor em nós:
“Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Romanos 5.5).
f) Ele nos reveste para sermos testemunhas:
“mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (Atos 1.8).
g) Ele nos transforma:
“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2 Coríntios 3.18).

O propósito principal do derramamento do Espírito Santo é o recebimento de poder divino para testemunhar de Cristo, para ganhar os perdidos para Ele, e ensinar-lhes a observar tudo quanto Cristo ordenou: discipulado. Sua finalidade é fazer Cristo conhecido entre todos os povos para a alegria de todas as gentes.

Todavia, é necessário também entender que havia abismos tenebrosos nos relacionamentos entre judeus e samaritanos. Eles se consideravam inimigos irreconciliáveis. Para resolver este problema era necessário o poder do Espírito Santo para perdoarem uns aos outros. Cristo manda que preguem também aos samaritanos.
Assim, uma igreja cheia do Espírito é tudo de que Deus precisa para fazer uma transformação.

Vejamos o modelo de uma igreja cheia do Espírito Santo (ver Atos 2.42-47):
a) Depois que a igreja ficou cheia do Espírito Santo sua vida refletiu isso e o mundo foi impactado.
b) A plenitude do Espírito foi percebida através da solidez na doutrina dos apóstolos, do engajamento na oração, da comunhão fraternal, da adoração fervorosa e do testemunho irrepreensível.
c) Uma igreja cheia do Espírito tem bom testemunho dos de dentro e também dos de fora.

O Espírito Santo revela e torna mais real para nós a presença pessoal de Jesus (ver João 14.16-18). Uma comunhão pessoal com o próprio Jesus Cristo brotará num desejo cada vez maior da nossa parte de amar, honrar e agradar nosso Senhor e Salvador. A ausência do poder do Espírito Santo na vida da igreja explicava os seus fracassos e revela a sua desobediência missionária.

Portanto, entendemos que:
O Espírito Santo é quem separa os missionários para o campo. É o Espírito Santo quem define quem vai e quem não vai para o campo missionário:
“E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (Atos 13.2).
O Espírito Santo quer o melhor. A igreja local deve enviar os seus melhores para a obra missionária, pois o Deus Missionário quer o melhor em sua obra, a nata dos membros (ver novamente, acima, Atos 13.2).
O Espírito Santo envia por intermédio da igreja. O instrumento do Espírito Santo para o envio é a igreja local. A missão é apenas possível e eficaz se realizada no e através do Espírito Santo:
“Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram. Enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre” (Atos 13.3,4).
Deste modo, não há missões sem a presença e a ação do Espírito Santo.

Nos laços do Calvário que nos une,
Pastor Luciano Paes Landim.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Testemunho do Pr. Indígena Henrique Dias Terena

Henrique Terena

Sendo o evangelho uma boa notícia, como pode ser tão ruim assim? Tem que se lembrar de que onde ela chegou trouxe grandes benefícios; tanto no campo espiritual como na área social.

Creio que também é necessário dizer que alguns missionários, bem no início, cometeram alguns erros ao comunicar o evangelho ao povo indígena. Porém, esses abnegados irmãos desconheciam métodos e técnicas apurados como os de hoje, tais como: preparo lingüístico , antropológico e mesmo missiológico. Hoje porém, as missões evangélicas têm a preocupação de preparar melhor seus missionários, corrigindo os erros cometidos no passado. As missões têm procurado levar o evangelho do padrão transcultural e contextualizado, e para cada povo. Isso tem que ser observado e levado em consideração.

Será que não temos o direito de receber o evangelho na nossa própria cultura? Somos tão diferentes assim? Será que não nascemos, vivemos morremos também? Do ponto de vista de Deus somos todos iguais e merecedores da mesma o centro foi idealizado para ser um local onde seja possível reunir e expor todas as produções literárias, de caráter religioso ou não, feitas pelas missões, sem levar em conta a finalidade e a área de atuação em que as mesmas estão sendo utilizadas. Além da parte literária, serão reunidos também no mesmo local artesanatos indígenas.

Conhecer Jesus não é somente privilégio do homem branco; é do índio também. Mais de 50% das tribos nunca ouviu falar de Jesus Cristo.

Há lágrimas nos meus olhos e dor no meu coração em saber que muitos parentes meus estão morrendo sem nunca ouvir de Jesus, aquele que dá valor à vida.

Não queremos ser mais tratados como coitadinhos ou eternas vítimas. Somos humanos e também temos sentimentos. Sabemos o que queremos e temos conhecimento do que é bom ou ruim.

A nossa preocupação tem como objetivo conscientizar a igreja de Cristo quanto a questão indígena. Pouco se tem ouvido de manifestação de solidariedade do povo evangélico. Agora chegou a hora. Desafiamos o povo evangélico a somar esforço conosco, a se tornarem companheiros e verdadeiros aliados nessa batalha. AYNAPUYAKUÉ (Obrigado na língua Terena)".

Extraído da Revista Confins da Terra, Junho de 2002.

Pr Henrique Dias Terena - Membro do CONPLEI (Conselho de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas)

Link: http://novastribosdobrasil.org.br/conteudo/item/172-testemunho-do-pr-indigena-henrique-dias-terena

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A inevitabilidade da obra missionária


“mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra.” At 1.8

Em Atos 1.8 missões não é uma mera ordem e sim uma afirmação alusiva, esclarecendo que, após serem cheios do Espírito Santo, os discípulos iriam ser movidos a testemunhar da sua fé em todos os lugares do mundo.

A declaração “e sereis” expõe enfaticamente a inevitabilidade da obra missionária. Quando Jesus disse “e sereis”, Ele não estava dando um mandamento aos discípulos. Se fosse um mandamento Ele teria dito: “vocês deverão ser”. Ele não está dando um mandamento, Ele está afirmando e garantindo um acontecimento inevitável: “vocês serão minhas testemunhas”. Assim que eles recebessem o enchimento do Espírito Santo, eles se transformariam, espontaneamente, em testemunhas de Jesus, verdadeiros missionários. A evidência de que estamos cheios do Espírito Santo não é outra. A ação missionária é inevitável na vida de quem tem a plenitude do Espírito. Isto implica que todo aquele que teve uma experiência pessoal com Cristo, automaticamente torna-se uma testemunha. Jesus Cristo quer que todos os seus seguidores sejam fiéis testemunhas da sua realidade e poder.

Portanto, a missão dos apóstolos de difundir o Evangelho foi a razão principal para a qual o Espírito Santo os capacitou. Se você diz que é cheio do Espírito Santo, mas não faz missões, então você é um mentiroso.

Nos laços do Calvário que nos une,
Rev. Luciano Paes Landim.

Testemunho de Regina Afeya, indígena hixkaryana

Aconteceu assim comigo há muito tempo. Eu nasci em 1971. Naquela época o Desmundo ainda estava aqui. Eu nasci doente. Por isso, Desmundo e Graça, sua esposa, me levaram para a casa deles. A Graça cuidou de mim por três dias e me devolveu para a minha mãe. Por isso, Desmundo dizia assim: “Deus te amou, Afya, por isso, ele te curou, não te deixou morrer. (...) A Graça cuidou de você, por isso, você está bem, pela vontade de Deus. Então, seja de bom comportamento. Ocupe-se com Deus, pois você foi restaurada por Ele”.

Quando eu ainda era menina, o meu pai faleceu, acho que foi em 1983. Ficou só a minha mãe. Assim, eu continuei crescendo, agora sem pai. Agora eles eram como pais pra mim. Desmond sempre vinha para cá e Waraka também me ensinava. Waraka também dizia assim como o Desmundo: “Jesus está voltando para a terra. Por isso, comporte-se bem. Ocupe-se com Deus, creia em Jesus. Esse é o modo correto de vivermos. Faça isso”, ele dizia. Assim, eles me ajudaram quando eu não tinha conhecimento.

Quando eu estava crescendo, o Livro de Deus chegou à nossa aldeia. Depois, eu também recebi o Livro de Deus. Waraka me dizia assim: “Leia o Livro de Deus. Ele é o poder de Deus, a Palavra de Deus. Por isso, leia o Livro de Deus”.

Por isso, eu o lia e ele falava muito bem pra mim. Eu lia o Livro de Deus o tempo todo. Eu vivia com o Livro de Deus no colo, porque o amava. Mas, mesmo agindo daquela forma, eu ainda não havia aceitado a Jesus.

Indo para a igreja eu ouvia sobre a vinda de Jesus. Waraka, Wemko, Warafuru, Mahxawa e outros pregavam e, por causa deles, eu passei a entender. Eles contavam que aqueles que aceitassem a Jesus iriam para o céu. “Lá há uma cidade chamada Jerusalém. É uma cidade sem defeito, para aqueles que tiverem aceitado a Jesus e viverão para sempre”, eles diziam.

Por isso, eu passei a pensar em aceitar a Jesus, mas eu tinha medo. Eu pensava em ir até Waraka dizer que eu queria aceitar a Jesus, mas eu não ia. Até que eu decidi de vez. Fui até Waraka e ele me disse para aceitar Jesus. Assim, eu aceitei a Jesus quando ainda era solteira. Logo em seguida, Deus me mostrou meu marido. Nós nos casamos e, logo depois de casarmos, eu me batizei e meu esposo se batizou também.

Foi assim que aconteceu comigo. Eu ouvi sobre Jesus e aquilo me alegrou, por isso, eu o aceitei.

Depois de bastante tempo, Deus nos chamou para trabalharmos como cantores. Depois, eu adoeci e acabei deixando de ser cantora. Depois, Deus me restaurou. Eu pensei que iria morrer, mas Deus me restaurou. Ele não me deixou morrer, mas preferiu que continuasse O servindo. Logo depois, Deus chamou meu esposo e eu para sermos pregadores da Sua Palavra, para cuidarmos de seus servos.

Depois, quando Desmundo já estava velho, ele me convidou para ajudá-lo no trabalho de tradução, para corrigir a tradução. Depois ele convidou meu esposo também e nós passamos a trabalhar juntos.

Eu trabalhei pouco tempo com o Desmundo e depois ele faleceu. Hoje nós ainda estamos trabalhando na tradução, agora com a Maria, que Deus escolheu para ficar no lugar do Desmundo.

Foi assim que Deus mostrou amor e misericórdia por mim. Era isso que eu queria contar. Por enquanto é só.

Observação: Afya é esposa do pastor Carlos Abraão e os dois trabalham juntos na equipe indígena de tradução da Bíblia para o povo Hixkaryana.

Link: http://novastribosdobrasil.org.br/conteudo/item/177-testemunho-de-regina-afeya-indigena-hixkaryana

Pastor Yousef agradece as orações que o soltaram da prisão

23 set 2012Irã

“Não a nós, Senhor, nenhuma glória para nós, mas sim ao teu nome, por teu amor e por tua fidelidade!” Salmos 115.1

O pastor Yousef Nadarkhani permaneceu na prisão por quase três anos; lá, sofreu ameaças, inclusive de ser executado, além de diversos outros maus tratos, unicamente por causa de sua fé. A imprensa internacional denunciou o abuso dos direitos humanos no Irã e mobilizou protestos em favor da vida de Yousef.

Durante todo esse tempo, muita coisa aconteceu e o pastor passou por diversas situações que o levariam a desistir de sua vida com Deus, não fosse a certeza e segurança de que o Senhor estava ao seu lado, o protegendo e cuidando de sua família. Ele nunca negou a Jesus e sua fé, coragem e amor foram honrados.

No dia 8 de setembro, em um julgamento coberto de orações de cristãos espalhados por todo o mundo, ele foi solto e inocentado da acusação de apostasia. Na semana passada, foi publicada uma carta de sua autoria, em agradecimento a todos que intercederam por sua libertação. Confira abaixo:

“Eu glorifico e rendo graças ao Senhor de todo o meu coração. Sou grato por todas as bênçãos que Ele me deu durante toda a minha vida. Sou especialmente grato por Sua bondade e proteção divina durante a época da minha detenção.

Eu também quero expressar a minha gratidão para com aqueles que, em todo o mundo, têm trabalhado pela minha causa, ou devo dizer à causa que eu defendo. Quero expressar a minha gratidão a todos aqueles que me apoiaram, abertamente ou em completo sigilo. Todos vocês estão guardados em meu coração. Que o Senhor os abençoe e lhes dê a Sua Graça perfeita e soberana.

Na verdade, eu fui posto à prova, o teste de fé que, de acordo com as Escrituras, é “mais preciosa do que o ouro perecível”. Mas eu nunca me senti só; eu estava o tempo todo consciente do fato de que não era uma luta solitária, pois eu senti toda a energia e apoio daqueles que obedeceram a sua consciência e lutaram para a promoção da justiça e dos direitos de todos os seres humanos. Graças a estes esforços, tenho agora a enorme alegria de estar com minha esposa maravilhosa e meus filhos. Sou grato a essas pessoas, através das quais, Deus tem trabalhado. Tudo isso é muito encorajador.

Durante esse período, tive a oportunidade de experimentar, de forma maravilhosa, a Palavra que diz: "Pois assim como os sofrimentos de Cristo transbordam sobre nós, também por meio de Cristo transborda a nossa consolação.” (2 Coríntios 1.5). O Senhor confortou a minha família e deu-lhes os meios para enfrentar essa situação tão difícil. Em sua graça, Ele providenciou suas necessidades espirituais e materiais, tirando de mim um peso muito grande.

Mesmo durante o julgamento, o Senhor se fez maravilhosamente presente, permitindo-me enfrentar os desafios que estavam à minha frente. Como está escrito na Bíblia: "Ele não permitirá que sejamos tentados além do que podemos suportar.” (1 Coríntios 10:13).

Apesar de eu ter sido considerado culpado de apostasia, de acordo com uma leitura da Sharia, agradeço a Deus, que deu sabedoria aos líderes do país para quebrar esse julgamento, levando em conta outros fatores. É óbvio que os defensores do direito iraniano e os juristas têm realizado um esforço importante para fazer cumprir a legislação; eu quero agradecer a todos aqueles que defenderam os direitos humanos até o fim.

Estou feliz de viver em uma época em que podemos ter um olhar crítico e construtivo para o passado. Isto permitiu a escrita de textos universais visando a promoção dos direitos humanos. Hoje, somos devedores desses esforços prestados por pessoas queridas que já trabalharam em favor do respeito à dignidade humana e passaram para nós estas declarações universais tão significativas.

Eu também sou devedor daqueles que, fielmente, viveram a Palavra de Deus, para que a própria Palavra nos fizesse herdeiros de Cristo.

Antes de finalizar, quero pedir uma oração pelo estabelecimento de uma paz sem fim e universal, de modo que seja feita a vontade do Pai, assim na terra como no céu. Verdadeiramente, tudo passa, mas a Palavra de Deus, fonte de toda a paz, perdurará eternamente.

Que a graça e a misericórdia de Deus sejam multiplicadas sobre cada um. Amém!”

Yousef Nadarkhani

Toda glória e honra e louvor sejam dados ao Senhor Jesus!

Fonte: CSW
Tradução: Ana Luíza Vastag

Link: http://www.portasabertas.org.br/noticias/2012/09/1819835/

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Biografia cronológica de João Calvino

10/07/1509 Nascimento de João Calvino, Noyon, norte da França.
1510 Lutero viaja a Roma para tratar de assuntos de sua ordem agostiniana.
1511 Lutero se muda para Wittenberg.
1512 Lutero recebe o grau de doutor e inicia conferências teológicas em Wittenberg.
1514-17 Bíblia Poliglota Complutense (publicada somente em 1522).
1515 Conferências de Lutero sobre as epístolas de São Paulo aos Romanos.
1516 Publicação do Novo Testamento de Erasmo em grego e de uma tradução original em latim Novum Instrumentum.
31/10/1517 Lutero “afixa” ou “remete” as 95 Teses.
4-5/1518 Debate em Heidelberg: Lutero defende sua teologia numa reunião do Capítulo da Ordem Agostiniana. Em Outubro, Lutero encontra o cardeal Cajetan em Ausburg.
7/1519 Debate de Leipzip, inclusive entre Lutero e Johann Eck. Em 1 de janeiro Uldrich Zwinglio inicia o seu ministério na Gross Münster de Zurique.
1520 (15 de junho) Lutero ameaçado de excomunhão na bula papal Exsurge Domine. (agosto-setembro) Lutero publica Carta à Nobreza Cristã da Nação Germânica e Prelúdio ao Cativeiro Babilônio da Igreja. (novembro) Tratado Da Liberdade Cristã de Lutero. (dezembro) Queima da bula Exsurge Domine e da lei canônica em Wittenberg.
1521 (janeiro) Excomunhão de Lutero formalmente proclamada na bula Decet Romanum Pontificem. (abril) Dieta de Worms. (maio) Lutero levado a Wartburg onde permanece até março de 1522 e onde traduz o Novo Testamento. Henrique VIII escreve Assertio septem sacramentorum e recebe o título de Defensor da Fé outorgado pelo papa Leão X.
1522-23 Experiências religiosas de Inácio de Loyola em Manresa (próximo a Barcelona) das quais se originam seus Exercícios Espirituais.
1523 Lutero escreve Autoridade Secular: Até que Ponto Deve Ser Obedecida. Martinho Buccer inicia seu ministério em Estrasburgo (e com ele Wolfgang Capito e Caspar Hedio, reunidos a Matthias Zell). (janeiro) Primeiro debate público sobre a Reforma em Zurique. (outubro) Segundo debate público em Zurique, que leva à remoção de imagens das igrejas (junho de 1524). Gustavo Vasa inicia seu reinado e um longo processo de reforma na Suécia.
1523-25 Início do movimento anabatista em Zurique.
1524-25 Guerra dos Camponeses.
1525 (abril) Fim da missa em Zurique. (junho) Lutero se casa com Katharine Von Bora.
1526 Impressão em Worms da tradução do Novo Testamento para o inglês, feita por Wiliam Tyndale.
Genebra começa a libertar-se do domínio da Savóia, entrando em aliança e dependência de Berna.
1527 Saque de Roma. A Confissão de Schleitheim procura unir os primeiros anabatistas contra “papistas e antipapistas.”
1528 (janeiro) Debate público em Berna, que leva à adoção da Reforma seguindo as linhas de Zurique. Fundação da ordem dos Capuchinhos (franciscanos reformados).
1529 Distúrbios iconoclastas em Basiléia. Abolição da missa em Estrasburgo. O chamado Parlamento da Reforma se reúne na Inglaterra (março-abril); (segunda) Dieta de Worms ordena a observância do Édito de Worms. (julho) O protesto dos grupos evangélicos dá origem ao termo “protestantes.” Colóquio de Marburgo; Lutero insiste em hoc est corpus meum e se recusa a reconciliar-se com os Zwinglianos e os habitantes de Estrasburgo.
1530 Dieta de Augsburgo; preparação da Confissão de Augsburgo por Filipe Melanchthon e sua apresentação à Dieta.
1531 Formação da Liga de Schmalkalden. Segunda eclosão da guerra intercantonal na Suíça; batalha de Kapel (11 de outubro) na qual Zwinglio morre; substituição de Zwinglio como antistes por Heinrich Bullinger.
1533 Nomeação de Thomas Cranmer como arcebispo de Canterbury; Lei de Restrição de Apelações, “este reino da Inglaterra é um império.” Cranmer declara a nulidade do casamento de Henrique VIII com Catarina de Aragão e coroa Ana Bolena como rainha.
1534 Lei de Supremacia, que reconhece Henrique VIII como chefe supremo da Igreja da Inglaterra. Restauração do duque Ulrich no ducado de Württemberg e introdução da reforma no sul da Alemanha. Eleição de Alessandro Farnese como papa Paulo III, reformador pouco provável. Caso dos placards em Paris leva à polarização religiosa na França e à emigração de Calvino.
1534-35 Governo anabatista em Münster.
1535 Execução de Sir Thomas More. Publicação da primeira Bíblia completa impressa em inglês.
1536 Primeira edição das Institutas, de Calvino, em Basiléia. (maio) Genebra se compromete a viver “segundo a santa lei do Evangelho.” (julho) Calvino chega a Genebra e é forçado a ficar por Guillaume Farel.
1536-40 Dissolução progressiva dos mosteiros ingleses.
1537 Calvino apresenta aos magistrados de Genebra a primeira versão de seus Regulamentos Eclesiásticos. Apresentação do Consilium de Emendada Ecclesia a Paulo III. Introdução da Reforma henriquina na Irlanda. Implementação oficial da reforma Luterana na Dinamarca no reinado Cristiano III.
1538 Expulsão de Calvino e Farel de Genebra; Calvino se retira para Estrasburgo.
1539 Publicação da segunda edição ampliada dos Institutos, de Calvino, em Estrasburgo. Publicação na Inglaterra da Grande Bíblia oficialmente autorizada.
1539-40 Reação religiosa na Inglaterra: Lei dos Seis Artigos e execução do ministro reformador de Henrique VIII, Thomas Cromwell
1540 Publicação em Veneza do Trattato utilissimo del Beneficio di Jesu Christo crocifisso. Fundação da Sociedade de Jesus (jesuítas) pela bula papal Regimini militastes Eclesiais.
1541 Dieta de Regensburg, discussões teológicas entre luteranos e o cardeal Contarini; quase-acordo sobre a doutrina da redenção. A tradução da edição francesa das Institutas de Calvino, a Institution de la Religion Chrestienne.
1541-42 Regresso de Calvino a Genebra (setembro de 1541) e estabelecimento da ordem calvinista da igreja (Regulamentos Eclesiásticos, novembro de 1541).
1542 Estabelecimento da Inquisição Romana pela bula papal Licet ab initio.
1545 (dezembro) Abertura do Concílio de Trento.
1546-47 Guerra de Schmalkalden.
1547 (abril) Transferência do Concílio para Bolonha. Ascensão de Eduardo VI e inauguração de um regime protestante na Inglaterra.
1548 Interinidade Imperial (ou de Augsburg).
1549 Negociação do Concensus Tigurinus entre Calvino e Bullinger reúne Genebra e Zurique, especialmente quanto à doutrina da Eucaristia. Primeiro Livro Inglês de Orações; rebelião do Livro de Orações no oeste da Inglaterra.
1551-52 Segunda sessão do Concílio de Trento.
1552 Segundo Livro Inglês de Orações (mais radicalmente reformado).
1553 Ascensão de Mary Tudor ao trono da Inglaterra. Execução de Michael Servetus na fogueira em Genebra.
1555 Paz religiosa de Augsburg—cuius regio, eius religio. Derrocada da facção perrinista e outros adversários de Calvino em Genebra. Primeiros pastores treinados em Genebra seguem para a França.
Eleição de Gian Pietro Carafa como papa Paulo V. Governo de Mary começa a executar hereges na fogueira na Inglaterra (arcebispo Cranmer queimado em Oxford, 1556).
1558 (novembro) Ascensão de Elizabeth I da Inglaterra.
1559 Fundação da Academia de Genebra. Solução religiosa elizabetana na Inglaterra, também, em vigor por lei na Irlanda. (março) Primeiro sínodo nacional das igrejas francesas reformadas, em Paris. Index de livros proibidos.
1559-60 Edições definitivas dos Institutos de Calvino em latim e em francês.
1560 Revolução na Escócia; criação de uma igreja reformada. O Tratado de Edimburgo põe fim ao controle francês sobre a Escócia, preserva a Reforma escocesa e abre caminho para maior “amizade” com a Inglaterra.
1562 Eclosão da primeira das guerras de religião na França.
1562-63 Terceira e última sessão do Concílio de Trento.
1563 Catecismo de Heidelberg marca o estabelecimento do Calvinismo no Palatinado da Renânia pelo Eleitor Frederico III.
1564 A morte de Calvino e sucessão de Théodore de Bèze como moderador da Companhia dos Pastores de Genebra.

Link: http://doutrinacalvinista.blogspot.com.br/2012/02/biografia-cronologica-de-joao-calvino.html

domingo, 16 de setembro de 2012

Líder cristão chora após islâmicos fecharem Igreja na Indonésia

16 set 2012 Indonésia

Ministro, prefeito e islâmicos decidem expulsar a comunidade protestante, apesar das licenças regulares e um acordo do Tribunal Constitucional autorizarem o funcionamento da Igreja Yasmin. Líderes locais acusam o ministro do Interior de provocar a situação. Demais Igrejas da Indonésia e ativistas de direitos humanos prestaram queixa à polícia

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"É uma vergonha", denuncia Sigalingging Bona, porta-voz da Igreja Yasmin GKI, reagindo à reunião a portas fechadas entre o ministro de Assuntos Internos da Indonésia, os líderes da cidade de Bogor, Java Ocidental, e o líder de um movimento extremista islâmico. O encontro resultou na expulsão da comunidade protestante de seu lugar de adoração, apesar de as licenças de construção estarem regulares e um acordo do Tribunal Constitucional permitir o funcionamento da mesma. Em resposta, líderes do movimento cristão apresentaram uma queixa formal aos tribunais, contra a administração local do prefeito Diani Budiarto.

Essa reunião decisiva foi realizada em 8 de setembro, onde estavam presentes Gamawan Fauzi, Ministro do Interior, Iman Ahmad, chefe do grupo extremista islâmico Forkami e o prefeito de Bogor, Diani Budiarto. A decisão do ministro causou confusão dentro da comunidade cristã que, além de não participar da mesa de negociações, teve de suportar, passivamente, a vontade de ambas as partes - administração local e movimento extremista Forkami - que mais do que qualquer outro tem, nos últimos meses, "perseguido " a minoria religiosa no país.

Entrevistado pela agência AsiaNews, Sigalingging Bona, porta-voz da igreja, afirmou que a decisão de convidar o líder do Forkami foi "vergonhosa". Este é um "grupo islâmico radical conhecido por alimentar a tensão local. Eles conseguiram limitar as atividades de nossa igreja à força", disse. Segundo membros da congregação, impedir a realização dos cultos é uma atitude contrária ao acordo do Tribunal Constitucional; por isso, eles apresentaram uma queixa à polícia. Este último recurso à justiça é suportado pelo Sínodo das Igrejas Indonésias (IGP, sigla em inglês) e pelo Working Group on Human Rights, que condena a "face dupla" do governo em termos de liberdade religiosa.

O processo para a construção de uma igreja na Indonésia - católica ou protestante - é bastante complicado; pode-se levar de cinco a dez anos para obter todas as licenças exigidas por lei. O procedimento é regido pela Mendirikan Izin Bangunan (IMB), uma espécie de protocolo escrito emitido pelas autoridades locais, que permite o início das construções. A situação fica mais complicada se for um local de culto cristão: a permissão deve ser obtida a partir de um número de residentes na área onde o edifício será registrado, além da avaliação do grupo local para o Diálogo Inter-Religioso. Mesmo se a permissão for concedida, "razões não especificadas" podem entrar em jogo, o que pode resultar no bloqueio dos projetos. Muitas vezes, isso ocorre após pressão da comunidade muçulmana ou movimentos radicais islâmicos.

No final de maio, os fiéis da Igreja Yasmin comemoraram o Pentecostes, em Jacarta, em frente ao palácio presidencial. Os cristãos se reuniram perto da residência do chefe de Estado da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, porque foram privados de seus lugares de culto. Durante três anos, eles não puderam ir à igreja, que foi selada a mando de autoridades locais.

Fonte: Asia News
Tradução: Ana Luíza Vastag
Link: http://www.portasabertas.org.br/noticias/2012/09/1801814/

sábado, 15 de setembro de 2012

A Igreja Que Queremos Ser


O conteúdo deste artigo foi originalmente proferido pelo autor no Culto de Missões da Igreja Cristã Presbiteriana em São Sebastião/DF, realizado no dia 24 de julho de 2011, com o tema: “Uma Igreja Comprometida Com Missões”. Portanto, o texto é fruto de uma transformação e adaptação do conteúdo para melhor assimilação e identificação. Almejamos colaborar para a conscientização e capacitação missionária da igreja.

Uma igreja comprometida com missões

Necessariamente, devemos avançar urgentemente com o Evangelho, de maneira que abandonemos nosso comodismo e nos desgastemos no campo missionário. Assim, primeiramente, vamos definir as palavras-chaves que formam o subtítulo desta mensagem: “Uma Igreja Comprometida Com Missões”:

O que é igreja? Em 1 Co 11.18 (assembleia, eclésia) não é um edifício ou prédio, mas um ajuntamento, não uma instituição, mas uma entidade orgânica. Em Rm 11.28 (o povo de Deus, igreja) é a vitrine de Deus; quando alguém quiser ver como se comporta um povo em que Deus está presente, deve olhar para a igreja, como ela se comporta na tribulação e aflição, como se comporta na bonança e calmaria, como se comporta em tempos de prosperidade e beleza. Em Gl 6.16 (Israel de Deus, igreja) são aqueles que circuncidaram o coração. Em 1 Co 6.19 (o templo de Deus) quer dizer que nos tornamos o templo onde Deus habita; nós somos a morada de Deus.

O que significa estar comprometido? Estar comprometido com missões é entender missões como o empenho, ou antes, uma graça concedida por Deus à igreja. Uma Ilustração prática para esclarecer o comprometimento da igreja com missões é a seguinte: A galinha chegou ao porco e disse: “Pensei em nós dois contribuirmos para missões”. O porco falou: “Muito bom... Mas de que maneira poderemos cooperar para missões?” A galinha respondeu: “Eu pensei em contribuir com ovos e você com bacon”. O porco disse: “Bem, pra você não será muito difícil, pois botar ovos é uma coisa natural sua, mas para mim terei de ser sacrificado”. A galinha queria envolver-se, porém, o porco iria comprometer-se com missões. Não basta estarmos envolvidos, precisamos estar comprometidos, empenhados e implicados. Missões exigem sacrifícios.

O que é missões? A palavra “missão” vem do latim missio, que significa “envio”. A terminologia missio somente veio aparecer no século XVI quando as ordens de monges jesuítas e carmelitas enviaram ao novo mundo de então centenas de missionários. Eles, os jesuítas, foram os primeiros a utilizarem a terminologia “missão” como a propagação da fé cristã entre os povos não-cristãos, ou seja, a disseminação da fé entre os povos não-católicos (os protestantes foram vistos como indivíduos a serem alcançados). Até o século XVI, o termo “missão”, foi usado exclusivamente com referência à doutrina trinitária, ao papel da Trindade na história da redenção. O envio do Filho pelo Pai, e por sua vez, o envio do Espírito Santo pelo Pai e pelo Filho. Em grego, a palavra apostello, tem o mesmo significado. O termo se encontra bem destacado nas Sagradas Escrituras. No Novo Testamento as duas palavras apostello e pempo, que querem dizer envio, aparecem 210 vezes. Portanto, missões procede do plano e propósito de Deus. De tal modo, missões é tarefa vigente e urgente. É o método que Deus adotou para a divulgação do Evangelho. É urgente porque mais de dois bilhões de seres humanos jamais foram evangelizados e sequer ouviram o nome de Jesus. Portanto, é necessário para a igreja como comunidade missionária e portadora da Palavra, atravessar barreiras culturais para cumprir a sua vocação.

Sendo assim, missões não é uma alternativa da igreja. Não é uma atividade ou programa. Também não é um movimento. Missões é avivamento. É o estilo de vida do povo de Deus: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.19,20). Missões é a evidência da plenitude do Espírito Santo: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8).

O Rev. Hernandes Dias Lopes nos fala sobre três verdades fundamentais acerca da obra missionária:

Primeira verdade: Missões requerem urgência. Quando o presidente John Kennedy, dos Estados Unidos, morreu na cidade de Dallas, o mundo ficou sabendo do fato em apenas 14 minutos e meio. Jesus Cristo morreu pelos pecados do mundo há 2000 anos, e o mundo ainda não sabe desse fato. É necessário compreender missões como uma obra urgente.

Segunda verdade: A igreja contemporânea está notoriamente acomodada. Necessitamos urgentemente de um avivamento para sermos inflamados pelo poder do Espírito Santo e sairmos pelos quatro cantos da Terra levando o Evangelho.

Terceira verdade: Precisamos gastar as solas dos nossos sapatos mais do que os assentos dos nossos bancos. O crente cheio do Espírito Santo é dinâmico. Não fica acomodado. Ele sai para pregar a salvação em Jesus Cristo para a glória de Deus.
Quando se fala sobre o tema da missão da igreja, surgem algumas perguntas: O que é uma igreja comprometida com missões? Quais são as suas características?

Meditemos nestas poucas palavras sobre alguns atributos de uma igreja, não somente envolvida, mas comprometida com missões para a glória de Deus:

Primeiro, uma igreja comprometida com missões é uma igreja alicerçada na Palavra de Deus. O versículo 42 diz: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos...”. A Palavra de Deus é o conteúdo fundamental e exclusivo para o desenvolvimento e amadurecimento espiritual da igreja. É a verdade de Deus revelada aos apóstolos:

1. Tudo o que Jesus ensinara.
2. O Evangelho: morte e ressurreição de Jesus.

John Stott afirmou: “Toda a Escritura prega o evangelho. Deus evangeliza por meio dela”. A Bíblia é o clamor de Deus em linguagem humana. Todas as doutrinas e ensinos estranhos à Escritura devem ser recusados. Os reformadores reafirmaram a superioridade da Escritura sobre a tradição. “A Escritura é a escola do Espírito Santo na qual nem se tem deixado de pôr coisa alguma necessária e útil de conhecer, nem se ensina mais do que é preciso saber” (João Calvino).

Toda a Escritura é inspirada por Deus. Ela não é fruto da lucubração humana, mas da revelação divina. Nenhum homem ou igreja tem autoridade para adicionar a ela coisa alguma ou dela remover sequer uma palavra.

A Bíblia é a nossa suprema autoridade em questão de fé e prática. Nenhum dogma, conhecimento ou experiência pode ser acolhido se não contiver embasamento na Palavra de Deus. A Bíblia não tem uma opinião ou uma palavra sobre os pontos essenciais que aborda, mas a verdade última, final e absoluta.

A Bíblia não contém erros. Ela é infalível e indefectível em sua mensagem e inerrante em seu conteúdo. O Senhor Jesus foi determinante quando afirmou: “... a Escritura não pode falhar” (Jo 10.35).

A Bíblia é também definitivamente suficiente para nos doutrinar, exortar e prover para conhecermos a vontade de Deus e obedecê-la. Procurar outros meios fora da Escritura, como profecias, revelações, sonhos e visões, está em completo desacordo com o ensino da própria Escritura. Não podemos acolher a autoridade da Bíblia e ao mesmo momento corrermos atrás de outras fontes para conhecermos o que Deus tem para nós. Deste modo, devemos meditar (Js 1.8), praticar (Mt 7.24-27) e pregar a Palavra de Deus (Mt 28.19-20).

Uma igreja comprometida com missões é antes de qualquer coisa uma igreja bíblica, uma igreja fundamentada somente na Escritura e em toda a Escritura.

Segundo, uma igreja comprometida com missões é uma igreja que tem comunhão. Os versículos 42, 44 e 46 dizem: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração”. Aqui fica claro o convívio coletivo dos crentes na adoração. Significa parceria e compartilhamento. Uma das características da igreja primitiva era a comunhão. Comunhão significa “compartilhar ou ter tudo em comum”. Na caminhada da fé cristã a comunhão está profundamente ligada. Não existe divórcio nem dicotomia entre fé cristã e comunhão. A comunhão sem caminhada cristã, ou caminhada cristã sem comunhão deixa de ser koinonia para ser koinonite . A comunhão anda de mãos juntas com a jornada cristã. É uma condição indispensável para caminhar com eficiência e eficácia. A nossa comunhão com Deus depende muito de nossa comunhão com o próximo. A Bíblia diz que para recebermos o perdão de Deus, antes, precisamos perdoar o nosso próximo: “se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mateus 6.15). As Escrituras Sagradas também afirmam que para Deus aceitar a nossa oferta é preciso antes reconciliarmo-nos com o nosso irmão: “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta” (Mateus 5.23,24). Isto nos ensina que a verdadeira religião tem forte base na direção horizontal: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tiago 1.27).
Comunhão é mais que bolo e café. É mais que sentarmos juntos e tomarmos uma refeição. É viver a transparência do Evangelho. É ser verdadeiro com o próximo. É saber que nossas diferenças representam a multiforme sabedoria de Deus que nos complementam uns aos outros. Nossas diferenças não devem nos dividir, mas nos integrar em prol da evangelização dos perdidos . Comunhão é mais do que compartilhar o que temos. É compartilhar o que somos. Comunhão é perseverar em buscar ser amigo dos nossos inimigos. É virar a outra face. É compartilhar a vida, a esperança, o perdão e o amor. Comunhão é insistir em partilhar o pão, não ter apenas momentos de caridade. É perseverar juntos na oração. É termos um só pensamento e um só coração. Devemos buscar a unidade: quando meia dúzia de laranjas está dentro de um saco há união e quando se faz suco com as laranjas há unidade.
Só é possível ser uma igreja comprometida com missões através da comunhão com Deus e com os irmãos. Necessitamos tomar cuidado para não perder a sensibilidade da parceria, do companheirismo e da amizade de Deus, porque operando assim jamais temeremos coisa nenhuma. A igreja deve preservar a sua unidade e cada cristão precisa fazer a sua parte, para que as boas novas sejam levadas a todas as nações. Não podemos continuar esquentando os bancos de nossas igrejas. Devemos pedir ao Deus Missionário para que acenda o nosso coração por missões.

Terceiro, uma igreja comprometida com missões é uma igreja que parte o pão. Voltemos aos versículos 42,44 e 46: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração”. Esses versículos referem-se à mesa do Senhor ou comunhão que é obrigatória para todos os cristãos (1Co 11.24-29), às refeições periódicas que eram compartilhadas nos lares, como o próprio versículo 46 trata a vida diária dos cristãos. Em At 4.34,45 fala-se de compartilhar de modo voluntário, provendo para os que não tinham o essencial para viver . A comunhão e o compartilhar da igreja primitiva são obras do Espírito Santo. Quando o Texto Sagrado diz “tinham tudo em comum”, John MacArthur interpreta assim: “Essa frase não quer dizer que os cristãos primitivos viviam em comunidade ou associação e redistribuíam tudo em igualdade, mas que eles mantinham suas posses sem estarem presos às mesmas, estando dispostos a usá-las a qualquer momento a favor de alguém, à medida que as necessidades surgissem”. Ou seja, quando a Bíblia diz “partiam o pão de casa em casa”, tem a ver com as provisões diárias que os crentes dividiam entre si. Numa igreja em que se vive missões como estilo de vida, o partir o pão é coisa natural e deleitosa, porém, substancialmente, sacrificial.

Quarto, uma igreja comprometida com missões é uma igreja que busca a Deus em oração. O versículo 42 fala: “E perseveravam na doutrina... e nas orações.” A oração bíblica nos orienta a tomar decisões importantes na obra missionária e em tudo na vida. Ela promove comunhão na igreja: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At 2.42, grifo nosso). A oração é a marca distintiva da igreja missional. Devemos orar e clamar a Deus por avivamento. A oração é um meio para enfrentar a perseguição. Em At 12.1 diz: “Por aquele tempo, mandou o rei Herodes prender alguns da igreja para os maltratar.” No versículo 5 diz que enquanto o apóstolo Pedro estava aguardando o seu martírio: “... havia oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele.” Toda igreja que faz missões passa por perseguição. Todavia, a perseguição não é capaz de acorrentar o avanço da obra missionária, pelo contrário, a obra de Deus avança mais ainda. David Bryant narra um caso de um cristão da Índia, membro de um movimento indiano nativo, que lhe apresentou um contraste entre a maioria das pessoas em seu país (onde existem milhões que nunca ouviram falar uma única vez de Cristo) e as dos Estados Unidos: “Nos Estados Unidos você têm trevas, mas na Índia nós temos trevas profundas”. Para adentrarmos em lugar assim é preciso orar com objetividade crendo no poder do Espírito Santo para abrir as portas através da pregação do Evangelho. Sem oração o trabalho missionário é fraco. A igreja deve prover oração constante e consistente para o sustento da obra missionária. Alguém disse: “O corajoso é o medroso que acabou de orar”. Falta-nos oração. Falta o fervor que moveu a igreja no passado. A oração é o oxigênio na vida da igreja. Uma igreja comprometida com missões cultiva a oração individual e coletiva. A igreja missional só avança de joelhos, em oração. Nada substitui a oração.

Quinto, uma igreja comprometida com missões é uma igreja que oferta para o sustento da obra missionária. Alguém disse que os jovens gastam mais com refrigerantes do que com a obra missionária, que as mulheres gastam mais com cosméticos do que com a obra missionária, que os homens gastam mais com sua bebida preferida ou seu esporte favorito do que com a obra missionária e que muitos gastam mais com o veterinário do seu cãozinho de estimação do que com a obra missionária. A dificuldade missionária da igreja não é carência de recursos, mas de uma mordomia, administração, certa dos recursos financeiros dados pelo Senhor. O versículo 45 diz: “Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade”. Eles não juntaram seus recursos, mas venderam suas posses. Isto significa compartilhar de modo voluntário. Os cristãos estavam unidos ao Espírito, assim, permaneciam alerta às necessidades físicas dos outros e voluntariamente (At 4.34 e 5.4) contribuíam para satisfazê-las (4.32 ). Deus é tão gracioso que quando a igreja vive em obediência missionária, investindo em missões, providencia os recursos materiais necessários: “Recebi tudo e tenho abundância; estou suprido, desde que Epafrodito me passou às mãos o que me veio de vossa parte como aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus. E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades. Ora, a nosso Deus e Pai seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (Fp 4.18-20). Assim, Paulo demonstra que o poder que atua com eficiência na igreja é o poder do Espírito Santo e não do dinheiro. Aqui está um alerta: Deus julga nossas ofertas pela nossa motivação e não pela soma ofertada. Portanto, tenhamos cuidado com a maneira como ofertamos a Deus (At 5.1-11). A Bíblia diz que a contribuição não é um peso, mas uma graça. Graça é um dom imerecido: “Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus concedida às igrejas da Macedônia” (2Co 8.1). A contribuição não é somente alguma coisa que apresentamos a Deus, porém, principalmente, uma graça que Deus concede a nós. Deus nos dá o privilégio de sermos parceiros no grande projeto de evangelização do mundo e assistência aos santos. Dinheiro na igreja, portanto, não pode substituir o poder de Deus, deve vir em resposta a ele. Os missionários do passado foram homens e mulheres que largaram tudo e saíram pelo mundo, errantes, sem saber para onde iam, mas convictos de que foram comissionados por Aquele que tem todo o poder no céu e na Terra. Com os missionários do passado aprendemos que não devemos esperar por circunstâncias ideais para fazer a obra de Deus, pelo contrário, não podemos depender das circunstâncias para realizar a obra de Deus, mas Daquele que dirige o Universo. Assim, quando a igreja se encontra em chamas pelo evangelismo, a liberalidade se manifesta e surgem recursos suficientes para o sustento de obreiros e o envio de missionários para outros países.

Sexto, uma igreja comprometida com missões é uma igreja alegre e singela. O versículo 46 diz: “... partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração”. Singeleza é o mesmo que sinceridade, generosidade e franqueza. A grande alegria que marca estes encontros era, sem dúvida, movida pelo Espírito (At 13.52 ) e talvez se associasse com a convicção de que o Senhor Jesus estava presente com eles (At 14.3 ). A igreja de Jerusalém era uma igreja alegre porque centralizava-se em Jesus Cristo. A alegria deve ser o estado de ânimo do crente. O Senhor é a nossa alegria. Uma igreja alegre, amável e singela é uma igreja que sabe que existe somente um sistema que pode resolver o problema da humanidade: a pregação pura e simples do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Uma igreja amável e simples é a igreja que queremos ser. Somente uma igreja comprometida com missões é alegre e singela.

Sétimo, uma igreja comprometida com missões é uma igreja que cresce numericamente. O versículo 47 diz: “louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos”. A salvação é uma obra soberana de Deus. A igreja não salva. Somente Jesus salva. Ele é quem acrescenta pessoas à igreja. Entretanto, por mais que a atividade esteja centralizada na atividade divina na salvação, sabe-se que “aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação” (1Co 1.21). Portanto, não se pode negar que o evangelismo era parte integral da vida da igreja primitiva, sendo que isto acontecia diariamente. Segue-se, então, que a proclamação da verdade na igreja primitiva era parte fundamental da vitalidade da igreja de Cristo, assim como todas as características já mencionadas. Um exemplo profundo de missionário no período apostólico é o de Paulo. Ele era um homem que tinha um objetivo claro na vida, uma paixão que permeava suas entranhas e o impelia a avançar, não importando os obstáculos: anunciar a Cristo como único Senhor e Salvador. O apóstolo Paulo tinha uma santa obsessão de evangelizar. Falta-nos esse ardor missionário no evangelismo. Uma igreja comprometida com missões é uma igreja que entende a evangelização como a natureza e estilo de vida do povo de Deus. Não como uma atividade ou um departamento eclesiástico, mas, como a filosofia de vida da igreja. Assim, não podemos substituir o ir por pagar, orar, ou por qualquer outra coisa. Devemos interpretar o ir como ir mesmo (Mc 16.15) . Não podemos ficar parados onde estamos. Precisamos sair de nossa zona de conforto e semear a Palavra que transforma vidas. Alguém que se diz ser crente, mas que não prega o Evangelho está fugindo de sua responsabilidade perante Deus, ou pior, tem um forte indício de que ainda não experimentou o novo nascimento. Na verdade, Ele ainda é um campo missionário. Não é digno de ser chamado de cristão. Assim, devemos pregar onde quer que haja um homem em trevas espirituais.
Assim sendo, na obra missionária devemos estar prontos para dar a nossa vida, sem nos preocuparmos com os holofotes, para que os perdidos sejam alcançados pelo Evangelho para a glória de Deus. Missões existem para a glória do Senhor do Universo.

Aqui fica uma pergunta: o que eu devo fazer por missões?

Devo pregar fiel e incansavelmente o Evangelho para a glória de Deus, para a edificação da igreja e para a salvação dos perdidos: “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!” (1Co 9.16) e “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação” (1Co 1.21).

Devo orar para que o Senhor da seara levante trabalhadores para a sua seara: “E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt 9.37,38).

Devo ofertar liberadamente para o sustento da obra missionária: “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria” (2Co 9.7).

Tudo isso de maneira simultânea. Não podemos institucionalizar o mandamento de Jesus. Ou seja, alguns cristãos pensam que se alguém não pode ir, pode fazer missões contribuindo ou orando. Alguns aproveitam para usar isso como desculpa para não ir. Em momento algum a Bíblia oferece três opções para o cristão escolher uma: orar, contribuir ou ir. Pelo contrário, são três tarefas que devem ser efetuadas por todos nós. Não podemos escolher uma. Na obra de Deus não temos alternativa. Fomos chamados para ir, e enquanto estamos indo, devemos orar e contribuir.

Portanto, uma igreja missional é uma igreja que faz discípulos para Cristo para a glória de Deus. A igreja comprometida com missões gera pessoas mais parecidas com o caráter de Jesus. Afinal, o mundo clama por uma igreja assim: uma igreja alicerçada na Palavra de Deus, que tem comunhão, que parte o pão, que busca a Deus em oração, que oferta para o sustento da obra missionária, que é alegre e singela e que cresce numericamente. Essa é a igreja que queremos ser: uma igreja comprometida com missões.
Que o nome e a glória de Cristo sejam sempre o nosso alvo, o avanço do Reino de Deus a nossa finalidade, a intimidade com Deus nossa motivação, e as dificuldades e lutas, degraus que nos aproximem cada vez mais do Senhor das missões.

Nos laços do Calvário que nos une,
Rev. Luciano Paes Landim.

Pontos Para Discussão:
1. Como você define missões?
2. A igreja da qual você faz parte pratica missões para a glória de Deus como seu propósito existencial?
3. Como é a igreja dos seus sonhos?
4. O autor cita João Calvino: “A Escritura é a escola do Espírito Santo na qual nem se tem deixado de pôr coisa alguma necessária e útil de conhecer, nem se ensina mais do que é preciso saber”. O que você entende por isso?
5. O que é uma igreja comprometida com missões?
6. O que devemos fazer por missões?
7. Poderia destacar alguns ensinamentos adquiridos na leitura deste livreto?
8. Dentre estes qual você destacaria como o principal? Por quê?
9. Gostaria de descrever alguma experiência sobre este assunto?

Bibliografia
Bíblia de Estudo de Genebra. Edição Revista e Ampliada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.
Bíblia de Estudo MacArthur. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.
Bíblia de Estudo NTLH. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.
Bíblia de Estudo NVI, org. geral Kenneth Barker. São Paulo, SP: Editora Vida, 2003.
Bíblia Shedd, ed. responsável Russel Shedd. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 2009.
Casimiro, Arival Dias. (2009). Plante Igrejas: princípios bíblicos para plantação e revitalização de igrejas. Santa Bárbara d’Oeste, SP: SOCEP Editora
Nasser, Antonio C. (2004). A Igreja Apaixonada Por Missões. São Paulo, SP: Abba Press.
Queiroz, Edison. (1998). Administrar Missões. São Paulo, SP: Vida Nova.
_____________ (2009). A Igreja Local e Missões. São Paulo, SP: Vida Nova.
Revista Educação Cristã. (Volume X). A Igreja Local e Missões. Santa Bárbara D’Oeste, SP: SOCEP.
Winter, Ralph D. & Hawthorne, Steven C & Bradford, Kevin D. (Editores). (2009). Perspectivas no Movimento Cristão Mundial. São Paulo, SP: Vida Nova.

Mudança de liderança na China. O que isso significa para a Igreja?

15 set 2012 China

Neste mês de outubro, durante o 18º Congresso Nacional do Partido Comunista, pela primeira vez, em dez anos, a China vai submeter o país à mudança de liderança. Durante o congresso, em Pequim, sete dos nove membros do Comitê Permanente de Politburo (PSC) serão substituídos, incluindo o presidente Hu Jintao e o premiê Wen Jiabao. Seus sucessores já foram cuidadosamente selecionados e estão ansiosos para assumir os cargos vagos. Será que é possível esperar transformações políticas importantes em relação à liberdade de perseguição religiosa?

Qualquer estrangeiro viajando por cidades da China, rapidamente se esquecerá do país em que está. Restaurantes e lojas, incluindo marcas que representam tudo o que o capitalismo tem para oferecer, estão despontando por todo o território. Não há restrições de viagem (com exceção de áreas como o Tibete) e os moradores gostam de praticar suas habilidades na língua inglesa com os turistas. A aparência exterior da China está em contraste com o campo político. Um grupo dentro do Partido Comunista decide o curso do país. Ninguém sabe exatamente quem pertence a este grupo, embora seja evidente que todos os membros do CPS fazem parte dele. "São eles que vão eleger os novos líderes", disse Xiao Yun*, diretor da Portas Abertas.

Bloqueio de Pequim
A conferência será realizada em meados de outubro, com a participação de 2.270 delegados de todo o país. É especulado que Xi Jinping e Li Keqiang sejam os sucessores de Hu Jintao e Wen Jiabao, respectivamente, como os dois maiores membros do Comitê Permanente Politburo de outubro/novembro de 2012, e assumam a presidência e o cargo de primeiro-ministro em março de 2013, no Congresso Nacional do Povo.

Yun espera que as Igrejas em toda a China, mas, especialmente, as cerca de três mil Igrejas em Beijing, sejam silenciadas, durante e logo após as reuniões do partido. "Pequim já está sofrendo bloqueio. Ordens de defesa foram emitidas. Centenas de milhares de soldados, policiais, guardas municipais e voluntários da comunidade foram mobilizados. Autoridades de segurança estão patrulhando as ruas, controlando o tráfego de veículos e a busca por insurgentes. As forças armadas estão guardando áreas-chave em Pequim. Assembleias, greves ou qualquer outra manifestação organizada em massa serão proibidas. Por isso, é muito provável que, como no passado, as Igrejas recebam uma carta na qual são convocadas a manterem um perfil tímido de atuação. O que significa: nenhuma atividade fora da Igreja; estrangeiros não devem visitar as reuniões e; encontros de adoração com mais de algumas dezenas de pessoas não são permitidos.”

Essas medidas também foram tomadas em "regiões autônomas” do Tibete e Xinjiang, onde ocorrem diversos protestos públicos (muitas vezes violentos) contra o governo chinês. "Mas, para as Igrejas locais, estas medidas não terão grandes implicações. Os cristãos, entre as minorias religiosas, precisam ser muito sigilosos, de qualquer maneira, porque a sociedade é mais contrária ao cristianismo do que ao governo chinês", explicou Yun.

Sem grandes mudanças

A longo prazo, os líderes da igreja chinesa não esperam grandes mudanças depois da troca da liderança. "Enquanto nós nos comunicamos com o governo, eles nos deixam em paz", expressou um líder de uma Igreja não registrada. "Todos os contatos da Portas Abertas nos dão esta mensagem", acrescenta Yun. "Os líderes do Partido Comunista não são democratas. Eles querem permanecer no poder, mesmo após ter deixado sua posição oficial. Isso significa que a escolha de seus sucessores é feita com base nesse pensamento.

Esse caminho conduz o país às novas políticas de fortalecimento da economia, medidas contra a corrupção e, provavelmente também, em pequena escala, reformas políticas. "Quando você olha para a China durante um período de dez anos, vai perceber as mudanças drásticas, mas de ano para ano, as mudanças não são tão grandes", diz Yun. "Por enquanto, a Igreja chinesa espera poder continuar crescendo em tamanho e em profundidade. O governo deve manter tudo sob controle, isso é certo, mas a opressão severa é algo do passado. Eu gosto de dizer que o governo está melhorando. Por outro lado, ainda há alguns cristãos na prisão por causa de sua fé e muitos ainda sendo perseguidos pela sociedade e, por vezes, pelo próprio governo".

Fonte: Portas Abertas Internacional
Tradução: Ana Luíza Vastag

Link: http://www.portasabertas.org.br/noticias/2012/09/1801792/

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Testemunho do indígena Wem Caramain - Pacaas Novos


Depois de sermos contatados pelos missionários [o povo de Deus]. Eu fiquei de aldeia em aldeia. Fui morar na aldeia Laje por um tempo. Lá o missionário Abraão me falou sobre Deus. Eu não entendi muito bem o que ouvi sobre Deus, pois nunca tinha ouvido nada sobre Ele. Então fui para uma outra aldeia chamada Sagarana e lá não ouvi mais nada sobre Deus. No Sagarana uma aldeia onde eram ensinados os costumes católicos eu passei a imitar o que era ensinado lá. Lá eu passei a adorar imagens e fazer tudo o que os padres ensinavam. Lá eles não ouviam nada sobre a palavra de Deus.

Depois de um tempo retornei para uma aldeia no rio Pacaas Novos [Rio Negro Ocáia] onde morava minha mãe. Nesta aldeia já tinham alguns crentes e a palavra de Deus era pregada. Nesta aldeia o missionário Abílio [Soares] me falava sobre a palavra de Deus. Ele me dizia: Wem Caramain você sabe sobre Deus, Ele existe. Eu dizia: Existe um Deus? Os índios Macurape me disseram que não existe nenhum Deus, eu dizia para o missionário Abílio. Eu tinha ouvido dos índios Macurape que não existia nenhum Deus nos céus. Eles diziam que éramos nós e os nossos espíritos que ficam lá nos céus.

Então o missionário Abílio me disse: Wem Caramain, quem crê em Deus, quem crê em Jesus verá a Deus, mas quem não crer vai ficar muito longe de Deus. Somente quem crê no filho de Deus o verá. Então eu disse: É mesmo? Abílio me disse: Se você não crer na palavra que fala sobre o filho de Deus que morreu na cruz por você. Se não crer em Jesus não terá a vida eterna. Se você morrer sem crer irá para o grande fogo [ inferno ]. Quem crer em Jesus será salvo.

Então comecei a ouvir a palavra de Deus. Freqüentava todas as reuniões. Mas um dia eu fiquei doente e me mandaram para o Rio de Janeiro. Quando eu voltei muitos tinham abandonado a Deus. Então não quis mais ouvir a palavra de Deus.

Então voltei às antigas práticas que os meus antepassados diziam que era para fazer. Então exerci as práticas de feitiçarias, obedecia ao Diabo, mas de vez em quando me vinha na cabeça o que eu tinha ouvido sobre Deus.

Então chegaram novos missionários, Valmir, sua esposa Fátima, Regina e Teresa. Eles insistiram em pregar a palavra de Deus para mim. Então voltei a ouvir a palavra de Deus e com o tempo entendi a mensagem de salvação. Então Deus trabalhou em meu coração e eu aceitei Jesus como meu salvador. Então fui até os missionários e contei a eles sobre minha conversão e que reconhecia minha condição de pecador e que necessitava de Jesus. Eu reconhecia que era eu que devia morrer, mas Jesus morreu em meu lugar. Minha esposa também aceitou Jesus.

O diabo estava sempre me tentando, querendo me derrubar, mas eu sempre orava a Deus e rejeitava quem me procurava para fazer pajelança. Deus me deu forças e crescimento e estou firme até aos dias de hoje. Hoje muitos dos meus filhos são crentes, e eu continuo a falar da palavra de Deus para os que não são.

Link: http://novastribosdobrasil.org.br/conteudo/item/152-testemunho-do-indigena-wem-caramain-pacaas-novos

Arábia Saudita


A liberdade religiosa não existe nesse reino islâmico. Todos os envolvidos em reuniões religiosas não muçulmanas podem ser presos, deportados ou torturados

A Igreja e a Perseguição Religiosa

A Igreja

De acordo com a tradição, o apóstolo Barnabé foi o primeiro a levar o evangelho à Arábia Saudita. Quando o islamismo chegou à região já havia uma grande população de cristãos. Após o islamismo assumir o controle no século VII, todos os cristãos foram expulsos do país. Desde então, nenhuma missão foi autorizada a entrar na Arábia Saudita. Atualmente, a maioria dos cristãos no território saudita é constituída de estrangeiros que vivem e trabalham nas bases militares ou para as companhias de petróleo. Há um pequeno grupo de cristãos sauditas não declarados, vivendo sob constante temor de ser descobertos, presos e executados. Eles encaram os novos convertidos não com júbilo, mas com medo e suspeita, e esta atitude impede o crescimento da Igreja. Há convertidos sauditas, mas é extremamente difícil se chegar a um número exato, pois não estão organizados em igrejas, nem em grupos domésticos.

A perseguição


O governo não reconhece legalmente a liberdade religiosa e nem dá proteção a grupos que se reúnam ilegalmente. A prática pública de religiões não muçulmanas é proibida. A Arábia Saudita é uma monarquia islâmica sem proteção legal à liberdade de religião. O islamismo é a religião oficial e a lei exige que todos os cidadãos sejam muçulmanos. De acordo com a Sharia, a apostasia (abandono do islamismo) é considerada um crime punível com a morte, se o acusado não se retratar. O governo reconhece o direito de cristãos estrangeiros cultuarem em particular.

Os cristãos que exercem sua fé de modo particular e discreto quase nunca são incomodados. Entretanto, há problemas quando cidadãos se queixam dos cultos realizados pelos vizinhos. Alguns alegam que informantes pagos pelas autoridades se infiltram em seus grupos cristãos particulares. O governo oferece uma recompensa equivalente a um ano de salário – um prêmio tentador para muitos – a qualquer pessoa que denunciar uma reunião cristã. O proselitismo e a distribuição de materiais não muçulmanos, como Bíblias, são ilegais. Tais materiais estão sujeitos ao confisco, apesar de as normas parecerem aplicar-se arbitrariamente. O governo restringe a liberdade de expressão e de associação; a imprensa exerce a autocensura com relação a assuntos delicados, como a liberdade de religião.

História e Política

Circundada pelo Mar Vermelho e pelo Golfo Pérsico, a Arábia Saudita está localizada no coração do Oriente Médio e possui fronteiras com sete países. Grande parte de seu território é desértico, com a presença de alguns poucos oásis. A maioria dos sauditas vive em grandes cidades, tais como Riad (sede do reinado), Jidá (onde se localiza o mais importante porto do país), Ad Damman (produtora de petróleo), Meca (o coração do islã, aonde todos os muçulmanos do mundo devem ir pelo menos uma vez na vida) e Medina (cidade sagrada e centro cultural). Medina é a cidade para a qual Maomé fugiu, [Hégira] em 622 d.C., quando foi perseguido em Meca por divulgar o Islã.

Acredita-se que a Arábia Saudita era o lar original de alguns povos bíblicos, como os cananeus e os amorreus. Muitos impérios antigos dominaram o território saudita nos períodos anteriores ao nascimento de Cristo. Alexandre, o Grande, tinha planos de conquistar a região, mas morreu antes de realizá-los. O primeiro grande acontecimento que marcou a Arábia Saudita foi o nascimento de Maomé, em 570. Por seu intermédio, o islã foi fundado no século VII e, desde então, as batalhas políticas e históricas ocorridas no país ficaram restritas às várias vertentes islâmicas lutando pelo poder. O nome saudita deriva de uma disputa política entre duas famílias tradicionais da Arábia, os Al Saud e os Al Rashid, em que os primeiros saíram vitoriosos. Após reconquistar e unificar (1932) os reinos dominados pela família Al Rashid, o rei Ibn Saud deu à Arábia seu sobrenome, permanecendo até hoje como Reino Arábia Saudita.

Desde então, este reino tem procurado caminhar em uma frágil linha entre o relacionamento com o mundo exterior e o isolamento, para preservar a pureza da fé islâmica. Atualmente, o país continua sendo governado por uma monarquia baseada na Sharia, a lei islâmica. Em março de 1992, uma série de decretos reais criou o primeiro Código de Direitos do país. Não há poder legislativo e as leis são estabelecidas pelo rei e por seus ministros. Em sua bandeira há uma frase que define o tipo de política adotada pelo Reino Saudita - o país é um Estado islâmico governado por uma monarquia, o rei é o chefe de estado e governo. O texto em árabe diz: “Não há nenhum Deus além de Alá e Maomé é seu profeta”. Esse texto é a Shahada, que significa “testemunho” e é a declaração de fé islâmica, a profissão de fé dos muçulmanos e o primeiro dos cinco pilares do Islã.

Na Arábia Saudita, é o Islã que legitima o governo do rei, que é responsável pela manutenção do estado teocrático.

População

Há cerca de 42 grupos étnicos na Árabia Saudita, todos unidos por um forte nacionalismo religioso. A população é adepta do Islamismo Sunita.

Economia

A Arábia Saudita tem uma economia baseada no petróleo, com forte controle governamental sobre as principais atividades econômicas. Possui cerca de 20% das reservas mundiais de petróleo comprovadas, classificando-se como o maior exportador de petróleo do mundo e desempenhando um papel de liderança na OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). O setor petrolífero representa cerca de 80% das receitas orçamentais, 45% do PIB e 90% das receitas de exportação. A Arábia Saudita incentiva o crescimento do setor privado, a fim de diversificar a sua economia e empregar mais cidadãos sauditas.

O país tem aumentado os esforços nas áreas de geração de energia, telecomunicações, exploração de gás natural e petroquímica. Quase 6 milhões de trabalhadores estrangeiros desempenham um papel importante na economia do país, especialmente nos setores de petróleo e de serviços, enquanto Riad luta para reduzir o desemprego entre os seus nacionais. As autoridades estão particularmente concentradas em empregar sua grande população jovem, que geralmente não tem a educação e as competências técnicas para atender às necessidades do setor privado. Riad substancialmente impulsionou as despesas relativas à formação profissional e educação, mais recentemente com a abertura da Universidade de Ciência e Tecnologia – a primeira universidade da Arábia Saudita, coeducacional. Como parte de seu esforço para atrair investimentos estrangeiros, a Arábia Saudita aderiu à OMC (Ordem Mundial do Comércio) em dezembro de 2005, depois de muitos anos de negociações. O governo começou a criação de seis "cidades econômicas" em diferentes regiões para atrair investimento estrangeiro, planejando gastar 373 bilhões de dólares entre 2010 e 2014 no desenvolvimento social e nos projetos de infraestrutura, para promover o desenvolvimento econômico do país.

Link: http://www.portasabertas.org.br/cristaosperseguidos/perfil/arabiasaudita/

Pastor é preso por distribuir literatura cristã na Índia

12 set 2012 Índia

Um pastor indiano foi detido por três dias porque agressores o acusaram de converter hindus ao cristianismo. Segundo os rebeldes, o cristão “criticava a religião hindu e suas práticas religiosas, e também os forçava a beber sangue de vaca”. O ataque ocorreu após 25 hindus radicais terem descoberto que o líder religioso estava distribuindo literatura cristã

O pastor John Pargy, de 26 anos, da Igreja Cristã em Birmawal, Ratlam, prega o evangelho de Jesus Cristo na Índia. Ele é casado com a jovem Neelu, de 23 anos, e tem dois filhos, um de dois, outro de cinco anos.

Na última sexta-feira (7), Pargy estava distribuindo literatura cristã na aldeia de Birmawal quando cerca de 25 ativistas dos grupos radicais hindus RSS e Bajranga Dal o atacaram. Agrediram-no e o acusaram de converter praticantes do hindu ao cristianismo.

Embora eles estivessem determinados a tirar sua vida, alguma coisa os fez mudar de decisão e eles o levaram à delegacia de polícia de Birmawal. Prestaram reclamações de que ele estava criticando a religião hindu e as práticas religiosas que a envolvem, e também forçava indivíduos a beberem sangue de vaca – animal considerado sagrado na Índia.

De Birmawal, ele foi transferido para a delegacia de Ratlam, onde foi acusado sob a legislação da Índia de perturbar a paz pública; enviado à prisão, foi liberto sob fiança, após três dias.
Conheça a história de outro pastor, Andrias Soni, evangelista que também trabalha para o Senhor na Índia. http://www.portasabertas.org.br/noticias/2012/08/1680209/

Fonte: Christian Persecution News
Tradução: Ana Luíza Vastag
Link: http://www.portasabertas.org.br/noticias/2012/09/1797600/

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

(Atualização do artigo "A Religião Show)

O show tem que parar

Foi Charles Haddon Spurgeon quem disse:

“O fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada, podemos, ao menos, prevenir os homens quanto à sua existência e suplicar que fujam dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhes tragam satisfação. Na falta de pão, se alimentam de cinzas; rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice”.

A sociedade do espetáculo adora o próprio homem. Onde o pregador e o cantor são aplaudidos e exaltados. É o culto onde constrói o reino dos homens e não o de Deus. A verdade para eles é irrelevante. O que importa é se eles são ou não entretidos e aclamados. Atribui-se pouco valor ao conteúdo; o estilo é tudo. Eles são energizados pelo pragmatismo. O que importa é o espetáculo e o crescimento numérico. Eles são movidos por ciclos tendenciosos, e não pelo Espírito Santo. Os púlpitos deles estão cada vez mais empobrecidos. Eles animam os seus auditórios com frases de efeito e contentam seus ouvintes com mensagens superficiais. Para muitos, o cristianismo tornou-se uma religião humana e politicamente atraente. Tornou-se moda em nosso país professar ser evangélico. Eles esqueceram que Deus não se deixa impressionar pelas filosofias populares, poder político e riqueza excêntrica, que o mundo tanto admira.

Steven J. Lawson afirmou:

“Entretanto, infelizmente vivemos numa geração que tem depreciado o chamado para pregar. A exposição da Palavra está sendo substituída por entretenimento, a pregação, por espetáculos teatrais, a doutrina, por obras dramáticas, e a teologia por manifestações artísticas. A igreja moderna precisa desesperadamente retomar o rumo certo e voltar a um púlpito que seja alicerçado na Bíblia, centrado em Cristo e capaz de transformar vidas. Deus sempre se alegra em honrar sua Palavra – especialmente a pregação de sua Palavra.”

Se as igrejas evangélicas abandonarem a centralidade da Bíblia perderão sua capacidade de lutar contra as fortalezas do diabo.

Conta-se a história do menino Paulinho. Ele tinha dez anos de idade. Era órfão de pai e tinha seis irmãos. Todos os dias ele ia trabalhar de engraxador de sapatos para ajudar nas despesas da casa. Ele era assíduo na igreja e sempre adorava a Deus com suas finanças. Um dia, Paulinho trabalhou bastante e se atrasou para ir à sua igreja. Portanto, decidiu entrar na igreja mais próxima do lugar em que estava. Colocou a sua caixa de engraxar sapatos na porta do templo, entrou e ficou no primeiro banco para ouvir melhor a pregação e entregar a Deus a contribuição daquele dia de trabalho. De repente, os diáconos daquela igreja o tiraram dali e o colocaram lá fora, alegando que ele era um moleque sujo e nojento. Paulinho sentou-se na caixa de engraxar sapatos e começou a chorar por ter sido expulso da igreja. Então, de repente, apareceu um homem, também chorando, e perguntou ao garoto: “Paulinho, por que você está chorando?” A quem o menino respondeu: “Estou chorando porque eu fui expulso da igreja”. Paulinho perguntou ao homem: “E você, por que também está chorando? Como você sabe o meu nome, quem é você?” O homem respondeu: “Eu sou Jesus, e estou chorando porque também fui expulso desta igreja; porque eles cantam, oram e pregam para si mesmos”.

Essa história também se repete em muitas igrejas que cantam, oram e pregam para si mesmas. São ególatras. Expulsam Jesus para que sejam “estrelas” e “reinem”. A simplicidade do culto do Novo Testamento se perdeu e a prática da pregação está em total decadência. Pregadores não falam da Bíblia, citam milagres (invés do Deus de milagres), promoção e atividades das igrejas (invés do Senhor da igreja), e filosofias e psicologias do mundo secular (invés do evangelho).

Quando nos tornarmos enojados com a ostentosa diversão e egolatria, que passa por verdadeiro culto a Deus em muitas de nossas igrejas, esse será um sinal de que estamos voltando aos princípios bíblicos. Afinal, a única maneira como o Espírito Santo trabalha para regenerar os perdidos é através dos ensinamentos da Bíblia (“pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente” (1Pe 1.23), que são suficientes para a evangelização, santificação, orientação e também reforma social. Somente a Palavra de Deus pode regenerar pecadores perdidos e erguer igrejas. Nela está toda a orientação de que precisamos. Deste modo, o povo de Deus precisa ouvir e pregar as verdades da fé bíblica.

Nos laços do Calvário que nos une,
Pr. Luciano Paes Landim.

www.opastoraprovado.blogspot.com

sábado, 8 de setembro de 2012

URGENTE! Pastor Yousef Nadarkhani é solto da prisão!

08 set 2012 Irã
Após permanecer na prisão por quase três anos, sob a ameaça de ser executado por causa de sua fé, o Pastor Yousef Nadarkhani foi liberto da prisão e inocentado da acusação de apostasia

O pastor Yousef foi convocado a se apresentar no tribunal esta manhã. Sua audiência durou seis horas, mas ao final, ele pôde voltar para sua casa e sua família.

Algumas das fontes próximas ao caso relatam que o tribunal o inocentou das acusações de apostasia (as quais poderiam levá-lo à execução), mas foi considerado culpado na acusação de evangelizar muçulmanos e sentenciado a três anos de prisão por isso. Como ele já estava na prisão durante esse período, ser ser julgado, o tribunal considerou que sua sentença já havia sido cumprida.

Louvamos a Deus pela libertação de Yousef Nadarkhani e agradecemos a você, querido irmão em Cristo, que sofreu junto com essa parte do Corpo que estava sendo afligida.

Vamos orar pela readaptação de Yousef e sua família e por sua proteção. Que Deus seja honrado através do testemunho e vida deste cristão.

Fonte: http://www.portasabertas.org.br/noticias/2012/09/1784649/

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Oremos pelo Uso das Escrituras

Quinta Setembro 06, 2012

O trabalho de tradução e uso das Escrituras é longo e requer um envolvimento integral de, pelo menos, uma geração. Não é suficiente traduzir as Escrituras, mas também alfabetizar os que a lerão e despertar neles o desejo de fazê-lo. Além da forma clássica de tradução bíblica (publicações impressas) há também muitos desafios para a produção de material em audio e audiovisual. A transmissão das Escrituras de forma oral tem sido uma ótima estratégia de comunicação das Boas Novas e se adequa a diversas línguas e contextos.

Há 17 etnias com acesso à Bíblia (seja porção, Novo Testamento ou Velho Testamento) na língua materna, mas sem indígenas evangélicos entre eles. Ou seja, a Bíblia está presente, mas não está sendo usada. Há ainda outras 25 etnias com o mesmo acesso à Bíblia e com existência da igreja indígena local, mas sem liderança própria.

O desafio de tradução e transmissão das Escrituras se faz presente, assim, tanto nas 10 línguas com carência confirmada de tradução bíblica, como nas 28 com necessidade de um projeto especial de oralidade e, também, nas 54 que possuem projetos linguísticos e de tradução em andamento. É imperativo apoiarmos aqueles que já estão no caminho, com longo trabalho já realizado, e não somente investirmos em novas iniciativas.

Vemos, portanto, que nesta área precisamos olhar para os que já estão caminhando, para que não parem ao longo do caminho; para os que irão iniciar a caminhada com novos desafios; e para aqueles cujo trabalho de tradução já foi concluído, mas o uso das Escrituras necessita ser reavivado. Precisamos de educadores e mestres na mesma proporção que linguistas e tradutores.

Oremos

1. Para que a Igreja Indígena tenha crescente interesse pela Palavra em sua própria língua. Por proveito na leitura, aprendizado e reprodução da Palavra a outros.

2. Por mais missionários linguistas e tradutores, bem como educadores e mestres em cada grupo indígena com tal necessidade.

3. Pela disponibilização das Escrituras de forma escrita, gravada, contada ou dramatizada (e, sobretudo em testemunho) em cada etnia indígena do Brasil.

4. Pelos projetos de tradução em andamento, para que os indígenas tenham interesse na participação dos mesmos desde já.

5. Pelas organizações e iniciativas missionárias promotoras da Palavra entre os indígenas: por perseverança, bom trabalho, portas abertas e criatividade na disponibilização das Escrituras em cada língua do nosso país.

Link: http://www.indigena.org.br/v1/index.php?option=com_content&view=article&id=62&Itemid=18

Educando para a glória de Deus