Diz-que-diz-que: A Manifestação da Falta de Conversão



 (Texto publicado no Boletim da ICP, no ano de 2007 em São Sebastião/DF)

“Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã.” Tg 1.26

Em minha viagem à Buenos Aires, Argentina, em julho de 2007, ouvi uma linda frase que diz: “É incrível, uma língua que mede sete centímetros matar um homem que mede dois metros”. Estas palavras refletem até hoje em minha mente. Logo após chegar ao Brasil li um artigo de um pastor sobre a maledicência, que diz uma história que transcreverei aqui: “Conta-se que no século XVI, uma senhora procurou um famoso pregador para se aconselhar, mas o pastor conhecendo bem sua ovelha, e sabendo que era uma pessoa que mentia e fazia muita fofoca, pediu a ela que fosse à feira, comprasse uma galinha. No caminho de volta, deveria arrancar as penas da galinha atirando-as ao vento. Admirada, a senhora foi e cumpriu toda a tarefa. Quando voltou ao pastor com a galinha já depenada, este lhe disse: ‘Agora volte outra vez, por onde veio, recolha as penas que retirou deste animal e traga-me’. Logo, perplexa, respondeu a mulher: ‘Isso é impossível senhor! O vento espalhou todas as penas!!!’ Então, o pregador falou: ‘Justamente assim acontece com a sua maledicência. Você fala de outra pessoa e não está em seu poder o que será destas palavras. Elas voam por toda a vila, por nossa congregação e pessoas ficam feridas e machucadas. E por sua palavra você pode condenar o seu próximo à morte e sei que você não lhe servirá de testemunha favorável. Por favor, siga o seu caminho e não fale mais de ninguém,’”.
Como pastor dessa congregação e diante da história contada acima, pergunto: Será que temos imaginado o alcance das penas que temos atirado ao vento? Quantas pessoas foram atingidas, desmoralizadas e mortalmente feridas por nossa língua não convertida? Quantas perderam sua comunhão cristã por serem vítimas da mentira, da maldita fofoca e do nosso julgamento injusto?
Sei que todo pastor que zela pelo seu rebanho não pode tolerar essa prática maligna entre as suas ovelhas, porque isso é um câncer destruidor de almas. E sempre quando esse problema é detectado, os provocadores desse câncer precisam ser disciplinados para que essa doença não se espalhe para os demais.
Sabemos também, que esta prática pecaminosa destrói relacionamentos e nos impede de crescer saudavelmente. Afinal, no céu não entrarão os maldizentes: “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros... nem maldizentes... herdarão o reino de Deus” (1 Co 6.9,10).
Convoco toda a igreja para juntos lutarmos contra a fofoca e repreender toda maledicência. Para isso, é necessário fazermos algumas perguntas antes de falarmos qualquer coisa sobre algo ou alguém:

1. É mesmo verdade o que falo? Ou vou colocar o que acho ser a verdade, mesmo que seja mentira?
2. Qual é o motivo que me leva a falar sobre isso? Será inveja, ira, ou falta de coisa boa para falar?
3. É necessário, útil e edificante o que vou falar? Ou é uma chacota desnecessária?

Se você tem pecado, falado mal do seu irmão, não deixe que este hábito continue te dominando. Pelo contrário, ore a Deus confessando a sua iniquidade e peça perdão pelo mal que você já causou na vida das pessoas e da igreja. Peça ao Senhor para converter a sua língua. Afinal, hoje é dia oportuno, por ser Dia de Ceia Senhor, isto é, dia de reconciliação com Deus e com o próximo!
E nunca se esqueça de uma coisa: De todas as coisas que fizermos ou falarmos, daremos contas diante de Deus e que sua boca pode ser um instrumento de bênção ou maldição para sua vida e do próximo!

Nos laços do Calvário que nos une,
Rev. Luciano Paes Landim.

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