terça-feira, 25 de outubro de 2011

A DEPRESSÃO DE ELIAS


Em 1 Reis 19.1-18, nos é deparado um curioso episódio da vida do profeta Elias. Ele tinha acabado de derrotar os sacerdotes de Baal. Entrementes, a mulher do rei Acabe, Jezabel, ameaçou-o de morte. Elias se acobarda e amedrontado, foge. Caminha 460 km, de Jezreel ao monte Horebe e passa uma das mais profundas e infelizes experiências de depressão: “... disse: Basta; toma agora, ó Senhor, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais” (1 Reis 19.4). Elias não era um super-crente nem um super-homem. Era um homem semelhante a nós, sujeito a mesma comiseração, fraqueza e medo que a gente: “Elias era tão humano quanto nós, e, entretanto, quando orou fervorosamente para que não chovesse, não choveu durante três anos e meio” (Tiago 5.17, Nova Bíblia Viva).
Elias não era somente um profeta, mas também uma profecia que ensina e educa. Tiago diz que Elias era homem de paixões como as nossas: “Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos...” (Tiago 5.17, Almeida Revista e Atualizada).
A Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) e Almeida Revista e Corrigida (ARC) são interessantes ao dizer, respectivamente, que Elias “era ser humano como nós”; “era homem sujeito às mesmas paixões que nós”. Tudo isto inclui a “depressão”. Após a estupenda vitória no cume do Carmelo, Elias desceu ao vale mais profundo da depressão.
Consideremos a depressão de Elias:

1. As Causas da Depressão de Elias:

a) Cansaço físico: O profeta Elias estava muito fatigado com a agitação do Carmelo: “A mão do SENHOR veio sobre Elias, o qual cingiu os lombos e correu adiante de Acabe, até à entrada de Jezreel” (1 Reis 18.46). O abuso e excesso de trabalho acendem e provocam estresse.
b) Ausência de simpatia: “... eu fiquei só...” (1 Reiss 19.14). A carência de fascínio é uma forte origem para alguém entrar em depressão. Viver só, ter como companheira a meditação, sentir a falta de amigos e apoio é sinal de abatimento. Tudo isso aconteceu com o profeta de Deus, de maneira que passou a aumentar a autocomiseração e complexo de perseguição.
c) Falta de ocupação: Sentir-se inútil, é principiar uma grande desgraça. Enquanto Elias estava atuando como profeta, ia tudo bem, mas quando pensou que não tinha mais nada para fazer, pois imaginava que a idolatria de Israel chegara ao fim ao ver a desmoralização pública de Baal e a morte dos seus 450 profetas, idealizou que seu ofício completara.
d) Decepção e desapontamento em suas esperanças de vitória: Os profetas de Baal foram mortos, o Deus de Israel foi reconhecido a uma só voz e a falsa adoração foi derrubada. O escopo de Elias foi quase realizado. A não ser, a falta de visão de que tinha derrotado e que precisava somente passar momentos a sós com Deus.
Resumindo, Elias olhou para as circunstâncias em vez de olhar para Deus: “Então, Jezabel mandou um mensageiro a Elias a dizer-lhe: Façam-me os deuses como lhes prouver se amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como fizeste a cada um deles. Temendo, pois, Elias, levantou-se, e, para salvar sua vida, se foi, e chegou a Berseba, que pertence a Judá; e ali deixou o seu moço” (1 Reis 19.2,3). Ele se afastou das pessoas mais próximas na hora em que mais precisou delas: “... e ali deixou o seu moço” (1 Reis 19.3b). A autocomiseração mascarou a visão dele sobre a vida: “Ele mesmo, porém, se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais. Ali, entrou numa caverna, onde passou a noite; e eis que lhe veio a palavra do SENHOR e lhe disse: Que fazes aqui, Elias? (1 Reis 19.4,9). Portanto, teve colapso emocional: “Deitou-se e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come” (1 Reis 19.5).


2. A cura da depressão de Elias:

a) Suas necessidades físicas foram supridas: O melhor alívio para a depressão é o descanso, alimentação equilibrada, repouso suficiente e atividade física. No caso de Elias, Deus lhe reúne forças. Permite-lhe repouso (sono) e alimento, tudo isso de modo milagroso (conferir 1 Reis 19.4-12). Coisas estas que contribuem para a cura do depressivo. Dessa vez o Senhor fala com Elias através de uma brisa suave, pois ele estava tão tenso, que possivelmente ficaria sobressaltado se Deus lhe falasse em meio ao forte vento, ou ao terremoto, ou ao fogo.
b) Seu ambiente (atmosfera) é mudado: Existem ambientes que são depressivos e outros que ajudam a vencer a depressão. Andando sem parar, Elias chegou ao Monte Horebe: “Levantou-se, pois, comeu e bebeu; e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus” (1 Reis 19.8).
c) Seus medos são desfeitos: O deprimido costuma achar que seu caso é único e o mais grave de todos. Aqui, Deus mostra que Elias não era o único a sofrer perseguição, nem o derradeiro fiel. Havia mais sete mil: “Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou” (1 Reis 19.18), (confira 1 Reis 19.13-14).
d) Ele se desabafa: Muitas vezes o maior e mais imediato alívio para o depressivo é o desabafo. Portanto, Deus permite que o profeta desabafe o seu pesar: “Ele respondeu: Tenho sido zeloso pelo SENHOR, Deus dos exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fique só, e procuram tirar-me a vida” (1 Reis 19.10).
e) Sente o valor da vida: “... Que fazes aqui, Elias?” (1 Reis 19.9). Elias estava agindo de maneira lamentadora. Deus o desafia a despertar e sair do comodismo.
f) Foi-lhe dado trabalho para fazer: Auxiliar na necessidade de outras pessoas é um remédio para a exagerada e descomunal preocupação consigo mesmo: “Disse-lhe o SENHOR: Vai, volta ao teu caminho para o deserto de Damasco e, chegando lá, unge a Hazael rei sobre a Síria” (1 Reis 19.15).
g) Deus é Soberano sobre a circunstância: Jezabel não era nada, coisa nenhuma, perto do Deus a quem o profeta servia. Elias é encarregado de ungir novos monarcas e um novo profeta e Deus ameaça Acabe e Jezabel (1 Reis 21.17-29). Tudo isso significa Deus mostrando-Se Soberano e Senhor da situação.
h) Sua visão de Deus é restabelecida: Elias precisava renovar a sua visão de Deus (1 Reis 19.11-12). Deste modo, Deus se revela a Elias através de fenômenos naturais.

É importante dizer que a depressão de Elias não se configura num quadro crônico, mas num estado depressivo.

Com este episódio da vida de Elias, entendemos que o mais forte e mais santo fiel sobre a Terra está sujeito a momentos de desânimo e depressão. Contudo, com ajuda Daquele que sonda os nossos corações e que conhece todos os nossos pensamentos, é possível livrar-se do desalento e desânimo.
Resumindo, Deus tratou a depressão de Elias da seguinte forma: devido a pessoa deprimida não conseguir desligar sua mente, Deus usou para com o profeta Elias:
a) A “sonoterapia”: “Deitou-se e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come” (1 Reis 19.5);
b) A boa alimentação: “Olhou ele e viu, junto à cabeceira, um pão cozido sobre pedras em brasa e uma botija de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir” (1 Reis 19.6);
c) Permitiu ao profeta o desabafo: “Ele respondeu: Tenho sido zeloso pelo SENHOR, Deus dos exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fique só, e procuram tirar-me a vida” (1 Reis 19.10)
d) Mostrou-lhe uma nova perspectiva do futuro (conferir 1 Reis 19.15-21).


Nos laços do Calvário que nos une,
Rev. Luciano Paes Landim.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

SERVOS DE DEUS SOFRENDO ENFERMIDADES


As Sagradas Escrituras revelam alguns dos seus personagens sofrendo com doenças. Afinal, para Deus nos curar, antes é preciso estar doentes.

O Salmo 103.3 (ARA) diz: “Ele é quem perdoa todas as tuas iniquidades; quem sara todas as tuas enfermidades”. Isto quer dizer que, primeiro surge a doença, depois o Médico dos médicos vem com a cura divina. Enfim, o mundo em que vivemos é cheio de contradições impostas pelo pecado. E uma delas é a doença.
Não adianta querer pregar que o servo de Deus nunca ficará doente ou que todas as doenças são frutos do pecado pessoal.

Pelo contrário, é fato e verdade que muitos que pregavam esta “teologia” chegaram até mesmo a morrer de câncer, problemas do coração, tumores e até mesmo de AIDS.
Existe muita hipocrisia por trás daqueles que pregam ensinos sobre saúde sobrenatural. Não devemos generalizar um fato isolado, transformando-o em confissão de regra de fé e prática. Entrementes, a cura não é uma regra, mas um dos “sinais” (Lucas 4.25-27; João 5.3-5; 9.1-3).
Dizer que aquele que não goza de boas condições de saúde está em pecado ou que tem pouca fé, faz com que o doente se sinta o mais desprezível ser do mundo. Poucas são as pessoas que conseguem entender que este ensinamento é anti-bíblico.
Ensinar que o crente não pode ficar doente, e se fica, é porque não é crente, é negar a humanidade do “ser humano”, é crer no mito do “super-crente”. É cair na desgraça de pensar que não é homem, mas “super-homem”. É acreditar naquilo que Jesus não quis ser. Pelo contrário, Cristo diz ser o Filho do Homem. “Bom mesmo é ser gente, ser homem” (Caio Fábio).
Veja agora alguns exemplos bíblicos de pessoas que padeceram enfermidades:

1. Jó: O livro de Jó deixa claro que existem sofrimento e enfermidade imerecidos. Mostra que existem doenças que não fomos nós mesmos que a desenvolvemos e cuja origem nem sequer podemos sondar e desvendar. O pano de fundo desse livro expõe que Jó não pode ser culpado e apontado pela sua grave doença. A sua condição é consequência de um desafio que o Diabo faz a Deus. A doença deveria colocá-lo à prova. O Diabo pensa que, assim, Jó iria abandonar a Deus. Porém, para aquele homem, assim como para nós hoje, quando passamos por situação similar, esses motivos não ficam evidentes. Jó tem apenas uma certeza: tanto a dor como a felicidade vêm da poderosa mão de Deus.

2. Jacó: Mesmo com a vida cheia de vitórias e bênçãos, o patriarca morreu de uma enfermidade (Gênesis 48.1-33).

3. Eliseu: Homem muito usado por Deus de maneira incomparável, morreu de uma enfermidade física (2 Reis 13.14-21).

4. Paulo: A estada do apóstolo na Galácia foi devido a uma enfermidade física: “E vós sabeis que vos preguei o evangelho a primeira vez por causa de uma enfermidade física” (Gálatas 4.13, ARA).

5. Timóteo: Paulo fala de Timóteo, referindo-se a ele como alguém suscetível a frequentes enfermidades: “Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades” (1 Timóteo 5.23, ARA).

6. Epafrodito: O companheiro de Paulo andou todo o processo gradual de aproximação da morte e saiu de lá lentamente, após um tempo natural de recuperação: “Julguei, todavia, necessário mandar até vós Epafrodito, por um lado, meu irmão, cooperador e companheiro de lutas; e, por outro, vosso mensageiro e vosso auxiliar nas minhas necessidades; visto que ele tinha saudade de todos vós e estava angustiado porque ouvistes que adoeceu. Com efeito, adoeceu mortalmente; Deus, porém, se compadeceu dele e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza. Por isso, tanto mais apresso em mandá-lo, para que, vendo-o novamente, vos alegreis, e eu tenha menos tristeza” (Filipenses 2.25-28, ARA).

7. Trófimo: Paulo deixou Trófimo doente em Mileto: “Erasto ficou em Corinto. Quanto a Trófimo, deixei-o doente em Mileto” (2 Timóteo 4.20, ARA).

O Reverendo Augustus Nicodemus Lopes diz que “Esses e outros exemplos poderiam ser citados para mostrar que homens de Deus, fiéis e santos, foram vitimados por doenças e enfermidades”.
O teólogo Paulo Romeiro fala sobre Joni Eareckson Tada que alcançou fama mundial depois de sofrer um trágico acidente. Em consequência dele, teve de aprender a viver numa cadeira de rodas e a pintar usando a boca. A maior contribuição que Joni tem dado ao mundo, diz Romero, é o seu testemunho de fé. Diz Joni sobre o materialismo cristão: “A essência do Evangelho não é a saúde, nem a prosperidade nem a felicidade, mas a submissão a Cristo”. Infelizmente, alguns se preparam somente para a saúde e se esquecem de se prepararem para as doenças, que poderão vir, às vezes, de forma inesperada.
A verdade é que mesmo em um corpo enfermo, descobrimos que existe “Alguém muito maior”, que pode nos dar forças e ânimo, antes desconhecidas, ajudando-nos a ganhar novas perspectivas para a vida: Deus.

Nos laços do Calvário que nos une,
Rev. Luciano Paes Landim

(Extraído do livro "Quando Deus Decide Não Curar").

Educando para a glória de Deus