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O Âmago da Sociedade Sem Deus


Não se pode aceitar tanta mentira e tanto vazio espiritual em nome do cristianismo, tantas pessoas enganadas, seduzidas, escravizadas pelo erro e pela pregação do materialismo neopentecostal. Deparamo-nos com pastores que pregam com o mesmo tom de voz, o falso apostolado, auditórios cheios de pessoas vazias de Deus, o “show da fé” , o estar “de bem com a vida”, as falsas riquezas e testemunhos inverídicos, a soberba dos tradicionais por dizerem ser a igreja da história, o orgulho dos pentecostais que se auto-intitulam a igreja renovada e as aberrações e escândalos dos neopentecostais que se consideram a igreja “pós-moderna”. Isso é a valorização do que não tem importância: o ego humano. Há quem diga que, no culto não precisa mais de pregação, mas, somente “louvores”. O âmago da sociedade sem Deus é a egolatria. Egolatria é o fato de que cada um deseja ser o número um. Egocentrismo profundo que brutalmente idolatra-se e tenta dominar Deus. Na verdade é uma religião sem Deus, onde os seus seguidores criam “listinhas” morais e legalistas acerca das Escrituras, sendo que a lei maior de Jesus é o AMOR. O Espírito Santo recusa-se a se fazer presente onde não há respeito às Escrituras Sagradas e nem a santidade ao Senhor, onde não se prega nem se louva a Cristo como o único e verdadeiro Salvador.

Igrejas que abandonam os cânticos a Deus e passam a exaltar a imagem do homem, a glorificar o poder material e a entronizar o ter em lugar do ser é porque se fazem parte de uma sociedade sem Deus. São igrejas que pensam que adorar a Deus é participar de uma agitação musical com luzes por todo lado, gente gritando, dançando, festejando e curtindo, como um teatro cultural comum e profano. São igrejas com cara de teatro, aspecto de boate, perfil de cinema e aparência de carro alegórico que parecem mais curtição do que unção. A sociedade sem Deus tem como filosofia dominante o relativismo e a substituição da verdade pelo pragmatismo. Ela é liderada por pregadores e cantores que exaltam e ensinam o princípio do prazer e da diversão, ou seja, a exaltação para eles significa dar aos clientes o que eles querem. Eles não se importam com o que a Bíblia diz.

Entretanto, o evangelho não é um traço cultural, ele deve ser a principal característica e a prova de um novo nascimento. É para a igreja influenciar o mundo com o evangelho, e não o inverso. Não deve existir no seio da igreja a onda do ser “gospel light” em que o conveniente é manter a política da boa vizinhança com os adeptos da sociedade sem Deus sem afetar a espiritualidade do outro e sem condenar as heresias que são propagadas diariamente. A igreja é sal da Terra e luz do mundo: “Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.13-16).

Aqui ficam duas perguntas: Como nós cristãos podemos censurar publicamente a sociedade sem Deus enquanto somos, semelhantemente, tão inclinados a imitá-la? Como podemos denunciar a filosofia do humanismo secular quando nós mesmos somos tão centrados no homem?

Nos laços do Calvário que nos une,
Rev. Luciano Paes Landim.

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