Missões no Poder do Espírito Santo


A Estratégia Missionária de Deus

O conteúdo deste livro foi originalmente proferido pelo autor no Congresso de Missões da AMILA (Aliança Missionária Latino-Americana) na Comunidade Cristã de Itajaí/SC, no dia 15 de julho de 2012. Portanto, o texto é fruto de uma transformação e adaptação do conteúdo para melhor assimilação e identificação. Almejamos colaborar para a conscientização e capacitação missionária da igreja.

Texto Bíblico: At 1.8
“mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.”

“Aquele que não ama missões, é possível que nunca tenha encontrado Cristo.” (Frase dita por um africano)

Introdução:

Jesus, antes de regressar ao céu e derramar seu Espírito, deu a Grande Comissão aos seus discípulos. Essa Grande Comissão está registrada nos quatro Evangelhos e também no livro de Atos:
a) Mateus 28.19-20:
“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.”
b) Marcos 16.15:
“E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.”
c) Lucas 24.46-49:
“e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas. Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.”
d) João 20.21-22:
“Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.”
e) Atos 1.8:
“mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.”

Em Mateus 28.19-20, o Mestre comissiona seus discípulos a ir por todo o mundo, até aos confins da terra, proclamando as boas novas de salvação única e exclusiva em Jesus Cristo, fazendo discípulos de todas as nações. O fato é que Jesus completou sua obra na cruz. Venceu o diabo e levou sobre si os nossos pecados. Agora Jesus, o missionário por excelência, comissiona sua igreja a levar essa mensagem ao mundo inteiro.

Hernandes Dias Lopes disse:
“O projeto de Deus é o Evangelho todo, por toda a igreja, a toda criatura, em todo o mundo”.

O texto bíblico de Mateus 28.19-20 é bem claro: a obra missionária não é uma opção; é uma ordem. Emudecer-se acerca do Evangelho puro e simples é um ato de oposição a Cristo e uma atitude de descompaixão aos perdidos. O próprio Senhor da missão que nos alcançou com a salvação, comissiona-nos a pregar a salvação pela graça mediante a fé em Jesus Cristo. Ou seja, não são os pecadores que devem vir à igreja, porém é a igreja que deve ir aos pecadores. Missões é pescar onde os pecadores estão. Isto significa que não evangelizar é um pecado de desmazelo e omissão. Na verdade, é uma conspiração contra uma ordem divina. Portanto, missões aqui não é uma opção, mas um mandamento. Missões não é um programa ou departamento da igreja, mas o estilo de vida de todos os cristãos. Todos aqueles que foram alcançados pelo Evangelho são mandados a noticiar as boas novas de salvação. É lamentável que a Grande Comissão tenha sido mais debatida do que obedecida na história da igreja.

Já no livro de Atos, mais precisamente no capítulo 1 versículo 8, missões não é uma mera ordem e sim uma declaração indicativa, explicando que, após serem cheios do Espírito Santo, os discípulos iriam ser levados a testemunhar da sua fé em todos os lugares do mundo. Se você quer saber se alguém é cheio do Espírito Santo, veja se ele é missionário. A missão dos apóstolos de difundir o Evangelho foi a razão principal para a qual o Espírito Santo os capacitou. Diante disto, uma coisa me preocupa muito: o fato de que cada crente prestará contas se e de como pregou o Evangelho aos perdidos. Isso me leva a crer que quem não prega o Evangelho pode estar indo para o inferno. E se você diz que ama a Deus, mas não tem visão missionária, então você é um mentiroso.

Atos 1.8 é o versículo-chave do livro de Atos dos Apóstolos, é a base e a amplitude do plano de Deus para que a igreja executasse missões.

Portanto, a expansão da igreja em Atos segue a predição de Jesus:
a) Jerusalém é evangelizada (Atos 1.12 - 7.60).
b) Judeia e Samaria são atingidas (Atos 8.1-40).
c) O Evangelho avança sem parar por terras gentias até Roma (Atos 9.1 – 28.31).

O Grande Desafio Missionário Mundial:
 
O Evangelho deve ser espalhado entre todas as nações, e toda tribo e idioma devem ouvi-lo para a glória de Deus e alegria de todos os povos. A verdade é que não há esperança para o mundo fora do Evangelho. Não há salvação para o homem fora de Jesus Cristo. Deus é o Deus de todas as nações, povos, etnias e línguas. Assim, o desafio missionário que temos é mundial:

a) Dos 24.000 povos no mundo, 8.000 ainda não foram alcançados com o Evangelho.
b) Dos 251 povos indígenas brasileiros, 103 ainda não têm presença missionária.
c) Das 7.158 línguas do mundo, a Bíblia ainda não foi traduzida para 4.000 delas.
d) Das 600.000 cidades e vilas na Índia, em 500.000 ainda não tem obreiros cristãos.
e) Na China ainda existem 500.000.000 de pessoas que nunca ouviram falar de Jesus.
f) Dentre as mais de 270.000 igrejas existentes no Brasil menos de 400 delas possuem um missionário trabalhando com esses povos não alcançados (incluindo nossas tribos indígenas).
g) Acredita-se que morrem 85.000 diariamente no mundo sem nunca terem ouvido falar da salvação em Jesus.
h) Menos de 1% dos recursos da igreja brasileira são investidos na obra transcultural.
i) A média de investimento do crente brasileiro em missões é de apenas R$ 1,30 por ano. Para se ter uma ideia, se investe mais em chicletes e balas do que em missões.

Portanto, para pregar o Evangelho onde Cristo ainda não foi anunciado é imprescindível o poder do Espírito Santo em nossas vidas. Essa é a estratégia missionária de Deus. Não nos atrevamos a descansar antes que isto seja realizado. Chegou a hora da igreja se levantar, no poder do Espírito Santo e apregoar que Cristo é o único e suficiente Salvador e Senhor.

1. “mas recebereis poder”:

É impossível para a igreja fazer missões sem o poder do Espírito Santo. Poder é o revestimento do alto. O verbo “recebereis” está na voz passiva e no plural indicando que este poder vem de Deus e é para todos os crentes. O realce de Cristo não estava na habilidade dos obreiros, mas no poder do Espírito Santo. Trata-se do mesmo poder que estava em Jesus. Fazer a obra missionária sem o poder do Espírito Santo é como andar em um carro sem motor.

Os apóstolos já possuíam o poder do Espírito Santo de salvar, conduzir, doutrinar e realizar prodígios. Em breve eles receberiam a presença habitadora do Espírito Santo e uma nova dimensão de poder para testemunhar. O poder do Espírito Santo é a base de toda obra missionária. Os apóstolos não deviam começar a enorme tarefa antes de serem munidos e equipados com o poder do Espírito.

O poder do Espírito Santo é o poder que dá coragem:
“Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus” (Atos 4.31).
Este poder não é humano, nem vem de domínios humanos, mas é o poder do alto, que vem do próprio Senhor da missão. Muitos de nós pensamos que o poder deve ser apenas para os pastores e líderes, mas de acordo com a Bíblia ele está disponível para os crentes. O poder do Espírito Santo nos capacita para ter uma vida cheia do seu fruto (Gálatas 5.22) e também confere à nossa palavra uma autoridade e poder que toca no coração das pessoas para que tenham convicção de pecado e reconheçam que precisam do Salvador, isto é, quando pregamos a Palavra de Deus e não a nossa.

2. “ao descer sobre vós o Espírito Santo”:
 
Jesus prometeu enviar o Espírito Santo, o outro consolador, ao subir ao céu. O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade, ou seja, Ele é Deus. O Espírito Santo demonstraria o seu controle sobre a vida deles por meio de manifestações especiais: um som de vento impetuoso, surgimento de formas de língua de fogo e o falar em línguas estrangeiras (Atos 2) . A presença do Espírito Santo era uma prova da obra divina nas vidas das pessoas:

“E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus, nele. E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu” (1 João 3.24).

“Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele, em nós: em que nos deu do seu Espírito” (1 João 4.13).

A missão dos apóstolos de difundir o Evangelho foi a razão principal para a qual o Espírito Santo os capacitou. Esse acontecimento alterou dramaticamente a história mundial, e a mensagem do Evangelho por fim chegou a todas as partes da terra (Mt 28.19-20). Sem o Espírito Santo não há poder. Sem poder não há testemunho. Sem testemunho não há avanço até aos confins da terra. O Espírito Santo é a fonte apropriada de ânimo e conforto no sofrimento missionário. É impossível haver um convertido sequer sem a transformação operada pelo Espírito Santo. Charles Spurgeon dizia que é mais fácil ensinar um leão a ser vegetariano do que converter um coração sem a obra regeneradora do Espírito Santo.

Aqui está uma lição bem clara: o missionário não deve confiar em si mesmo, mas no Espírito Santo. Nossa suficiência missionária vem de Deus.

Vejamos algumas operações do Espírito Santo:
a) Ele convence do pecado, da justiça e do juízo:
“Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).
b) Ele opera o novo nascimento:
“Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” (João 3.5).
c) Ele testifica que somos filhos de Deus:
“O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Romanos 8.16).
d) Ele purifica o coração:
“Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós nos concedera. E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé o coração (Atos 15.8-9).
e) Ele derrama o seu amor em nós:
“Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Romanos 5.5).
f) Ele nos reveste para sermos testemunhas:
“mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (Atos 1.8).
g) Ele nos transforma:
“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2 Coríntios 3.18).

O propósito principal do derramamento do Espírito Santo é o recebimento de poder divino para testemunhar de Cristo, para ganhar os perdidos para Ele, e ensinar-lhes a observar tudo quanto Cristo ordenou - discipulado. Sua finalidade é fazer Cristo conhecido entre todos os povos para a alegria de todas as gentes.
Todavia, é necessário também entender que havia abismos tenebrosos nos relacionamentos entre judeus e samaritanos. Eles se consideravam inimigos irreconciliáveis. Para resolver este problema era necessário o poder do Espírito Santo para perdoarem uns aos outros. Cristo manda que preguem também aos samaritanos.
Assim, uma igreja cheia do Espírito é tudo de que Deus precisa para fazer uma transformação. Vejamos o exemplo de uma igreja cheia do Espírito Santo (ver Atos 2.42-47):

a) Depois que a igreja ficou cheia do Espírito Santo sua vida refletiu isso e o mundo foi impactado.
b) A plenitude do Espírito foi percebida através da solidez na doutrina dos apóstolos, do engajamento na oração, da comunhão fraternal, da adoração fervorosa e do testemunho correto.
c) Uma igreja cheia do Espírito tem bom testemunho dos de dentro e também dos de fora.

O Espírito Santo revela e torna mais real para nós a presença pessoal de Jesus (ver João 14.16-18). Uma comunhão pessoal com o próprio Jesus Cristo brotará num desejo cada vez maior da nossa parte de amar, honrar e agradar nosso Senhor e Salvador e de odiar o pecado. A ausência do poder do Espírito Santo na vida da igreja explicava os seus fracassos e revela a sua desobediência missionária.
Portanto, entendemos que:
O Espírito Santo é quem separa os missionários para o campo. É o Espírito Santo quem define quem vai e quem não vai para o campo missionário:

“E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (Atos 13.2).

O Espírito Santo quer o melhor. A igreja local deve enviar os seus melhores para a obra missionária, pois o Deus Missionário quer o melhor em sua obra, a nata dos membros (ver novamente, acima, Atos 13.2).
O Espírito Santo envia por intermédio da igreja. O instrumento do Espírito Santo para o envio é a igreja local. A missão é apenas possível e eficaz se realizada no e através do Espírito Santo:


“Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram. Enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre” (Atos 13.3,4).

Deste modo, não há missões sem a presença e a ação do Espírito Santo.

3. “e sereis minhas testemunhas”:
 
A expressão “e sereis” expõe enfaticamente a inevitabilidade da obra missionária. Quando Jesus disse “e sereis”, Ele não estava dando uma ordem aos discípulos. Se fosse uma ordem Ele teria dito: “vocês deverão ser”. Ele não está dando uma ordem, Ele está afirmando e garantindo um acontecimento infalível, inevitável: “vocês serão minhas testemunhas”. Assim que eles recebessem o batismo com o Espírito Santo, eles se transformariam, espontaneamente, em testemunhas de Jesus. A evidência de que estamos cheios do Espírito Santo é a ação missionária inevitável em nossas vidas.
Outro ponto importante neste assunto é: a essência da obra missionária é ser testemunha de Cristo; de sua vida, morte e ressurreição. Testemunhar é falar daquilo viu e ouviu. Testemunhas são pessoas que contam a verdade sobre Jesus. Testemunhar é sofrer e padecer por amor a Cristo. A palavra “testemunha” significa “pessoa que dá a vida pela sua fé”, pois esse foi o preço comumente pago pelo testemunho.

Isto significa que, como afirma Hernandes Dias Lopes, cada cristão é um missionário:

a) O médico cristão é missionário de Cristo no hospital.
b) O advogado é missionário de Cristo no seu escritório.
c) O juiz é missionário de Cristo no tribunal.
d) O comerciante é portador de boas novas atrás do balcão.
e) O negociante é veículo da graça de Deus por onde anda.
f) O estudante é missionário na escola e faculdade.
g) A empregada doméstica flameja a luz de Cristo na casa onde trabalha. Etc.

Isto implica que todo aquele que teve uma experiência pessoal com Cristo, automaticamente torna-se uma testemunha. Jesus Cristo quer que todos os seus seguidores sejam fieis testemunhas da sua realidade e poder.

Entretanto, há uma falsa ideia missionária no meio do povo de Deus. Alguns pregam que há três atitudes diante de missões: fazer algo, ficar olhando ou fugir. Todavia, este pensamento é antibíblico. Em nenhum lugar da Bíblia Deus diz que podemos ficar olhando ou fugir de missões. Pelo contrário, só temos uma alternativa: Ir. Marcos 16.15 não diz: “Fiquem olhando, fujam ou preguem o Evangelho em todo o mundo”. Mas:
“E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.”
Missões não é uma alternativa, mas a evidência de que estamos cheios do Espírito Santo. Quando estamos cheios do poder do Espírito Santo missões é inevitável. Ninguém entra na obra missionária sem ser chamado e ninguém consegue sair da obra missionária quando se é chamado.

4. “tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”:
 
a) Jerusalém: A igreja nasceu em Jerusalém e seus membros se estruturaram para dar continuidade à obra de Jesus. É o trabalho missionário em nossos lares, vizinhança, escola, faculdade, trabalho, etc. Este campo é muito vasto. Você já evangelizou alguém da sua família? Ou seu colega de faculdade ou trabalho? O seu vizinho? Podemos chamar de missões locais. Exemplo: Itajaí-SC .

b) Judeia: A região na qual Jerusalém se localizava. A igreja inicialmente se concentrou em Jerusalém. Entretanto, Deus estava firme em seu propósito de levar a bênção do Evangelho às outras regiões e, por fim, a todas as nações. Ocorreu então que, com a perseguição vinda diretamente contra a igreja de Jerusalém, os que foram dispersos começaram a pregar em toda parte por onde passavam (ver Atos 8.1,4; 5,11,19,20 e 13.46,47). Com a morte de Estevão (Atos 6 e 7), as testemunhas de Jesus foram espalhadas. Podemos chamar de missões regionais. Exemplo: o estado de Santa Catarina.

c) Samaria: A região imediatamente ao norte da Judeia. Felipe prega em Samaria (Atos 8.4-8) e em missão transcultural prega ao etíope, um alto oficial da rainha de Candace, que crê e pede para ser batizado naquele mesmo dia (Atos 8.26,28-36 3 39). A história indica que aquele etíope pode ter preparado o caminho para o posterior estabelecimento de várias igrejas no remoto vale do Nilo, África. Embora estivesse localizado entre a Judeia e a Galileia (nos dias do NT), o território samaritano apresentava algumas diferenças culturais significantes (ver 2 Reis 17. 24-41; Esdras 4. 5,9,10; João 4. 9,20), a ponto de seus moradores serem considerados pelos judeus como estrangeiros (Lucas 17. 15-18). Havia uma fronteira cultural entre os judeus e os samaritanos que consistia em dialetos diferentes e algumas outras diferenças culturais bem significativas. Portanto, culturalmente falando, os missionários cujas culturas dos povos que eles evangelizam, defrontam-se com a distância cultural. Podemos chamar de missões nacionais. Exemplo: o Brasil.

d) Confins da Terra: O Evangelho foi se espalhando: Jerusalém (Atos 2-7), Judeia e Samaria (Atos 8-12) e confins da Terra (Atos 13-28). O apóstolo Paulo, escolhido por Deus para levar a mensagem aos gentios (ver Atos 9.15,16), cumpre com êxito o chamado missionário. Em pouco mais de dez anos, e em três viagens missionárias, ele estabelece a igreja em quatro províncias do Império Romano: Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia (ver Atos 13.2; 14.28; 15.40; 18.23 e 21.17). Podemos chamar de missões mundiais. Exemplos: Peru, Holanda, Índia, Afeganistão, etc.

5. “tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”:
 
A questão do alcance da obra missionária tem sido afetada por dois problemas de visão: miopia e hipermetropia. Uns tem dificuldade para ver o que está longe, outros, para ver o que está perto. Há muitos que têm se perguntado para que a igreja investir em missões em lugares como a África, Ásia ou qualquer outro lugar distante (missões mundiais), se há tanta gente aqui precisando ouvir o Evangelho (missões locais, regionais e nacionais). Há outros que só conseguem ver missões na perspectiva transcultural e enfatizam tanto as necessidades em outros lugares, que chega a colocar em colapso de consciência aqueles que de alguma maneira estão envolvidos em um contexto de missões locais, regionais e nacionais. Jesus Cristo deixa clara a extensão da tarefa que deu à igreja: ela deve ir onde houver pessoas que precisam conhecer a Cristo.

Atos 1.8 mostra que o trabalho dos discípulos não deveria primeiro ser iniciado e completado em um lugar para depois partirem para outro. Atos 1.8 diz que o trabalho missionário deve ser feito “ao mesmo tempo” em cada um dos quatro lugares. Essa “simultaneidade” está expressa nas palavras “tanto em”, “como em”, e “até aos”. Assim, devemos louvar a Deus porque o missionário americano Ashbel Green Simonton há mais de 150 anos, não tinha a ideia de evangelizar somente sua cidade e país para depois vir ao Brasil. Ele deixou família e seu conforto para vir ao nosso país e trazer-nos a mensagem do Evangelho. Agora é a nossa vez de levar a outros povos a mensagem de Cristo.

Conclusão:
 
No dia de Pentecostes, Deus dá aos seguidores de Jesus o Espírito Santo anunciado por João Batista (Lucas 3.16) e prometido por Jesus (Lucas 24.49; Atos 1.4-5,8). Como Jesus tinha prometido (Atos 1.8), os discípulos receberam poder para dar testemunho a respeito de Jesus. O cumprimento de Atos 1.8 é Atos 8.1:

“E Saulo consentia na sua morte. Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria.”

A perseguição foi o instrumento usado por Deus para desaglutinar a igreja de Jerusalém e alcançar outros povos. Jesus deixou nas mãos da igreja a responsabilidade de pregar o Evangelho. Essa tarefa é nossa e de mais ninguém. Se nos calarmos seremos tidos como culpados. Não haverá esperança para o mundo se todos os crentes não se dispuserem a testemunhar. Cada crente deve fazer do seu lar e do seu trabalho uma trincheira do Reino de Deus. Não podemos esconder nossa luz. Não podemos ser discípulos secretos. Cada crente deve ser um ganhador de almas. Essa é a nossa vocação. Não podemos nos calar nem nos omitir. Não podemos nos esconder, confortavelmente, dentro dos nossos templos. Nenhuma outra entidade na terra tem competência e autoridade para evangelizar, exceto a igreja.
Portanto, o que nos falta não é comissionamento, mas obediência. Precisamos sair e ir lá fora, onde os pecadores estão. Devemos nos engajar em uma divulgação intensiva e extensiva do Evangelho entre todos os povos, difundindo-a de forma plena e persuasiva como está registrado nas Escrituras, no poder do Espírito Santo. O Evangelho de Cristo é o único remédio para a doença do homem. Não podemos nos calar. Não podemos sonegar aos povos o Evangelho. Precisamos compreender que missões é tanto um privilégio como uma responsabilidade e só será executada com o poder do Espírito Santo.

Nos laços do Calvário que nos une,
Pastor Luciano Paes Landim.

Bibliografia:
 
Bíblia de Estudo de Genebra. Edição Revista e Ampliada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.
Bíblia de Estudo MacArthur. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.
Bíblia de Estudo NTLH. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.
Bíblia de Estudo NVI, org. geral Kenneth Barker. São Paulo, SP: Editora Vida, 2003.
Bíblia Shedd, ed. responsável Russel Shedd. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 2009.
Marshall, I. Howard. Atos – Introdução e Comentário. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 1982.
Peters, George W. Teologia Bíblica de Missões. Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 2000.
Stott, John. A Mensagem de Atos – Até os Confins da Terra. São Paulo, SP: ABU Editora, 2008.

Comentários

  1. Muito bom esse artigo! Continue a esclarecer-nos pois muitos acham que a obra de Deus é só bençãos sem trabalho!!!

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