O QUE É UM PASTOR: MITOS E VERDADES

Por ANATOTE LOPES


Normalmente os mitos sobre a figura do líder evangélico ou do pastor são construídos pelas pessoas preconceituosas ou pelas fanáticas. Essas pessoas são sectárias de religiões e filosofias cristãs, não cristãs, ateístas e agnósticas.
A maior fonte criadora de mitos sobre o pastor é a massa insatisfeita, dissidente ou desigrejada que, teve a sua expectativa frustrada com relação ao seu pastor, ou teve uma decepção religiosa profunda, cuja responsabilidade recaiu sobre o seu líder.
Essas pessoas preconceituosas ou fanáticas, agora, procuram convencer ao máximo as outras pessoas que, todos os pastores são milionários e que a maioria dos pastores seja semelhante ao padrão caricaturado pela sua experiência ou pelo estereotipo dos tele-evangelistas.
As pessoas constroem mitos de que os pastores são homens transcendentes dotados de poderes espetaculares, imunes às tentações e necessidades da humanidade. As pessoas migram da primeira classe de mitos para a segunda facilmente; são os fanáticos de hoje que vão peregrinar amanhã no caminho dos religiosos insatisfeitos, dissidentes e desigrejados.
Essa ignorância é digna de pena. Pois tentam comunicar que, o que se apresenta na televisão é o padrão do líder ou pastor evangélico brasileiro, quando eles nem perto chegam do percentual de 0,001% dos pastores.
 Acredita-se que o pastor é um homem rico ou imune às necessidades, alegre o tempo todo, sem problemas emocionais e com a capacidade de vencer qualquer tentação ou adversidade.
O primeiro mito é que pastor não trabalha e não ajuda as pessoas, mas vive a cobiçar o dinheiro das pobres almas dos seres humanos ou são homens santos que oram o dia inteiro e sublimam suas necessidades com a espiritualidade, além de transferirem sua energia espiritual excedente aos fracos com orações miraculosas.
A grande maioria dos pastores trabalha em outras atividades seculares como empregados ou profissionais liberais, enquanto pastoreiam em um segundo ou terceiro turno de carga horária de trabalho, junto a uma ou mais igrejas pequenas ou médias, nas quais são os pastores e seus familiares os maiores contribuintes.
O mundo e o nosso país é muito grande e as pessoas não conhecem a realidade de outras comunidades, e, até mesmo, pastores, ignoram a realidade de outros pastores e rebanhos.
O sustento pastoral é concedido em contrapartida à exigência da dedicação exclusiva, o que não desobriga o pastor de seus cuidados e deveres materiais, emocionais e espirituais junto a sua família. Esse suprimento que todos nós temos necessidade o pastor também tem, e, necessita do cuidado material, emocional e espiritual de outras pessoas, o que acontece, mais ou menos, dentro das condições da classe social da comunidade de fé.
O segundo mito é que pastor é rico e feliz, ou seja, não tem problemas emocionais e financeiros. Para uns o pastor não pode ser rico e deve ser muito sério e para outros se ele não for rico e bem humorado não é abençoado por Deus.
Infelizmente não são poucos os pastores que vivem na pobreza. Anualmente, mais de 1600 pastores das diversas denominações abandonam o ministério pastoral por causa das dificuldades da pobreza. Mas, não apenas por causa da pobreza; as pressões vividas pelos pastores são tanto orçamentárias, quanto inerentes ao trabalho pastoral, que está entre os trabalhos mais árduos do mundo, lidando com as dores, angustias e tensões emocionais da agenda pastoral e eclesiástica. Os pastores ainda sofrem discriminação crescente e acelerada e grande desvalorização, trazendo enfermidades físicas e psicológicas sobre as famílias pastorais.
O luxo dos televangelistas milionários pode acabar e o sofrimento de muitos pastores anônimos e de suas famílias pode ser amenizado quando as pessoas procurarem igrejas, nas quais a maioria de seus pastores recebem côngruas modestas ou trabalham eles, suas esposas, filhos e filhas muitas vezes na indústria, no comercio, no serviço público ou em outras áreas, para levantar o sustento familiar e das igrejas.
O terceiro mito é que os pastores são homens que não serviram para outra coisa. Eu conheço mais pessoas que não conseguiram serem pastores e foram fazer outra coisa; chegaram ao seminário, mas não suportaram a agenda acadêmica de extensa bibliografia, metodologia exigente, excesso de leituras obrigatórias, estudos linguísticos, exegéticos e hermenêuticos e uma quantidade enorme de trabalhos acadêmicos na formação pastoral. Pensavam que se tratava de um caminho suave, logo descobriram que, com menos esforço se formariam administradores, advogados, médicos, etc.
Outro mito é que qualquer um pode ser pastor. Somam-se às dificuldades da formação pastoral a aceitação pela igreja. Muitos desejaram os cargos dos pastores, mas não conseguiram sequer, a aprovação das igrejas para serem enviados aos seminários. Outros foram eliminados no processo. Certamente os rejeitados pela Noiva também estão por ai difamando os pastores, alguns dentro das igrejas e outros já estão fora dela.
Fato é que muitos pastores deixaram o ministério e se adaptaram a novas atividades, mas muitos outros em tempo parcial desempenham outras atividades, são pastores e também são professores, advogados, médicos, etc. Existem também àqueles que desistiram do pastorado para manter o padrão social e econômico que a dedicação em outras atividades proporciona.
Os mitos são construídos em casos de exceção e não de regra, por isso não se fundamentam. O líder evangélico ou o pastor recebe das pessoas preconceituosas e fanáticas o status de celebridade. As expectativas frustradas, as decepções religiosas produzem uma generalizadora e maliciosa aversão à figura do pastor.
Mas, existe um problema ainda maior, a desconstrução do padrão bíblico para a moralidade, a sexualidade e para experiência religiosa. A Bíblia diz que os pastores se tornam “modelo do rebanho”. (I Pe 5.2,3). A militância imoral e anticristã tenta desmoralizar não apenas o líder, mas, com ele, todo o cristianismo. Eles querem comunicar à sociedade que um líder cristão, o pastor ou padre (equivalente do pastor no catolicismo) é imoral e pervertido para justificar a imoralidade e a perversão e destruir os padrões universais do cristianismo.
Os religiosos insatisfeitos, dissidentes e desigrejados e os falsos pastores e irmãos são cooptados para fazer esse serviço do cão, como um fogo amigo contra nós mesmos, pois é certo que temos nossas mazelas, as quais devem ser tratadas dentro dos limites da igreja, pois não são aprovadas e não servem para justificar nem os de dentro e nem o de fora das igrejas, mas precisam ser corrigidas por nos mesmos.
A graça e o amor de Deus não justificam o comportamento reprovável dos pastores e de nenhum cristão. As coisas reprováveis no ministério pastoral são reprováveis na conduta de todos os cristãos porque são incompatíveis com o Espírito do cristianismo e com o principio recorrente das Escrituras Sagradas. Detonar um pastor é para eles detonar o cristianismo e a Bíblia. Não sejamos ingênuos.
Deus se deleita em nos justificar, declarando-nos justos por causa da morte de Cristo, mas ele também santifica para si o seu povo, isto é, ele nos imprime uma maneira santa de viver, é verdade que existem falsos pastores e falsos irmãos, mas devemos ser confiantes que há entre nós crentes verdadeiros, justificados e santificados e os erros apontados são anomalias que podem e devem ser corrigidas.
Mas infelizmente, a persistência no pecado indica uma fé falsa, sem lugar no Reino de Deus. “Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor.”. (I Co 5.13). E, “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores [(corruptos)] herdarão o reino de Deus.” (I Co 6.9, 10).

LINK: http://anatotelopes.blogspot.com.br/2013/05/o-que-e-um-pastor-mitos-e-verdades.html

Comentários

  1. Desculpa-me a intromissão no artigo! Mas independente do caráter daqueles que outrora estão investidos do TÍTULO . Com certeza a história da igreja têm muito a nos ensinar sobre o surgimento do Pastor moderno!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Boa tarde Claudio! Não entendi o seu comentário.

      Excluir
  2. Me aponte o primeiro pastor da história da Igreja (a igreja têm mais de dois mil anos)? (Não vale a figura do Supremo Pastor)

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Comentários:

Postagens mais visitadas deste blog

A IMPORTÂNCIA DA FIDELIDADE DOS DÍZIMOS E DAS OFERTAS

ESTRATÉGIAS DE EVANGELIZAÇÃO URBANA (Parte 01)