De que os pastores mais se queixam dos missionários?


Fiz uma pequena pesquisa missionária com vinte (20) pastores, que trabalham diretamente com missionários. A pergunta que fiz foi: De acordo com sua experiência, quais são suas principais queixas para com os missionários?

De antemão, prometo que também farei uma pesquisa com missionários acerca dos problemas que enfrentam com pastores. Porém, desejo apresentar aqui o resultado da pesquisa realizada com os pastores. Minha intenção é contribuir para a unidade e cooperação no Reino entre pastores e missionários. Mas, antes de mostrar o resultado da pesquisa, preciso fazer algumas observações: primeira, a pesquisa é pessoal, ou seja, não foi realizada por um órgão, mas por um pastor que entrevistou outros 20 pastores envolvidos com missões; segunda, a lista abaixo não está necessariamente na ordem de importância.

Missionários não vocacionados: há muitas pessoas no campo que não tem chamado algum para missões. São pessoas simplesmente emotivas que não possuem nenhuma vocação para missões.
Missionários despreparados: essa foi uma das maiores queixas dos pastores que participaram da pesquisa. A reclamação em grande parte dos pastores é que há um despreparo enorme dos missionários no que refere à teologia, missiologia, antropologia e linguística, que são os pilares do preparo missionário.
Missionários não convertidos: pior do que missionários despreparados ou que não têm chamado missionário, são os missionários que não são convertidos. Há missionários que ainda não nasceram de novo, que ainda não tiveram um encontro com Cristo. Creio que a motivação deles seja outra (dinheiro, fama, status, etc.), e não a glória de Deus e a salvação dos perdidos.
Missionários preguiçosos: são aqueles que querem ser sustentados pela igreja, mas não levantam uma “palha” sequer. Acordam tarde, passam o tempo discutindo polêmicas nas redes sociais, não evangelizam, não visitam, não discipulam, não estudam, não trabalham.
Missionários desigrejados: são aqueles que não frequentam nenhuma igreja e não são enviados por nenhuma igreja. Consideram-se cristãos, mas não mantém comunhão com alguma congregação. Pergunto: Por que eles não fazem parte de alguma igreja? Por acaso, Paulo não pertencia a igreja de Antioquia e por ela não foi enviado? Esses missionários não entenderam que o papel da igreja é fazer missões e o papel das missões é plantar igrejas. Missões só é possível através da igreja. A igreja é a agência missionária. Como evangelizar, discipular, ministrar as ordenanças (batismo e Ceia do Senhor), manter comunhão e crescimento sem a presença de igrejas locais?
Missionários que não plantam igrejas. Esse ponto está bem relacionado ao anterior. São aqueles missionários que não plantam igrejas, não discipulam, somente evangelizam. Possuem uma visão limitada acerca de missões. Não entenderam que para cumprirmos a Grande Comissão é imprescindível a plantação de igrejas. Eles vão aos lugares e evangelizam por alguns dias e depois retornam para suas cidades, sem confirmarem os convertidos, sem discipular, sem batizar, sem proporcionar aos convertidos a oportunidade de participar da Santa Ceia. Como eu disse anteriormente, este ponto está relacionado ao anterior.
Missionários que não prestam relatórios: não prestam relatórios financeiros ou de atividades evangelísticas e discipuladoras, ou quando prestam, mentem bastante. Alguns pastores descobriram relatórios fraudulentos e mentirosos acerca do número de conversos, administração financeira das ofertas, etc.
Missionários freelancers: são aqueles que evangelizam de vez em quando, ou que viajam de vez em quando, mas, não vão definitivamente para o campo, mas que se consideram missionários integrais. São “missionários de igreja”. As igrejas não precisam de missionários, e, sim, os campos. Fazem “missões” de vez em quando. Não entenderam o que é trabalhar missionalmente, isto é, missões não se define pelo que se faz, mas pelo que se é: missionário em todo lugar e em todo tempo.
Missionários pidões e gananciosos: só sabem reclamar das dificuldades financeiras e pedir dinheiro. Não sabem construir um projeto missionário e levantar os recursos. Toda oportunidade que têm para falar sobre missões, usam-na para pedir dinheiro. Demonstram ambição e ganância. Não confiam no sustento de Deus. É óbvio que existe o problema das igrejas que não ofertam para missões, porém, nada justifica atitudes cobiçosas por parte dos missionários. Um grave problema da igreja brasileira é a má administração financeira, isto é, não investe em missões o quanto deveria.
Missionários de púlpitos: são aqueles que só pregam em conferências, congressos, cultos, etc., mas não pregam para os perdidos. Só pregam nos púlpitos, mas não nas feiras, ruas, praças, aldeias, tribos, presídios, hospitais, etc. Admoestam as pessoas a fazerem missões, mas se quer vão à feira evangelizar. São meros “missionários” de púlpitos.

Por outro lado, os pastores também mencionaram o lindo trabalho que muitos missionários realizam. Eles mencionaram:

Missionários vocacionados: aqueles que foram chamados por Deus para anunciar o evangelho e que não largam a vocação por nada. Ou melhor, missionários que entendem que o chamado é maior do que a própria vida deles.
Missionários preparados: aqueles possuem um profundo preparo teológico, missiológico, antropológico e linguístico. São aqueles que buscaram e buscam constantemente o preparo. Esses missionários entenderam o quão importante é afiar o machado (Ec 10.10).
Missionários convertidos: aqueles que demonstram genuinamente sua conversão. São pessoas tementes a Deus e cheias de fervor. São santos que buscam sempre a pureza do evangelho.
Missionários trabalhadores: para eles não existe tempo ruim. Trabalham diariamente. Dedicam-se sempre. Estão sempre dispostos a agir missionalmente. Não são preguiçosos.
Missionários que congregam: eles têm uma igreja para frequentar. Eles são enviados por igrejas e agências missionárias. Não são desigrejados. Eles têm pastores e família na fé.
Missionários plantadores de igrejas: o objetivo deles é evangelizar os perdidos e discipular os conversos. Eles entenderam que a plantação da igreja é imprescindível para a evangelização e discipulado das nações. Eles acreditam que cada igreja é uma agência missionária.
Missionários que prestam relatórios: são claros, pontuais e honestos na prestação de relatórios financeiros e de atividades. Eles entenderam que a transparência na obra missionária é fundamental para ganhar credibilidade e novos intercessores e mantenedores.
Missionários integrais: não são missionários de vez em quando, mas diariamente. Quando vão para campos distantes, trabalham arduamente. Quando estão em suas próprias cidades, também atuam dedicadamente. Eles respiram missões. Eles amam missões. Eles não entendem missões como viagens, mas como filosofia de vida. Para eles, missões é como respirar.
Missionários discretos no levantamento de ofertas: primeiro, eles entendem que quem os sustenta é o Deus Missionário; segundo, como eles congregam, têm uma ou mais igrejas que os apoiam no sustento; terceiro, eles sabem falar sobre o sustento missionário sem explorar as emoções ou a boa-fé das pessoas; quarto, eles são prudentes e discretos no levantamento de ofertas; e quinto, por serem transparentes e honestos nos relatórios financeiros e de atividades, as pessoas ofertam segura e confiadamente.
Missionários de campo: são pregadores de rua, vilas, povoados, tribos, campos, etc. Não são “missionários de igrejas”. Eles pregam em igrejas, mas não somente em igrejas. O foco deles é alcançar o perdido. Fazem missões urbanas e rurais, nacionais e transculturais.

A conclusão é que, apesar dos falsos missionários, a obra missionária avança porque Deus ainda levanta homens e mulheres comprometidos com o anúncio do evangelho. A obra de missões é divina, foi criada por Deus e é mantida por Deus. O final dela será glorioso. Esse evangelho chegará ao mundo inteiro como testemunho para toda a humanidade. O nosso papel é orar, ofertar, treinar, enviar e ir. Observe que não são alternativas (orar, ofertar, treinar, enviar e ir), mas mandamentos que devem ser obedecidos totalmente.

Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.


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