MISSÕES PARA A GLÓRIA DE DEUS!


John Piper disse que as missões não representam o alvo fundamental da Igreja, a adoração sim. As missões existem porque não há adoração; ela sim é fundamental, pois Deus é essencial e não o homem.
Martyn Lloyd-Jones assim se expressa:

“O objetivo supremo desta obra é glorificar a Deus. Esse é o ponto central. Esse é o objetivo que deve dominar e sobrepujar todos os demais. O primeiro objetivo da pregação do evangelho não é salvar almas; é glorificar a Deus. Não se tolerará que nenhuma outra coisa, por melhor que seja nem por mais nobre, usurpe esse primeiro lugar”.

Isto significa que a adoração a Deus deve ser a preocupação fundamental da Igreja do Senhor Jesus.
John Piper argumenta:

“o desafio missionário existe e persiste porque o culto pleno a Deus ainda não existe”.

A adoração a Deus é o alvo último da Igreja. A glória de Deus é a primazia e não o homem. Deus busca a sua própria glória. A glória de Deus é o combustível e a meta da missão. É a meta da missão porque nela procura-se levar os povos a exultação inflamada do nome do Senhor.
Piper expressa:

“Quando a chama da adoração arder com o calor da verdadeira excelência de Deus, a luz das missões brilhará para os povos mais remotos da terra”.

Uma análise da revelação bíblica confirmará a conclusão a que John Piper chegou: o culto é o fim último da Igreja e o desejo máximo de Deus para toda a humanidade. Missão principia e finaliza na adoração. Adoração é o objetivo da missão.
Logo, entendemos que a evangelização dos povos precisa ser vista na conjuntura do deleite divino.
Gildásio Reis foi quem disse:

“Não podemos nos esquecer que o motivo por trás de todas as ações deve objetivar agradar a Deus (Sl 115.3; Is 48.9-11)”.

Na obra missionária a Igreja de Jesus Cristo, em obediência ao Seu mandamento, para a glória de Deus, e para a salvação dos eleitos de Deus, deve buscar e orar:

1. Pela oportunidade de pregar o Evangelho (Cl 4.3-4; 2Ts 3.1);
2. Por homens para pregá-lo (Mt 9.37-38);
3. E por fruto na obra da pregação (Rm 10.1).

Notamos aqui a motivação que deve permear a vida do missionário. A análise parte do exemplo de Jesus – o Missionário por Excelência:

1. Certeza total de que está fazendo a vontade de Deus (Jo 6.38; 8.29; Hb 10.7);
2. Compartilhar o amor de Deus aos perdidos (Jo 3.16; 10.11);
3. Sonhar no encanto que fica além da cruz (Hb 12.2; Jo 17.5,24).

Ressaltamos que o Mestre definiu em várias ocasiões a sua missão, esta que a cumpriu cabalmente:

1. Jesus foi enviado para fazer a vontade de Deus (Sl 4.7-; Jo 6.38);
2. Jesus veio para servir e oferecer a sua vida em pagamento de muitos (Mc 10.45);
3. Jesus veio imprimir as palavras de Deus (Jo 17.8);

Jesus embora sendo Deus tornou-se plenamente homem (Hb 2.14; Gl 4.4). Ele sendo merecedor de toda glória, humilhou-se. Ele, para identificar-se com aqueles que veio salvar, conheceu e experimentou todas as lutas humanas. Utilizou-se de várias maneiras para resgatar vidas, e isto a qualquer custo:

1. Viveu na dependência do Pai (Jo 5.19);
2. Quanto mais atarefado mais orava (Mc 1.32; Mt 26.39; Lc 23.46);
3. Estava sempre disponível aos que dEle precisavam (Mt 9.18-19);
4. Fazia discípulos (Mt 28.18-20).

Deste modo, estas também são as tarefas do missionário cristão. Consequentemente, o papel do servo de Deus é seguir os passos do Deus Missionário, o Senhor das nações. Contribuir para a salvação dos perdidos (Lc 19.10) e edificar os salvos (At 1.8), sabendo que tudo isso tem o propósito divino.
O cristão faz parte do Corpo de Cristo, e, portanto, tem uma função. No corpo de Cristo todos os membros são significantes. Os dons do Espírito Santo foram distribuídos tendo em vista a edificação do povo de Deus. Uma igreja missionária tem como características:

1. Compreensão e convicção de sua identidade;
2. Visão clara sobre sua missão;
3. Sabe qual é a contribuição que cada membro deve fazer.

Sobre a perda da visão da missão da igreja, Russel Shedd cita Charles Spurgeon:

“Durante as últimas décadas, um mal tem se desenvolvido em proporções anormais. Tem agido como fermento, até que toda a massa fique levedada. O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas tendo em vista ganhá-las para Cristo. A igreja abandonou a pregação ousada, como a dos puritanos e em seguida, ela gradualmente amenizou seu testemunho; depois passou a aceitar e justificar as frivolidades que esteve em voga no mundo, e no passo seguinte, começou a tolerá-las em seus areais e agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões... Em nenhum lugar encontramos, ‘E oferecei entretenimento para aqueles que não gostam do evangelho’... Tais palavras não se encontram na Bíblia.
Qual era a atitude da igreja em relação ao mundo? Vós sois o ‘sal’ não o docinho, algo que o mundo desprezará. Pungente e curta foi a afirmação de nosso Senhor: ‘Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos’ (Lc 9:60).
... A missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros. A necessidade atual para o ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade, uma resulta da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade de nossa época é a doutrina bíblica entendida e experimentada de tal modo, que produz devoção verdadeira no íntimo dos convertidos.”

A Igreja não foi fundada para agradar ou entreter o mundo ou a ela própria. O povo de Deus existe para glorificar a Deus e proclamar Sua verdade em amor. E no Corpo de Cristo não existe membro auto-suficiente nem desamparado e abandonado. O que existe é a mutualidade. Não cabe na Igreja o complexo de superioridade (dominação) nem o complexo de inferioridade. Uma igreja que zela pela glória de Deus é uma igreja destemida que proclama a mensagem de salvação em Jesus Cristo aos perdidos. É uma igreja que recebe e trata a todos com amor e verdade.
Sendo assim, missão é algo que deve nascer de um coração totalmente consagrado e comprometido com Deus e para a glória de Deus. John Piper diz que quando esta era terminar e representantes de toda raça, tribo e nação estiverem dobrados diante do Cordeiro de Deus, a obra missionária não mais terá razão de existir na igreja. Mas o culto continuará a existir.
Missão concebe apenas uma necessidade passageira da Igreja, mas a adoração durará para sempre. A adoração é a mais nobre atividade que o ser humano poder realizar. E missão é o maior desafio que ele recebe como resposta e estímulo da sua atividade como adorador.
A glorificação de Deus é a razão da missão. Timóteo Carriker afirma:

“a misericórdia de Deus em estender a salvação para as nações é a suprema razão da obra missionária. É iniciativa e obra dEle, portanto, nós, os embaixadores de Deus, teremos toda razão de anunciar tão grande oferta. Enraizamos a razão da obra missionária não no ser humano, na sua carência de Deus, ou no seu amor para com aqueles que não tem Deus, mas a razão da obra missionária está firmemente enraizada na iniciativa e na misericórdia de Deus, isto é, na sua soberania”.

A glorificação de Deus é o combustível da missão. Quando a nossa paixão por Deus está fraca, também fraco será o nosso trabalho missionário. O esmero pela glória de Deus no culto determina o avanço da obra missionária.
Ronaldo Lidório falando sobre a obediência como a determinadora do avanço missionário, diz:

“Não basta obedecer; é preciso obedecer pelas motivações certas. Seja testemunhar de Cristo, entrar em uma mata com a mensagem do Evangelho, pregar em uma igreja, cantar no coral, entregar um folheto, é preciso que seja para a glória de Deus, sem compulsões, máscaras ou legalismos. É preciso estar motivado pelo desejo de agradar a Cristo e segui-lo”.

Aqui estão mais alguns motivos para se fazer missão:

1. É uma ordem imperativa do Senhor das nações (Mt 16.15; 1Co 9.16);
2. É uma grande honra e grande privilégio ser embaixador da parte do Rei dos reis (2Co 5.20);
3. Existirá um galardão para quem anuncia o Evangelho incansavelmente (1Co 15.58; Rm 14.12; Gl 6.7; Cl 3.23,25);
4. Porque todos os cristãos devem dar frutos (Jo 15.5,16 e Mt 7.19);
5. Porque evangelizar é a condição para o crescimento da Igreja (At 2.37-41).

Estes motivos e outros nos orientam e nos faz agir em prol da proclamação do Evangelho em todo o mundo. Todavia, o principal motivo para missão é a glória de Deus. É isto que o apóstolo Paulo diz em Rm 16.27: “Ao Deus único e sábio seja dada glória...”. Este é o fundamental motivo para nos entregarmos inteiramente ao trabalho missionário. A glória de Deus é que determina o crente em Jesus entregar os filhos à causa missionária mundial, para financiar a ação missionária urbana e transcultural, para interceder e empreender esforços para que todas as gentes ouçam o Evangelho. Deus é o alvo. A adoração a Deus é a prioridade última. A glória de Deus é a chama que acenderá o ardor e avivamento missionário no coração de cada cristão. Devemos glorificar a Deus e apresentar Sua glória ao mundo. Fazemos missão para que os povos conheçam e adorem a Deus. É a glória de Deus que é colocada acima do bem do homem. Deus é o centro e não o homem. Isso não significa rebaixar ou depreciar a obra missionária, contudo, exaltar o Único que é digno de honra, glória e louvor.
A partir do momento que o ardor por Deus inflamar em nossos corações, a luz missionária flamejará para os povos mais longínquos da Terra. Pois o profundo amor pela glória de Deus evidencia o avanço firme da obra missionária. Quanto mais amamos a glória de Deus mais se avança a obra missionária. Amor a Deus e amor por missão não podem ser afastados. A paixão pela glória de Deus e a paixão pela salvação dos perdidos caminham atreladas.
Hernandes Dias Lopes disse:

“Jamais poderemos afirmar, também, que estamos interessados na glória de Deus se não fazemos missões. A prova do nosso amor por Deus é obediência”.

Ou seja, os que Deus chamou para a salvação são os que devem proclamar as boas novas de salvação no mundo. Para isso, é imperativo o discernimento de que a missão para a glória de Deus é uma obra imprescindível, improrrogável e intransferível. É uma ação necessária da Igreja de modo que não pode ser adiada.
A primeira pergunta do Catecismo de Westminster diz: “Qual é o fim principal do ser humano?” E a resposta correta é: “O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-Lo para sempre”. É dentro deste aspecto, que afirmamos que a missão é para a glória de Deus. Missão principia e termina na adoração a Deus. A adoração ao Senhor é o combustível e desígnio da missão.
Deste modo, a alegria de proclamar a glória de Deus entre todos os povos e gentes, levando a eles a mensagem da esperança e salvação em Jesus Cristo é o exímio propósito da existência da Igreja. A obra missionária não pode ser um apêndice ou parêntese na agenda da Igreja que está comprometida em glorificar a Deus. Missão não é um departamento, mas a própria razão da Igreja.
Calvino também tem este foco em sua teologia missiológica. Para o reformador, tudo na vida deve ser vivido para a glória de Deus. Segundo o sistematizador da Reforma Protestante, o fator que deveria motivar as missões mundiais era a glória de Deus.
Gildásio Reis cita Charles Chaney, referindo-se a João Calvino:

“o fato de que a glória de Deus ser o motivo primordial nas primeiras missões protestantes e isto ter se tornado, mais tarde, uma parte vital do pensamento e atividade missionários, pode ser traçado diretamente em direção à teologia de Calvino”.

Deus está no centro de toda e qualquer legítima atividade missionária. Deus é o primeiro e o último. Essa verdade é o fundamento da inspiração, motivação e perseverança missionária.
Aproniano Wilson de Macedo referindo-se à visão missionária de João Calvino, diz:

“Calvino preocupou-se com Missões. Nas Institutas e nos seus comentários, manifestou profundo interesse pela propagação do Evangelho. Comentando a Grande Comissão, disse: ‘O Senhor ordena aos ministros do Evangelho que vão longe para pregar a doutrina da salvação em todas as partes do mundo’”.

William Carey, conhecido como o “Pai das missões modernas”, foi missionário na Índia e expressou assim essa vinculação:

“Quando eu deixei a Inglaterra minha esperança na conversão da Índia era muito forte, mas, em meio a tantos obstáculos, ela poderia morrer a não ser que fosse sustentada por Deus. Eu tenho a Deus e sua palavra é verdadeira. Apesar de as superstições dos pagãos serem milhares de vezes mais fortes do que eles e o exemplo dos europeus milhares de vezes pior; embora eu tenha sido abandonado e perseguido por todos, ainda assim esta é minha fé, firmada na certeza da palavra, que se elevará acima de todos os obstáculos e superará cada provação. A causa de Deus irá triunfar”.

Na missão é essencial que exista centralidade de Deus na vivência da Igreja. Isto significa ter Deus no centro da vida e ajuda a entender a própria significação da obra missionária. A obra missionária enfatiza a prioridade de alcançar povos, ou etnias não alcançadas para a glória de Deus.
A missão é para a glória de Deus:

1. Deus escolheu seu povo para Sua glória: “assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado” (Ef 1.4-6).

2. Deus criou os seus para Sua glória: “Direi ao Norte: entrega! E ao Sul: não retenhas! Trazei meus filhos de longe e minhas filhas, das extremidades da terra, a todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória, e que formei, e fiz” (Is 43.6-7).

3. Deus libertou Israel do Egito para Sua glória: “Nossos pais, no Egito, não atentaram às tuas maravilhas; não se lembraram da multidão das tuas misericórdias e foram rebeldes junto ao mar, o mar Vermelho. Mas ele os salvou por amor do seu nome, para lhes fazer notório o seu poder” (Sl 106.7,8).

4. Jesus disse que responde às orações para que o nome de Deus seja glorificado: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho” (Jo 14.13).

5. Jesus acolheu os seus para a glória de Deus: “Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus” (Rm 15.7).

6. O plano de Deus é encher a Terra com o conhecimento da glória do Senhor: “Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como as águas cobrem o mar” (Hc 2.14).

O que entendemos, então, é que a obra missionária inicia-se e se completa com o culto prestado à glória de Deus. Pois só a adoração genuína a Deus pode motivar verdadeiramente a Igreja a avançar com a proclamação do Evangelho. A glória de Deus é a razão, o combustível e o alvo da missão. E Jesus é a manifestação da glória de Deus.

Soli Deo Gloria!

Nos laços do Calvário que nos une,
Rev. Luciano Paes Landim



BIBLIOGRAFIA

A Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. Ed 1995. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1995.

A Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. 2 ed. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

Gildásio Reis. O Propósito da Missão, a Glória de Deus. Extraído do site: www.monergismo.com [acesso em 17.06.2011].

_________________. Missões ou Adoração? Uma Perspectiva Reformada de Missões. Extraído do site: www.monergismo.com [acesso em 17.06.2011].

Hernandes Dias Lopes. Paixão por Deus e o zelo missionário andam de mãos dadas. Extraído do site: www.hernandesdiaslopes.com.br (acesso em 17.05.11).

Lidório, Ronaldo. (2007). Restaurando o Ardor Missionário. Rio de Janeiro, RJ: CPAD.

Macedo, Aproniano Wilson. (1998). Teologia de Missões. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.

O Catecismo Maior de Westminster. (2005). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.

Piper, John. (2001). Alegrem-se os Povos, A Supremacia de Deus em Missões. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.

Russel Shedd. Uma Igreja Com Visão Missionária Proclama a Glória de Deus às Nações. Extraído do site: www.sheddpublicacoes.com.br [acesso em 17.06.2011].

Timóteo Carriker. A glória de Deus: a missão da igreja. Extraído do site: www.sermao.com.br [acesso em 17.06.11].

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