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Testemunho de Regina Afeya, indígena hixkaryana

Aconteceu assim comigo há muito tempo. Eu nasci em 1971. Naquela época o Desmundo ainda estava aqui. Eu nasci doente. Por isso, Desmundo e Graça, sua esposa, me levaram para a casa deles. A Graça cuidou de mim por três dias e me devolveu para a minha mãe. Por isso, Desmundo dizia assim: “Deus te amou, Afya, por isso, ele te curou, não te deixou morrer. (...) A Graça cuidou de você, por isso, você está bem, pela vontade de Deus. Então, seja de bom comportamento. Ocupe-se com Deus, pois você foi restaurada por Ele”.

Quando eu ainda era menina, o meu pai faleceu, acho que foi em 1983. Ficou só a minha mãe. Assim, eu continuei crescendo, agora sem pai. Agora eles eram como pais pra mim. Desmond sempre vinha para cá e Waraka também me ensinava. Waraka também dizia assim como o Desmundo: “Jesus está voltando para a terra. Por isso, comporte-se bem. Ocupe-se com Deus, creia em Jesus. Esse é o modo correto de vivermos. Faça isso”, ele dizia. Assim, eles me ajudaram quando eu não tinha conhecimento.

Quando eu estava crescendo, o Livro de Deus chegou à nossa aldeia. Depois, eu também recebi o Livro de Deus. Waraka me dizia assim: “Leia o Livro de Deus. Ele é o poder de Deus, a Palavra de Deus. Por isso, leia o Livro de Deus”.

Por isso, eu o lia e ele falava muito bem pra mim. Eu lia o Livro de Deus o tempo todo. Eu vivia com o Livro de Deus no colo, porque o amava. Mas, mesmo agindo daquela forma, eu ainda não havia aceitado a Jesus.

Indo para a igreja eu ouvia sobre a vinda de Jesus. Waraka, Wemko, Warafuru, Mahxawa e outros pregavam e, por causa deles, eu passei a entender. Eles contavam que aqueles que aceitassem a Jesus iriam para o céu. “Lá há uma cidade chamada Jerusalém. É uma cidade sem defeito, para aqueles que tiverem aceitado a Jesus e viverão para sempre”, eles diziam.

Por isso, eu passei a pensar em aceitar a Jesus, mas eu tinha medo. Eu pensava em ir até Waraka dizer que eu queria aceitar a Jesus, mas eu não ia. Até que eu decidi de vez. Fui até Waraka e ele me disse para aceitar Jesus. Assim, eu aceitei a Jesus quando ainda era solteira. Logo em seguida, Deus me mostrou meu marido. Nós nos casamos e, logo depois de casarmos, eu me batizei e meu esposo se batizou também.

Foi assim que aconteceu comigo. Eu ouvi sobre Jesus e aquilo me alegrou, por isso, eu o aceitei.

Depois de bastante tempo, Deus nos chamou para trabalharmos como cantores. Depois, eu adoeci e acabei deixando de ser cantora. Depois, Deus me restaurou. Eu pensei que iria morrer, mas Deus me restaurou. Ele não me deixou morrer, mas preferiu que continuasse O servindo. Logo depois, Deus chamou meu esposo e eu para sermos pregadores da Sua Palavra, para cuidarmos de seus servos.

Depois, quando Desmundo já estava velho, ele me convidou para ajudá-lo no trabalho de tradução, para corrigir a tradução. Depois ele convidou meu esposo também e nós passamos a trabalhar juntos.

Eu trabalhei pouco tempo com o Desmundo e depois ele faleceu. Hoje nós ainda estamos trabalhando na tradução, agora com a Maria, que Deus escolheu para ficar no lugar do Desmundo.

Foi assim que Deus mostrou amor e misericórdia por mim. Era isso que eu queria contar. Por enquanto é só.

Observação: Afya é esposa do pastor Carlos Abraão e os dois trabalham juntos na equipe indígena de tradução da Bíblia para o povo Hixkaryana.

Link: http://novastribosdobrasil.org.br/conteudo/item/177-testemunho-de-regina-afeya-indigena-hixkaryana

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