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Retornando Sempre à Cruz de Cristo


A cruz está em perigo constante. “Mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis” (Rm 1.23). Tentam, a todo custo, remover o lugar central que a cruz ocupa, utilizando percepções relativamente periféricas que são valorizadas sem necessidade. Sempre que os assuntos periféricos estão em risco de ocupar o centro, não estamos distantes da egolatria.

Exames equilibrados são indispensáveis. Eles ajudam tanto os de dentro quanto os de fora, tanto a não demonizar a igreja se afastando dela, como a não revesti-la com um rótulo ou título atrativo, que apenas promove adesões e ajuntamentos temporários, típicos de consumidores religiosos e ególatras.

A igreja não se encontra à parte de toda a pressão da sociedade sem Deus, adoradora de Mamom e de si mesma. O corpo de Cristo não pode encarnar o papel de prestador de serviços religiosos, no qual o produto principal é Jesus.
Seus pastores transformam-se em grandes gerentes de vendas e o grande apelo é a promessa que este produto em sua vida lhe oferecerá o sucesso profissional esperado; a felicidade afetiva almejada e a dissolução de qualquer tipo de problema que envolva sua vida.

Apesar disso, o crente salvo não deve deixar o convívio da igreja. Pelo contrário, deve fazer parte da igreja fundamentada na Palavra de Deus, séria e verdadeira, onde a Bíblia é pregada sistematicamente. Não é possível haver saúde espiritual fora da igreja. Deve ser formada por “santos imperfeitos”. Deixar de ir à igreja porque lá existem pecadores, não deve ser um argumento, afinal, sempre há vaga para mais um. Os falsos cristãos são simplesmente o cumprimento das profecias bíblicas. É o joio no meio do trigo. São aqueles que serão queimados no grande dia. Assim, a razão do envolvimento na comunidade cristã e o alvo de tudo na vida do cristão é a glória de Deus.

Precisamos retornar sempre à cruz de Jesus Cristo, se temos de determinar a medida de nosso viver, serviço e ministério cristão. Não podemos cair no mesmo erro dos coríntios, que eram fascinados pela retórica de seus dias. Os mesmos eram facilmente atraídos pela forma e aparência, deixando de olhar o conteúdo e a verdade. No sermão bíblico a ênfase está no conteúdo da mensagem: “Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus” (1Co 1.18). O apóstolo Paulo, exemplo de evangelista, enfatizou o conteúdo da mensagem e não o ato de pregar. Mensagem esta que é a mensagem da cruz. Cruz que rejeita e descarta todas as pretensões e glórias humanas. Cruz que derrota todo orgulho e acaba com qualquer esperança de salvação própria. A mensagem da cruz é central ao tema da Bíblia. Ela aponta Deus como centro de tudo e o único Deus. Só quem entende a cruz corretamente entende a Bíblia e Jesus Cristo. Sem a cruz de Jesus Cristo nunca existirá um cristianismo verdadeiro. A fundamental diferença entre a fé cristã e as religiões do mundo é a cruz.

A solução divina para a crise não está em um engajamento político ou social da igreja na sociedade, muito menos em maior especialização em administração e marketing cristão. Ela está ligada ao fato de conhecer as genuínas verdades da Bíblia, em redescobrir as doutrinas perdidas há séculos, entulhadas debaixo de aglomerados de tradições e ensinos meramente humanos.

Devemos crer e ser guiados pela mensagem da cruz, abandonando as superstições e participando da simplicidade do evangelho. Assim, seremos uma igreja que pulsa vida espiritual, não por causa de inúmeras atividades humanas, mas por causa da centralidade da Bíblia e presença do Espírito Santo em nossas vidas.

Nos laços do Calvário que nos une,
Rev. Luciano Paes Landim.

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