A Igreja Que Queremos Ser


O conteúdo deste artigo foi originalmente proferido pelo autor no Culto de Missões da Igreja Cristã Presbiteriana em São Sebastião/DF, realizado no dia 24 de julho de 2011, com o tema: “Uma Igreja Comprometida Com Missões”. Portanto, o texto é fruto de uma transformação e adaptação do conteúdo para melhor assimilação e identificação. Almejamos colaborar para a conscientização e capacitação missionária da igreja.

Uma igreja comprometida com missões

Necessariamente, devemos avançar urgentemente com o Evangelho, de maneira que abandonemos nosso comodismo e nos desgastemos no campo missionário. Assim, primeiramente, vamos definir as palavras-chaves que formam o subtítulo desta mensagem: “Uma Igreja Comprometida Com Missões”:

O que é igreja? Em 1 Co 11.18 (assembleia, eclésia) não é um edifício ou prédio, mas um ajuntamento, não uma instituição, mas uma entidade orgânica. Em Rm 11.28 (o povo de Deus, igreja) é a vitrine de Deus; quando alguém quiser ver como se comporta um povo em que Deus está presente, deve olhar para a igreja, como ela se comporta na tribulação e aflição, como se comporta na bonança e calmaria, como se comporta em tempos de prosperidade e beleza. Em Gl 6.16 (Israel de Deus, igreja) são aqueles que circuncidaram o coração. Em 1 Co 6.19 (o templo de Deus) quer dizer que nos tornamos o templo onde Deus habita; nós somos a morada de Deus.

O que significa estar comprometido? Estar comprometido com missões é entender missões como o empenho, ou antes, uma graça concedida por Deus à igreja. Uma Ilustração prática para esclarecer o comprometimento da igreja com missões é a seguinte: A galinha chegou ao porco e disse: “Pensei em nós dois contribuirmos para missões”. O porco falou: “Muito bom... Mas de que maneira poderemos cooperar para missões?” A galinha respondeu: “Eu pensei em contribuir com ovos e você com bacon”. O porco disse: “Bem, pra você não será muito difícil, pois botar ovos é uma coisa natural sua, mas para mim terei de ser sacrificado”. A galinha queria envolver-se, porém, o porco iria comprometer-se com missões. Não basta estarmos envolvidos, precisamos estar comprometidos, empenhados e implicados. Missões exigem sacrifícios.

O que é missões? A palavra “missão” vem do latim missio, que significa “envio”. A terminologia missio somente veio aparecer no século XVI quando as ordens de monges jesuítas e carmelitas enviaram ao novo mundo de então centenas de missionários. Eles, os jesuítas, foram os primeiros a utilizarem a terminologia “missão” como a propagação da fé cristã entre os povos não-cristãos, ou seja, a disseminação da fé entre os povos não-católicos (os protestantes foram vistos como indivíduos a serem alcançados). Até o século XVI, o termo “missão”, foi usado exclusivamente com referência à doutrina trinitária, ao papel da Trindade na história da redenção. O envio do Filho pelo Pai, e por sua vez, o envio do Espírito Santo pelo Pai e pelo Filho. Em grego, a palavra apostello, tem o mesmo significado. O termo se encontra bem destacado nas Sagradas Escrituras. No Novo Testamento as duas palavras apostello e pempo, que querem dizer envio, aparecem 210 vezes. Portanto, missões procede do plano e propósito de Deus. De tal modo, missões é tarefa vigente e urgente. É o método que Deus adotou para a divulgação do Evangelho. É urgente porque mais de dois bilhões de seres humanos jamais foram evangelizados e sequer ouviram o nome de Jesus. Portanto, é necessário para a igreja como comunidade missionária e portadora da Palavra, atravessar barreiras culturais para cumprir a sua vocação.

Sendo assim, missões não é uma alternativa da igreja. Não é uma atividade ou programa. Também não é um movimento. Missões é avivamento. É o estilo de vida do povo de Deus: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.19,20). Missões é a evidência da plenitude do Espírito Santo: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8).

O Rev. Hernandes Dias Lopes nos fala sobre três verdades fundamentais acerca da obra missionária:

Primeira verdade: Missões requerem urgência. Quando o presidente John Kennedy, dos Estados Unidos, morreu na cidade de Dallas, o mundo ficou sabendo do fato em apenas 14 minutos e meio. Jesus Cristo morreu pelos pecados do mundo há 2000 anos, e o mundo ainda não sabe desse fato. É necessário compreender missões como uma obra urgente.

Segunda verdade: A igreja contemporânea está notoriamente acomodada. Necessitamos urgentemente de um avivamento para sermos inflamados pelo poder do Espírito Santo e sairmos pelos quatro cantos da Terra levando o Evangelho.

Terceira verdade: Precisamos gastar as solas dos nossos sapatos mais do que os assentos dos nossos bancos. O crente cheio do Espírito Santo é dinâmico. Não fica acomodado. Ele sai para pregar a salvação em Jesus Cristo para a glória de Deus.
Quando se fala sobre o tema da missão da igreja, surgem algumas perguntas: O que é uma igreja comprometida com missões? Quais são as suas características?

Meditemos nestas poucas palavras sobre alguns atributos de uma igreja, não somente envolvida, mas comprometida com missões para a glória de Deus:

Primeiro, uma igreja comprometida com missões é uma igreja alicerçada na Palavra de Deus. O versículo 42 diz: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos...”. A Palavra de Deus é o conteúdo fundamental e exclusivo para o desenvolvimento e amadurecimento espiritual da igreja. É a verdade de Deus revelada aos apóstolos:

1. Tudo o que Jesus ensinara.
2. O Evangelho: morte e ressurreição de Jesus.

John Stott afirmou: “Toda a Escritura prega o evangelho. Deus evangeliza por meio dela”. A Bíblia é o clamor de Deus em linguagem humana. Todas as doutrinas e ensinos estranhos à Escritura devem ser recusados. Os reformadores reafirmaram a superioridade da Escritura sobre a tradição. “A Escritura é a escola do Espírito Santo na qual nem se tem deixado de pôr coisa alguma necessária e útil de conhecer, nem se ensina mais do que é preciso saber” (João Calvino).

Toda a Escritura é inspirada por Deus. Ela não é fruto da lucubração humana, mas da revelação divina. Nenhum homem ou igreja tem autoridade para adicionar a ela coisa alguma ou dela remover sequer uma palavra.

A Bíblia é a nossa suprema autoridade em questão de fé e prática. Nenhum dogma, conhecimento ou experiência pode ser acolhido se não contiver embasamento na Palavra de Deus. A Bíblia não tem uma opinião ou uma palavra sobre os pontos essenciais que aborda, mas a verdade última, final e absoluta.

A Bíblia não contém erros. Ela é infalível e indefectível em sua mensagem e inerrante em seu conteúdo. O Senhor Jesus foi determinante quando afirmou: “... a Escritura não pode falhar” (Jo 10.35).

A Bíblia é também definitivamente suficiente para nos doutrinar, exortar e prover para conhecermos a vontade de Deus e obedecê-la. Procurar outros meios fora da Escritura, como profecias, revelações, sonhos e visões, está em completo desacordo com o ensino da própria Escritura. Não podemos acolher a autoridade da Bíblia e ao mesmo momento corrermos atrás de outras fontes para conhecermos o que Deus tem para nós. Deste modo, devemos meditar (Js 1.8), praticar (Mt 7.24-27) e pregar a Palavra de Deus (Mt 28.19-20).

Uma igreja comprometida com missões é antes de qualquer coisa uma igreja bíblica, uma igreja fundamentada somente na Escritura e em toda a Escritura.

Segundo, uma igreja comprometida com missões é uma igreja que tem comunhão. Os versículos 42, 44 e 46 dizem: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração”. Aqui fica claro o convívio coletivo dos crentes na adoração. Significa parceria e compartilhamento. Uma das características da igreja primitiva era a comunhão. Comunhão significa “compartilhar ou ter tudo em comum”. Na caminhada da fé cristã a comunhão está profundamente ligada. Não existe divórcio nem dicotomia entre fé cristã e comunhão. A comunhão sem caminhada cristã, ou caminhada cristã sem comunhão deixa de ser koinonia para ser koinonite . A comunhão anda de mãos juntas com a jornada cristã. É uma condição indispensável para caminhar com eficiência e eficácia. A nossa comunhão com Deus depende muito de nossa comunhão com o próximo. A Bíblia diz que para recebermos o perdão de Deus, antes, precisamos perdoar o nosso próximo: “se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mateus 6.15). As Escrituras Sagradas também afirmam que para Deus aceitar a nossa oferta é preciso antes reconciliarmo-nos com o nosso irmão: “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta” (Mateus 5.23,24). Isto nos ensina que a verdadeira religião tem forte base na direção horizontal: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tiago 1.27).
Comunhão é mais que bolo e café. É mais que sentarmos juntos e tomarmos uma refeição. É viver a transparência do Evangelho. É ser verdadeiro com o próximo. É saber que nossas diferenças representam a multiforme sabedoria de Deus que nos complementam uns aos outros. Nossas diferenças não devem nos dividir, mas nos integrar em prol da evangelização dos perdidos . Comunhão é mais do que compartilhar o que temos. É compartilhar o que somos. Comunhão é perseverar em buscar ser amigo dos nossos inimigos. É virar a outra face. É compartilhar a vida, a esperança, o perdão e o amor. Comunhão é insistir em partilhar o pão, não ter apenas momentos de caridade. É perseverar juntos na oração. É termos um só pensamento e um só coração. Devemos buscar a unidade: quando meia dúzia de laranjas está dentro de um saco há união e quando se faz suco com as laranjas há unidade.
Só é possível ser uma igreja comprometida com missões através da comunhão com Deus e com os irmãos. Necessitamos tomar cuidado para não perder a sensibilidade da parceria, do companheirismo e da amizade de Deus, porque operando assim jamais temeremos coisa nenhuma. A igreja deve preservar a sua unidade e cada cristão precisa fazer a sua parte, para que as boas novas sejam levadas a todas as nações. Não podemos continuar esquentando os bancos de nossas igrejas. Devemos pedir ao Deus Missionário para que acenda o nosso coração por missões.

Terceiro, uma igreja comprometida com missões é uma igreja que parte o pão. Voltemos aos versículos 42,44 e 46: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração”. Esses versículos referem-se à mesa do Senhor ou comunhão que é obrigatória para todos os cristãos (1Co 11.24-29), às refeições periódicas que eram compartilhadas nos lares, como o próprio versículo 46 trata a vida diária dos cristãos. Em At 4.34,45 fala-se de compartilhar de modo voluntário, provendo para os que não tinham o essencial para viver . A comunhão e o compartilhar da igreja primitiva são obras do Espírito Santo. Quando o Texto Sagrado diz “tinham tudo em comum”, John MacArthur interpreta assim: “Essa frase não quer dizer que os cristãos primitivos viviam em comunidade ou associação e redistribuíam tudo em igualdade, mas que eles mantinham suas posses sem estarem presos às mesmas, estando dispostos a usá-las a qualquer momento a favor de alguém, à medida que as necessidades surgissem”. Ou seja, quando a Bíblia diz “partiam o pão de casa em casa”, tem a ver com as provisões diárias que os crentes dividiam entre si. Numa igreja em que se vive missões como estilo de vida, o partir o pão é coisa natural e deleitosa, porém, substancialmente, sacrificial.

Quarto, uma igreja comprometida com missões é uma igreja que busca a Deus em oração. O versículo 42 fala: “E perseveravam na doutrina... e nas orações.” A oração bíblica nos orienta a tomar decisões importantes na obra missionária e em tudo na vida. Ela promove comunhão na igreja: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At 2.42, grifo nosso). A oração é a marca distintiva da igreja missional. Devemos orar e clamar a Deus por avivamento. A oração é um meio para enfrentar a perseguição. Em At 12.1 diz: “Por aquele tempo, mandou o rei Herodes prender alguns da igreja para os maltratar.” No versículo 5 diz que enquanto o apóstolo Pedro estava aguardando o seu martírio: “... havia oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele.” Toda igreja que faz missões passa por perseguição. Todavia, a perseguição não é capaz de acorrentar o avanço da obra missionária, pelo contrário, a obra de Deus avança mais ainda. David Bryant narra um caso de um cristão da Índia, membro de um movimento indiano nativo, que lhe apresentou um contraste entre a maioria das pessoas em seu país (onde existem milhões que nunca ouviram falar uma única vez de Cristo) e as dos Estados Unidos: “Nos Estados Unidos você têm trevas, mas na Índia nós temos trevas profundas”. Para adentrarmos em lugar assim é preciso orar com objetividade crendo no poder do Espírito Santo para abrir as portas através da pregação do Evangelho. Sem oração o trabalho missionário é fraco. A igreja deve prover oração constante e consistente para o sustento da obra missionária. Alguém disse: “O corajoso é o medroso que acabou de orar”. Falta-nos oração. Falta o fervor que moveu a igreja no passado. A oração é o oxigênio na vida da igreja. Uma igreja comprometida com missões cultiva a oração individual e coletiva. A igreja missional só avança de joelhos, em oração. Nada substitui a oração.

Quinto, uma igreja comprometida com missões é uma igreja que oferta para o sustento da obra missionária. Alguém disse que os jovens gastam mais com refrigerantes do que com a obra missionária, que as mulheres gastam mais com cosméticos do que com a obra missionária, que os homens gastam mais com sua bebida preferida ou seu esporte favorito do que com a obra missionária e que muitos gastam mais com o veterinário do seu cãozinho de estimação do que com a obra missionária. A dificuldade missionária da igreja não é carência de recursos, mas de uma mordomia, administração, certa dos recursos financeiros dados pelo Senhor. O versículo 45 diz: “Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade”. Eles não juntaram seus recursos, mas venderam suas posses. Isto significa compartilhar de modo voluntário. Os cristãos estavam unidos ao Espírito, assim, permaneciam alerta às necessidades físicas dos outros e voluntariamente (At 4.34 e 5.4) contribuíam para satisfazê-las (4.32 ). Deus é tão gracioso que quando a igreja vive em obediência missionária, investindo em missões, providencia os recursos materiais necessários: “Recebi tudo e tenho abundância; estou suprido, desde que Epafrodito me passou às mãos o que me veio de vossa parte como aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus. E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades. Ora, a nosso Deus e Pai seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (Fp 4.18-20). Assim, Paulo demonstra que o poder que atua com eficiência na igreja é o poder do Espírito Santo e não do dinheiro. Aqui está um alerta: Deus julga nossas ofertas pela nossa motivação e não pela soma ofertada. Portanto, tenhamos cuidado com a maneira como ofertamos a Deus (At 5.1-11). A Bíblia diz que a contribuição não é um peso, mas uma graça. Graça é um dom imerecido: “Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus concedida às igrejas da Macedônia” (2Co 8.1). A contribuição não é somente alguma coisa que apresentamos a Deus, porém, principalmente, uma graça que Deus concede a nós. Deus nos dá o privilégio de sermos parceiros no grande projeto de evangelização do mundo e assistência aos santos. Dinheiro na igreja, portanto, não pode substituir o poder de Deus, deve vir em resposta a ele. Os missionários do passado foram homens e mulheres que largaram tudo e saíram pelo mundo, errantes, sem saber para onde iam, mas convictos de que foram comissionados por Aquele que tem todo o poder no céu e na Terra. Com os missionários do passado aprendemos que não devemos esperar por circunstâncias ideais para fazer a obra de Deus, pelo contrário, não podemos depender das circunstâncias para realizar a obra de Deus, mas Daquele que dirige o Universo. Assim, quando a igreja se encontra em chamas pelo evangelismo, a liberalidade se manifesta e surgem recursos suficientes para o sustento de obreiros e o envio de missionários para outros países.

Sexto, uma igreja comprometida com missões é uma igreja alegre e singela. O versículo 46 diz: “... partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração”. Singeleza é o mesmo que sinceridade, generosidade e franqueza. A grande alegria que marca estes encontros era, sem dúvida, movida pelo Espírito (At 13.52 ) e talvez se associasse com a convicção de que o Senhor Jesus estava presente com eles (At 14.3 ). A igreja de Jerusalém era uma igreja alegre porque centralizava-se em Jesus Cristo. A alegria deve ser o estado de ânimo do crente. O Senhor é a nossa alegria. Uma igreja alegre, amável e singela é uma igreja que sabe que existe somente um sistema que pode resolver o problema da humanidade: a pregação pura e simples do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Uma igreja amável e simples é a igreja que queremos ser. Somente uma igreja comprometida com missões é alegre e singela.

Sétimo, uma igreja comprometida com missões é uma igreja que cresce numericamente. O versículo 47 diz: “louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos”. A salvação é uma obra soberana de Deus. A igreja não salva. Somente Jesus salva. Ele é quem acrescenta pessoas à igreja. Entretanto, por mais que a atividade esteja centralizada na atividade divina na salvação, sabe-se que “aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação” (1Co 1.21). Portanto, não se pode negar que o evangelismo era parte integral da vida da igreja primitiva, sendo que isto acontecia diariamente. Segue-se, então, que a proclamação da verdade na igreja primitiva era parte fundamental da vitalidade da igreja de Cristo, assim como todas as características já mencionadas. Um exemplo profundo de missionário no período apostólico é o de Paulo. Ele era um homem que tinha um objetivo claro na vida, uma paixão que permeava suas entranhas e o impelia a avançar, não importando os obstáculos: anunciar a Cristo como único Senhor e Salvador. O apóstolo Paulo tinha uma santa obsessão de evangelizar. Falta-nos esse ardor missionário no evangelismo. Uma igreja comprometida com missões é uma igreja que entende a evangelização como a natureza e estilo de vida do povo de Deus. Não como uma atividade ou um departamento eclesiástico, mas, como a filosofia de vida da igreja. Assim, não podemos substituir o ir por pagar, orar, ou por qualquer outra coisa. Devemos interpretar o ir como ir mesmo (Mc 16.15) . Não podemos ficar parados onde estamos. Precisamos sair de nossa zona de conforto e semear a Palavra que transforma vidas. Alguém que se diz ser crente, mas que não prega o Evangelho está fugindo de sua responsabilidade perante Deus, ou pior, tem um forte indício de que ainda não experimentou o novo nascimento. Na verdade, Ele ainda é um campo missionário. Não é digno de ser chamado de cristão. Assim, devemos pregar onde quer que haja um homem em trevas espirituais.
Assim sendo, na obra missionária devemos estar prontos para dar a nossa vida, sem nos preocuparmos com os holofotes, para que os perdidos sejam alcançados pelo Evangelho para a glória de Deus. Missões existem para a glória do Senhor do Universo.

Aqui fica uma pergunta: o que eu devo fazer por missões?

Devo pregar fiel e incansavelmente o Evangelho para a glória de Deus, para a edificação da igreja e para a salvação dos perdidos: “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!” (1Co 9.16) e “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação” (1Co 1.21).

Devo orar para que o Senhor da seara levante trabalhadores para a sua seara: “E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt 9.37,38).

Devo ofertar liberadamente para o sustento da obra missionária: “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria” (2Co 9.7).

Tudo isso de maneira simultânea. Não podemos institucionalizar o mandamento de Jesus. Ou seja, alguns cristãos pensam que se alguém não pode ir, pode fazer missões contribuindo ou orando. Alguns aproveitam para usar isso como desculpa para não ir. Em momento algum a Bíblia oferece três opções para o cristão escolher uma: orar, contribuir ou ir. Pelo contrário, são três tarefas que devem ser efetuadas por todos nós. Não podemos escolher uma. Na obra de Deus não temos alternativa. Fomos chamados para ir, e enquanto estamos indo, devemos orar e contribuir.

Portanto, uma igreja missional é uma igreja que faz discípulos para Cristo para a glória de Deus. A igreja comprometida com missões gera pessoas mais parecidas com o caráter de Jesus. Afinal, o mundo clama por uma igreja assim: uma igreja alicerçada na Palavra de Deus, que tem comunhão, que parte o pão, que busca a Deus em oração, que oferta para o sustento da obra missionária, que é alegre e singela e que cresce numericamente. Essa é a igreja que queremos ser: uma igreja comprometida com missões.
Que o nome e a glória de Cristo sejam sempre o nosso alvo, o avanço do Reino de Deus a nossa finalidade, a intimidade com Deus nossa motivação, e as dificuldades e lutas, degraus que nos aproximem cada vez mais do Senhor das missões.

Nos laços do Calvário que nos une,
Rev. Luciano Paes Landim.

Pontos Para Discussão:
1. Como você define missões?
2. A igreja da qual você faz parte pratica missões para a glória de Deus como seu propósito existencial?
3. Como é a igreja dos seus sonhos?
4. O autor cita João Calvino: “A Escritura é a escola do Espírito Santo na qual nem se tem deixado de pôr coisa alguma necessária e útil de conhecer, nem se ensina mais do que é preciso saber”. O que você entende por isso?
5. O que é uma igreja comprometida com missões?
6. O que devemos fazer por missões?
7. Poderia destacar alguns ensinamentos adquiridos na leitura deste livreto?
8. Dentre estes qual você destacaria como o principal? Por quê?
9. Gostaria de descrever alguma experiência sobre este assunto?

Bibliografia
Bíblia de Estudo de Genebra. Edição Revista e Ampliada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.
Bíblia de Estudo MacArthur. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.
Bíblia de Estudo NTLH. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.
Bíblia de Estudo NVI, org. geral Kenneth Barker. São Paulo, SP: Editora Vida, 2003.
Bíblia Shedd, ed. responsável Russel Shedd. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 2009.
Casimiro, Arival Dias. (2009). Plante Igrejas: princípios bíblicos para plantação e revitalização de igrejas. Santa Bárbara d’Oeste, SP: SOCEP Editora
Nasser, Antonio C. (2004). A Igreja Apaixonada Por Missões. São Paulo, SP: Abba Press.
Queiroz, Edison. (1998). Administrar Missões. São Paulo, SP: Vida Nova.
_____________ (2009). A Igreja Local e Missões. São Paulo, SP: Vida Nova.
Revista Educação Cristã. (Volume X). A Igreja Local e Missões. Santa Bárbara D’Oeste, SP: SOCEP.
Winter, Ralph D. & Hawthorne, Steven C & Bradford, Kevin D. (Editores). (2009). Perspectivas no Movimento Cristão Mundial. São Paulo, SP: Vida Nova.

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