quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Missões no Poder do Espírito Santo


A Estratégia Missionária de Deus

O conteúdo deste livro foi originalmente proferido pelo autor no Congresso de Missões da AMILA (Aliança Missionária Latino-Americana) na Comunidade Cristã de Itajaí/SC, no dia 15 de julho de 2012. Portanto, o texto é fruto de uma transformação e adaptação do conteúdo para melhor assimilação e identificação. Almejamos colaborar para a conscientização e capacitação missionária da igreja.

Texto Bíblico: At 1.8
“mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.”

“Aquele que não ama missões, é possível que nunca tenha encontrado Cristo.” (Frase dita por um africano)

Introdução:

Jesus, antes de regressar ao céu e derramar seu Espírito, deu a Grande Comissão aos seus discípulos. Essa Grande Comissão está registrada nos quatro Evangelhos e também no livro de Atos:
a) Mateus 28.19-20:
“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.”
b) Marcos 16.15:
“E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.”
c) Lucas 24.46-49:
“e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas. Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.”
d) João 20.21-22:
“Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.”
e) Atos 1.8:
“mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.”

Em Mateus 28.19-20, o Mestre comissiona seus discípulos a ir por todo o mundo, até aos confins da terra, proclamando as boas novas de salvação única e exclusiva em Jesus Cristo, fazendo discípulos de todas as nações. O fato é que Jesus completou sua obra na cruz. Venceu o diabo e levou sobre si os nossos pecados. Agora Jesus, o missionário por excelência, comissiona sua igreja a levar essa mensagem ao mundo inteiro.

Hernandes Dias Lopes disse:
“O projeto de Deus é o Evangelho todo, por toda a igreja, a toda criatura, em todo o mundo”.

O texto bíblico de Mateus 28.19-20 é bem claro: a obra missionária não é uma opção; é uma ordem. Emudecer-se acerca do Evangelho puro e simples é um ato de oposição a Cristo e uma atitude de descompaixão aos perdidos. O próprio Senhor da missão que nos alcançou com a salvação, comissiona-nos a pregar a salvação pela graça mediante a fé em Jesus Cristo. Ou seja, não são os pecadores que devem vir à igreja, porém é a igreja que deve ir aos pecadores. Missões é pescar onde os pecadores estão. Isto significa que não evangelizar é um pecado de desmazelo e omissão. Na verdade, é uma conspiração contra uma ordem divina. Portanto, missões aqui não é uma opção, mas um mandamento. Missões não é um programa ou departamento da igreja, mas o estilo de vida de todos os cristãos. Todos aqueles que foram alcançados pelo Evangelho são mandados a noticiar as boas novas de salvação. É lamentável que a Grande Comissão tenha sido mais debatida do que obedecida na história da igreja.

Já no livro de Atos, mais precisamente no capítulo 1 versículo 8, missões não é uma mera ordem e sim uma declaração indicativa, explicando que, após serem cheios do Espírito Santo, os discípulos iriam ser levados a testemunhar da sua fé em todos os lugares do mundo. Se você quer saber se alguém é cheio do Espírito Santo, veja se ele é missionário. A missão dos apóstolos de difundir o Evangelho foi a razão principal para a qual o Espírito Santo os capacitou. Diante disto, uma coisa me preocupa muito: o fato de que cada crente prestará contas se e de como pregou o Evangelho aos perdidos. Isso me leva a crer que quem não prega o Evangelho pode estar indo para o inferno. E se você diz que ama a Deus, mas não tem visão missionária, então você é um mentiroso.

Atos 1.8 é o versículo-chave do livro de Atos dos Apóstolos, é a base e a amplitude do plano de Deus para que a igreja executasse missões.

Portanto, a expansão da igreja em Atos segue a predição de Jesus:
a) Jerusalém é evangelizada (Atos 1.12 - 7.60).
b) Judeia e Samaria são atingidas (Atos 8.1-40).
c) O Evangelho avança sem parar por terras gentias até Roma (Atos 9.1 – 28.31).

O Grande Desafio Missionário Mundial:
 
O Evangelho deve ser espalhado entre todas as nações, e toda tribo e idioma devem ouvi-lo para a glória de Deus e alegria de todos os povos. A verdade é que não há esperança para o mundo fora do Evangelho. Não há salvação para o homem fora de Jesus Cristo. Deus é o Deus de todas as nações, povos, etnias e línguas. Assim, o desafio missionário que temos é mundial:

a) Dos 24.000 povos no mundo, 8.000 ainda não foram alcançados com o Evangelho.
b) Dos 251 povos indígenas brasileiros, 103 ainda não têm presença missionária.
c) Das 7.158 línguas do mundo, a Bíblia ainda não foi traduzida para 4.000 delas.
d) Das 600.000 cidades e vilas na Índia, em 500.000 ainda não tem obreiros cristãos.
e) Na China ainda existem 500.000.000 de pessoas que nunca ouviram falar de Jesus.
f) Dentre as mais de 270.000 igrejas existentes no Brasil menos de 400 delas possuem um missionário trabalhando com esses povos não alcançados (incluindo nossas tribos indígenas).
g) Acredita-se que morrem 85.000 diariamente no mundo sem nunca terem ouvido falar da salvação em Jesus.
h) Menos de 1% dos recursos da igreja brasileira são investidos na obra transcultural.
i) A média de investimento do crente brasileiro em missões é de apenas R$ 1,30 por ano. Para se ter uma ideia, se investe mais em chicletes e balas do que em missões.

Portanto, para pregar o Evangelho onde Cristo ainda não foi anunciado é imprescindível o poder do Espírito Santo em nossas vidas. Essa é a estratégia missionária de Deus. Não nos atrevamos a descansar antes que isto seja realizado. Chegou a hora da igreja se levantar, no poder do Espírito Santo e apregoar que Cristo é o único e suficiente Salvador e Senhor.

1. “mas recebereis poder”:

É impossível para a igreja fazer missões sem o poder do Espírito Santo. Poder é o revestimento do alto. O verbo “recebereis” está na voz passiva e no plural indicando que este poder vem de Deus e é para todos os crentes. O realce de Cristo não estava na habilidade dos obreiros, mas no poder do Espírito Santo. Trata-se do mesmo poder que estava em Jesus. Fazer a obra missionária sem o poder do Espírito Santo é como andar em um carro sem motor.

Os apóstolos já possuíam o poder do Espírito Santo de salvar, conduzir, doutrinar e realizar prodígios. Em breve eles receberiam a presença habitadora do Espírito Santo e uma nova dimensão de poder para testemunhar. O poder do Espírito Santo é a base de toda obra missionária. Os apóstolos não deviam começar a enorme tarefa antes de serem munidos e equipados com o poder do Espírito.

O poder do Espírito Santo é o poder que dá coragem:
“Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus” (Atos 4.31).
Este poder não é humano, nem vem de domínios humanos, mas é o poder do alto, que vem do próprio Senhor da missão. Muitos de nós pensamos que o poder deve ser apenas para os pastores e líderes, mas de acordo com a Bíblia ele está disponível para os crentes. O poder do Espírito Santo nos capacita para ter uma vida cheia do seu fruto (Gálatas 5.22) e também confere à nossa palavra uma autoridade e poder que toca no coração das pessoas para que tenham convicção de pecado e reconheçam que precisam do Salvador, isto é, quando pregamos a Palavra de Deus e não a nossa.

2. “ao descer sobre vós o Espírito Santo”:
 
Jesus prometeu enviar o Espírito Santo, o outro consolador, ao subir ao céu. O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade, ou seja, Ele é Deus. O Espírito Santo demonstraria o seu controle sobre a vida deles por meio de manifestações especiais: um som de vento impetuoso, surgimento de formas de língua de fogo e o falar em línguas estrangeiras (Atos 2) . A presença do Espírito Santo era uma prova da obra divina nas vidas das pessoas:

“E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus, nele. E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu” (1 João 3.24).

“Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele, em nós: em que nos deu do seu Espírito” (1 João 4.13).

A missão dos apóstolos de difundir o Evangelho foi a razão principal para a qual o Espírito Santo os capacitou. Esse acontecimento alterou dramaticamente a história mundial, e a mensagem do Evangelho por fim chegou a todas as partes da terra (Mt 28.19-20). Sem o Espírito Santo não há poder. Sem poder não há testemunho. Sem testemunho não há avanço até aos confins da terra. O Espírito Santo é a fonte apropriada de ânimo e conforto no sofrimento missionário. É impossível haver um convertido sequer sem a transformação operada pelo Espírito Santo. Charles Spurgeon dizia que é mais fácil ensinar um leão a ser vegetariano do que converter um coração sem a obra regeneradora do Espírito Santo.

Aqui está uma lição bem clara: o missionário não deve confiar em si mesmo, mas no Espírito Santo. Nossa suficiência missionária vem de Deus.

Vejamos algumas operações do Espírito Santo:
a) Ele convence do pecado, da justiça e do juízo:
“Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).
b) Ele opera o novo nascimento:
“Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” (João 3.5).
c) Ele testifica que somos filhos de Deus:
“O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Romanos 8.16).
d) Ele purifica o coração:
“Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós nos concedera. E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé o coração (Atos 15.8-9).
e) Ele derrama o seu amor em nós:
“Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Romanos 5.5).
f) Ele nos reveste para sermos testemunhas:
“mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (Atos 1.8).
g) Ele nos transforma:
“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2 Coríntios 3.18).

O propósito principal do derramamento do Espírito Santo é o recebimento de poder divino para testemunhar de Cristo, para ganhar os perdidos para Ele, e ensinar-lhes a observar tudo quanto Cristo ordenou - discipulado. Sua finalidade é fazer Cristo conhecido entre todos os povos para a alegria de todas as gentes.
Todavia, é necessário também entender que havia abismos tenebrosos nos relacionamentos entre judeus e samaritanos. Eles se consideravam inimigos irreconciliáveis. Para resolver este problema era necessário o poder do Espírito Santo para perdoarem uns aos outros. Cristo manda que preguem também aos samaritanos.
Assim, uma igreja cheia do Espírito é tudo de que Deus precisa para fazer uma transformação. Vejamos o exemplo de uma igreja cheia do Espírito Santo (ver Atos 2.42-47):

a) Depois que a igreja ficou cheia do Espírito Santo sua vida refletiu isso e o mundo foi impactado.
b) A plenitude do Espírito foi percebida através da solidez na doutrina dos apóstolos, do engajamento na oração, da comunhão fraternal, da adoração fervorosa e do testemunho correto.
c) Uma igreja cheia do Espírito tem bom testemunho dos de dentro e também dos de fora.

O Espírito Santo revela e torna mais real para nós a presença pessoal de Jesus (ver João 14.16-18). Uma comunhão pessoal com o próprio Jesus Cristo brotará num desejo cada vez maior da nossa parte de amar, honrar e agradar nosso Senhor e Salvador e de odiar o pecado. A ausência do poder do Espírito Santo na vida da igreja explicava os seus fracassos e revela a sua desobediência missionária.
Portanto, entendemos que:
O Espírito Santo é quem separa os missionários para o campo. É o Espírito Santo quem define quem vai e quem não vai para o campo missionário:

“E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (Atos 13.2).

O Espírito Santo quer o melhor. A igreja local deve enviar os seus melhores para a obra missionária, pois o Deus Missionário quer o melhor em sua obra, a nata dos membros (ver novamente, acima, Atos 13.2).
O Espírito Santo envia por intermédio da igreja. O instrumento do Espírito Santo para o envio é a igreja local. A missão é apenas possível e eficaz se realizada no e através do Espírito Santo:


“Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram. Enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre” (Atos 13.3,4).

Deste modo, não há missões sem a presença e a ação do Espírito Santo.

3. “e sereis minhas testemunhas”:
 
A expressão “e sereis” expõe enfaticamente a inevitabilidade da obra missionária. Quando Jesus disse “e sereis”, Ele não estava dando uma ordem aos discípulos. Se fosse uma ordem Ele teria dito: “vocês deverão ser”. Ele não está dando uma ordem, Ele está afirmando e garantindo um acontecimento infalível, inevitável: “vocês serão minhas testemunhas”. Assim que eles recebessem o batismo com o Espírito Santo, eles se transformariam, espontaneamente, em testemunhas de Jesus. A evidência de que estamos cheios do Espírito Santo é a ação missionária inevitável em nossas vidas.
Outro ponto importante neste assunto é: a essência da obra missionária é ser testemunha de Cristo; de sua vida, morte e ressurreição. Testemunhar é falar daquilo viu e ouviu. Testemunhas são pessoas que contam a verdade sobre Jesus. Testemunhar é sofrer e padecer por amor a Cristo. A palavra “testemunha” significa “pessoa que dá a vida pela sua fé”, pois esse foi o preço comumente pago pelo testemunho.

Isto significa que, como afirma Hernandes Dias Lopes, cada cristão é um missionário:

a) O médico cristão é missionário de Cristo no hospital.
b) O advogado é missionário de Cristo no seu escritório.
c) O juiz é missionário de Cristo no tribunal.
d) O comerciante é portador de boas novas atrás do balcão.
e) O negociante é veículo da graça de Deus por onde anda.
f) O estudante é missionário na escola e faculdade.
g) A empregada doméstica flameja a luz de Cristo na casa onde trabalha. Etc.

Isto implica que todo aquele que teve uma experiência pessoal com Cristo, automaticamente torna-se uma testemunha. Jesus Cristo quer que todos os seus seguidores sejam fieis testemunhas da sua realidade e poder.

Entretanto, há uma falsa ideia missionária no meio do povo de Deus. Alguns pregam que há três atitudes diante de missões: fazer algo, ficar olhando ou fugir. Todavia, este pensamento é antibíblico. Em nenhum lugar da Bíblia Deus diz que podemos ficar olhando ou fugir de missões. Pelo contrário, só temos uma alternativa: Ir. Marcos 16.15 não diz: “Fiquem olhando, fujam ou preguem o Evangelho em todo o mundo”. Mas:
“E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.”
Missões não é uma alternativa, mas a evidência de que estamos cheios do Espírito Santo. Quando estamos cheios do poder do Espírito Santo missões é inevitável. Ninguém entra na obra missionária sem ser chamado e ninguém consegue sair da obra missionária quando se é chamado.

4. “tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”:
 
a) Jerusalém: A igreja nasceu em Jerusalém e seus membros se estruturaram para dar continuidade à obra de Jesus. É o trabalho missionário em nossos lares, vizinhança, escola, faculdade, trabalho, etc. Este campo é muito vasto. Você já evangelizou alguém da sua família? Ou seu colega de faculdade ou trabalho? O seu vizinho? Podemos chamar de missões locais. Exemplo: Itajaí-SC .

b) Judeia: A região na qual Jerusalém se localizava. A igreja inicialmente se concentrou em Jerusalém. Entretanto, Deus estava firme em seu propósito de levar a bênção do Evangelho às outras regiões e, por fim, a todas as nações. Ocorreu então que, com a perseguição vinda diretamente contra a igreja de Jerusalém, os que foram dispersos começaram a pregar em toda parte por onde passavam (ver Atos 8.1,4; 5,11,19,20 e 13.46,47). Com a morte de Estevão (Atos 6 e 7), as testemunhas de Jesus foram espalhadas. Podemos chamar de missões regionais. Exemplo: o estado de Santa Catarina.

c) Samaria: A região imediatamente ao norte da Judeia. Felipe prega em Samaria (Atos 8.4-8) e em missão transcultural prega ao etíope, um alto oficial da rainha de Candace, que crê e pede para ser batizado naquele mesmo dia (Atos 8.26,28-36 3 39). A história indica que aquele etíope pode ter preparado o caminho para o posterior estabelecimento de várias igrejas no remoto vale do Nilo, África. Embora estivesse localizado entre a Judeia e a Galileia (nos dias do NT), o território samaritano apresentava algumas diferenças culturais significantes (ver 2 Reis 17. 24-41; Esdras 4. 5,9,10; João 4. 9,20), a ponto de seus moradores serem considerados pelos judeus como estrangeiros (Lucas 17. 15-18). Havia uma fronteira cultural entre os judeus e os samaritanos que consistia em dialetos diferentes e algumas outras diferenças culturais bem significativas. Portanto, culturalmente falando, os missionários cujas culturas dos povos que eles evangelizam, defrontam-se com a distância cultural. Podemos chamar de missões nacionais. Exemplo: o Brasil.

d) Confins da Terra: O Evangelho foi se espalhando: Jerusalém (Atos 2-7), Judeia e Samaria (Atos 8-12) e confins da Terra (Atos 13-28). O apóstolo Paulo, escolhido por Deus para levar a mensagem aos gentios (ver Atos 9.15,16), cumpre com êxito o chamado missionário. Em pouco mais de dez anos, e em três viagens missionárias, ele estabelece a igreja em quatro províncias do Império Romano: Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia (ver Atos 13.2; 14.28; 15.40; 18.23 e 21.17). Podemos chamar de missões mundiais. Exemplos: Peru, Holanda, Índia, Afeganistão, etc.

5. “tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”:
 
A questão do alcance da obra missionária tem sido afetada por dois problemas de visão: miopia e hipermetropia. Uns tem dificuldade para ver o que está longe, outros, para ver o que está perto. Há muitos que têm se perguntado para que a igreja investir em missões em lugares como a África, Ásia ou qualquer outro lugar distante (missões mundiais), se há tanta gente aqui precisando ouvir o Evangelho (missões locais, regionais e nacionais). Há outros que só conseguem ver missões na perspectiva transcultural e enfatizam tanto as necessidades em outros lugares, que chega a colocar em colapso de consciência aqueles que de alguma maneira estão envolvidos em um contexto de missões locais, regionais e nacionais. Jesus Cristo deixa clara a extensão da tarefa que deu à igreja: ela deve ir onde houver pessoas que precisam conhecer a Cristo.

Atos 1.8 mostra que o trabalho dos discípulos não deveria primeiro ser iniciado e completado em um lugar para depois partirem para outro. Atos 1.8 diz que o trabalho missionário deve ser feito “ao mesmo tempo” em cada um dos quatro lugares. Essa “simultaneidade” está expressa nas palavras “tanto em”, “como em”, e “até aos”. Assim, devemos louvar a Deus porque o missionário americano Ashbel Green Simonton há mais de 150 anos, não tinha a ideia de evangelizar somente sua cidade e país para depois vir ao Brasil. Ele deixou família e seu conforto para vir ao nosso país e trazer-nos a mensagem do Evangelho. Agora é a nossa vez de levar a outros povos a mensagem de Cristo.

Conclusão:
 
No dia de Pentecostes, Deus dá aos seguidores de Jesus o Espírito Santo anunciado por João Batista (Lucas 3.16) e prometido por Jesus (Lucas 24.49; Atos 1.4-5,8). Como Jesus tinha prometido (Atos 1.8), os discípulos receberam poder para dar testemunho a respeito de Jesus. O cumprimento de Atos 1.8 é Atos 8.1:

“E Saulo consentia na sua morte. Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria.”

A perseguição foi o instrumento usado por Deus para desaglutinar a igreja de Jerusalém e alcançar outros povos. Jesus deixou nas mãos da igreja a responsabilidade de pregar o Evangelho. Essa tarefa é nossa e de mais ninguém. Se nos calarmos seremos tidos como culpados. Não haverá esperança para o mundo se todos os crentes não se dispuserem a testemunhar. Cada crente deve fazer do seu lar e do seu trabalho uma trincheira do Reino de Deus. Não podemos esconder nossa luz. Não podemos ser discípulos secretos. Cada crente deve ser um ganhador de almas. Essa é a nossa vocação. Não podemos nos calar nem nos omitir. Não podemos nos esconder, confortavelmente, dentro dos nossos templos. Nenhuma outra entidade na terra tem competência e autoridade para evangelizar, exceto a igreja.
Portanto, o que nos falta não é comissionamento, mas obediência. Precisamos sair e ir lá fora, onde os pecadores estão. Devemos nos engajar em uma divulgação intensiva e extensiva do Evangelho entre todos os povos, difundindo-a de forma plena e persuasiva como está registrado nas Escrituras, no poder do Espírito Santo. O Evangelho de Cristo é o único remédio para a doença do homem. Não podemos nos calar. Não podemos sonegar aos povos o Evangelho. Precisamos compreender que missões é tanto um privilégio como uma responsabilidade e só será executada com o poder do Espírito Santo.

Nos laços do Calvário que nos une,
Pastor Luciano Paes Landim.

Bibliografia:
 
Bíblia de Estudo de Genebra. Edição Revista e Ampliada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.
Bíblia de Estudo MacArthur. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.
Bíblia de Estudo NTLH. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.
Bíblia de Estudo NVI, org. geral Kenneth Barker. São Paulo, SP: Editora Vida, 2003.
Bíblia Shedd, ed. responsável Russel Shedd. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 2009.
Marshall, I. Howard. Atos – Introdução e Comentário. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 1982.
Peters, George W. Teologia Bíblica de Missões. Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 2000.
Stott, John. A Mensagem de Atos – Até os Confins da Terra. São Paulo, SP: ABU Editora, 2008.

sábado, 13 de outubro de 2012

Somália


Os poucos cristãos são fortemente perseguidos, e devem praticar sua fé em segredo. Alguns foram forçados a fugir para viver em outros países.

A Igreja e a Perseguição Religiosa

A Igreja

Os primeiros missionários cristãos chegaram à Somália em 1881. Em quase um século de trabalho, eles conseguiram algumas centenas de convertidos, até que foram obrigados a se retirar do país em 1974.

O Cristianismo é uma religião minoritária na Somália: aproximadamente mil praticantes em uma população de mais de 9 milhões de pessoas.
A maioria dos cristãos somalis pertence à etnia minoritária bantu. Não há perspectiva de crescimento da igreja na Somália para os próximos anos, devido à constante instabilidade política e econômica em que vive o país e aos constantes ataques de grupos radicais islâmicos.

A Perseguição


A falta de lei no país (não há Constituição, por exemplo) abre espaço para o crescimento do extremismo religioso, que é o grande responsável pela perseguição aos cristãos somalis.

Há uma Carta de Direitos do governo de transição, mas não possui restrições ou proteções à liberdade religiosa. Duas regiões no país - Somalilândia e Puntlândia - adotaram o islamismo como a religião oficial. Em ambas as regiões, os muçulmanos não podem abandonar o islamismo, sob pena de morte. Ou seja, para os somalis, o ex-muçulmano é um infiel, que merece a morte.

Extremistas têm acusado organizações cristãs de ajuda humanitária de aproveitarem o caos no país para divulgar o evangelho. Tais acusações acabam atraindo a atenção da mídia e levando a ataques públicos contra os cristãos por parte dos jornais locais. Além disso, os partidos políticos muçulmanos têm publicado relatórios que detalham os programas evangelísticos e advertem severamente o povo somali a manter distância de tais atividades. Desde que se tornou independente, em 1960, a Somália sofre com grupos radicais, como o Movimento Nacional Somali (SNM), o Movimento Patriótico Somali (SPM), o Congresso Somali Unido (USC) e o mais conhecido deles, o Al Shabaab, grupo radical islâmico criado em 2004, que domina algumas áreas ao sul do país e tem como objetivo principal derrubar o governo de transição da Somália e instalar um governo teocrático baseado na Sharia (lei islâmica). O Al Shabaab é financiado pela Al Qaeda: além de causar instabilidade política no país, esses grupos coíbem e reprimem qualquer possibilidade de trabalho missionário ou de evangelismo no país.

História e Política

A Somália está localizada no extremo leste do continente africano, na região semiárida conhecida como Chifre da África. O território somali apresenta paisagens variadas, com regiões montanhosas ao norte, desertos e savanas na área central e uma região subtropical ao sul. A origem do nome do país é incerta, mas Somália significa “terra dos somalis”.

Há na Somália artes rupestres que datam do período paleolítico, de aproximadamente 9.000 anos antes de Cristo. As evidências mais antigas de cerimônias funerárias no Chifre da África foram encontradas em cemitério da Somália, datadas do ano 4000 a.C. Na antiguidade, os estados-cidades que formavam a Somália desenvolveram um comércio muito lucrativo com os principais impérios da época (Egito, Grécia, Pérsia, Roma), aos quais fornecia especiarias como mirra e incenso.

No século VII os árabes se instalaram na costa da Somália, com o intuito de desenvolver o seu comércio na região e pregar a religião islâmica. A rápida adesão ao Islã por parte da população somali influenciou para que a religião se expandisse com sucesso por todo o seu território. No século XIX, as cidades litorâneas da Somália foram incorporadas ao Império Turco-Otomano. No século XX, tornou-se colônia italiana juntamente com a Etiópia, denominada Somalilândia Italiana; durante a Segunda Guerra Mundial, parte do seu território foi ocupada pelos britânicos.

A Somália tornou-se independente em 1960, quando italianos e britânicos se retiraram e o território foi unificado. Desde sua independência, o país tem tido conflitos com a Etiópia pela posse da região de Ogaden (Estado da Etiópia).

A Guerra Fria acabou por beneficiar a Somália economicamente, pois o país recebia subsídios da União Soviética em um primeiro momento; mais tarde, passou a recebê-los dos Estados Unidos. Apesar disso, os conflitos internos e externos acabaram por devastar a nação e sua população.

Em 1991, uma sangrenta guerra civil derrubou a ditadura governante e lançou o país em total desgoverno, com mais de 20 clãs armados lutando entre si pelo poder. Em 1992, as Nações Unidas intervieram no conflito, a fim de fornecer ajuda humanitária aos necessitados.

Embora o caos e a luta entre os diversos clãs ainda persistam em quase todo o território somali, um governo de transição foi estabelecido em 2004 para promover o processo de paz, após a iniciativa do presidente de Djibuti, Ismael Omar Guelleh, de reunir mais de dois mil representantes somalis em seu país.

O Governo Federal de Transição está situado na capital, Mogadíscio. A cada cinco anos escolhe-se um novo presidente para o governo de transição. No entanto, seu inimigo, a União de Cortes Islâmicas, embora tecnicamente derrotado, continua lutando, com a ideia de instaurar o caos e impor a lei islâmica à sociedade.

População

A maioria da população pertence à etnia somali, que se divide em inúmeros clãs. No entanto, os quatro maiores clãs - dir, daarwood, hawiye e isxaaq - respondem por aproximadamente três quartos da população do país. Os outros clãs, considerados inferiores, agrupam 20% dos somalis localizados no sul e uma minoria pertencente à etnia banta.

O islamismo é a religião oficial da Somália e, com raras exceções, a maioria dos somalis segue a tradição sunita. Há alguns hindus entre os indianos que trabalham no país.

A Somália é uma das nações mais pobres do mundo. Após anos de guerra civil, a economia entrou em colapso e é controlada por uma minoria que explora o narcotráfico, a venda de armas e o comércio de alimentos. A maioria dos somalis vive da pecuária e da agricultura de subsistência, dependendo dos programas de ajuda humanitária.

Economia

A economia do país foi praticamente devastada devido aos vários anos de guerra civil. A agricultura e a pecuária são os setores mais importantes da economia e correspondem a cerca de 40% do PIB do país. Devido às guerras e à fome, a Somália tem uma das mais altas taxas de mortalidade infantil do mundo; o país está entre os oito mais pobres do mundo.

Link: http://www.portasabertas.org.br/cristaosperseguidos/perfil/somalia/

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

6ª Expedição Missionária


Você que deseja participar da 6ª Expedição Missionária, e não sabe como, envia um e-mail para aguavivaparaosertao@gmail.com com as seguintes informações: NOME, IGREJA E CIDADE que logo em seguida estaremos enviando um e-mail com todas as informações.
Participe deste projeto!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Meu nome está no Livro, eu posso entrar.

Antes de eu ir tenho que conversar com o administrador e pedir para marcar meu nome.

Quando chego lá, tem um monte de homens indígenas em frente do prédio da Funai, em Governador Valadares querendo entrar.

Perguntam se eu marquei com administrador, eu digo que sim, então eles (os demais índios) grudam em mim (CIC) para poder entrar.

Na portaria o guarda tem um livro, ele me pergunta:"Qual é o seu nome?"Eu digo:-Marquinhos Maxakali.

O guarda liga para a secretária dizendo que eu cheguei.Então abre o portão e grita o meu nome.

Não deixa mais ninguém entrar.Os outros ficam bravos e xingam,mas não adianta. O MEU NOME ESTÁ NO LIVRO, EU POSSO ENTRAR.

Antes de eu ir, ei liguei para que eles colocassem o meu nome e confiei que fizeram isso.

Eu não gastei dinheiro à toa, eles não mentiram, escreveram o meu nome e pude entrar.

Eu confio que Jesus morreu na cruz pelos meus pecados, ressuscitou e está no céu. Ele escreveu o meu nome no Livro da Vida e está lá.

Ninguém pode entrar no meu lugar, ninguém pode tirar o meu nome de lá.Um dia eu vou chegar lá no céu e vão gritar o meu nome.Eu vou ficar no céu com Jesus.

Marquinhos Maxakali

Ele tem sido uma benção no meio do povo e para equipe missionária ajudando a traduzir e a Palavra de Deus na língua e cultura maxakali.

Link: http://novastribosdobrasil.org.br/conteudo/item/36-meu-nome

O que aprendemos com os feitos de Deus por meio de quatro missionários (In)voluntários

O povo judeu enfrentou duras adversidades nos séculos 6 e 7 a.c. Jerusalém foi sitiada pelos caldeus no reinado de Jeoaquim (603 a.C). Profetizavam nessa época Jeremias, Habacuque, Daniel e outros. O livro de Jeremias relata a péssima condição espiritual do povo: insensível, rebelde e contumaz uma religião apenas de aparências. Sua fraqueza espiritual refletia também na sua vida social. A situação era tão grave que Deus chegou a ponto de proibir o profeta de interceder pelo povo.

Mas Daniel e seus companheiros evidenciaram a luz de Deus por onde passaram. A sociologia ensina que o homem é um produto do meio, mas podemos ver que o compromisso com Deus supera essa regra (6:5,10,16). Sua vida era centrada nEle. Experimentaram o propósito mais sublime da vida: conhecer a Deus e fazê-lO conhecido a outros.

Deus intervém transtornando a história do povo judeu e levando alguns jovens para a Babilônia, via cativeiro.

Eis que "realizo em vossos dias obra tal que não crereis quando vos for contada ... " Hb.1:5. Ele iria promover missões, alargar as fronteiras geográficas das marcas do seu reino e fazer um avivamento como orou Habacuque (Hb.3:2).

Alistaremos alguns aspectos transculturais tão vividos no livro de Daniel, integrado com Habacuque e Jeremias.

1 - Uso da língua e cultura do povo. 1:4

O programa do rei de prepará-los incluía isso: "e lhes ensinasse a língua e a cultura dos caldeus." Hoje em dia as missões transculturais labutam com a barreira linguística e cultural para comunicar o Evangelho, mas aqueles quatro missionários tiveram um programa de estudo de língua e cultura promovido pelo próprio rei do país. Três anos de estudo e não se admitia repetência ou retardamento: "ao fim dos quais assistiriam diante do rei".

Creio que Daniel aprendeu bem rápido e isso se mostra em sua vida pessoal, pois seu nome babilônico foi rejeitado, creio que por ele próprio. Nem o rei o chamou de Beltessazar (6:20; 8:15). Provavelmente ele tenha dito: "Não me chame assim, eu não preciso de Bel para me proteger. Chame-me Daniel".

Isso mostra também que a tolerância e aquiesciência cultural têm limites; o missionário transcultural deve saber aonde pisa. Quando se tratar de comprometer seu relacionamento com Deus ele tem de mostrar suas posições firmes e não agir somente em nome de identificação cultural. O exagero na identificação cultural os levaria a ter muitos amigos, mas a mensagem se perderia ... A primeira pregação a vida comprometida com Deus.

2 - Sensibilidade com a cultura diferente da sua

Logo no início de sua permanência ali, os quatros jovens tiveram de lidar com o chamado choque cultural. Foi difícil porque se tratava de comida - algo vital e essencial. O chefe Aspenaz tinha uma ordem real a cumprir: o programa de estudos, moradia e inclusive a dieta alimentar (1:5) " ... ração diária das finas iguarias da mesa real e do vinho".

"Oba! Vamos comer o mesmo que o próprio rei come!" Diria um missionário desavisado. Daniel e seus colegas, porém, queriam investigar mais a cultura, a origem e preparação da comida, se era ou não dedicado ao deus Bel, etc. Conhecendo mais sobre a cultura, não queriam aquela comida.

Sua sensibilidade cultural se mostra no fato de não menosprezarem a comida, até chamando-a de finas iguarias (1:13) e serem sensíveis com Aspenaz conforme o difícil pedido que lhe faziam. Daniel fez uma negociação e, com a ajuda de Deus, conseguiu mudar seu cardápio sem comprometer o chefe.

Outra situação difícil: a situação era gravíssima porque o rei tinha decretado a morte de todos os animistas, místicos e esotéricos. Um missionário fundamentalista radical iria dizer aos seus colegas: "Olha, ficaremos livres de todos os animistas e esotéricos; o rei mandou matá-los". Mas Daniel não era assim: sentiu que devia interferir e fez isso com muito tato: procurou entender bem o que se passava falando avisada e prudentemente com Arioque o homem que executaria as penas de morte (2:14,15). A seguir, sem tardança, pediu audiência com o rei com quem se comprometeu, livrando os sábios da morte. Esse tipo de tato, sensibilidade e coragem pela fé são indispensáveis ao missionário transcultural.

3 - Necessidade de confrontação cultural

Certamente Daniel e os outros fizeram várias concessões de valores e costumes. Adotaram a roupa, a língua e usaram sua sabedoria como instrumentos de bênção divina entre os babilônios, como a intervenção de Daniel em favor dos sábios.

Mais tarde, porém, enfrentaram situações que requeriam uma confrontação cultural muito clara e eles não hesitaram em fazer isso, mesmo com risco da própria vida. Quando os assessores do rei manipularam a ambição política e o levaram a assinar um decreto cujo alvo era atingir Daniel, mas este percebeu toda a trama e assumiu sua posição de fé sem titubear, conforme o capítulo 5. Orou com as janelas abertas assumindo à vista de todos sua prática de fé.

No capítulo 3 foi a vez de Misael, Ananias e Azarias assumirem uma confrontação cultural em nome da fé. Expuseram suas vidas ao perigo da fornalha por se recusarem a fazer algo não coerente com sua fé. Deus os honrou livrando-os do fogo. Puderam testemunhar aos prefeitos, governadores, sátrapas e conselheiros reais. O ocorrido deu ensejo a um decreto real exigindo respeito de todos os babilônios para o Deus deles.

Frequentemente os missionários são submetidos a esse tipo de teste. Aqueles que fazem trabalho transcultural têm de perceber a hora de afirmarem a sua fé.

4 - Lidando com política: manipulação que promete favorecimento pessoal

Não raramente missionários ficam sujeitos a situações que aparentemente os beneficia. A tentação de ceder pode ser forte. Algumas vezes essas situações provém do animismo que insinua a manipulação de poderes sobrenaturais para auferir vantagens pessoais: prestígio político ou religioso, reconhecimento, etc.

Possivelmente os grupos animistas e esotéricos fizeram isso como os quatro jovens mas há um registro de oferta de vantagens da parte do rei que Daniel enfrentou: "Se você puder ajudar-me será vestido de púrpura, ganhará uma cadeia de ouro ao pescoço e será o terceiro no meu reino". Essa era uma boa oferta mas para a pessoa errada, pois Daniel nem se impressionou com ela; ele sabia fazer diferença entre reconhecimento cultural do povo e manipulação interesseira e comprometedora: "Minha palavra profética não negociável; os teus presentes fiquem contigo e dá os prêmios a outrem ... " (5:16,17).

Certa vez fui desafiado por um xamã indígena. Eles procuram prestígio e reputação na capacidade de manipular poderes (trovões, vendaval, doenças) que as pessoas comuns, não têm. Ele me disse: "Você que é crente, não deixe que chova aqui (pela oração, ele queria dizer). Tentei conversar com ele um pouco e argumentei: "O senhor acha que será bom se não chover? Penso que se não chove as frutas não amadurecem na mata, não poderemos jazer coletas sazonais, as caças e os peixes que se alimentam de frutas e flores também não vão crescer, nossas plantações também não vão produzir ... Será realmente bom se não chover? ... " Uma pessoa que escutava atentamente nossa conversa começou a rir. Ele ficou desconcertado e mudou de assunto.

Fica uma pergunta: Será que Sadraque, Mesaque e Abede-Nego gostaram da prosperidade com que o rei os agraciou (3:30) e continuaram com seus nomes babilônios? Esta é a última referência sobre eles. Não são mencionados na parte final do livro ...

Seria esse um sinal de alerta para missionários transculturais? À guisa de conclusão, olhando a seqüência na história, vemos que no final de tudo, Deus levantou Ciro para reedificar sua obra como predito em Isaías 44 e relatado em Esdras.

O avivamento chegou. As orações de Habacuque, Jeremias e Daniel foram respondidas no tempo de Deus e à sua maneira. O rei Dario consulta os arquivos e atende a decisão de Ciro. Ed. 6:3.

A luz brilhou na Babílônia, cumpriu-se a vontade soberana de Deus.

Missionário Silas de Lima

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Indivíduos ameaçam queimar Igreja Protestante na Argélia

02 out 2012 Argélia
Protestos contra o filme anti-Islã “Inocência dos Muçulmanos” continuam a se espalhar. Ore pelo restabelecimento da paz nos países onde está concentrada a violência de origem muçulmana

Na mesma semana em que o embaixador dos EUA foi morto na Líbia, um grupo de quatro indivíduos ameaçou queimar a igreja de um pastor protestante, em Ouargla, na Argélia. A ameaça contra a congregação, localizada na capital da província de nome semelhante, veio como um protesto contra o filme anti-Islã "Inocência dos Muçulmanos”, de acordo com Mustapha Krim, presidente da Igreja Protestante da Argélia (EPA).

O pastor da igreja comentou ao porta-voz da EPA: "Quando estava chegando para o culto, encontrei um grupo de quatro jovens no muro delimitador da nossa igreja. Eles me impediram de abrir o portão. Um deles se aproximou de mim e falou acerca de um filme anti-Islã, que denegria a vida do profeta Maomé. Eles me ameaçaram, dizendo: 'abra o portão para nós para que possamos queimar sua igreja, ou então vamos queimá-lo'."

O pastor disse que conseguiu entrar na igreja e imediatamente chamou a polícia. Os quatro agressores fugiram de carro para um destino desconhecido. Tendo gravado a placa do veículo, o pastor registrou uma queixa na polícia contra essas pessoas. Isto permitiu à polícia identificar um dos agressores, dois dias depois.

De acordo com a EPA, a investigação está em curso para identificar os demais. Além disso, o presidente da EPA, Mustapha Krim, pediu aos muçulmanos que vivem na Argélia, "para não confundir os cristãos que respeitam outras crenças com as pessoas que têm intenções erradas, que nada têm a ver com os valores cristãos, como este cineasta que produziu o filme nos Estados Unidos”.

Histórico
Em fevereiro de 2012, essa mesma igreja foi alvo de vandalismo por atacantes desconhecidos. O edifício existe há várias décadas e é a única congregação reconhecida oficialmente como parte da Igreja Protestante da Argélia.

Ouargla é uma cidade situada a alguns quilômetros de Argel, capital da Argélia, e tem uma população de 195 mil habitantes. Muitos são de origem berbere (povos do Norte de África) e falam uma variedade de dialetos berberes.

Fonte: Portas Abertas Internacional
Tradução: Ana Luíza Vastag

Link: http://www.portasabertas.org.br/noticias/2012/10/1837885/

Educando para a glória de Deus